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domingo, 19 de abril de 2015

Hoje eu dormi NOVE HORAS SEGUIDAS. Fato que não acontecia há quase três anos.

Há sono depois da maternidade, meu povo!

quinta-feira, 30 de maio de 2013

O sono do vizinho é sempre mais tranquilinho

Eu estava feliz.
Arthur dorme bem. Tem uma rotininha bem estabelecida, indo para a cama entre 19 e 20h, todos os dias, e adormece relativamente fácil. Só dorme no peito. Comigo. Acorda 21h, 23h, 00h, 03h e 05h. Às vezes pula uma acordada dessas, às vezes tem o soninho inicial mais agitado, acordando de hora em hora até meia-noite. Mas eu achava tudo isso digno e bem tranquilo.
Sem contar que ele tira sonecas comigo na parte da manhã ou de tardinha, então eu durmo picadinho, mas durmo.
Daí, hoje, fui passear com pessoas queridas que também têm filho. O bebê é dois meses mais novo que Arthur. Lindo! Fofo! Doce!
Daí, lá pelas 11h os dois começaram a esfregar olhinhos, dar aquela reclamadinha e a pedir colinho. Sono. Eu lasquei Arthur no peito e me levantei para ver se o balancinho ajudava a embalá-lo (ele não precisa desse recurso, mas achei que ali seria válido, já que ele estava excitadíssimo com as novidades todas). Do outro lado, o pai do outro bebê colocou ele no colo, deu umas chacoalhadas e finalizou o moleque. Pá! Dormindo.
E Arthur nada. Queria ver o mundo e as folhas do jardim que balançavam ao vento (♥).
Então o pai do menino ficou cansado de segurá-lo no colo: sentou-se no tapetinho de atividades, estendeu uma manta e pousou o bebê. Que acordou. Abriu os olhos, se remexeu, virou-se e revirou-se e olhou bem onde estava. Daí o pai foi lá, colocou a chupeta na boca do filho, fez um carinho e saiu de perto. O bebê amigo do Arthur se ajeitou, fechou os olhinhos e... DORMIU.
Sozinho.
Vou repetir: dormiu SOZINHO.
Mais uma vez: dormiu sozinho. Fechou os olhos e PLUFT. Capotou.

E Arthur nada.
Sabe como eu me senti depois disso? Feliz.
Ué, e aquele verbo no passado ali no começo?
Estratégia narrativa, confesso.
;-)

Ainda estou feliz porque, depois de pensar um pouquinho sobre a situação, concluí que o sono do Arthur, embora tenha um padrão beeeeem diferente do do amigo, nunca foi uma questão para mim. Então, por que agora deveria passar a ser? Não faz sentido, faz? Então desencanei e fui para casa, ninar Arthur fora do frenesi das novidades e estímulos, e ele dormiu por três horas seguidas, depois, às 19h20 capotou para seu sono revigorante até amanhã de manhã. Já acordou, claro, duas vezes (e são apenas 20h50). Mas tô aqui, blogando, flanando no Facebook, procrastinando o frila que preciso entregar na segunda. Ou seja, tudo lindo!

Daí, como eu estou aqui flanando, com tempo, vida ganha, nada para fazer (cof! cof! cof!), pensei mais um pouco sobre essa questão toda de comparações entre bebês e pessoas.
Senta que lá vem a verborragia!

Nunca gostei de comparar Arthur com ninguém. Acho que sobretudo porque sempre me comparei muito às demais pessoas do mundo, e como sempre fui bastante diferente (quem não é, na verdade?), me sentia muitas vezes "perdedora". Perdedora de uma competição que eu mesma tinha inventado e cujas regras eram criadas por quem? Por quem? Por mim mesma! Pô, que coisa mais dura é criar um jogo em que você só pode perder. E só pode perder porque suas regras sempre são pautadas em duas coisas muito importantes (e também bastante imparciais): 1) aquilo que lhe incomoda; 2) o conhecimento profundo de como você realmente pensa/age/sente. Cara, na boa, olha que bodega! Você se sente incomodada porque tem um defeito. Tipo celulite. Quem aí tem celulite e se incomoda com elas? Ok. Aí você começa a se comparar com outras mulheres, na rua, na fazenda, na Caras, e claro que acaba quase sempre perdendo. Por quê? Porque as outras mulheres ou não se importam (ou fingem não se importar, o que dá no mesmo nesse caso) com os furinhos, ou elas "não têm" (na verdade, elas não mostram porque escolhem bem as roupas, ou não vão à praia de biquíni micro, ou as fotos estão cheias de Photoshop). E aí, você, que conhece seu corpo do avesso, que se incomoda horrores com a porcaria da celulite, perdeu no próprio jogo.
Cruel, né?
Mas quem nunca?
Eu, o tempo todo.
Daí que quando Arthur surgiu na minha vida eu decidi que não seria mais assim, porque eu queria curtir: a vida, minha gravidez, minha família, o nascimento dele, o parto, o puerpério, meu filho, minhas descobertas, nossas alegrias e tristezas, que, afinal, são nossas.
Claro que escorrego de vez em quando. Tipo hoje, com relação ao padrão de sono, ou mesmo em relação ao tamanho/peso dos amigos (Arthur é dois meses mais velho, mas é mais de 1kg mais leve que o amigo, e alguns centímetros menor).
Eu, porém, tento ficar alerta, porque não quero ser injusta com meu filho lindo, tão esperto, tão esperado, tão amado e tão ÚNICO.
E aí, voltando para casa, com marido, filho e pensamentos ao meu redor, percebi que Arthur tem 11 meses e já anda. Mas esse mesmo Arthur tem os mesmos 11 meses e não come direito. E que assim como ele vai ter habilidades e aptidões desenvolvidas e rapidamente conquistadas, também vai ter dificuldades e conquistas mais demoradas. E sabem? Eu vou amar meu filho igualzinho. E vou lutar para fazê-lo feliz do mesmo jeito. Então, mais importante, para mim, do que comparar, é observar: meu filho tem tantas características carismáticas e deliciosas, que fico encantada por ter parido um serzinho delícia como ele é. E tenho certeza de que todas as mães vão concordar comigo, porque se pararmos de parear "feitos" e tamanhos, iremos descobrir pessoinhas tão lindas, pessoinhas em franco desenvolvimento e, mais ainda, pessoinhas em nos permitem entrar também em franco desenvolvimento.
Com isso, desejo um ótimo feriadão para todo mundo. Vão à praia, com ou sem celulite! Curtam seus filhos, acordando a madrugada toda ou com bebês auto-ninantes. Amem! Vivam! Porque só vale a pena de verdade quando nos entregamos profundamente.

(Ih, acordou de novo!)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

É muita ironia...

... que no exato dia que seu filho decide que vai dormir por CINCO horas seguidas pela primeiríssima vez na vida dele você tenha uma porcaria de insônia do cacete!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Zzzz

Entre minhas curvas se aconchega um mistério. Tépido e macio, meu filho desliza suavemente para dentro de um mundo que não é meu, nem dele. Às vezes, sorri, resmunga, mama, mas o que me fascina e intriga são as tarântulas de seus olhos ciliados (quantos milhares de cílios cabem ali?) movendo-se preguiçosamente para lá, para cá. Dizem que sonha, dizem que processa assim o que viveu e aprendeu no dia. Acho graça do sorriso de canto, do beicinho do choro que não se completa, das poses elásticas e dubitavelmente confortáveis (pés em ângulos estranhos, braços pendidos etc.), porém o grande mistério se sustenta na linha movente dos olhos cerrados. Na tênue linha que une as pálpebras do meu menino desfilam insondáveis momentos: serão aventuras? serão novidades? serão rememorações do que ele viveu ao longo do dia? Não sei. Ele tampouco.
De noite, deitados, enroscados no desenho curvilíneo do aconchego, uma tarântula me espreita e pergunta: o que sonha seu maior sonho?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Assistência técnica para artigos de fabricação própria (artesanal)

Há algum tempo fabriquei, com peças originais e únicas, um modelo bebê-delícia perfeito: dobrinhas gostosas, dentinhos fofos, risadinhas derretedoras de coração e até mesmo personalidade compreensiva para com esta mãe muitas vezes enrolada. Tudo lindo, tudo caminhando.
Mas aí deu tilt. Bebê-delícia virou bebê-terror e passou três noites dormindo mal, berrando ao acordar (e ele acordava ao menor ruído, a cada meia hora, pelo menos), urrando ao dormir. Bebê-terror queria colo, mas no colo, queria chão, no chão, queria berço, no berço, queria ser ninado, e então berrava, empurrava e pedia peito, rejeitava peito, se sentava, levantava se apoiando nos móveis, se deitava e chorava. Tudo de novo. Fora de ordem. Sem critério.
Cheguei a conclusão que preciso enviar, urgentemente, Arthur para a assistência técnica, porque, como diz uma amiga, isso está dando ruim. Só que eu me lembrei (na verdade, fui lembrada delicadamente por marido) de que a principal especialista no bebê-delícia soy yo. E que yo não faz ideia do que houve, de como consertar e se a avaria é definitiva ou temporária. Espero que bebê-delícia tenha sido fabricado com um dispositivo de autorrecuperação, porque não se pode confiar em ninguém com mais de 25, e eu já sou balzaca, neam?
Enfim, tudo isso para justificar o abandono do blog (cof! cof! Já juntando poeira ali no canto) e contar que, por tudo isso, Arthur passou o Carnaval fantasiado de coelhinho felpudo, mas a mamãe aqui, está até hoje com a máscara de panda, já que bebê-terror decidiu aloprar nos dias de folia.
Esquindô! Esquindô!

*Brincadeirinhas a parte, a coisa anda meio tensa, mas já sei que pode ser dente ou a angústia da separação. E mesmo sem rir o tempo todo, sem ser aquele bebê facinho de lidar, Arthur continua a ser (e sempre será) meu delicinha mais amado do mundo!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A insone que vos escreve

Sempre fui chegada numa insônia, mas achei que com um recém-nascido em casa isso não me pertencesse mais (assim como uma barriga plana, uns peitos sem dor e uma pele sem estrias). Aham, Cláudia, senta lá.
O fato é que eu tenho sofrido de insônia. E das das boas, minha gente: deita na cama, soninho gostoso, se enrosca nas cobertas e toca a rolar de um lado para o outro, como bife sendo empanado. Enquanto isso, marido dorme a sono solto e o recém-nascido chega a ressonar. E você lá, se esbaldando na farinha de rosca da ansiedade. A conta que não pagou, o bebê que dorme há quatro horas e já, já vai acordar, a obrigação de relaxar e parar de pensar para conseguir dormir.
Anteontem, fiquei acordada, matutando sobre a vida, de 2 às 6h30 da manhã. E Arthur dormiiiiiiiia. E marido sonhava. E até o cachorro se refestelava nos braços de Morfeu. Resultado? Míseras 4 horinhas de sono no dia.
Tá, beleza, pensam vocês, mas o que tem isso de especial para ser digno de nota aqui? Ahhhh, é que desconfio que minha insônia tem vida própria e o cruel objetivo de me lascar. Tudo porque escolhe a dedo quando aparecer.
Durante a gravidez tive muita insônia, o que, com a ajuda da progesterona, me fazia rastejar até o trabalho e esquecer o que estava fazendo (ou como fazer) mesmo que, por exemplo, um garfo cheio pairasse em suspensão diante dos meus olhos (estou almoçando? o que faz este garfo diante de mim? como faz para mastigar mesmo?). Mas a insônia matadora mesmo foi a que tive na madrugada que teve início meu trabalho de parto. Uma beleza, não? Com isso, passei por todo o processo sem dormir (e sem comer!). Quando Arthur finalmente estava em meus braços, estava exausta por ter passado a madrugada em claro muito mais que pelo esforço do parto em si.
E aí, a sacanada minha insônia, que desde então tinha me deixado em paz, voltou anteontem. E aí que ontem vacinamos o moleque: uma furada em cada perna e um líquido na boca. Quem acha que filhote teve reação e chorou muitão e teve febrão levanta a mão. Quem acha que meu instinto materno é meio sabotador e fanfarrão levanta a mão. Quem acha que eu só dormirei na próxima encarnação levanta a mão. (Já entederam porque não consigo retomar o educado hábito de responder aos comentários, né? Se fiquei te devendo uma resposta, uma visita, um alô, deixe seu recado após o bipe, aqui nos comentários, tá?)

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Parem as máquinas e suspendam a água!

PAREM AS MÁQUINAS!

É preciso publicar em todos os jornais a notícia mais importante do semestre! Nada de Mensalão, cavaleiros que sugerem cavalos em lugar de cachorros, disputas acirradas pelas eleições que se aproximam. Não, nada disso. O fato mais importante do segundo semestre é: pela primeira vez em minha vida e na vida do Arthur, amamentei um dia inteiro sem sentir uma dorzinha sequer! Mesmo no mamilo mutilado e com Arthur terminando a mamada com um pedacinho do meu seio na boca (achei que fosse uma afta e meti o mãozão: era um pedaço da minha pele). Notem bem: SEM DOR!
Foi ontem. Sem dor, sem traumas, até queria que Arthur pedisse peito. E ele não se fez de rogado: mamou loucamente, dormia de 2 a 3 horas na sequência (e passou a madrugada acordadão, damn it!) e, então, queria mais peitinho. Ô beleza! Até acho que tem mais bochechinha naquele rostinho lindo (mas só saberemos da verdade verdadeira na outra semana, depois da pesagem no pediatra, e não vou criar expectativas novamente).

Além disso, dessa novidade incrível, tenho outra. Aliás, outras. E preciso que suspendam a distribuição de água aqui no Rio, porque ao meu redor tenho QUATRO grávidas. Isso mesmo: quatro grávidas pertinho de mim. A primeira já está na reta final e também será mãe de um menininho. A segunda está com 12 semanas e acabou de descobrir que também será mãe de um rapaz. A terceira está com 9 semanas e ainda não sabe o sexo, e a última acabou de tomar aquele susto do beta. Sabem qual? Aquele em que você abre o exame e lê no resultado uma vírgula no lugar do ponto e acha que 3 mil é 3 vírgula qualquer coisa, e que "deu negativo, droga, bora seguir com a vida... mas peraí, isso é um ponto e estou MUITO grávida". O mais legal é que todas as 4 grávidas querem um parto normal (e duas delas querem um parto normal natural).
Se por um lado eu fico feliz, por outro fico preocupada, pois por mais que esteja amamentando exclusivamente e tenha, então, meus níveis de prolactina na estratosfera, não pretendo engravidar novamente antes de o Arthur completar um aninho. Por isso que passei a beber só água mineral e a evitar banhos prolongados. Vocês já sabem do poder que a água tem quando o assunto é gravidez, né? Eu, então, por via das dúvidas, tô suspendendo toda água que considero suspeita.

domingo, 12 de agosto de 2012

Dia dos pais

Hoje comemoramos nosso primeiro dia dos pais. Comemoramos, no plural. Marido porque é o pai (dããã), eu porque tenho o companheiro mais amigo e parceiro desta vida, sem o qual minha vida seria infinitamente mais sem graça e sem paixão (são demais os perigos dessa vida, querido), e Arthur porque tirou a sorte grande com esse pai: carinhoso, amoroso, dedicado, íntegro, trabalhador, lindo, inteligente e mais, muito mais.
Parabéns, meu amor! Você merece meu muito obrigada por tudo e as sete horas ininterruptas que seu filho lhe deu de presente!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Até que o último homem tombe sobre o solo

Este texto contém palavrões.

Eu tenho um pequeno e bravo guerreiro em casa. Todas as manhãs e todas as tardes ele luta com ferocidade, geralmente sucumbindo somente diante do peitinho franco-atirador, que sua mãe saca quando mais nada parece conseguir fazê-lo parar, ou do som do útero materno, que seu pai aciona quando sua fúria parece sem fim.
As batalhas são muitas: Soneca Para Mãe Dormir Mais Cinco Minutinhos, Soninho Para os Pais Almoçarem, Cochilo Para Frear Mal-humor Vespertino (também conhecida como a Batalha do Boi da Cara-Preta) e, a mais ferrenha, Dorme Para Mamãe Tomar Banho.
Todo dia é a mesma coisa: acordamos, ele de bom-humor, eu caindo pelas tabelas depois de loooongas e doloridas mamadas no meio da madrugada, daí marido fica com ele para que eu possa dormir mais um pouquinho (geralmente entre 20 minutinhos e 1 santa horinha), e então começamos a luta, filhos da pátria! Arthur pede peitinho, eu dou. Ele dorme e solta o peitinho. E chora. Eu reacoplo o menino nas peitolas. Ele chupeita e dorme, relaxa a boquinha e solta o mamilo. Alívio para as doloridas mamas da mãe, mas terror para os ouvidos de todos na casa (e, eventualmente, vizinhança). Pai se apieda dos urros de dor da mãe, que tenta recolocá-lo no seio, e aciona o som secador de cabelo. Arthur chora. Berra. Urra. Se descabela, mesmo sendo meio careca. Mamãe saca o peito para fora da blusa, mas papai inicia o método radical de ninada: pulinhos, mão na testa, som do útero e Boi da Cara-preta cantado ad infinitum. É hora do almoço, mas mamãe nem fez o xixi da manhã ainda. Bebê dorme. Papai pergunta: no berço, na cama, no carrinho, no bebê-conforto ou no balancinho? Mamãe responde: em qualquer lugar, já que ele vai acordar assim que sair do colo ou parar de chacoalhar. O video do Youtube termina, sem que papai ou mamãe percebam. Mas bebê nota. Abre os olhinhos. Pisca. E urra. Berra. E se acopla novamente ao peito rachado e mastitizado. Papai vai comer, porque o exército não pode ter tal baixa. Esquenta a comida e engole qualquer coisa meio requentada. Aproveita e faz um arroz com ovo para a mãe. Toma o bebê dos braços da mãe, que dá uma garfada, duas e... quase! Bebê acorda e a internet caiu, não há som milagroso, somente o colinho (e peitinho) da mamãe. Todos choram, menos papai, que precisa trabalhar e se tranca no home office. Mamãe derruba arroz com ovo no bebê. Uma súbita vontade de arrotar agita o bebê, que puuuuuuxa o mamilo esquerdo, perde a pega e abocanha aquela mutilação. Cai a casquinha. Sangue. Leite. Lágrimas. Home office foi para a puta que o pariu e papai lança mão do Boi da Cara-preta, mas Tutu Marambaia mora no nosso telhado. E ali mantém seu home office. Como Tutu mora no telhado, Arthur não dorme. Mamãe consegue fazer xixi. Mas ainda tem arroz com ovo.  Bebê de novo no peito. Dorme. Papai no home office. Mamãe, no sofá, tenta alcançar o antibiótico, que mais parece uma cápsula espacial, sem fazer o bebê perder a pega ou acordá-lo. São cinco da tarde. Um mau-humor generalizado toma conta da casa. Reload de todas as técnicas e estratégias já aqui listadas. Bebê dorme, mas acorda 20 minutos depois graças ao Reflexo de Moro. TománocuMoro! Bora dar uma volta? De carro ou de sling? De sling. Arthur, meu filho, calma, com as pernas esticadas assim, fica difícil te colocar no sling. Segura a perninha, amor. A cabeça tá meio torta. O quê? A cabeça. Meio torta (e entorta a cabeça). O quê? Porra, vou colocar ele na cadeirinha. Você viu  chave do carro? O quê? Aaaaaarrrghhhhhh! Shhh, meu filhinho, a gente vai dar uma voltinha para você dormir um pouquinho. Cinto afivelado. Garagem se abre. Que dia é hoje? Terça. Sábado. Sei lá: é o Dia da Marmota. Caralho! Sexta-feira, seis da tarde. Dá dedinho para o Arthur. Já dei. Ele não quer. O quê? O quê? Dedinho, meu filho, não posso te amamentar no carro. O quê? [Este engarrafamento é um oferecimento de Eduardo Paes] Pega a próxima à esquerda, tá mais livre. Ok, ele dormiu? Não, mas tá quase. Que horas são? Sete e meia, falta pouco para o banho, graças a deus! Ele dormiu? Não, mas tá rindo para o móbile. Pelo menos não está chorando. É. Bora voltar. Oito horas. Tira roupa, tira fralda, limpa bumbum, enrola na fralda, liga música, apaga luzes da casa (sempre rola uma topada ou uma canelada em algum canto) e mergulha o menino na água morna. Bocejo. Pais também bocejam. Sai do banho, roupa e fralda limpas, enrola no dudu, dá mais peito mutilado e não mutilado, coloca para arrotar e, enfim, ele dorme.
Lutou até que o último homem tombasse sobre o solo. Neste caso, o último homem é uma mulher.