sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A sofrência da reta final

(Chutei o balde da cronologia dos posts.)

Esta gravidez não está sendo de fritar bolinho.
Se por um lado não tenho problemas graves, felizmente, por outro, os desconfortos gravídicos me abalaram bastante.
Acho tem muito a ver com o fato de estaremos em um país estrangeiro, sozinhos, e também com a situação calamitosa do mundo como um todo — muita gente pesada e medíocre ganhando destaque por aí, valores distorcidos, falta de empatia e amor ao próximo, essas coisas.
Estamos aqui em tempo real com 35+4 e anteontem foi um dos dias mais difíceis desta gravidez.
Passei a madrugada de terça para quarta com muita, muita, muita falta de ar! Nenhuma posição trazia conforto ou alívio. Tentei andar, tentei sentar, deitar, ficar reclinada, empilhar travesseiros e deitar só a cabeça... Nada! Não dormi. E tive uma crise de ansiedade por conta disso, porque achei que estivesse morrendo, que meu coração estivesse entrando em colapso, que meu corpo fosse sucumbir ao desgaste que é crescer, nutrir e gerar uma criança a partir de duas míseras células. Quase fui ao hospital. Passei muito mal mesmo! E, por isso, é óbvio, quarta-feira não foi um dia fácil para mim também. Passei o tempo todo ofegante, sentindo que o ar não chegava, com tonturas e, no fim do dia, tive uma crise de hipoglicemia porque não sinto fome, já que meu estômago praticamente inexiste (minha altura uterina mandou beijo para todos e já não existe mais na medida média da tabela, só na medida máxima da semana 42), e quando como tenho azia e muito incômodo com o esvaziamento gástrico tão devagar.
Aí, bateu um pânico horrível. Junto com o medo de morrer, de ter algo errado comigo, veio o medo de ficar nesse estado de miserabilidade até 41 semanas, como foi com Arthur!  Imaginei passar mais seis semanas sem comer e sem dormir, ansiosa, com medo, me sentindo mal, sem sair da cama, e mesmo assim exausta e esgotada.
Aí, ontem (quinta), bebê 2 encaixou. Liberou espaço. Chegaram minhas vitaminas com ferro. E hoje tive um dia cheio de cólicas, dores perto do osso púbico, peso e desconforto ao sul do Equador, mas muito menos falta de ar. Espero que este menino continue assim, encaixado, me dando espaço, me ajudando a ter ânimo para chegar aonde quer que ele queira chegar.
Até lá, sigo respirando, tentando encontrar espaços numa vida que está pesada e cheia de demandas externas e angústias internas, sigo fazendo duas terapias por semana (uma individual e outra individual), sigo também com acompanhamento de cardiologista e consultas semanais com as midwives. Só espero que bebê 2 venha um pouco antes de 41 semanas, porque está cansativo demais, e eu estou pronta para nunca mais ser uma grávida.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

33 corpinho de 38

Peço licença para interromper a sequência cronológica que vinha seguindo até então para escrever este post no meio da madrugada deste frio outubro.
Estou rolando na cama há mais de duas horas, tentando encontrar uma posição confortável para: meu bebê, minha cabeça, minha azia, meu refluxo e minha barriga de 33 semanas, mas que está do tamanho padrão de uma barriga de 38. Sim, você não leu errado: minha altura uterina corresponde à altura uterina média (percentil 50) de alguém que está grávida de 38 semanas.
A midwife não me pareceu preocupada ou assustada com essa medida, mas acho que tem a ver com o fato de que este bebê não vai sair pela vagina dela.
Ela disse que o bebê não está gigante, então voltei para casa me perguntando o que seria um bebê gigante para ela. Cinco quilos? Cinco e meio?
Acabei fazendo uma terceira ultra na última consulta. O motivo foi absolutamente fútil. Na ultra morfológica, aquela que fiz lá longe, em Chicago, a técnica e o médico disseram que meu bebê era um menino, me deram quatro fotos e tchau, beijo.
Quando mudei de clínica, eles pediram meus exames prévios, inclusive a ultra, e fui rever as fotos que ganhei, por mera curiosidade.
Bem, nas fotos não vi a obviedade masculina que relatei aqui há algumas semanas. E como minha memória anda ótima, não me lembrava de ter visto durante o exame as partes íntimas de um menino.
Postei a foto que tinha aqui em um fórum de mães, achando que iria receber respostas como "miga, sua louca, tá na cara que é um menino! Olha aqui...", mas o tópico foi super polêmico e metade das mães juravam que era um menino, metade, que era uma menina. Fiquei na dúvida.
Aí, na última consulta pedi para a enfermeira dar uma olhada na morfológica, só por precaução, e então ela sugeriu que eu fizesse uma nova ultra. Acabei aceitando e foi ótimo: confirmei que é mesmo e sem dúvida alguma um menino e vi os cabelinhos flutuando (❤), o que explica essa azia louca que venho sentindo.
O bebê está mesmo grande, mas a médica que fez a ultra também não ficou preocupada com isso. Novamente, acho que tem a ver com a vagina em vias de parir não ser a dela.
Enfim, agora estou aqui, duas e meia da manhã, caindo de sono, escrevendo um texto meio desconexo, rolando de um lado para o outro em busca de uma posição que me permita dormir, respirar, não morrer de azia e acomodar a barriga ao mesmo tempo.
Enquanto não acho este lugar, vou pensando coisas desconexas, inclusive este post, que serve de desabafo e de registro ao mesmo tempo.
Queria conseguir dormir sentada. 😔

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

26 semanas


E mais uma vez falhei retumbantemente em registrar mais amiúde esta minha última gestação. Mas eu me perdoo, pois a vida durante as férias escolares foram intensas e com rotina pesada.
Em junho minha mãe chegou por essas bandas e marido viajou por um mês. Se por um lado eu tinha ajuda, por outro também queria que minha mãe aproveitasse a viagem e conhecesse lugares bacanas. Fiz alguns passeios legais com ela e acabei tendo um tempo curto para muitas outras coisas.
Quando marido voltou de viagem, precisamos resolver diversas burocracias e nos preparar para a vida MUITO louca que nos aguarda até o fim deste ano: muitas metas, muitas obrigações, muitas coisas a serem resolvidas e que precisam de cuidado intenso e imediato. Arrisco dizer que estamos numa daquelas encruzilhadas que definem os anos vindouros, e se falharmos agora, muitos arrependimentos podem surgir em nossas vidas.
Mas e a gravidez de 26 semanas, Ártemis? Foco!
Ah, é. Tô assim meio avoada de novo. Os hormônios me fazem esquecer detalhes e coisas pouco importantes (só duas vezes esqueci coisas realmente importantes, mas faz parte, né?).
Os enjoos persistem. Agora mais suaves e concentrados à noite, sobretudo se como doces. Já não tomo remédios tem um bom tempo (desde a semana 20, por aí) e sigo engordando bem.
Pressão ok, glicose ok (86, medida ótima) – fiz pela primeira vez aquele teste com a bebida que parece um Sprite sem gás e foi tudo bem. Morria de medo porque a galera fala que vomita, que tem queda de pressão, que é uma experiência traumática. Bem, eu fui pronta para o apocalipse zumbi e saí de lá normal, até sem fome. Hehehe
Por falar em fome, parece que tem um buraco no meu estômago! Como muitas vezes, muitas coisas. Às vezes preciso comer várias porções porque dá azia, refluxo e mal estar, mas o apetite sempre existe. Algumas vezes eu cheguei a ir de madrugada assaltar a geladeira porque não dava para aguentar esperar o dia chegar para comer alguma coisa.
Minha barriga está ENORME. Hoje o pai de um amiguinho do Arthur perguntou para quando era o bebê e levou um susto quando disse a data prevista. Ela achou que ia nascer em poucas semanas. Eu também estou muito espantada com essa pança gigante, e na última consulta (a do teste de glicose) perguntei na cara de pau se a enfermeira tinha certeza absoluta de que era só um bebê mesmo. Ela disse que sim, que depois de ter feito a morfológica ela garantia que era só um mesmo. Mas sigo desconfiada. Este bebê, que é outro menino, como eu já vinha desconfiando, se mexe muitíssimo! O tempo todo e é comum sentir o movimento em dois, três lugares diferentes. Não registrei isso com Arthur, mas não tenho a memória de isso ter acontecido com ele. Minha lembrança é de muitos movimentos lentos, suaves, como se Arthur passasse o dia todo se espreguiçando ou soluçando na minha barriga. Este bebê também soluça bastante, mas ele se estica, enfia pezinho ou cotovelo numa parte da minha barriga que me faz ver estrelinhas e que provoca contrações de BH, o que acaba gerando mais dor e incômodo, porque a barriga contrai, o bebê cutuca e eu sinto como se tivesse enfiado a barriga numa quina bem pontuda. Por falar em cutucadas, outra diferença significativa desta para a gravidez do Arthur deve-se ao fato de que este segundo filho chuta/aperta/cutuca minha bexiga e meu intestino. Arthur não fazia isso com certeza! As sensações de chutes lá na bexiga são inteiramente novas e surpreendentes para mim. Aliás, a bexiga, nesta gravidez, tem sido bastante comprimida, e eu levanto de madrugada para fazer xixi, uma coisa que não me lembro de ter acontecido no segundo trimestre com Arthur.
Por falar em Arthur, ele tem sido muito carinhoso com o bebê (aka minha barriga), mas tem se mostrado bastante sensível a respeito da chegada do irmão. O comportamento varia de agressivo a dependente e ele tem direcionado a raiva que sente por perder o posto de filho único principalmente a mim. Melhoramos muito com a retirada da TV (assunto para outro post, prometo), mas ainda estamos trilhando um caminho de muita paciência e meditação da minha parte, e muito aprendizado da parte dele. Comprei também uns livros bacanas para este momento, porque acredito demais no poder da literatura para trabalhar emoções represadas (assunto para outro post também. Vamos listando!).
Sobre o atendimento à gestante aqui nos EUA, tenho umas observações.
Por conta de burocracias e comodidade (a clínica fica a 5 minutos da minha casa, bem ou mal eu já conheço a equipe), acabei me consultando até agora no mesmo lugar onde comecei o pré-natal, mesmo sabendo que trocaria de equipe em breve.
A minha última consulta, com 24+4, foi melhor em termos de conversa com a enfermeira. Eu levei uma lista de queixas e perguntas e ela foi atenciosa, respondeu a tudo e até mesmo pediu exames específicos para investigar melhor duas queixas (cansaço – que poderia ser anemia, mas felizmente não é – e queda de cabelo – que poderia ser devido a um problema na tireoide, o que, de novo, felizmente não é). Apesar de ser considerada uma grávida idosa (palavras do meu prontuário médico!), tenho me mostrado uma grávida bastante saudável, sem qualquer intercorrência séria. Os enjoos estão chatos, é verdade, e no começo foram até desesperadores, mas eles não afetaram minha saúde e, pelo que temos acompanhado nas duas US que fiz e nas auscutas que fazemos a cada consulta, nem a do bebê.
Mas voltando ao atendimento, vou fazer um post só sobre a ultra morfológica (e devo postar antes deste texto aqui, só para fins narrativos), porque esse tipo de exame tem sido completamente diferente das ultras que fiz no Brasil.
A consulta padrão daqui funciona assim: sou chamada pela técnica de enfermagem, que faz a triagem inicial – afere pressão, mede temperatura, anota peso e batimentos cardíacos no meu cartão da gestante – e depois sai, para que a médica ou a enfermeira obstetriz venham conversar comigo. A médica ou obstetriz chegam e perguntam como tenho me sentido, se houve sangramento, perda de líquido e se tenho sentido o bebê mexer. Nessa hora eu desfio meu rosário de dúvidas e queixas e elas respondem o que conseguem/podem. Perguntas sobre parto são, nesta clínica, geralmente respondidas de maneira bastante esquisita, com frases tipo “podemos fazer um parto sem intervenções, se você quiser”, “mais para a frente conversamos sobre isso”, “não se preocupe com isso agora”, por isso que decidi trocar de equipe (além disso, conheci duas pessoas que tiveram cesáreas com desculpas superestranhas com esta equipe: uma desculpa eu não me lembro, mas acho que era falta de dilatação, a outra foi porque “ficou sem líquido” e o “parto seco” estava doendo demais). Pois bem, depois das dúvidas e queixas, eu me deito na cama de exames e escutamos o coraçãozinho do bebê (). Se eu precisar de encaminhamento para outro profissional de saúde, de prescrição de medicamento ou de pedido de exame específico (ultra, teste de glicose etc.), então a médica ou obstetriz sai da sala para preencher a papelada e pede para que eu espere ali dentro um pouquinho. Caso contrário, estou liberada.
A parte emocional é irrelevante nessas consultas. Elas estão preocupadas em rastrear casos de depressão em gestantes, mas as ansiedades, medos, angústias e aflições não têm espaço ali. Acho isso lamentável. Um atendimento humano de verdade passa necessariamente pelo aspecto emocional da gravidez, para além do bem-estar físico. Por exemplo, quando reclamei das espinhas, que ainda estão por aqui, cada vez mais frequentes, maiores e mais doloridas, recebi uma receita de sabonete líquido, mas nem uma palavra ou pergunta sobre como isso poderia estar impactando minha auto-estima ou meu conforto emocional. No caso, as espinhas têm sido, sim, algo difícil para mim, porque elas doem bastante, sobretudo as das costas, e isso afeta a maneira como encaro a gravidez, meu corpo, as mudanças que venho observando... Mas para o corpo médico desta clínica, não é um problema porque eu não estou deprimida por conta das espinhas e nem tendo contrações, sangramentos ou perda de líquido.
Espero que a próxima clínica seja melhor e me dê mais respaldo emocional. Vamos ver. Agendei minha primeira consulta para daqui a uma semana, quarta-feira que vem. E não poderia deixar de registrar que meu plano cobre transporte! Então, vou pegar uma carona até a clínica (que fica na cidade vizinha), depois eles me trazem de volta.
Até lá, sigo com este bebê superativo pulando na minha barriga e que já conquistou o coração de todos aqui em casa.
(escrito no fim de agosto)

sábado, 29 de setembro de 2018

Ultrassonografias nos EUA - minha experiência

Assim como na gravidez do Arthur, decidi, com base nas pesquisas que fiz e nas evidências científicas, que faria a menor quantidade possível de ultrassonografias.
Logo no começo da gravidez, na primeira consulta, a enfermeira obstétrica que me atendeu ficou na dúvida se faríamos uma ultra ou não. Disse que preferia fazer somente se ela achasse que havia uma necessidade clínica/médica para tal. Então, ela desistiu.
Na consulta seguinte (ou na terceira, não me lembro bem porque era a fase dos enjoos bizarros) fiz a ultra para ver se o bebê estava bem posicionado e para confirmar a data estimada para as 40 semanas. A ultra não pôde ser filmada ou fotografada, foi feita na cama de exames mesmo, com um aparelho de ultrassom portátil e tinha uma definição sofrível. Durou pouco mais de um minuto e recebi uma foto impressa de um amendoim ().
Depois dessa ultra, iria fazer somente a morfológica, mas acabei fazendo uma “ultra de emergência” (vamos chamar assim) porque a médica quase me infartou ao não localizar o batimento cardíaco do feto. Então, ela trouxe o mesmo aparelho portátil usado na primeira vez e levou exatos 5 segundos para localizar o batimento fetal e dizer “tudo perfeito”, desligando a máquina a seguir. Se eu tivesse piscado, teria perdido a imagem do feto.
Por volta das 18 semanas fui fazer a morfológica de segundo trimestre. Achei cedo, mas quem designou esta data foram as médicas da clínica e da clínica de ultrassom, então fui dançando conforme a música porque descobri que aqui nos EUA às vezes eles antecipam esta ultra mesmo.
A morfológica foi feita numa clínica em Chicago. Peguei o trem e chacoalhei ali dentro, enjoada e incômoda, por 1h25 até chegar na rua do hospital onde faria o exame. Era um hospital, mas na ala de exames e laboratórios. Fui informada de que crianças menores de 13 anos não eram aceitas nas salas de exame, por isso precisei deixar Arthur na cafeteria com minha mãe enquanto fazia a ultra. Como marido estava viajando, fiz tudo sozinha.
De novo não pude filmar ou tirar foto (perguntei e recebi um lindo “não”).
O exame começou com cinco minutos de atraso e quem realizou o procedimento foi uma técnica. Ela perguntou se eu queria saber o sexo e, mais uma vez, antes mesmo de ela avisar, eu já vi que era outro menino. Ela mediu o que precisava medir, visualizamos dedinhos, pés, coluna, perfil, órgãos... Ela explicou algumas coisas (bem superficialmente, tipo “olha aqui o pezinho” ou “olha o perfil do seu bebê”) e quando eu falei que minha família tem casos de polidactilia (seis dedos na mão), ela voltou na mãozinha para contarmos juntas os cinco dedinhos. Mas ela não foi narrando o exame e nem explicou muito o que estava medindo ou verificando. Perguntei se estava tudo perfeito e ela disse que parecia que sim, que o exame tinha terminado e que era para eu esperar a liberação do médico, que assina o laudo.
Fiquei lá na sala babando nas míseras quatro fotinhas que ela me deu de souvenir e aproveitei para mandar mensagem para o marido, falando que era outro menino. ()
Nisso chegou o médico na sala de exame. Ele falou “então, preciso rever umas coisas”. Quase morri ali mesmo! Como assim? Deu ruim? Apareceu alguma coisa que não deveria ter aparecido? Ou deram falta de algo? O médico explicou que não, que estava tudo bem, mas que ele queria ter certeza de que a técnica não tinha deixado passar nada, afinal ele estava assinando o laudo e tal. Mas quem disse que eu fiquei tranquila com essa resposta?! Que mãe não pensaria bobagens nessas circunstâncias?
Bom, quando ele terminou, repetiu que era um bebê aparentemente saudável e dentro dos padrões esperados. E reforçou apenas o que já sabia: que ele não poderia dar certeza de ser um bebê 100% saudável e dentro dos padrões porque o ultrassom tem margem de erro e que certeza absoluta mesmo a gente só tem quando o bebê nasce.
Desci para contar a novidade do irmãozinho para Arthur, que ficou radiante, porque preferia, claro, um menino, mas sempre com a pulguinha atrás da orelha. Essa pulguinha só pulou de lá quando me consultei na clínica do pré-natal e confirmei com a médica de que estava tudo dentro do esperado, sim, e que o fato de o médico passar lá para repetir as medições era comum. A médica até comentou que eles fazem isso para poder cobrar mais do plano de saúde, afinal a hora do médico custa mais que a hora da técnica.
Agora estou com 26 semanas e não tenho nenhum ultrassom marcado. Na clínica nova até me sugeriram de fazer, mas educamente recusei, e fui respeitada. Vamos ver como vai ser daqui em diante. Com Arthur fiz 4 ultras: a primeira para ver se estava tudo bem e datar a gravidez, a segunda foi a translucência nucal (que aqui foi substituída pelo NIPT, exame de sangue que cumpre a mesma função da TN), a terceira foi a morfológica do segundo tri e a última foi pertinho de parir, porque tinha passado das 40 semanas e precisava monitorar a vitalidade para ter certeza de que tudo estava caminhando conforme deveria.
Se alguém ainda me lê, quantas ultras você fez?


(post do fim de agosto. Ainda faltam algumas semanas para o fim da gravidez. Vai dar tempo!)

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Metade do caminho

Tinha um enjoo no meio do caminho. Um enjoo diário e constante, persistente e um pouco menos incapacitante, mas ainda assim irritante e inconveniente.
As últimas semnas foram de muitas emoções: marido viajou por 42 dias e eu fiquei sozinha tomando conta da casa, do Arthur, do bebê e da minha mãe, que veio visitar, mas está doente.
A morfológica do segundo semestre foi feita comigo sozinha na sala, e eu fiquei triste de meu marido não ter estado por perto para partilhar esse momento. Também foi difícil saber que o bebê já chuta com força suficiente para outras pessoas sentirem os movimentos e não ter marido por perto para se emocionar.

No mais, tudo caminhando conforme deve ser: barriga crescendo (tenho a sensação de estar muito maior do que na gravidez do Arthur), bebê se mexendo (ele chuta muito mais a parte de trás do meu corpo do que Arthur fazia, acho que tem a ver com a posição da placenta, que está anterior desta vez), enjoos persistindo (ainda tomo remédios, embora não mais diariamente, e menos ainda de 6 em 6 horas), muito cansaço, alguma azia e, comparado com a gravidez anterior, pouco ganho de peso (até a última consulta tinha ganhado meros 5kg, sendo que na gravidez do Arthur engordei no total 13kg. Ou seja, se continuar nesse ritmo, vou chegar ao fim da gestação com cerca de 10kg de ganho de peso).

Ainda não temos nome. Está difícil de escolher. E Arthur está lidando muito bem com a ideia de ter um irmãozinho, mas muito mal com a ideia de perder a atenção integral de mamãe e papai. Vejamos como vamos caminhar.

(Como este post foi escrito no fim de julho, já podemos rir bem alto da história do peso! hahahaha Óbvio que já ganhei um moooonte de quilos de lá para cá, especialmente com minha tara por chocolate.)

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Começo do segundo trimestre

Semana passada, pela primeira vez, minha gravidez foi notada sem que eu precisasse contar. Fui levar Arthur para o espaço infantil do clube que frequentamos e a moça que o recebeu logo notou minha barriga e perguntou "tem novidade aí, é?". E eu, toda orgulhosa, mostrei a mini pança, contei da data prevista para o parto, dos enjoos e tudo mais.
Hoje estou completando 19 semanas e depois de amanhã faço a ultra morfológica do segundo trimestre. Descobriremos, se o bebê cooperar, se vem outro menino (o que acho que sim) ou uma menina.
Os enjoos não foram embora. Sobretudo a partir do fim da tarde me sinto bastante enjoada, com um mal estar que mistura arrotos constantes, enjoo, sensação de estômago cheio seguida logo a seguir por aquele enjoo característico de estômago vazio. Sinto bastantes fisgadas no pé da barriga e tem uns 3 ou 4 dias que eu tive contrações doloridas (mas foi depois de segurar o xixi enquanto o banheiro estava ocupado). Além do mais, comecei tem uns 2 ou 3 dias com uma novidade nada legal: dores no lado esquerdo do corpo, sobretudo ombro e punho. Suspeito que isso esteja acontecendo por causa dos hormônios da gravidez, mas também porque comecei a sentir falta de ar e, geralmente, só consigo dormir deitada sobre o lado esquerdo.
O bebê hoje teve soluços. A coisa mais lindinha do mundo! <3
E ele ou ela se mexe muito, muito, muito de noite.
No sábado, comecei a frequentar um grupo sobre administração do estresse durante a gravidez. É interessante e estou adorando praticar o espanhol. O grupo é em espanhol. Eu entendo absolutamente tudo que elas falam, mas ainda sofro para falar. Na minha cabeça se misturam o inglês, o espanhol e o francês, e tem horas que eu solto umas frases bem loucas, com todas essas línguas misturadas.
Tenho me sentido muito cansada também. E a rotina aqui em casa está puxada.
Marido viajou e, embora minha mãe esteja aqui, tudo da casa e do Arthur sobra para mim. Minha mãe está doente, então além de cuidar dela, me vejo sem grande ajuda efetiva, já que sua contribuição tem sido brincar com Arthur (isso é realmente ótimo para mim) e lavar a louça. Mas nem posso reclamar. Sem ela, estaria tudo muito mais difícil, porque quando preciso ir ao mercado ou outro lugar, deixo Arthur com ela e resolvo tudo rapidinho na rua.
Ansiosa pela ultra. Animada com esse bebê pulante.
Que as próximas semanas venham suaves e saudáveis.

(esse foi de julho. vamos conseguir sincronizar!)

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

17 semanas

A ideia era fazer um diário detalhado, contando tintim por tintim desta que será minha última gestação.
Mas aí eu passei 3 semanas e pouco de cama, naquele inferno nauseabundo que já descrevi, com direito a segunda consulta com muita emoção.
(Fui levar Arthur na escola e marido encontraria comigo lá, para irmos ao médico juntos. Entreguei a criança e me sentei no banco da recepção. Dali, me rastejei até o banco do parquinho. E de lá não queria sair, porque sabia que não aguentaria mais nenhum esforço. Não me lembro muito bem como cheguei ao uber, nem como consegui entrar na clínica. Uma vez lá dentro, marido foi cuidar da burocracia e eu fiquei deitada nos bancos da recepção, todo mundo me olhando. Quando a assistente de enfermagem me chamou, logo perguntou "você está bem?", ao que respondi "não, acho que vou desmaiar". Fiquei deitada a consulta toda, comendo micro pedacinhos de biscoito de água e sal. Só no fim consegui ficar de pé para me pesar! A médica me passou mais dois remédios além do que já havia prescrito e marcou a consulta de retorno para dali a duas semanas, em vez de quatro.)
Depois que consegui sair da cama, continuei miseravelmente enjoada por muito tempo. E tomando um arsenal de remédios, passava o dia exausta, dormindo, sem conseguir trabalhar. Com isso, tudo meu atrasou. Com isso, minha vida entrou numa loucura sem fim, com marido sobrecarregado no trabalho, em casa e numa casinha de sapê. E eu miserável. E eu sobrevivendo. E eu querendo pedir divórcio todas as manhãs, por causa do cheiro insuportável de café que marido insiste em tomar.
Com isso, se passaram várias semanas e eu não tive tempo ou energia para registrar as coisinhas todas. E cá estou, já com 17 semanas, sentindo chutinhos sobretudo na parte de baixo da barriga (bebê parece que gosta muito do lado direito. Arthur passou a gravidez toda com as costas para o lado esquerdo, mas não me lembro onde eu sentia os chutinhos no começo.), ainda enjoando muuuuuuuito, com uns peitos gigantes, pesados, quentes, já produzindo colostro, com uma barriga inegavelmente grávida e com muitas micro espinhas na cara (todo dia ou a cada 2 dias aparece uma nova).
Já comecei a passar cremes na pança, embora sem muita esperança de milagres (porque por aqui, só milagre mesmo) e ainda não pensei em absolutamente nada do enxoval!
Devo entrar na hidroginástica em breve (se tudo der certo) e no dia 11/7 descubro o sexo do ser que me habita. Já temos quase certo o nome de menina, mas o de menino está uma luta! Queríamos Bernardo, mas na gringa não vai funcionar muito bem. Ainda temos algumas semanas para decidir, então o desespero não é tão grande.
Arthur ainda está curtindo a gravidez, mas acho que agora a coisa tá ganhando forma (no caso, redonda: minha barriga) e ele está vendo que ter um irmão ou uma irmã tem um lado meio chato (por enquanto sou eu, sempre enjoada, cansada, com dores ao caminhar, sem poder correr ou fazer brincadeiras muito brutas). Por isso, às vezes ele parece não estar muito animado, não. A gente vai levando, explicando, mostrando as coisas boas, preparando o que dá para preparar, porque a verdade é que vai ser tudo novo e um tanto imprevisível, já que não conhecemos ainda este bebezinho e vamos precisar de um tempo para nos adaptarmos a ele.
Eu acho que é outro menino e sonho direto com bebês do sexo masculino, mas tem horas que tenho a sensação de que é uma menina.
As diferenças dessa gravidez para a outra não são tão gritantes assim: tive MUITO mais enjoo, minha pele ficou pior e sofri no começo com um intestino preguiçoso, mas fora isso, não tenho notado grandes diferenças, não. Já comecei a sentir as faltas de ar que senti com Arthur e isso é bem desagradável. Elas parecem mais suaves, mas as minhas memórias mais intensas (dois apagões que tive e uma falta de ar que fez a professora de um curso que eu assistia perguntar se eu precisava ir para o hospital no meio da aula) foram mais para a frente, tipo perto das 30 semanas. Vamos ver.
Essa semana troquei de equipe médica porque achei que essa não me atenderia do jeito que eu quero: sem intervenções desnecessárias, mas cuidando de perto das minhas queixas ou demandas. Tomara que a próxima equipe seja boa (eu ainda não fui lá, mas peguei muitas boas referências e estou esperançosa). O bebê nasce aqui, quando estiver pronto ou pronta e vai chegar numa casa mutcho loca, mas cheia de amor. <3

(post escrito em junho, calma que a gente acerta o passo com a gravidez!)