Mostrando postagens com marcador APLV. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador APLV. Mostrar todas as postagens

domingo, 19 de maio de 2013

Bolo de chocolate pró-APLV!

Sei que tem gente que passa por aqui (né, dona Thais?) e que tem filhote com APLV. Como a vida com restrições pode parecer assustadoramente monótona e sem graça, venho aqui compartilhar minha receita de bolo de chocolate (com calda e tudo!) sem leite!
Atenção: não sou nutricionista e nem médica, portanto, se a alergia do seu filhote for severa, consulte seu médico ou nutricionista antes de consumi-la, ok?

Bolo Meu Filho Tem APLV Mas Eu Como Chocolate

Até meio soladinho fica uma delííííícia!
(Ah, e pode cozinhar em potinhos charmosos, como eu fiz.)

2 ovos inteiros
1 xícara de chá de farinha de trigo (eu uso integral)
1 xícara de chá de açúcar (eu uso o demerara)
1 xícara de chá de chocolate em pó (eu uso cacau em pó, sem açúcar)
1 xícara de chá de óleo (eu uso óleo de canola)
1 xícara de chá de leite de soja (que será amornado)
1 tablete grande de chocolate amargo sem leite (opcional - eu uso o Garoto meio amargo, que contém traços de leite, mas Arthur suporta traços de leite).
Granulado de chocolate a gosto (opcional - sempre verifique se leva leite nos ingredientes)

Numa tigela misture todos os ingredientes, exceto o leite, e mexa muito bem, até formar uma massa homogênea.
Amorne o leite e incorpore-o aos poucos à massa, sempre mexendo bem.
Unte 4 xícaras baixas e polvilhe-as com farinha (eu costumo polvilhar com chocolate em pó, para manter a temática e enfiar o pé bem fundo na jaca!).
Coloque a massa pronta nas xícaras, mas não encha até a boca! Deixando o espaço equivalente a 1 dedo (porque o bolo dá uma crescidinha durante o cozimento e depois muuuurcha. Uma beleza!).
Coloque no microondas, uma xícara de cada vez, na potência máxima, por 2 minutinhos.
Derreta o tablete de chocolate em banho-maria.
Quando o bolo cozinhar, retire com cuidado do microondas, passe o chocolate derretido e enfeite com, adivinhem?, chocolate granulado!

Rende: 4 porções, muito prazer, alguma culpa e uns 10 km de corrida para perder as banhas depois.
=)

(Receita original daqui ó - na receita original falam em 2 xícaras de chocolate, mas quando eu fiz com essa medida, o bolo deu uma "soladinha", não sei se por conta da farinha integral.)



quinta-feira, 25 de abril de 2013

À indiana

Por volta dos três meses de idade Arthur, num belo dia, mamou, mamou, mamou e, logo a seguir, vomitou. Não era uma golfadinha, não. Era quantidade. De bater no chão e fazer barulho, de escorrer pelo meu braço, fazer poça no chão (olá, vida escatológica!). Fiquei preocupada e aguardei mais um pouco para ver o que aconteceria. Mais alguns dias e ele continuava dando umas vomitadas e o pior: passara a acordar muitas vezes durante a noite, chorava, se retorcia e remexia. Assim, diante do quadro preocupante, ligamos para o pediatra que, por telefone mesmo, sugeriu que eu testasse uma dieta completamente livre de leite de vaca e derivados para ver como Arthur se comportava. Eu, que estava na fase da obsessão por doce de leite, falei que no dia seguinte, então, começaria a dieta e o médico foi taxativo: não! Comece hoje! Em duas horas de dieta você já terá consideravelmente menos proteína do leite de vaca no seu organismo.
Como aqui, meu amigo, missão dada é missão cumprida, larguei o pote de doce de leite deliciosamente cremoso pela metade na geladeira, dei um pulinho no supermercado para comprar algo que eu pudesse comer, e desde então sou a maluca do "tem leite?". Tipo uma indiana radical, que considera pecado supremo comer partes da vaca. Até mesmo as excretadas (olá, fisiologia escatológica!). Tipo uma vegana.
Arthur de fato melhorou e na consulta que se seguiu ao tal telefonema o pediatra confirmou: alergia à proteína do leite de vaca (ALPV, para os íntimos).
Com diagnóstico e instruções para cortar da minha vida todo e qualquer vestígio de proteína do leite de vaca, me senti meio Gloria Gaynor: at first I was afraid, I was petrified. Mas aí pensei nos veganos, e nas pessoas que têm alergia à lactose, e nas pessoas que não gostam de leite e seus derivados e comecei a acreditar que seria difícil, porém não impossível, sobreviver à dieta.
É incrível a quantidade de coisas gostosas que precisei cortar da minha vida. E sobretudo, é surrealmente incrível a quantidade de DOCES que precisei abolir. Praticamente todos os doces de restaurante (exceto o quindim e doces de fruta, tipo goiabada e bananada), bolos (raros são os que usam margarina 100% vegetal e mais raros ainda os que substituem o leite por óleo ou suco), biscoitos e sorvetes. Mas o que realmente me impressionou demais foi começar a ler os rótulos das embalagens dos industrializados e descobrir, por exemplo, que algumas marcas de biscoito waffer não levam leite (mesmo o sabor chocolate) e que quase todos os sabores do bolinho Ana Maria não têm leite ou derivados.
Eu brinco, depois de virar profunda conhecedora dos rótulos de produtos que antes eu consumia sem ler os ingredientes, que eu estou, apesar de parecer ser muito vantajosa e saudável, na dieta do "estrago". Querem ver?
Eu, como vocês bem sabem, trabalho pacas, nove horas num escritório, então sou obrigada a comer na rua praticamente em todas as refeições. Meu chefe não quer pessoas comendo nas dependências da empresa, então não temos microondas e somos proibidos de consumir alimentos que deixem cheiro no ambiente (ou seja, tudo aquilo que possa ser esquentado, praticamente). Claro que eu poderia viver de sanduíche, mas eu sou daquele tipo de pessoa, sobretudo nesse período de amamentação (fome de peão feelings), que PRECISA de comer comida de verdade: arroz, feijão, bife, batata, salada, legume, purê... Ou seja, não rola levar sanduichinho para o trabalho e passar o dia com aquela sensação de vazio, né? Então, não tenho saída e sou obrigada a comer na rua. E, quanto aos lanchinhos e beliscadas do dia, claro que eu tenho a opção de levar (aí, sim) o sanduíche ou uma fruta e tal, mas haja disciplina para todo santo dia, antes de me despencar para o trabalho, fazer mochila de filho, ferver apetrechos de tirar leite, arrumar minhas duas bolsas (de ordenha e de trabalho), carregar moleque para creche (de ônibus, já que agora moramos relativamente longe de onde Arthur "estuda") e, ainda de lambuja, comprar, montar e carregar (visualizem: carrego Arthur no sling, mochila nas costas, duas bolsas de banda, e realmente não tenho estrutura física para suportar o peso de muito mais coisa) lanchinhos para a manhã e para a tarde (fome de peão, lembram? Como MESMO! De hora em hora. Uma loucura!).
Assim, com o almoço eu me viro bem (já conto a saga diária), mas com os lanchinhos da tarde, me esfalfo. Fico tentando encontrar soluções gostosas, saudáveis e viáveis (financeira e logisticamente falando), mas acabo sempre na alfarroba com coco, na pipoca de canjica, no chocolate de soja e no biscoito vegano. De vez em quando, picolé de fruta ou fruta in natura. É duro.
Então, eu, que antes adorava uma vida saudável, um iogurte com granola no meio da tarde, agora me vejo na dieta do estrago. Porque eu posso tranqueiras e mais tranqueiras, mas não posso coisas bacanas.
De manhã, por exemplo, tenho comido três ovos mexidos, biscoito de arroz, duas bananas, um copo de suco de laranja e um copo de mate. Claro que isso não vai me sustentar até a hora do almoço, então, ali perto do meu trabalho, a única opção que encontrei foi hambúrguer no pão integral (pão de hambúrguer tem leite, meu povo!). Ou seja, vitamina de mamão, morango, laranja, banana e aveia pode? Não pode! Mas hambúrguer na chapa, com bacon e ovo? Pode. Pão com manteiga e média pode? Não pode! Mas linguicinha calabresa com batata frita? Pode. No lanche da tarde não muda muito: bolo de laranja com chá pode? Só o chá. Mas e quibe frito e refresco de caju? Pode! Sanduíche natural, com peito de peru, ricota e salada pode? Não pode. Mas bolinho Ana Maria e biscoito waffer pode.
E assim, vou eliminando da minha vida tudo que traz no rótulo "leite em pó, leite em pó integral, soro de leite em pó, creme de leite, leite condensado, leite desnatado", mas continuo consumindo "lecitina de soja, fermentos químicos pirofosfato ácido de sódio e bicarbonato de sódio, conservador propionato de cálcio". Pura saúde, não?

E como se não bastasse minha junky new life, ainda passo por louca, porque vira e mexe sou obrigada a chamar o garçon em restaurantes e solicitar que ele fale, por favor, com o cozinheiro, para saber se o arroz do lugar é refogado na manteiga, na margarina, no óleo ou no azeite. Há os que me olham com enfado, os que me lançam olhares de empáfia e existem os que até me veem com desconfiança, como se eu estivesse tentando roubar os segredos do mestre-cuca. Uma lástima.
Mas a gente se adapta, não é mesmo? Os restaurantes que eu mais frequento já têm um pessoal que sabe das minhas restrições e até me avisam se houve mudanças no modo de preparo (já aconteceu duas vezes, em restaurantes diferentes). Eu já consegui encontrar umas soluções para o lanchinho da tarde que são menos trash que bolinho Ana Maria e biscoito waffer. Mas o hambúrguer da manhã ainda espreita meu colesterol e, definitivamente, me chuta da categoria vegana ou indiana, o que me faz comer feito um peão, um peão alérgico à proteína do leite de vaca, que não gosta de junky food (das comidas trevas que listei, não como quase nada, porque não gosto) e que não sobrevive apenas com frutinhas no meio da tarde. Ah, e antes que me sugiram: cream cracker leva leite e biscoito maizena também.
É dura a vida da bailarina!

segunda-feira, 4 de março de 2013

Pollyanna na Páscoa

Arthur tem APLV, como vocês sabem.
Arthur me obriga a manter uma dieta rigorosa, na qual me privo de coisas de que gosto muitíssimo.
Arthur está experimentando novos alimentos (sopinhas, frutinhas, suquinhos, ontem de manhã rolou até um pedaço de pão francês).
A Páscoa está chegando e...

...graças à APLV Arthur não poderá nem chegar perto de chocolates.
Que alegria mantê-lo por mais um tempo sem experimentar besteiras! E nem precisar dar aquela de antipática neurótica. Basta proferir as palavrinhas mágicas: ele tem alergia à leite de vaca. Que peninha, né?!
;-)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

6 meses e nós conseguimos!

O meu bico plano não facilitou a primeira mamada. Nem as demais. Visitei um centro de referência em amamentação com reputação internacional e me disseram que não era impeditivo ter um bico plano ou mesmo um invertido. Não era impeditivo e não foi, mas doeu e dói até hoje.
Os dois cistos que eu tinha no mamilo não fizeram da amamentação um mar de rosas. Até hoje, de vez em quando, Arthur pega de mal jeito e me faz ver estrelas sem olhar para o céu (e sem qualquer poesia). Fui visitada por uma especialista em amamentação, mestre (de verdade, pela UFF!) no assunto, que me garantiu que o melhor tratamento para os cistos inoperáveis que moravam no meu mamilo seria a boquinha voraz de meu filho, mamando. Doeu horrores, muitíssimo, mais que qualquer rachadura, e ainda dói, mas um dos cistos sumiu de fato. O outro está bem menor e menos dolorido. Só de vez em quando sobem as lágrimas (e não são lágrimas de felicidade ou emoção, garanto).
Sair do hospital com uma monília que não foi diagnosticada tão cedo não facilitou minhas primeiras semanas. Eu ouvia, de todas as mães a quem me queixava, que as dores passariam logo, e que depois do primeiro mês tudo melhoraria muitíssimo e dar de mamar seria fantástico. Não foi nada assim. Arthur fez dois, três, quatro meses e a primeira abocanhada me fazia querer chutar o mundo, me retorcia os dedos do pé, numa tentativa inútil de desviar a atenção da dor intensa e aguda para outra parte do corpo, de preferência uma bem distante. Seis meses depois, ainda dói, porque a monília que me pegou é carente e encontrou em mim uma mãe carinhosa, dedicada, afetuosa; apaixonou.
Sentir meu corpo ferver e amolecer em um febrão no momento em que as que pariram comigo estavam começando a gostar muito de amamentar não ajudou a construir uma ideia positiva do meu futuro como provedora de leite do meu filho. A mastite e seus medicamentos abalaram minha ideia romântica de amamentar meu pequeno, embalando-o na cadeira de balanço, com um sorriso nos lábios e toda a placidez que tal imagem evoca. No entanto, não abalou minha vontade de querer insistir em oferecer ao Arthur o melhor alimento que eu poderia.
Ter um bebê alérgico à proteína do leite de vaca, o que me obrigou e ainda obriga a seguir uma dieta rígida e bastante limitadora, não tornou minha vida mais prática. O trabalho que uma mãe que oferece fórmula tem, eu também devo ter. O gasto que essa mesma mãe tem, eu também devo ter. Menos o desgaste emocional de não saber por que seu filho chora e vomita, menos a vontade que passo por não comer chocolate, leite condensado, bolos, manteiga e outras delícias. Limita, dói, incomoda.
Voltar a trabalhar depois de apenas quatro meses e meio não fez com que minha vida se tornasse libertadora. Ir para o trabalho, além do próprio trabalho, implicou em jornada extra: em casa, com o pequeno, é claro, mas também no trabalho, três ou quatro vezes por dia trancafiada num quartinho de depósito gelado como o inferno (detesto passar frio, logo, o inferno deve ser gelado!), ordenhando, lutando para manter estoque para o bebê que, na creche e em casa, longe de mim, mama de tres a quatro mamadeiras diárias com cerca de 150ml cada. É preciso muita disciplina e foco, para conseguir dar conta de toda a jornada.
Colocar o Arthur na creche, que tem uma psicóloga toupeira, que vive insinuando que eu devo inserir alimentos sólidos na dieta do meu filho (entre outras bizarrices irritantes), não foi receber exatamente o apoio de que eu precisava nesse momento de transição. Muito menos com as ameaças subjacentes ao discurso ensaboado de quem lida com "mãezinhas" o tempo todo: olha, ele vai ficar subnutrido, ele precisará de mais calorias, ele pode não se adaptar à mamadeira, e como ficamos?, vai deixar seu filho com fome? Precisei acreditar em mim, nas minhas escolhas e convicções, e buscar apoio em outros lugares, no pediatra, no marido, em outras mães. Doeu e deu medo de estar escolhendo errado. Mas os números do crescimento do filhote não deixam mais espaço para dúvidas.
Bico plano, empedramento, bicos rachados, faltando um pedaço, cistos no mamilo, monília, mastite, dieta para ALPV, ordenha no trabalho, ordenhas na madrugada para manter a produção. Amamentar foi e continua a ser um desafio para mim. Dói, incomoda, cerceia e exige.
Por isso, hoje, quando Arthur completa seis meses, eu venho aqui, com muitíssimo orgulho, me achando o suprassumo humano, para anunciar que conseguimos! Amamentação exclusiva! Nem água, nem chá, nem suquinho, nem fórmula. Só peito. Seis meses perfeitos em sua imperfeição. Seis meses muito sofridos, doloridos física e emocionalmente, mas, como acontece em maratonas e outras situações em que precisamos superar as limitações do corpo, da mente e do espaço (físico e temporal), eu venci! Nós vencemos! E isso dá um prazer, um orgulho de rei, de rainha, de mãe: eu que fiz, eu que nasci, eu que fiz crescer!
Agora, vamos em frente.
Arthur começará a experimentar frutinhas, e depois comidinhas salgadas. E nós continuaremos com a amamentação, que pode agora durar muito ou durar pouco, ele escolhe, mas certamente foi fundamental para que construíssemos um vínculo maravilhoso, este sim eterno em nossa perenidade.
Arthur, meu filho, nós podemos mais! Nós podemos tudo!

domingo, 11 de novembro de 2012

O custo da amamentação

O leitinho que forneço a meu filho não vende em supermercado, drogaria ou loja de bebê. Ele vem pronto, na temperatura ideal, no recipiente perfeito, que não precisa de esterelização e tudo é superfácil de carregar. O leite que ofereço tem água, gordura, açúcar, ferro e sais na medida certa, é rico em vitaminas e contém anticorpos exclusivos. Nenhuma fórmula bate essa mistura que, para completar, fortalece o vínculo mãe e bebê.
O leite que ofereço a meu filhote não causa constipação, é de fácil digestão e ajuda a previnir várias doenças da idade adulta, inclusive as modernas, como obesidade. É, portanto, um alimento com benefícios a longuíssimo prazo.
Mas ele tem um custo.

***

Leite condensado, chocolate, estrgonofe, risotos, comer fora de casa (de modo geral), biscoitos, sorvete, iogurte, molho branco e praticamente qualquer doce. Essa é a lista das coisas que mais sinto falta de comer na minha vida de dieta.
Cento e cinquenta reais em potinhos de vidro, duzentos e dez reais em antifúngicos (tópico e oral), em antibiótico e em antitérmicos, setenta reais em outros gastos de armazenamento, duzentos reais em mamadeiras especialmente projetadas para a manutenção do aleitamento materno, gasolina, muita gasolina em visitas ao IFF e a grupos de incentivo à amamentação. Bombinha tira-leite, absorventes para seios, noites de ordenha, madrugadas de ordenha, gás para ferver potes de vidro, bicos especiais, mamadeiras especiais, lágrimas, sangue e suor.
A lista é longa e não acho que vá terminar por agora. Aliás, eu não quero que termine por agora.
Meu plano é ir adiante na amamentação, mesmo voltando a trabalhar. Porque, para mim, os custos dessa empreitada, os custos desses grandes investimentos, não são absolutamente nada quando penso no tamanho do poder que, depois de gerar e parir, agora é nutrir uma pessoa.

Dona das divinas tetas (eu e Gal).

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Entre memes e mimimis (senta que lá vêm as histórias!)

Passei o feriado todo meio borocoxô, mesmo tendo viajado com o pequeno. Acho que tem a ver com os momentos todos da vida: creche, volta ao trabalho, falta de grana, urucubacas da vida cotidiana, leite que preciso estocar etc. etc. etc. (e bote quantos mais etc. você quiser).
Aí, nessa coisa meio finados na cachola, cadê parar com o mimimi? Mimimizei quinta, sexta, sábado e domingo. Nem eu me aguentava mais! Mas como "ali onde eu chorei qualquer um chorava", resolvi ir em frente na música e levantei, sacodi a poeira e dei a volta por cima. Hoje, segundona chuvosa pós-feriado, voltei para casa e pensei: que beleza! Vai ser tudo lindo, bora para o primeiro dia de adaptação na creche, pessoal da blogosfera gostou do novo layout (uhuuu!!), bora viver essa vida linda que tem aí na minha frente e...
Cara, sério: senta aqui do meu lado, no fundo do poço rotinístico, e chora comigo!

[Sentou? Então aproveita a proximidade e tasca um abraço aí que a coisa tá feia - mas daqui a pouco acaba o mimimi, prometo!]

Resolvemos voltar da viagem do feriadão hoje de manhã, para não pegar muito trânsito. Só não contávamos com a astúcia do Arthur, que chorou a noite toda, talvez boladão com a tempestade que caiu na madrugada. A viagem começaria 10 da manhã. Onze e meia eu e Arthur ainda cochilávamos, esgotados pela noite de ontem. Pegamos a estrada (vazia, o que me parecia um sinal auspicioso. Tola eu!) um pouco atrasados no cronograma: 13h. Arthur, nessa hora, costuma dormir um soninho gostosinho. Exceto quando anda de carro, né? Então, ele sentadinho, na cadeira da tortura, berrou por exata uma hora e sete minutos cheios. Depois de esgotar minha garganta e meu repertório de musiquinhas infantis, capotou. Que ótimo, não? Seria, se não estivéssemos na porta de casa. Então, tendo dormido cerca de 15 minutos, Arthur foi despertado. Abrindo as malas e guardando as coisas,  descobri que meu xampu vazou na bolsa (todinho!) e meus 9 potinhos de leite ordenhado e congelado DESCONGELARAM durante a viagem. [Por favor: chore comigo!] Pensei em fazer um bolo com meu próprio leite, já que tinha para mais de meio litrão ali prestes a ir para o lixo e Arthur não pode leite de vaca-bicho, só da vaca-profana aqui. Desisti da ideia ante à ansia de vômito que meu comentário causou no marido. Daí, lágrimas enxutas e tetas para fora (ordenha de novo, Ártemis! Quem faz meio, faz um litro!), constatei que, com a misericórdia do senhor dos leitinhos congelados, apenas dois potes haviam de fato descongelado. Emocinei-me, leitores. E me enchi de novas esperanças nesse dia tão fatigado.
Arthur começava na creche 14h e já eram 14h32 quando resolvemos almoçar. Vestimos o moleque, enfiamos seu corpinho cheiroso e arrumado no sling, arrumamos a malinha do primeiro dia e tocou o interfone. Fiquei felizona: estou esperando uma encomenda de mamadeira para o pequeno e achei, de verdade, que era o porteiro avisando que era o correio. Ahahahahahhahahah
Era a Light (companhia de energia elétrica aqui do Rio), avisando que estavam aqui para cortar a energia. Oi, moço? É, senhora, atraso da fatura de setembro, na última conta veio o aviso de corte, a senhora não pagou, vamos cortar. [Por favor: se desespere comigo! E me mande um dinheirinho, porque tá rodis aqui, viu?]
Bom, não teve argumento, pagamento ou choro que resolvesse a situação: cortaram a luz! Agora, você visualiza a cena: casa sem luz, bebê no sling, marido com a bolsa da creche, eu, com menos duzentão de leite materno no estoque do filhote (e o restante perigosamente num congelador sem energia), conta atrasada, atrasada no horário, menstruação atrasada (ops, isso não!), precisando ainda ir almoçar e adaptar o filho, que agora reclamava de sono, calor e pasmaceira (experimenta colocá-lo no sling e ficar parado para ver o que te acontece!).
Bom, pior que isso não podia ficar. Podia?

[Pausa para uma importante lição que recebi na faculdade: um professor meu, logo no primeiro período, ensinou-me que para a felicidade ou sorte sempre existe um limite; para o azar ou a tristeza, porém, sempre se pode cavar mais um pouquinho no poço e chafurdar mais e mais na lama das mazelas.]

Claro que podia!
Pagamos a conta atrasada numa fila quilométrica de banco popular (depois passo o número da agência e da CC para depósitos caridosos) em pleno dia 5. Todos os velhinhos do meu bairro, que tem muito velhinhos, estavam recebendo suas aposentadorias, ali, naquela hora. E todos os velhinhos do mundo AMAM bebês e sempre comentam do sling. Respirei fundo ante pitacos e comentário sem noção ("não machuca a perninha?", "coitadinho, todo encolhido/enrolado/apertado/espremido!", "vai dar problema no/na _______ [complete aqui, que estou sem paciência, mas pode ser qualquer parte do corpo ou aspecto da psiquê humana]"), e sorri e fui simpática com os comentários fofos (afinal, velhinho nenhum tem culpa da minha urucubaca, né?). Conta paga, bora almoçar voando e levar filhote para creche.
Tudo deu certo nessa parte do dia e achei que, enfim, minha maré de azar estava mudando.
Já dava uma banana mental para aquele meu professor quando entrei na salinha do berçário. Beleza: apenas dois bebês, menos estímulo e novidade para um Arthur sonado e meio mal-humorado com o dia so boring que eu estava lhe proporcionando. Meu sorriso se abriu, mas logo foi dispersado pelas tosses encatarradas dos dois bebês. Sim, amigos e amigas, os bebês estavam doentinhos e fizeram questão de partilhar TO-DOS os brinquedinhos que enfiavam em suas boquinhas virulentas com meu filhote saudável e tratado a leitinho da mamãe (Arthur ficando resfriadinho em 5, 4, 3...).
Respirei fundo, pensei que meu filho tinha imunidade por conta do meu leitinho, que era inevitável, vitamina S, bora pra frente que o dia tá tipo na metade. De repente, na janelinha do berçário surge marido: trouxe o cheque, porque a creche vence hoje. Passei meu cheque-voador e pensei: na saída da creche transfiro a rapa do tacho da poupança para cobrir o cheque, e vamos frilar o resto da vida para dar conta de tudo (alguém querendo me oferecer um emprego que pague mais?).
Arthur gostou dos amiguinhos, se acabou de rir para as professoras da creche, colocou todos os brinquedinhos melecados pelos amiguinhos ranhentos na boca e até dormiu, para mostrar que delícia ele é e como vai ficar ótimo sem a mamãe.
[E afinal me senti melhor, porque se vou sofrer de qualquer jeito, então que pelo menos eu sofra com meu filho ficando bem na creche, né?]
Decidimos, na saída da creche, antes de ir ao banco, que dormiríamos na casa da sogra, porque sem luz e com um bebê de 4 meses cheio das rotinas de sono não ia rolar (e toda mãe sabe que romantismo é só até antes dos filhos nascerem e depois que eles saírem de casa, logo, nada de "luz de velas, que coisa bacana"). No banco, errei minha senha por 3 vezes e, tal e qual Pedro negando Cristo, fui jubilada da alegria de fazer transações no caixa eletrônico (que é o equivalente moderno de ser estigmatizado como herege, dos tempos de Pedro). Banco fechado, senha bloqueada, cheque-voador planando como um Zepelin na praça, filho ainda com sono, sem luz e a caminho de uma noite na casa da sogra. O que mais poderia acontecer?
Acreditem: muita coisa! Mas o que aconteceu mesmo foi um amigo meu telefonar e dizer que a pessoa que estava com uma encomenda para o Arthur em SP (e que ele feria o imenso favor de trazer ao Rio) saiu de casa e o deixou do lado de fora da casa, tocando a campainha. Resultado: no donuts for me. Neither for Arthur. Ou, em outras palavras, adiós amigo!
Já na casa da sogra (com direito a novo transporte de potinhos de leite congelado e tensão absoluta no engarrafamento por conta disso), Arthur de banho tomado, ritual sonístico realizado, dormindo feliz (enfim!) na caminha... Claro que ia babar, né? Sogra chegou em casa brigando no celular, aos berros, causando frisson, agitando cachorro, que latiu muito, sobretudo depois que ela tocou a campainha freneticamente, como se não houvesse amanhã.
Resultado? Falta apenas uma hora e dez minutos para acabar este dia terrível, e as duas únicas coisas que o salvaram de entrar para o rol dos dias mais terríveis do universo foram o meme da Lilian (que postarei amanhã, querida, adorei a lembrança!) e a suuuuupergargalhada que meu filho deu para o papai.

PS: Minha sogra, apiedada da minha situação, pediu um japa especial, para aquecer meu coraçãozinho sofrido. Mas Arthur, claro, acordou, quis que eu ficasse grudadinho nele e não me deixou jantar. Para que eu não ficasse com fome, ela e marido deixaram umas peças para que eu comesse depois. Deliciosos rolls de hot filadélfia, cheinhos de cream cheese, que eu NÃO POSSO comer por conta da dieta de APLV. Diz aí: urucubaca feelings total, não? 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Uma rapidinha com amor

Meninas lindas do meu coração! Obrigada, obrigada, obrigada!
Me senti acolhida, compreendida e amada. Ainda na lama da culpa e da angústia de ficar longe do pequeno. Mas muito mais querida porque vocês sabem o que estou passando.
Infelizmente não posso abrir mão do meu trabalho. Tanto em termos financeiros quanto devido às minhas ambições pessoais (vou ser mais feliz se for mais que mãe, embora quisesse poder fazer uma pausa maior que os meros 4 meses a que tive direito).

Essa postagem rapidinha (mas com amor) também é para dizer que essa vida selvagem daqui de casa tem novidade: Arthur e eu entramos no rol das mamães e bebês dietéticos. A intolerância à proteína do leite está aí para provar que somos mamíferos, porém deveríamos beber o NOSSO leite (papo para outro dia, prometo). Nada de leite de vaca em casa. Sofrendo só por causa do chocolate. Oh, céus! Tá, e também por causa do pão de queijo. Mas vamos que vamos e prometo vir aqui ainda essa semana comentar mais sobre a ida do Arthur para a creche.