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sexta-feira, 31 de maio de 2013

Ideias avulsas para a festa de 1 ano

Cores: azul e vermelho

Decoração consumível. Sem tranqueiras para juntar pó em casa (na minha ou na dos outros) depois.

Papel. Comidinha. Amor.

Cozinhar tudo sozinha? Contratar buffet?

Sem refri. Sem muito açúcar. Muita coisa sem leite e derivados.

Lembrancinhas especiais, handmade.

Queria filmar, mas estou sem dinheiro, e essas coisas de vídeo são caras. (Aliás, até hoje o vídeo do meu casamento tem só material bruto. Preciso arrumar alguém para editar logo isso!)

Quem tirará fotos?

Painel de fotos dos 12 meses.

Exibição das fotos impressionistas do parto. Vai ser um espetáculo!

Ideias mirabolantes com as comidas. Depois, se derem certo, venho postar. Mirabolantes mesmo!

Comemorarei o aniversário do filhote no dia do meu aniversário! Olhem que amor!

Sem música alta. Sem música de criança. Sem microfone. Sem animadores. Sem balbúrdia desnecessária. Sem (muitas) bolas.

Mais uma vez criando um evento trabalhosamente artesanal (casamento foi assim).

Começou com 200 convivas. Agora estamos com uma listinha de 80.

Animada. Muito animada.

1 ano do meu amor. 1 ano de muitas descobertas e alegrias. 1 ano inesquecível!

Juro de pés juntos que venho postar algumas fotinhos depois. Mas a festa é só no fim de junho, tá?

Aceito dicas, sugestões e indicações de coisas fofas, que funcionem em festinhas, que sejam práticas etc.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Inominável

Apenas: essa saudade inquietante, uma ansiedade belicosa, uma irritação amorosa e cafonices e contradições. Acordei meio fora de mim, com o coração palpitando e Arthur ficando em pé sozinho (já desde o dia 17 de março, mais ou menos, na verdade). Não anda, mas dizem que se estou longe repete mamamamamama, e quando estou perto chama papapapa.
As grávidas perto de mim já são mães, e eu morro de saudades do parto. Cada dia lembro com mais doçura, com certos arrependimentos (ah, no próximo quero mais fotos da barriga, do trabalho de parto, dos primeiros dias), com muito aperto no peito. Um peito que jorra: Arthur mama bem, mas ainda produzo muito. Ainda bem. Depois de tanta luta, tanto esforço, acho que vou acabar tendo de doar leite, porque ontem joguei fora quase um litro. E aqui fico eu, emotiva, chorando o leite derramado, o leite produzido, o leite que um dia ele vai deixar de mamar para ir viver a vida por conta própria. E então Arthur se levanta, sozinho, abre os bracinhos, olha para mim e sorri. Mas se eu saio de perto, se joga de gatinhas e corre, dispara feito um bólido, engatinhando com um joelho e um dos pés, numa charmosa e fofa demonstração de que somos diferentes em nossas soluções e em nossas vivências.
Diante de mim, uma decisão gigantesca. Aperta, oprime, mas também liberta. Ando emotiva como o diabo, feito Drummond, sem conhaque, com algum Chopin, embora esteja mais para Rossini ou Tchaikovsky. E em meio às bombas e à Marselhesa, vem vindo, vem vindo, vem vindo: essa onda de sentimentos vários. Daí Arthur acorda com calor, pede para mamar e eu me pergunto: por que trabalhar longe do meu filho?
O dia nasce, a vida retoma sua rotina, e, diante de mim, a melhor escolha da vida, a decisão mais importante e a vida que não para.
Como se chama o nome disso?

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Consumismos

Eu ando com dois buracos por aí: um no peito e outro no bolso. Passar horas longe do meu pequeno realmente me abalou de maneira profunda, e tenho ocupado muito do meu tempo livre (e, às vezes, até do comprometido) em consumismos loucos.
Tirando a parte engraçada do causo do sapato, pisca dentro de mim o sinal vermelho da infelicidade, da insatisfação e da ansiedade. Todos os dias quero comprar brinquedos lindos e educativos, pensando em quanto será divertido empilhar, fazer rolar, balançar e emitir sons diversos com meu filho. Diariamente penso nas roupinhas que quero lhe comprar, para tirar fotos lindas, que ficarão para a posteridade e registrarão o crescimento do meu filho. Não se passa um dia em que eu não pense no que possa estar faltando em casa, para comer, trocar fralda, beber, enfim, viver. Tão vendo o tamanho do buraco, da solidão, da tristeza em não estar em tempo integral com meu filho? Brinquedos para tornar divertidas as ridículas (em termos de duração) horas que passo com Arthur. Roupas que não vejo ou verei ele usar, porque estou enfurnada num escritório, e que marido fotografa para que saiba como ficaram. Itens de higiene, hortifritigranjeros, bebidas de todas as naturezas, tudo que não pode faltar, tudo o que nutre e traz bem-estar.
Veem como é triste isso?
Veem como parece desesperador?
E é. Triste e desesperador, porque quando me vê, ao chegar da creche, Arthur não quer brinquedo e nem me importo com o que ele veste: só queremos nos abraçar, nos amar, nos aconchegar. Claro que brincamos, claro que fico toda prosa quando vejo meu filhote lindo dentro de uma roupinha fofa ou gaiata que escolhi para ele. Mas se ele estivesse pelado e tudo o que me restasse fosse minha voz, nós estaríamos lindos e entretidos.
E aí, além disso, penso em como é triste também constatar que, de repente, eu entendo muito aquelas mães (e aí a minha se inclui) que querem fazer todas as vontades materiais dos filhos, eu entendo a importância equivocada que "ter" tem na nossa sociedade. E deprimo um pouquinho, sabem? Porque eu trabalho feito uma mula manca para ter dinheiro para pagar a creche que acolhe meu filho enquanto eu ganho dinheiro para preencher na nossa relação um buraco imensurável, que é do tamanho de 10 horas diárias de separação, do tamanho de mamadas fora do peito, de choros sem o meu colinho, de dormidas sem o meu calor. É um buraco tão grande, mas tão grande, qque muitas vezes faz de buraco negro, e suga todas as luzes ao redor. Menos, é claro, o sorriso do Arthur. E minha preocupação é justo com isto: o sorriso do Arthur. Mantê-lo, cativá-lo, prendê-lo no rostinho do meu filho. E sinto que falho.
Querem saber? Para mim, o ideal seria largar emprego, carreira, dinheiro e canudo, porque Arthur é muito maior, muito melhor que tudo isso junto. Detesto ir trabalhar e saber do dia do meu filho por uma tabela pré-impressa, com categorias planas e tão vazias de sentido: alimentação, evacuação, sono, observações.
Meu filho é mais, muito mais, infinitamente mais complexo que categorias estanques numa página de agenda. Mas, por enquanto, ele é isso também, porque não posso tirá-lo da creche, porque não posso largar o emprego.
Daí, hoje, exatamente hoje, vem aquele bafafá todo sobre infância, consumismo, reality show de bebês e mães. Fiquei mal, pensando em como as coisas às vezes saem da proporção e entram numa perspectiva doida e enganosa.
Enganosa? Não me iludo, apenas me engano, me distraio, porque preciso aprender a processar emoções e experiências que não estavam aqui até bem pouco tempo atrás. Então, quero crer, numa distorção que hão de me perdoar, que meu consumismo equivale ao processo catártico aristotélico, e que na falta de tempo para ler, assistir a peças, filmes ou espetáculos artísticos, me fio no espetáculo do consumo para tentar experimentar novas formas de lidar com todo esse espaço que sobra (e que paradoxalmente comprime, aperta, estrangula). Um espaço de 64cm e 7,5kg. Dimensões objetivas bem definidas, dimensões subjetivas impossíveis e inomináveis.
Sigo, então consumindo produtos, me consumindo em dores e angústias, sendo consumida pelos dias.
Espero que meu consumismo não saia do controle (e controle aqui é me reconhecer consumista e ligar o sinal de alerta) e que eu consiga não perder a perspectiva de que o importante aqui não se compra, não se vende, não se empresta: damos.

sábado, 16 de junho de 2012

Se a vida te dá um limão...

...você faz uma limonada (ou uma caipirinha, dependendo do amargor da fruta).

Mas e se a vida te dá uma gestação de 41 semanas, o que você faz?
Bom, eu fiz duas coisas: insônia e madrugadas crafters.

Cuerinho feito com carinho e, ao fundo, enfeite para a porta da maternidade

Tem que ser selado, registrado, carimbado, avaliado, rotulado...


Agora, meu filho, você tem cueiro, enfeite de porta e saquinhos identificados. Pode vir.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Reflexões muito loucas sobre a gestação do elefante

*Para ler ao som de "Chacal Blues".

Antes de embarcar no carrinho que vai te levar para o meio da selva hormonal da minha cachola, aviso: este post não terá o menor compromisso com a lógica ou com a coerência. Além do que, informo que um amigo, "grávido", com bebê previsto para JULHO, se tornou papai hoje e furou a fila. E que também hoje, ao telefonar para o consultório da minha médica, ouvi a secretária perguntar "nasceu?", e eu fui obrigada a dizer que não, e a secretária informou: "é que a dra. teve um parto no meio da madrugada e eu achei que tivesse sido o seu". Na última consulta a médica me garantiu que eu era a próxima, e que ninguém furaria essa fila. #todaschoraesedescabela Dito isso, embarque por sua conta e risco. Obrigada.

Nasci de uma desnecesária. Quer dizer, a cirurgia era, como sempre é nesses casos, desnecessária para mim e para minha mãe, mas absolutamente fundaental para o médico, que queria viajar e curtir os jogos da Copa do Mundo numa boa. Então, aos 8 meses de gravidez minha mãe se vestiu, tirou fotos no jardim interno do hospital, deitou-se numa maca e ganhou, além de horríveis feridas porque a enfermeira não leu que ela era alérgica a iodo e a besuntou com a substância, um bebê minúsculo, porém saudável. Nasci com 45cm e 2,750kg. Incrivelmente não tive grandes problemas por conta da evidente prematuridade (mas convém ressaltar que tive sapinho e minha mãe não teve leite - ou pelo menos orientação adequada para conseguir me amamentar). O médico, claro, viajou tranquilo, e minha mãe descobriu quando foi tirar os pontos porque eu "estava morrendo, meu deus, que perigo horrível esse cordão enrolado no pescocinho dela!".
Não sei se por conta disso, tenho meu próprio tempo. Nunca fui maria-vai-com-as-outras em nada nessa vida, e enquanto as meninas da escola falavam de beijos e meninos, eu brincava de boneca e fazia as minhas coisas no meu tempo. Precisei amadurecer muito cedo por conta das porradas que a vida nos dá, e o resultado disso foi que, aos 12 anos eu já cozinhava minha comida, aos 15 tive meu primeiro emprego e nunca mais pedi aquilo que eu poderia conquistar. Então, as coisas em minha vida tinham um ritmo muito peculiar, afinal, se eu era "atrasadinha" por um lado, por outro era precoce e até responsável demais.
Por conta desse meu traço característico, foi aos 20 anos, muito tempo antes de engravidar, portanto, que eu decidi o que eu queria para o meu parto: dignidade, cuidado real e respeito ao meu espaço, ao meu tempo, a mim.
E aí eu engravidei. No meu tempo. Foi rápido.
E aí enjoei, e não parei por um longo tempo (fiquei mal até cerca de 20 semanas!). Foi demorado (e chato).
E aí trabalhei bagarái e entrei no segundo trimestre. E foi demoraaaaado.
E aí comecei com as contrações de Braxton Hicks. Foi rápido.
E aí os dias começaram a voar, um atrás do outro, de enfiada, tão ligeiros que fiz 38 semanas e só então fui arrumar mala de maternidade, quartinho, cueiro, cadeirinha e todas as fanfarronices que vocês já estão carecas de saber que inventei. Foi superrápido.
E aí completei 40 semanas.
E 40 semanas e 1 dia.
E 40 semanas e 2 dias.
E 3 dias, 4 dias, 5 dias.
E nada de trabalho de parto. Nada de contração efetiva (as de Braxton Hicks continuam firmes, fortes e indolores por aqui), nada de tampão, nada de cólicas leves ou fortes, nada de nada.
Sei que as coisas na vida sempre têm um motivo, e eu acredito de verdade que aquilo por que passamos e que nos incomoda merece uma atenção especial por se tratar, na maioria das vezes, de uma oportunidade espetacular para nos conhecermos melhor ou aprendermos uma importante lição. Aquela bordoada que a vida te dá pode ser uma oportunidade. Aquela chatura na vida cor-de-rosa que todos levamos pode ser ótima para descobrirmos novas facetas e maneiras de lidar com a vida.
Mas às vezes é difícil. Tipo agora, para mim.
Já fui muito aniosa nessa vida, de tomar bolinha e tudo porque sozinha não estava dando, mas aí aprendi a relaxar, a entrar em contato com o meu eu profundo, aprendi a viver um momento de cada vez, a ser menos controladora e mais easy going, aprendi até mesmo a respirar (técnica zazen) quando mais nada é possível, permitido ou controlável. Sente-se e respire, Ártemis.
E assim faço e assim vivo. Sem remédios há mais de 12 anos.
E então hoje, depois de ler que meu amigo, cujo filhote estava previsto para julho, se tornou papai antes  que eu me tornasse mamãe, me permiti dar aquela surtadinha básica de "oh, céus, por que comigo? Por que eu?", mesmo sabendo que era puro drama (e hormônios e ansiedade), e nada sério de verdade estava acontecendo. Mas eu me permiti, sabem? Fiquei chateada, só faltei fazer beicinho e bater o pé no chão, de birra. E vou dizer que deu vontade de fazer os hots, de faxinar a casa, de subir escada, comer abacaxi, beber chá de canela, marcar acupuntura e homeopata. E fazer promessa, e colocar roupa de cama e camisola novinhas, só para ver se Murphy está ligado. Até mesmo ligar para as pessoas que fazem meu pré-natal deu vontade, só para dizer: tô miserável nessa ansiedade, e nessa ansiedade que é quase toda minha porque já não estou trabalhando mais, porque menti a DPP para todos ao meu redor, porque não atendo mais telefonemas e respondo às cobranças com evasivas, porque minha equipe de apoio ao parto está suuuuuuuuperzen. Logo, a ansiedade é minha, me pertence. Não posso culpar outra pessoa pelas madrugadas em claro, pelas manhãs de sono entrecortado, pelas inúmeras listas de horários com as (três ou quatro) contrações irregulares que venho sentindo já há bastante tempo.
Escrevi e reescrevi e desisti de inúmeros e-mails, mensagens e posts.
Então pensei que talvez essa demora tenha a ver com o tempo que preciso para processar tudo, e me organizar emocionalmente para receber meu filhote. É minha sombra se avultando no horizonte, indicando para mim um parto assustadoramente cru, nu, visceral. Não sei o que esperar do processo por que passarei em breve: se entrarei em TP naturalmente, se precisarei ser induzida, se acabarei numa cirurgi. Não sei se vai doer da maneira como penso que vai, se vai minar minhas forças, se vai me levar às raias da sanidade, se vai me transformar. Mas tenho certeza de que essa longa espera ansiosa faz parte dos MEUS pródomos, da minha maneira de lidar com situação no meu tempo, do meu jeito. E, em certo sentido, até fico feliz de ter um filho maravilhoso vindo por aí, um filho que está respeitando esse momento em que preciso encarar e enfrentar o fantasma da ansiedade novamente. E também fiquei contente de perceber o momento antes que ele passasse, e acho que realmente preciso me desligar do "trabalho de parto" e encarar o "processo do parto", buscar meus caminhos para relaxar, ou pelo menos aceitar o incômodo, e respirar. Poucas coisas fizeram tanto sentido em minha vida quanto a frase "tudo o que você pode fazer em alguns momentos é respirar".
Desculpem o post longuíssimo, absolutamente descompromissado com começo-meio-e-fim ou com historinhas interessantes e engraçadinhas. Faz parte do meu processo de introspecção e, por incrível que pareça, vir aqui no meu cantinho, onde eu sou quem sou, livre de amarras sociais, ajuda. Aqui eu me sento e observo os pensamentos e sentimentos passando, um a um, enquanto eu faço tudo o que posso fazer: respirar.

E que mais ninguém passe a minha frente.
=P

Eu ainda não pari

Em compensação, a Mel Lisboa...

o.O
Me abracem, por favor?

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Plugada e pilhada (ou "Ainda não pari")

Com a contagem regressiva pressionando a todos, convém que eu apareça diariamente para dar satisfações e não deixar ninguém achando que eu já pari, né?
Apesar do cheirinho delicioso de fraldas e sabonete de neném que paira no meu apartamento, apesar da pança enorme e dos hormônios enlouquecidos, e apesar, sobretudo, de já ter cadeirinha (todo mundo jogando as mãos para o alto e comemorando comigo! Principalmente a Anna!), Arthur ainda mora dentro de mim.
Ele ainda mora dentro de mim e eu continuo plugada (nada de tampão, minha gente) e começo a ficar pilhada. Acho que as gincanas estão chegando ao fim (chegou a cadeirinha, já até comprei e lavei a capinha para forrá-la), o enfeite da porta da maternidade também está caminhando (a passos de cágado velho, mas caminha) e o porta-fraldas está sendo tentadoramente adiado (já pensou que relato de parto fabulosamente crafter se eu disser que entre as contrações eu aproveitava para terminar a pintura da peça?!).
Lavei todas as roupinhas até 6 meses, faltam cerca de 30 peças para passar (num horizonte de 7952 peças iniciais, o que são 30 bodies do tamanho da palma da minha mão, não é mesmo?), bercinho já tem protetor e lençol (e edredom, que é para não pegar poeira) e amanhã devo comprar uma mantinha porque está ficando frio. Também amanhã devo mandar emoldurar uns quadrinhos e trocar umas roupinhas.
Daí, o que me sobra? A tensão da US, que não consigo marcar em lugar nenhum do universo, e o frisson do R perdido. Lembram? Arthur tem 2 Rs e o alfabeto que comprei só tem um R. Mas achei na internet um alfabeto igualzinho ao que tenho por aqui e comprei, com entrega em prazo que varia entre 3 e 8 dias úteis. Será que na porta da maternidade teremos um Arthu ou um Arthur? Prometo voltar para contar.

***

Também preciso comentar o post anterior, tá? Então vocês, por favor, sejam novamente bacanas com uma gestante hormonalmente alterada e ainda plugada, com quase 40 semanas.

Quando eu disse que estava ficando loucona de hormônios (mas loucona de verdade, de ter medo de sair na rua, dar meus ataques de pelanca e, em vez de voltar para casa - e para meus dias sem fim -, ir direto para o manicômio), acho que ninguém levou muito a sério. Até o último post, né?
Adorei que várias pessoas comentaram e vi que muitas outras me visitaram, mas não falaram nada (eu estou loucona de hormônios, mas não mordo - ao menos não enquanto houver uma tela entre nós -, então podem comentar) e realmente achei incrível porque escrevi o texto pensando uma coisa, num tom, e vi como as palavras nem sempre têm o tal "estado de dicionário" do Drummond e acabam enveredando por caminhos inesperados. E que coisa bacana.
É que eu meio que desabafei, sabem, por causa das gincanas. E aí li o texto da Thais, e vi aquele tanto de roupinha por passar, e quase não deu certo a operação resgate da cadeirinha, e minha licença médica está acabando e eu não queria gastar a licença-maternidade, e minha médica me passou uma US que não consigo marcar, e meus dias parecem que andam eternos. Daí desabafei das dores acumuladas ao longo da gravidez, porque eu concordo com vocês, que leram o post e vieram com muito carinho me lembrar (e consolar) de que essas perguntas, muitas vezes, são formas de dizer "oi, que bacana você estar grávida e eu quero muito que você e seu bebê sejam felizes". Eu sei, eu sei, gente. Mas tenho meus pontos sensíveis e, como eu disse no comecinho deste texto, o tal "estado de dicionário" de que fala Drummond nem sempre é alcançável no cotidiano nada poético, né? Daí, tome interpretar palavras e tons e dar aquela sofridinha básica. Sofri, mas quem não sofreu?

E aí passou. E ontem mesmo umas pessoas me perguntaram (e saíram ilesos da minha casa, vejam só!)  se eu tinha planejado a gravidez, quando nascia esse menino e se eu tinha preferência pelo sexo. Ai, Murphy, você é tão legal (e tão previsível)!

Enfim, obrigada, muito obrigada a todas que comentaram com tanto carinho e solidariedade e votos de bom parto! Buchudas interrogadas deste Brasil: uni-vos e compadecei-vos das agruras e angústias alheias!
=)

***

Para finalizar, prometo que, se não entrar em trabalho de parto amanhã, venho contar a saga da cadeirinha. Sei que não sou muito boa em cumprir promessas por aqui, mas o texto já está pensado e quem não parir, verá.

terça-feira, 5 de junho de 2012

39 and counting*

Diga trinta e nove.
Trinta e nove semanas de gravidez e esse verão micareta aqui no Rio. Tá duro, minha gente.
Hoje visitamos GO, recebemos guia para US e nada de previsão para o parto.
Resultado: sentar, costurar e esperar.
Costurar? Sim! Inventei de pintar um porta-fraldas em MDF, de costurar o enfeite de porta da maternidade e de fazer uns lençoizinhos para o meu rapaz. Bom, o porta-fraldas está a meio caminho, faltando apenas umas duas partes para serem pintadas (vai ser todo branquinho, sem nada de gracinhas porque eu invento artes, mas não piro na megalomania, não). Os lençoizinhos vão ficar de lado por enquanto, porque ganhei uns prontinhos e achei melhor só me preocupar com isso quando o Arthur estiver maior ou se eu chegar a 42 semanas de gravidez (repitam comigo: não, não e não!). Mas ainda resta o enfeite de porta. O tecido está cortado e a máquina de costura só me esperando. O molde é fácil e sei que em meia tarde resolvo o caso, mas aí vou adiando, adiando. Sem contar que me dei conta de que Arthur é um nome com dois R, e as letrinhas que comprei para o enfeite não bastam. Saí, então, em busca do R perdido e não encontrei nada que me satisfizesse.
Para completar a comemoração das 39 semanas de pança, a tal cadeirinha que está em SP ainda está em SP e só deve chegar (via sedex) na semana que vem.
Então, eu, que adoro uma gincana, tenho duas boas para me distraírem nessa reta final de gestação (e para me ajudarem a esquecer que estou chegando ao fim da licença médica e que, portanto, precisarei lançar mão da licença-maternidade): a cadeirinha chega ou não chega? Encontrarei eu letrinhas para o enfeite da porta e conseguirei costurar o que ainda falta?
Aguardem e façam suas apostas!
Prometo voltar aqui para contar como andam as coisas. A não ser que eu resolva entrar em trabalho de parto antes.



*Tradução: 39 e contando.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Sustinho

Casa da sogra. Madrugada.37 semanas + 3 dias.

02h43
02h52
03h02

E tome contração dolorida.
Acorda o marido porque, além das dores, sinto um enjoo desgraçado.
Ficou nervoso(a)? Nós também. Mas não é/era nada. Só mais um dia de fortes emoções na vida de uma grávida na reta final.
Resultado? Bora aproveitar a insônia (do enjoo e do susto) para terminar o último trabalho pré-baby e, então, aninhar e curtir os últimos dias de barrigão e vida a (apenas) dois.

sábado, 21 de abril de 2012

Arthur encaixou

Desde anteontem (dia 19 de abril) sinto o Arthur encaixadinho, se preparando, como a mamãe, para o parto que se aproxima. Os dias têm sido complicados porque preciso resolver umas questões profissionais antes de sair de licença-maternidade e, para completar, deixei para última hora a to do list do quartinho e das comprinhas. É que eu tenho preguiça e não sou daquelas que ficam loucas por comprar. Confesso que estava muito mais focada na questão parto e preparação da mente para a chegada do meu rapaz que preocupada com a decoração do quartinho. Mas agora parece que as coisas estão se encaminhando. O bercinho está montado (mas já está há um tempão!), compramos a cômoda, a cadeira de amamentação, o trocador, a almofada de amamentação e já temos montadinho o carrinho. Kit berço, banheira, abajur, roupinhas e algumas fraldas e brinquedinhos também já estão a postos. Faltam-nos, porém, a cadeirinha/bebê conforto, a roupinha especial do primeiro dia de vida (é a minha surtação de grávida - que toda grávida tem, né? Aquela coisa com que a gente cisma e precisa comprar de qualquer maneira, mesmo que não seja a coisa mais prática ou útil, e a minha encasquetação é um body de tecido de bambu, bem molinho, confortável e ecológico), toda a decoração do quartinho (acho que comprei coisas que combinam minimamente entre si, mas não tive tempo, paciência ou dinheiro para coordenar tudo), fraldas de pano, de boca e toalhas, os lençóis e cueiros (que eu mesma vou costurar), as bolsas e malas, a lixeirinha e a garrafa térmica, aqueles potinhos de colocar algodão e gaze, e tempo. Caros leitores, como me falta tempo! Tempo e ar: as faltas de ar melhoraram, mas não passaram. E somada à falta de tempo, às pendências profissionais, ao tanto de coisa que ainda me falta arrumar e organizar (alguém se candidata a me ajudar com os duzentos zilhões de microcoisinhas que preciso lavar?) e à enrolação natural desta que vos escreve, só consigo pensar que estar com 33 semanas é assustador. Enfim, esse post vai sem graça mesmo, nesse atropelo de ideias e listagens, porque hoje é sábado, amanhã é domingo e, como dizia o poeta, a vida vem em ondas como o mar (e não, não estou falando do bobão do Lulu). A onda do momento é terminar um trabalho enooorme, a de amanhã será, fatalmente, sentar e organizar o que falta e quando e como resolver essas pendências. Torçam por mim!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Rapidinho

Vou passar rapidinho por aqui. Para agradecer os comentários e a compreensão. Para dizer que ainda fico surpresa por vocês aparecerem por aqui, mesmo com minhas abduções frequentes.
E se eu passar bem rapidinho, vocês nem vão notar minha barriga tendo contrações de BH (e me deixando com a barriga durinha que eu sempre sonhei ter), nem minha pele do rosto, que decidiu desabrochar em pontinhos vermelhos e micro-espinhas, muito menos que eu tô ofegante, mas tão ofegante que daqui a pouco me perguntam se fiquei gaga com a gravidez.
Só que aí eu me lembro que estou lenta, pesadona, andando feito uma pata asmática e que ser rápida não está entre minhas habilidades gravídicas. E sem contar que se eu insistir e passar rápido, desmaio (sim, de novo, minha gente!). E aí, queridos, deitada no chão vai dar para ver com muitos detalhes minha GIGANTE ansiedade pelo parto.
Por isso que eu passo rapidinho, mas cuidando para não desabar.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ops!

Você sabe que o terceiro (e último) trimestre da gravidez se aproxima quando você compra um copinho de Matte e o prazo de validade da bebida é maior que o da sua barriga.
o.O

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A desilusão da maternidade

Antes que todo mundo se apavore, explico logo que a maternidade do título e a desilusão a que me refiro não têm absolutamente nada a ver com o post anterior. Os enjoos melhoraram (yey!!) e não me sinto de jeito nenhum abatida pela experiência de me construir mãe.

É que nesse último fim de semana fui visitar uma maternidade badalada aqui no Rio. Fui com marido, a fim de tirar umas dúvidas, conhecer os procedimentos e saber um pouco mais sobre como seria no big day.
A mocinha que nos recebeu, muito sorridente, logo nos levou para um dos quartos (miudinhos, mas dignos) e danou de explicar que chegaríamos na data agendada pelo médico, faríamos os procedimentos de internação, subiríamos para o quarto, onde seríamos preparadas para sermos levadas ao centro cirúrgico e, então, seríamos operadas, voltaríamos para o quarto e, cerca de uma hora depois, viria o bebê, que - olhem só que alegria! - poderia ficar o tempo todo com a gente.
Ela sorriu, piscou os olhos cheios de rímel, e perguntou, mais por educação e protocolo que real interesse:
- Alguma dúvida?
Sim. Eu tenho muitas, mas vou começar por uma: e quem vai parir, e não se submeter a uma cirurgia?
Ela riu, e ainda fazendo graça, respondeu:
- Bom, no caso de parto normal é assim: você vai chegar com muitas dores, vai deixar todo mundo assustado e confuso, daí vamos tentar te ajudar a fazer tudo o mais rápido possível. Mas vai ser uma correria danada, uma confusão.
Olhei para o marido, incrédula, e não consegui rir. A vontade era de chorar. Como uma instituição que se diz "maternidade" tem essa visão a respeito do nascimento? Só existe um jeito, e se não for da maneira protocolar e artificial a que eles estão acostumados (e para o qual estão preparados) o evento mais importante da vida de uma mulher (e de um homem, por que não?) será tratado primeiro com deboche e depois com falta de profissionalismo (como assim "vai ser a maior confusão?" Melhor eu correr para um hospital ortopédico, então, onde os profissionais sabem lidar com dores agudas sem "confusão e correria")?!
Estava eu, revoltada assim, transmitindo minha completa indignação ao marido somente com o olhar (uma das vantagens de uma parceria de longa data) quando o marido de uma grávida que também estava no tour pergunta, muito sério: "Acompanhante tem direito a refeição?"
Depois dessa, fui conhecer o banheiro, olhar para aquele chuveiro minúsculo, me perguntar onde caberia meu marido ali dentro, comigo, na hora do trabalho de parto e tentar respirar fundo para me acalmar. Deu certo. Ouvi mais umas três ou quatro abobrinhas burocráticas, fui questionada sobre qual era o meu plano de saúde (e informada de que meu marido tem direito a refeições pelo plano. Ufa, não é mesmo?) e perguntei: e a sala de parto humanizado?
Ah, ela existe. Mas fica dentro do centro cirúrgico, por isso tem ar condicionado forte (legal, né? Achei super humano. Ainda mais que eu MORRO de frio o tempo todo, mesmo grávida), e pode ser usada, pasmem, por gestantes que serão submetidas a uma cirurgia! Bacana, heim. Enquanto a que está parindo, cheia de contrações e precisando da banheira (ou da piscina, segundo da mocinha sorridente de rímel) para aliviar as dores fica espremida no chuveiro, toda desconfortável, a que vai ser operada faz fotos em um banho de espuma enquanto espera a manicure chegar.
Fiquei pensando em como seria tentar parir em um hospital que não se diz humanizado e concluí que seria melhor fazer como os pinguins de Madagascar, o filme (sorrir e acenar), antes que meu nome fosse parar na lista negra da maternidade, com um aviso em letras garrafais: PROBLEMA!
Ouvi mais perguntas importantíssimas, tipo: vocês têm serviços de foto e filmagem? Ou: a lojinha fica aberta 24 horas? E segui o grupo para visitar o berçário.
Era ali que eu queria chegar: no tratamento oferecido ao recém-nascido. Estava cheia de dúvidas e inseguranças e esperava que ao menos alguma coisa me fosse ser esclarecida. Ledo engano!
Ao chegarmos ao berçário, a mocinha sorridente de rímel ficou ainda mais sorridente e, tal como as vendedoras de lojas de vestido de noivas, ficou nos fitando, esperando que as lágrimas caíssem diante daqueles bebezinhos lindos, fofos, rosinhas e... chorando SOZINHOS em seus bercinhos aquecidos.
Sabe, sou super sentimental, amo bebês, sempre sonhei ser mãe, sou canceriana assumida e convicta, mas comigo, não, violão! Os bebês eram lindos e deliciosos, mas minha sensibilidade, naquele momento, não foi aflorada por isso, mas sim pelo fato de eles estarem sozinhos!
Pensem comigo: você é um recém-nascido. Até poucas horas atrás, você estava em um lugar quentinho, escurinho, escutando a voz da sua mãe e seus batimentos cardíacos o tempo todo, sentindo as paredes do útero te protegendo e tendo sua sensação de peso dimiuída pela bolsa amniótica. Mas agora, você está nu, solto no espaço, sem a voz, o coração ou a pele da sua mãe para te acalmar, sentindo que tem um peso diferente, sentindo pela primeira vez cheiros e gostos, ouvindo e respirando também pela primeira vez, e você está SOZINHO. Horror dos horrores, não? Bom, eu não sei vocês, que leem essa maluca aqui, mas eu realmente acho isso meio filme de terror, sabem? Então, se EU puder evitar que isso aconteça com o MEU filho, assim o farei (embora, lógico, eu saiba também que o bercinho aquecido e as enfermeiras do berçário têm suas excelentes serventias, sobretudo para as mamães que tiveram problemas sérios na gestação e no parto e precisam de alguém qualificado para cuidar de seus filhotes. O que eu questiono é a necessidade de deixar o bebê ali, quando mãe e filho estão bem. É como internar uma pessoa com quadro estável e relativamente saudável em um CTI).
A mocinha grávida que fazia o tour comigo não devia pensar em nada disso, certamente, pois olhou para o marido, acariciou a barriga e suspirou.
Já o meu marido, chegou do meu lado e perguntou: esses bebês são prematuros? São tão pequenos...
Eu respondi que do jeito que se devia fazer cesárias ali, não havia como saber se todos aqueles bebês tinham nascido a termo, e falei que era provável que alguns fossem, sim, prematuros. Mas acho que falei isso meio alto e a mocinha sorridente olhou para mim.
Alguma pergunta?
Coitada! Ela não deveria ter sido gentil naquela hora, porque perguntei quais eram os procedimentos obrigatórios, por que os bebês ficavam naqueles bercinhos, para que servia toda aquela parafernália tecnológica e se eu poderia ficar o tempo todinho com o meu bebê nos braços ou no quarto.
Ela assustou, murmurou umas respostas bem sem sentido e disse "não sei" para a serventia do bercinho. Disse que os pediatras todos enviavam os bebês para o bercinho por cerca de uma hora e encerrou a visita perguntando se havíamos gostado e dizendo que, assim que o médico marcasse a data do parto (tal e qual um deus), era para fazermos a pré-internação no site. Mais uma vez a chata maluca e perguntadora aqui lembrou que em caso de parto normal, a coisa não funcionava assim, tão burocraticamente. Ela bateu os cílios cheios de rímel, disse que eu fizesse a pré-internação com a data provável para o parto e nos acompanhou até a porta.
Nos despedimos, a outra grávida me desejou boa sorte, desejei boa sorte a outra grávida e saí com mais dúvidas e inseguranças do que quando entrei.
Marido viu meu choque e propôs: vamos tomar um lanche ali, naquele café?
Fui, aliviada e amando muito esse homem que me entende como ninguém!
Nos sentamos, fizemos os pedidos, olhamos a decoração, até que marido não aguentou e perguntou: foi impressão minha ou a mocinha sorridente de rímel disse que mulheres que querem parto normal são mais difíceis?
Eu ri e respondi que eu não tinha ouvido nada, mas que eu, com certeza, seria bem difícil. E que meu parto, se tudo der certo, será uma bela de uma confusão... para eles.

terça-feira, 26 de julho de 2011

A enxaqueca, a mídia e o que aprendi com exercícios físicos

Longe de mim querer (na verdade, poder) julgar os outros. Mas existem algumas situações que não acontecem na vida alheia que merecem minha atenta reflexão, seja porque se trata de pessoa querida e que me pede ajuda, seja porque eu me solidarizo e me imagino naquela situação. Nesse último caso, eu julgo a mim mesma, tendo em vista tal (ou tais) acontecimento(s).
No meu trabalho as mulheres são maioria absoluta. Com isso, reina a ditadura da dieta: não posso comer isso porque estou de dieta, não posso beber aquilo porque tem muitas calorias. Com isso, pequenos prazeres desaparecem e vivemos sob o duro regime da restrição de gorduras e carboidratos.
Ontem, uma amiga querida ficou em casa. O motivo: enxaqueca. Quem já teve enxaqueca ao menos uma vez na vida entende que as dores são restritivas e até imobilizantes. Essa amiga vive de dieta. Não acho que a enxaqueca tenha necessariamente relação com a dieta, mas isso me fez pensar que muitas vezes em nossas vidas negligenciamos nosso corpo, ou dele exigimos para além dos limites, em busca de um modelo que não condiz conosco, seja porque nosso estilo de vida é diferente, seja porque nossas necessidades fisiológicas são diferentes (ninguém pode querer ter o metabolismo acelerado de uma modelo de passarela, né?). Daí, minha cabecinha monotemática logo enveredou pela seara da maternidade e pensou que durante a gravidez exigimos demais de nosso corpo e mente: somos obrigadas pelo corpo a produzir mais recursos, pois um serzinho está se formando e precisa de energia; por sua vez, a pressão social, personificada em sua maior instância pela mídia, nos obriga a uma série de condutas cada vez mais rígidas: engordar pouquíssimo, praticar todas as atividades físicas com a mesma disposição, nada de estrias, corpo normal no pós-parto em tempo recorde. Haja autocobrança, minha gente.
Daí, volto as minhas atenções para minha vidinha: é difícil viver e compreender que o outro é apenas o outro, uma maneira diferente de lidar com as mesmas (ou muito parecidas) imposições da vida. É complicado perceber que nossos problemas são problemas, sim, mas que as outras pessoas desse mundão de meu deus também têm suas dificuldades.
Mas por que tudo isso? Ora, porque eu voltei a praticar exercícios regularmente (havia dado uma paradinha, o que minha coluna, essa ingrata, logo percebeu e denunciou) e a maior lição que a prática de atividades físicas me ofereceu foi entender os limites do meu corpo. E que se dane se a pessoa do meu lado consegue levantar vinte quilos na caneleira, que faz um pas de bourrée com perfeição ou consegue correr sete quilômetros diários. O que importa e o que vale para mim são limites claramente definidos, e que de modo algum me colocam acima ou abaixo das demais pessoas.
Mas não parei por aí na reflexão: matutando sobre o que aprendi com minhas atividades físicas, lembrei que muito em breve viverei totalmente imersa na ansiedade das tentantes e que devo ter muito cuidado para não me cobrar demais, não me impor determinadas metas que valem para os outros (mas não sei se servem para mim). E por falar em metas alheias, e a barriga depois da gravidez, heim? E os exercícios durante a gravidez? E...
Bom, aí eu fiz o que eu podia fazer em meio a tantas coisas que levam a outras coisas que levam a outras coisas: entrei para a meditação.
Todo mundo comigo: OOOOOOHHHHHMMMMMMMMMM

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Ansiedade, essa palavra de quatro letras

O ser humano é um bicho engraçado, tenta rotular e determinar tudo aquilo que o cerca, de modo que ele possa dizer "eu sei" ou "eu conheço". Não é de hoje que elegemos uma doença ou patologia como o "mal do século", desde a Peste até a depressão, passando inclusive pela opção sexual, tudo parece estar sujeito ao aval daquele carimbador maluco do Raul (o Seixas), pois se não for selado, registrado, carimbado, avaliado, rotulado, não se voa, não se move e se liberta. Há algum tempo venho ouvindo a máxima de que o mal do século é a ansiedade, porém acho interessante notar que há não muito tempo esse posto era ocupado pelo estresse. Mas aí a inflação estabilizou, os loucos anos 80 deram lugar a menos yuppies e os anos 90 e sua geração Y explodiram o estresse, dando à depressão um memorável primeiro lugar na lista dos mais-mais e, em breve, os anos 10 deslindarão uma nova doença que irá desbancar a ansiedade. Até lá, fiquemos com ansiedade como o mal do século. De posse desse, quero pensar sobre outro clichê, para ir treinando, já que dizem que ser mãe é, entre outras coisas, cultivar e repetir clichês.
A primeira palavra que passa a fazer parte do vocabulário das mães deve ser ansiedade. Mesmo a mais zen, a mais ponderada tem suas angústias assim que se descobre grávida ou, não raro, mesmo quando começa a planejar a ampliação da família.
Para mim, a ansiedade é plural e composta por quatro letras.

M
De menstruação.
Muitas mulheres têm uma relação complicada com seus períodos. Cólicas, intensidade do sagramento, variações de humor, inconveniência, muitas são as reclamações que coleciono nesses quase trinta anos de feminilidade. E realmente, ser mulher e menstruar impressiona. Aos seis anos impressionava porque era sangue, e nossas mães diziam não estar machucadas. Hoje, aos 29, impressiona porque está intimamente relacionado ao poder de gerar, parir e perpetuar a vida. É visceral. Mas, para mim e meus ovários policísticos, menstruar é um motivo de ansiedade, já que nunca sei quando acontecerá, nem em que intensidade e, sobretudo, se fará parte de um ciclo ovulatório e, portanto, fértil.

E
De estrutura, de estabilidade.
Não conseguiria contar a quantidade de vezes que pensei sobre o assunto. Existe um dito popular que afirma que "filho vem com pão debaixo do braço", mas como classe média malresolvida, sempre penso se devo esperar mais tempo, para ter mais dinheiro, mais estrutura, uma casa maior, mais tempo, mais qualidade de vida, mais segurança para ter esse filho. E aqui, onde digo "segurança", desdobram-se diante dos meus olhos muitos outros significados para essa tal segurança (outra palavrinha de muitas letras). Minha segurança mora nas escolhas e é irmã siamesa da insegurança, ou seja, onde uma vai, a outra é carregada a reboque, e basta ter a andança interrompida por arrogâncias e surpresas para olhar para o lado e se lembrar de que ali está a gêmea. Minha segurança, então, é instável porque sinaliza o outro lado da moeda e é constantemente posta à prova pelas circunstâncias e decisões que tomo (ok, acontece assim com todos, não sou diferente, mas isso não minimiza a ansiedade que isso traz).

D
De dor.
Morro de medo de dor. Com o parto não poderia ser diferente. Mas meu medo da dor não se limita ao momento do nascimento, com suas contrações misteriosas, suas intervenções indesejadas. Morro de medo da dor que um parto diferente daquilo que desejo possa me causar. E falo aqui bastante especificamente da cesárea. Não sou radical e tenho bem claro que ser uma boa mãe não está necessariamente relacionado ao tipo de parto a que fomos submetidas (se não, mães adotivas jamais seriam boas mães e isso definitivamente não acontece). Porém, quero muito, muito, muito ter um parto normal, sem anestesia (mas e a dor?), sem episiotomia (mas e a dor?) e sem desassitência. Por outro lado, como bancar esse desejo? De dar a cara a tapa? Sustentar minhas escolhas e decisões? E se eu perder o controle e acabar frustrada no meu intuito de parir naturalmente? E se eu tiver de lidar com essa dor (a dor do que não foi porque não tive força e fibra) por toda a vida? Dor e estrutura se entrelaçam numa perigosa dança: médico, informação, poder de escolha, confiança no profissional, acesso aos melhores recursos; é necessário dosar tudo isso em uma química perfeita, que me permita ter o parto que eu quero, mas não sei se sou capaz.

O
De ônus.
Sendo muito sincera, nem só de alegrias vivem as mães. E aquilo que não é só alegria me deixa ansiosa, pois preciso de garantias inexistentes de que conseguirei lidar com uma nova realidade feita de sono entrecortado, baby blues, cansaço, birras, manhas, rebeldia (adolescente ou não), brigas, dores, dores, dores. Serei eu capaz de ser uma boa mãe mesmo sendo posta tão à prova?

Então, minha ansiedade tem quatro letras: M-E-D-O
Conseguirei eu ser mãe? Conseguirei eu ser uma boa mãe?
Tenho muito medo porque não posso determinar o que o futuro me reserva. E assim, tentando antecipar dores e alegrias, fico presa, impedida pelo carimbador maluco que carrego dentro de mim de ultrapassar esse clichê: da ansiedade da treinante.

E vocês? Quantas e quais são as letras da sua ansiedade?