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sábado, 10 de novembro de 2012

Vantagens (não ditas) da maternidade

Outro dia, na rua, encontrei uma conhecida. Eu usava uma camiseta justa e cuja cor evidenciava meu bronzeado. Notem bem: sou garota carioca suingue sangue bom, mas não curto praia (e nem pizza e nem carnaval. J'adore épater la bourgeoisie!). Logo, estar bronzeada é algo digno de nota na minha pessoa.
Bom, claro que minha conhecida (que não era íntima, mas também não era cega) notou e comentou. Mais ou menos assim:
- Menina, há quanto tempo! Soube que você teve um bebê. Quantos meses?
- Quase cinco.
- Mas você está óóóóótima: cabelo brilhoso, bronzeada, mesmo corpo de antes e... esses braços e essa comissão de frente, heim! Já voltou a malhar?
- Não, ainda não. Estou amamentando ainda.
- Eu tenho que ir, depois a gente se fala. Beijo e você está mesmo ótima!

***

Das vantagens de ser mãe todo mundo já sabe: fofurices, amor louco, ter o prazer de uma pessoa te idolatrar, salve, salve por pelo menos uns 5 aninhos, amor, amor, amor... Mas e aquilo que não te contam? Já reparou como maternidade é cheio de pegadinha? Fiquei pensando sobre isso e sobre como a maternidade ensina a transformar um limão, gentilmente cedido pela vida a todas as pessoas viventes e conectadas com a realidade, em uma deliciosa torta de limão, geladinha, docinha, com aquela massa fininha no fundo.
Delírios de dieta a parte, fiquei mais gostosona porque meu corpo mudou, ficando mais arredondado depois da maternidade. Meus cabelos brilhosos provavelmente são resultado dos dias que passo sem conseguir lavar a cabeça. Meus músculos definidos nos braços e pernas são decorrentes da malhação com o pesinho de sete quilos que chora, mama, ri, adora um colinho e só dorme embalado. E a cor do pecado eu ganhei nos banhos de sol diários, na brava luta que travo contra a monília já há, praticamente, cinco meses.
Nada mal para quem fazia uma imagem materna no melhor estilo manjar (branca, flácida e cheia de olheiras) e teve uma boa surpresa. Agora, só falta me livrar da pelanca que alguns chamam de barriga e já posso, se quiser, mesmo não gostando da folia, sair só de purpurina no carnaval carioca.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Há um ano

Há um ano, a essa hora, eu engravidei. Tá, mentira que eu sei exatamente quadno eu engravidei, mas as contas deram assim e eu vou fingir que foi assim porque é aniversário da minha gravidez e eu faço o quiser no aniversário da minha gravidez, né?
Achei bom engravidar em setembro porque combinou com essa coisa de querer um parto natural, afinal as fêmeas engravidam, geralmente, na primavera. E com tudo ao redor florescendo, acabei me sentindo ainda mais em sintonia com a natureza. Que beleza!
Mas fora esse motivo meio Discovery Channel, engravidar em setembro faz com que:
- seu primeiro trimestre termine às vésperas do Natal, e aí você pode anunciar a altos brados que está grávida, dando de presente de Natal a boa nova e recebendo em troca 2.784 presentinhos para o bebê  (dos quais, 2.416 serão sapatinhos de crochê) e um óleo de amêndoas para você, ou melhor, para a parte de fora daquilo que carrega o bebê;
- seu verão seja passado com uma barriga modesta, mas já definida, e aí você pode colocar um biquininho fio-dental e... ops! Você pode colocar um biquini de mãe de família (conhecido como sunquini) e até ir para o carnaval fantasiada de havaiana safadinha (coisa que você não fazia desde os 15 aninhos);
- você tenha temperaturas agradáveis nos dois extremos da gravidez, pois enjoará em meio a pólen, flores e temperaturas amenas primaveris, e parirá em meio à neve, se não morar no Rio de Janeiro (porque se morar, parirá mesmo debaixo de um solzaço, num dia quente e que deu praia);
- você possa se cobrir bastante no fim da gravidez, o que é genial, se você, como eu, teve estrias até na testa;
- ao final de todo o processo, você tenha um marido, namorado ou companheiro mais compreensivo, pois, sentirá calor aos 16 graus e ligará o ar-condicionado ou ventilador, enquanto ele se encolhe debaixo de três cobertores. Assim, ele saberá como você se sente sem o combo progesterona-prolactina aloprando sua sensação térmica e será mais parceiro na próxima vez que você pedir "amor, diminui o ar?";
- seu parto caia no inverno. E parir no inverno é ótimo para se enroscar bem enroscadinho com o filhote recém-nascido e curtir o calorzinho gostoso que todo bebê exala!

Diz se não é ótimo engravidar em setembro?!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Alessandra Ambrósio, obrigada!

Em meio a tantas celebridades neuróticas e mais preocupadas com a estética que com a saúde ou os modelos muitas vezes inatingíveis que acabam por ajudar a construir, Alessandra Ambrósio tocou meu coração ao colocar as pelanquinhas pós-gestação de fora. Tá bom que ela em má forma é bem melhor que muita gente "em boa forma" que eu conheço, mas ainda assim merece um "obrigada". Um beijo, Lelê, de uma pelancuda para outra.

Meninas, voltarei para contar mais sobre o baby blues, mas quero agradecer muito, muito, muito a ajuda de vocês. Saber que não sou a única a ficar meio maluca (e com tanta coisa para comprar, eu poderia comprar uma peruca!) e a querer sair correndo quando o baby grita, chora e esperneia e eu não sei por quê.
Para as meninas que ainda vão viver o mês do dia da marmota, digo que Arthur está completando 20 dias e as coisas parecem estar se ajeitando. Não choro mais todos os dias e se tudo der certo, minhas peitolas receberão visita especial amanhã (uma especialista em amamentação para me ajudar com a pega. Rezem pelos meus mamilos, pois um deles está sem um pedaço. Ui!). Para as que vão passar de novo pelo baby blues, força. Recebam meu carinho e saibam que a experiência prévia deve ajudar a não ficar tão nas trevas, já que vocês sabem que passa, né?
Prometo que assim que as coisas ficarem mais no esquema por aqui, com uma rotininha bacana, volto a comentar nos blogues (que tenho visitado, viu?).

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Reflexões muito loucas sobre a gestação do elefante

*Para ler ao som de "Chacal Blues".

Antes de embarcar no carrinho que vai te levar para o meio da selva hormonal da minha cachola, aviso: este post não terá o menor compromisso com a lógica ou com a coerência. Além do que, informo que um amigo, "grávido", com bebê previsto para JULHO, se tornou papai hoje e furou a fila. E que também hoje, ao telefonar para o consultório da minha médica, ouvi a secretária perguntar "nasceu?", e eu fui obrigada a dizer que não, e a secretária informou: "é que a dra. teve um parto no meio da madrugada e eu achei que tivesse sido o seu". Na última consulta a médica me garantiu que eu era a próxima, e que ninguém furaria essa fila. #todaschoraesedescabela Dito isso, embarque por sua conta e risco. Obrigada.

Nasci de uma desnecesária. Quer dizer, a cirurgia era, como sempre é nesses casos, desnecessária para mim e para minha mãe, mas absolutamente fundaental para o médico, que queria viajar e curtir os jogos da Copa do Mundo numa boa. Então, aos 8 meses de gravidez minha mãe se vestiu, tirou fotos no jardim interno do hospital, deitou-se numa maca e ganhou, além de horríveis feridas porque a enfermeira não leu que ela era alérgica a iodo e a besuntou com a substância, um bebê minúsculo, porém saudável. Nasci com 45cm e 2,750kg. Incrivelmente não tive grandes problemas por conta da evidente prematuridade (mas convém ressaltar que tive sapinho e minha mãe não teve leite - ou pelo menos orientação adequada para conseguir me amamentar). O médico, claro, viajou tranquilo, e minha mãe descobriu quando foi tirar os pontos porque eu "estava morrendo, meu deus, que perigo horrível esse cordão enrolado no pescocinho dela!".
Não sei se por conta disso, tenho meu próprio tempo. Nunca fui maria-vai-com-as-outras em nada nessa vida, e enquanto as meninas da escola falavam de beijos e meninos, eu brincava de boneca e fazia as minhas coisas no meu tempo. Precisei amadurecer muito cedo por conta das porradas que a vida nos dá, e o resultado disso foi que, aos 12 anos eu já cozinhava minha comida, aos 15 tive meu primeiro emprego e nunca mais pedi aquilo que eu poderia conquistar. Então, as coisas em minha vida tinham um ritmo muito peculiar, afinal, se eu era "atrasadinha" por um lado, por outro era precoce e até responsável demais.
Por conta desse meu traço característico, foi aos 20 anos, muito tempo antes de engravidar, portanto, que eu decidi o que eu queria para o meu parto: dignidade, cuidado real e respeito ao meu espaço, ao meu tempo, a mim.
E aí eu engravidei. No meu tempo. Foi rápido.
E aí enjoei, e não parei por um longo tempo (fiquei mal até cerca de 20 semanas!). Foi demorado (e chato).
E aí trabalhei bagarái e entrei no segundo trimestre. E foi demoraaaaado.
E aí comecei com as contrações de Braxton Hicks. Foi rápido.
E aí os dias começaram a voar, um atrás do outro, de enfiada, tão ligeiros que fiz 38 semanas e só então fui arrumar mala de maternidade, quartinho, cueiro, cadeirinha e todas as fanfarronices que vocês já estão carecas de saber que inventei. Foi superrápido.
E aí completei 40 semanas.
E 40 semanas e 1 dia.
E 40 semanas e 2 dias.
E 3 dias, 4 dias, 5 dias.
E nada de trabalho de parto. Nada de contração efetiva (as de Braxton Hicks continuam firmes, fortes e indolores por aqui), nada de tampão, nada de cólicas leves ou fortes, nada de nada.
Sei que as coisas na vida sempre têm um motivo, e eu acredito de verdade que aquilo por que passamos e que nos incomoda merece uma atenção especial por se tratar, na maioria das vezes, de uma oportunidade espetacular para nos conhecermos melhor ou aprendermos uma importante lição. Aquela bordoada que a vida te dá pode ser uma oportunidade. Aquela chatura na vida cor-de-rosa que todos levamos pode ser ótima para descobrirmos novas facetas e maneiras de lidar com a vida.
Mas às vezes é difícil. Tipo agora, para mim.
Já fui muito aniosa nessa vida, de tomar bolinha e tudo porque sozinha não estava dando, mas aí aprendi a relaxar, a entrar em contato com o meu eu profundo, aprendi a viver um momento de cada vez, a ser menos controladora e mais easy going, aprendi até mesmo a respirar (técnica zazen) quando mais nada é possível, permitido ou controlável. Sente-se e respire, Ártemis.
E assim faço e assim vivo. Sem remédios há mais de 12 anos.
E então hoje, depois de ler que meu amigo, cujo filhote estava previsto para julho, se tornou papai antes  que eu me tornasse mamãe, me permiti dar aquela surtadinha básica de "oh, céus, por que comigo? Por que eu?", mesmo sabendo que era puro drama (e hormônios e ansiedade), e nada sério de verdade estava acontecendo. Mas eu me permiti, sabem? Fiquei chateada, só faltei fazer beicinho e bater o pé no chão, de birra. E vou dizer que deu vontade de fazer os hots, de faxinar a casa, de subir escada, comer abacaxi, beber chá de canela, marcar acupuntura e homeopata. E fazer promessa, e colocar roupa de cama e camisola novinhas, só para ver se Murphy está ligado. Até mesmo ligar para as pessoas que fazem meu pré-natal deu vontade, só para dizer: tô miserável nessa ansiedade, e nessa ansiedade que é quase toda minha porque já não estou trabalhando mais, porque menti a DPP para todos ao meu redor, porque não atendo mais telefonemas e respondo às cobranças com evasivas, porque minha equipe de apoio ao parto está suuuuuuuuperzen. Logo, a ansiedade é minha, me pertence. Não posso culpar outra pessoa pelas madrugadas em claro, pelas manhãs de sono entrecortado, pelas inúmeras listas de horários com as (três ou quatro) contrações irregulares que venho sentindo já há bastante tempo.
Escrevi e reescrevi e desisti de inúmeros e-mails, mensagens e posts.
Então pensei que talvez essa demora tenha a ver com o tempo que preciso para processar tudo, e me organizar emocionalmente para receber meu filhote. É minha sombra se avultando no horizonte, indicando para mim um parto assustadoramente cru, nu, visceral. Não sei o que esperar do processo por que passarei em breve: se entrarei em TP naturalmente, se precisarei ser induzida, se acabarei numa cirurgi. Não sei se vai doer da maneira como penso que vai, se vai minar minhas forças, se vai me levar às raias da sanidade, se vai me transformar. Mas tenho certeza de que essa longa espera ansiosa faz parte dos MEUS pródomos, da minha maneira de lidar com situação no meu tempo, do meu jeito. E, em certo sentido, até fico feliz de ter um filho maravilhoso vindo por aí, um filho que está respeitando esse momento em que preciso encarar e enfrentar o fantasma da ansiedade novamente. E também fiquei contente de perceber o momento antes que ele passasse, e acho que realmente preciso me desligar do "trabalho de parto" e encarar o "processo do parto", buscar meus caminhos para relaxar, ou pelo menos aceitar o incômodo, e respirar. Poucas coisas fizeram tanto sentido em minha vida quanto a frase "tudo o que você pode fazer em alguns momentos é respirar".
Desculpem o post longuíssimo, absolutamente descompromissado com começo-meio-e-fim ou com historinhas interessantes e engraçadinhas. Faz parte do meu processo de introspecção e, por incrível que pareça, vir aqui no meu cantinho, onde eu sou quem sou, livre de amarras sociais, ajuda. Aqui eu me sento e observo os pensamentos e sentimentos passando, um a um, enquanto eu faço tudo o que posso fazer: respirar.

E que mais ninguém passe a minha frente.
=P

terça-feira, 5 de junho de 2012

E daí que a barriga anda pesadona, que faço xixi amiúde, que passo as roupinhas do filhote a prestação porque não consigo ficar muito tempo em pé? E daí que a cadeirinha ainda não chegou, que me faltam umas coisinhas antes do baby poder nascer, que não aguento mais a ansiedade alheia? E daí que apareceram umas estrias safadas, que sinto dores e pontadas em lugares nunca dantes navegados e que sinto um calor como se estivesse morando no meio do Saara?
Quando eu olho para essa barriguinha, se mexendo no meio da madrugada ou soluçando várias vezes ao dia (sim, ele soluça muito!), a única coisa em que consigo pensar é que o grande amor da minha vida está chegando.


39 and counting*

Diga trinta e nove.
Trinta e nove semanas de gravidez e esse verão micareta aqui no Rio. Tá duro, minha gente.
Hoje visitamos GO, recebemos guia para US e nada de previsão para o parto.
Resultado: sentar, costurar e esperar.
Costurar? Sim! Inventei de pintar um porta-fraldas em MDF, de costurar o enfeite de porta da maternidade e de fazer uns lençoizinhos para o meu rapaz. Bom, o porta-fraldas está a meio caminho, faltando apenas umas duas partes para serem pintadas (vai ser todo branquinho, sem nada de gracinhas porque eu invento artes, mas não piro na megalomania, não). Os lençoizinhos vão ficar de lado por enquanto, porque ganhei uns prontinhos e achei melhor só me preocupar com isso quando o Arthur estiver maior ou se eu chegar a 42 semanas de gravidez (repitam comigo: não, não e não!). Mas ainda resta o enfeite de porta. O tecido está cortado e a máquina de costura só me esperando. O molde é fácil e sei que em meia tarde resolvo o caso, mas aí vou adiando, adiando. Sem contar que me dei conta de que Arthur é um nome com dois R, e as letrinhas que comprei para o enfeite não bastam. Saí, então, em busca do R perdido e não encontrei nada que me satisfizesse.
Para completar a comemoração das 39 semanas de pança, a tal cadeirinha que está em SP ainda está em SP e só deve chegar (via sedex) na semana que vem.
Então, eu, que adoro uma gincana, tenho duas boas para me distraírem nessa reta final de gestação (e para me ajudarem a esquecer que estou chegando ao fim da licença médica e que, portanto, precisarei lançar mão da licença-maternidade): a cadeirinha chega ou não chega? Encontrarei eu letrinhas para o enfeite da porta e conseguirei costurar o que ainda falta?
Aguardem e façam suas apostas!
Prometo voltar aqui para contar como andam as coisas. A não ser que eu resolva entrar em trabalho de parto antes.



*Tradução: 39 e contando.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Sustinho

Casa da sogra. Madrugada.37 semanas + 3 dias.

02h43
02h52
03h02

E tome contração dolorida.
Acorda o marido porque, além das dores, sinto um enjoo desgraçado.
Ficou nervoso(a)? Nós também. Mas não é/era nada. Só mais um dia de fortes emoções na vida de uma grávida na reta final.
Resultado? Bora aproveitar a insônia (do enjoo e do susto) para terminar o último trabalho pré-baby e, então, aninhar e curtir os últimos dias de barrigão e vida a (apenas) dois.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ops!

Você sabe que o terceiro (e último) trimestre da gravidez se aproxima quando você compra um copinho de Matte e o prazo de validade da bebida é maior que o da sua barriga.
o.O

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Umbigo, centro do universo

Taí uma coisa que nunca me contaram sobre a gravidez (e olha, minha gente, que eu já li foi muito livro, blog e relato e já ouvi muita história bizarra nessa vida!): a barriga cresce e você sente para onde ela está indo.
Ok, agora, lendo o que acabei de escrever, penso que talvez nunca tenha lido ou ouvido a respeito porque é uma coisa bastante óbvia. Mas acho interessante registrar, até porque há de ter uma distraída que, como eu, só vai notar essa obviedade quando ler este post.

Eu sempre fui muito atenta ao meu corpo. Sabia onde ficavam meus órgãos (e espero que depois da gestação eu volte a dominar esse importante conhecimento), sabia quando alguma coisa boa ou ruim estava acontecendo, conhecia cada sinal e indicação que meu corpo me dava. Ficar grávida foi, inclusive, consequência desse pitoresco autoconhecimento (digo pitoresco porque muita gente boa que fica sabendo dessa minha habilidade passa a me olhar como se eu fosse de outro planeta. Logo, imagino que não seja muito comum conhecer tão bem o que vai por dentro).
Acontece que eu nunca tinha experimentado um crescimento (exacerbado) da barriga, e muito menos em tempo recorde! Assim, achei estranho e angustiante quando senti pela primeira vez a pele repuxar e coçar. Tasquei cremes e óleos porque me avisaram que lá vinham as estrias, mas continuei a observar as sensações que experimentava. Bom, comigo, a barriga cresceu primeiro como se fosse uma linda pelanca logo abaixo da linha do umbigo. Perguntei para a médica: isso aqui é pelanca ou neném? Era neném. E aí, minha pele começou a esticar na altura do osso pélvico. Tirei uma foto da barriga e, um tempinho depois, voilà! A pelanca havia se arredondado e não havia mais dúvidas de que aquilo ali era neném. Agora, o estirão está acontecendo logo abaixo das costelas, e mais uma vez as fotos não negam: Arthur já domina a parte da minha barriga que outrora foi lar do meu estômago (que deve ter tirado umas férias, porque, sinceramente, não consigo visualizar onde foram parar TODOS os meus órgãos aqui dentro. Toda minha circunferência abdominal é território do Arthur, que se mexe e pula em todas as direções!).
E aí eu constato que, enquanto muitas grávidas usam a afirmação "meu umbigo é o centro do universo" como uma metáfora completa, para mim, a parte metafórica resume-se apenas ao universo. É que eu realmente sinto meu umbigo e toda minha barriga crescendo, se esticando e tentando se acomodar à gravidez. E aí eu logo concluo que é, no mínimo, curioso que eu saiba onde está meu umbigo (e para onde ele está se encaminhando!) enquanto isso me pergunto: onde estarará meu estômago?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O ex-glamour da sílfide

Lembram do drama da calça para gestante que me coubesse? Então, ele continua. Apesar de ter encontrado uma calça jeans para gestante que não parecesse um saco de batatas com um meeeega elástico na cintura, não pude comprá-la. É que eu sou pequena. E não meço, portanto, o 1,70m de que precisaria* para vestir aquela calça corsário. Mas sigo na luta e com grandes esperanças de encontrar uma calça sem gambiarra (veja foto abaixo) que caiba em mim.


Dito isto, informo que há algumas semanas comprei uma calça.
Novinha. Linda. Jeans!
Confesso que fiquei horas pensando sobre minha compra, agarrada à calça, dentro da loja, com ares de maluca. Matutava sobre as contas do mês (porque dezembro é aquela alegria e janeiro e feveiro a maior depressão financeira, né?) e sobre se valia a pena comprar a tal calça.
Achei que sim, por dois motivos. O primeiro e mais importante é que eu fiz um trabalhinho extra neste mês e o dinheiro que deve entrar é bem próximo ao valor da calça. Além disso, a loja onde eu consigo roupas no meu número estava em promoção e a calça era lindíssima, estava em conta e vestiu super bem. Ao menos nas pernas e quadris, né?
Passei o cartão, fiquei felizona e saí quase saltitante da loja.
Mas aí, veio me dar os parabéns pela jogada de mestre aquela vozinha chata que habita em mim: que maravilha! Você acaba de comprar, com o dinheiro que vai entrar só mês que vem, uma calça que só deve poder usar (sendo bem otimista) daqui a pelo menos 7 meses.
É muito glamour, minha gente!
Enquanto isso, só a gambiarra salva meu guarda-roupa.

*Não gosto quando uso calça corsário. Me sinto "encurtada" pela barra no meio da canela.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Alegria de pobre

É, amiga proletária, colega assalariado, esse post é dedicado a você, que sabe o valor de um vale transporte e a imensa alegria de descobrir que a recarga do vale refeição foi feita antes de o saldo chegar ao fim.
Eu também sou assalariada. Renda digna (pago as contas no fim do mês, mas só compro roupas novas no Natal, quando entra o décimo terceiro). Não sou rica, mas tomo banho todos os dias, com xampu Seda e sabonete Dove. Você também? Então vai entender minha imensa alegria.
É que hoje, pela primeira vez na história desta gravidez, eu estava de pé no ônibus e a mocinha não grávida que estava sentada no assento preferencial me cedeu o lugar. Foi lindo! Fiquei toda boba, inclusive porque JU-RA-VA que o vestidinho soltinho que escolhi para este dia de labuta não revelava minha barriguinha. Ah, amigos, ledo engano! A mocinha simpática e educada que me cedeu o lugar percebeu que por baixo daquele tecido vaporoso (mentira, era só um vestido de algodão, modelo trapézio, sem firulas ou vaporosidades) havia uma gestação.
Saltei toda feliz no meu ponto, fiquei pensando em quanta emoção estava sentindo, até que me lembrei que feliz mesmo seria não precisar pegar ônibus, né?
Beijos que eu vou ali passar hidratante Nívea na barriguinha.