A ideia era fazer um diário detalhado, contando tintim por tintim desta que será minha última gestação.
Mas aí eu passei 3 semanas e pouco de cama, naquele inferno nauseabundo que já descrevi, com direito a segunda consulta com muita emoção.
(Fui levar Arthur na escola e marido encontraria comigo lá, para irmos ao médico juntos. Entreguei a criança e me sentei no banco da recepção. Dali, me rastejei até o banco do parquinho. E de lá não queria sair, porque sabia que não aguentaria mais nenhum esforço. Não me lembro muito bem como cheguei ao uber, nem como consegui entrar na clínica. Uma vez lá dentro, marido foi cuidar da burocracia e eu fiquei deitada nos bancos da recepção, todo mundo me olhando. Quando a assistente de enfermagem me chamou, logo perguntou "você está bem?", ao que respondi "não, acho que vou desmaiar". Fiquei deitada a consulta toda, comendo micro pedacinhos de biscoito de água e sal. Só no fim consegui ficar de pé para me pesar! A médica me passou mais dois remédios além do que já havia prescrito e marcou a consulta de retorno para dali a duas semanas, em vez de quatro.)
Depois que consegui sair da cama, continuei miseravelmente enjoada por muito tempo. E tomando um arsenal de remédios, passava o dia exausta, dormindo, sem conseguir trabalhar. Com isso, tudo meu atrasou. Com isso, minha vida entrou numa loucura sem fim, com marido sobrecarregado no trabalho, em casa e numa casinha de sapê. E eu miserável. E eu sobrevivendo. E eu querendo pedir divórcio todas as manhãs, por causa do cheiro insuportável de café que marido insiste em tomar.
Com isso, se passaram várias semanas e eu não tive tempo ou energia para registrar as coisinhas todas. E cá estou, já com 17 semanas, sentindo chutinhos sobretudo na parte de baixo da barriga (bebê parece que gosta muito do lado direito. Arthur passou a gravidez toda com as costas para o lado esquerdo, mas não me lembro onde eu sentia os chutinhos no começo.), ainda enjoando muuuuuuuito, com uns peitos gigantes, pesados, quentes, já produzindo colostro, com uma barriga inegavelmente grávida e com muitas micro espinhas na cara (todo dia ou a cada 2 dias aparece uma nova).
Já comecei a passar cremes na pança, embora sem muita esperança de milagres (porque por aqui, só milagre mesmo) e ainda não pensei em absolutamente nada do enxoval!
Devo entrar na hidroginástica em breve (se tudo der certo) e no dia 11/7 descubro o sexo do ser que me habita. Já temos quase certo o nome de menina, mas o de menino está uma luta! Queríamos Bernardo, mas na gringa não vai funcionar muito bem. Ainda temos algumas semanas para decidir, então o desespero não é tão grande.
Arthur ainda está curtindo a gravidez, mas acho que agora a coisa tá ganhando forma (no caso, redonda: minha barriga) e ele está vendo que ter um irmão ou uma irmã tem um lado meio chato (por enquanto sou eu, sempre enjoada, cansada, com dores ao caminhar, sem poder correr ou fazer brincadeiras muito brutas). Por isso, às vezes ele parece não estar muito animado, não. A gente vai levando, explicando, mostrando as coisas boas, preparando o que dá para preparar, porque a verdade é que vai ser tudo novo e um tanto imprevisível, já que não conhecemos ainda este bebezinho e vamos precisar de um tempo para nos adaptarmos a ele.
Eu acho que é outro menino e sonho direto com bebês do sexo masculino, mas tem horas que tenho a sensação de que é uma menina.
As diferenças dessa gravidez para a outra não são tão gritantes assim: tive MUITO mais enjoo, minha pele ficou pior e sofri no começo com um intestino preguiçoso, mas fora isso, não tenho notado grandes diferenças, não. Já comecei a sentir as faltas de ar que senti com Arthur e isso é bem desagradável. Elas parecem mais suaves, mas as minhas memórias mais intensas (dois apagões que tive e uma falta de ar que fez a professora de um curso que eu assistia perguntar se eu precisava ir para o hospital no meio da aula) foram mais para a frente, tipo perto das 30 semanas. Vamos ver.
Essa semana troquei de equipe médica porque achei que essa não me atenderia do jeito que eu quero: sem intervenções desnecessárias, mas cuidando de perto das minhas queixas ou demandas. Tomara que a próxima equipe seja boa (eu ainda não fui lá, mas peguei muitas boas referências e estou esperançosa). O bebê nasce aqui, quando estiver pronto ou pronta e vai chegar numa casa mutcho loca, mas cheia de amor. <3
(post escrito em junho, calma que a gente acerta o passo com a gravidez!)
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quarta-feira, 5 de setembro de 2018
terça-feira, 14 de agosto de 2018
A sinestesia dos enjoos
Com essa gravidez, descobri que tenho enjoos sinestésicos.
O que é isso, Ártemis?
Ah, um nome que inventei para tentar explicar como tenho me sentido para as pessoas.
Eu sinto enjoo com gostos, cheiros, texturas, imagens e sons.
Oi?
É, isso mesmo!
Alguns gostos, como doces e hortelã (pasta de dentes, balas etc.) me deixam absurdamente enjoada. Até aí, normal. Cheiros também. Não consigo entrar na cozinha, enjoei de cheiro de café e refogados de novo, passo mal com perfumes, bafos, cecês, cheiro de fritura, de carne, de comidas, desodorante, xampu, sabonete, até o cheiro da parte de dentro do meu nariz me enjoa, o que é um problema bem grande, já que não posso simplesmente tirar o nariz, né? Mas apesar da bizarrice, também não é tão anormal assim grávidas enjoarem com cheiros. Mas aí começa a esquisitice nível master. Eu enjoo com texturas. Comer banana é sofrível, porque se tem uma parte mais madurinha, eeeeeca! Escovar os dentes é martírio, porque as cerdas dentro da minha boca causam ânsias terríveis. Fora cabelo que voa e entra na boca. Quase morro! Também não consigo olhar para determinadas comidas, ou coisas, porque a simples visão me causa asco profundo. É o caso da minha geladeira e toda e qualquer carne. Só de escrever já sinto o estômago revirar. Por fim, o que me confere o prêmio esquisitice total para enjoos gravídicos é ficar enjoada com sons. Para isso acontecer eu já preciso estar enjoada antes de o som começar. E aí, o som amplifica o mal estar de tal maneira que eu preciso fugir correndo de onde estou, protegendo orelhas e nariz, numa vã tentativa de melhorar dessa náusea constante e insuportável.
Passei três dias seguidos sem conseguir sair da cama, porque ficar sentada ou de pé me enjoava. Estou há duas semanas sem interagir com minha cozinha (quando fico sozinha em casa e preciso abrir a geladeira, primeiro me concentro, respiro fundo, tampo o nariz e aperto bem os olhos, para ver o mínimo, porque só assim consigo resgatar alguma coisa ali dentro). Não cozinho. Não lavo louça. Não tomo banho todos os dias (só me julguem depois de experimentarem enjoos nesse nível). Aliás, entrar no banheiro é desafiador, porque são tantos cheiros ali dentro!
Ontem fui à padaria e quis morrer. Pior ideia do mundo! Tudo ali dentro cheirava ao mesmo tempo, com muitas fragrâncias diferentes e nem sempre combinando, equilibradas.
Ontem também aconteceu algo engraçado. Arthur chegou na porta do quarto com a boca cheia e me perguntou "mamãe, adivinha o que eu estou comendo?". Não só acertei, deitada na cama (cerca de 1,50m de distância da porta), como ainda emendei um "vai comer isso na sala porque o cheiro está me enjoaaaando!".
Aliás, Arthur acha que eu estou com uma virose, tadinho. Já perguntou se essa coisa pega e se vou vomitar (quando vomitei ele não estava em casa, tinha ido ver um filme na casa de uma amiguinha). Mas na verdade eu acho que ele tá é sacando tudo, porque a brincadeira da vez aqui em casa é com bebês e irmãos. É um tal de "meu irmão" pra cá, "os bebês" para lá. Tá pescando, esse menino. Mas só contaremos depois do exame que substitui a TN.
O que é isso, Ártemis?
Ah, um nome que inventei para tentar explicar como tenho me sentido para as pessoas.
Eu sinto enjoo com gostos, cheiros, texturas, imagens e sons.
Oi?
É, isso mesmo!
Alguns gostos, como doces e hortelã (pasta de dentes, balas etc.) me deixam absurdamente enjoada. Até aí, normal. Cheiros também. Não consigo entrar na cozinha, enjoei de cheiro de café e refogados de novo, passo mal com perfumes, bafos, cecês, cheiro de fritura, de carne, de comidas, desodorante, xampu, sabonete, até o cheiro da parte de dentro do meu nariz me enjoa, o que é um problema bem grande, já que não posso simplesmente tirar o nariz, né? Mas apesar da bizarrice, também não é tão anormal assim grávidas enjoarem com cheiros. Mas aí começa a esquisitice nível master. Eu enjoo com texturas. Comer banana é sofrível, porque se tem uma parte mais madurinha, eeeeeca! Escovar os dentes é martírio, porque as cerdas dentro da minha boca causam ânsias terríveis. Fora cabelo que voa e entra na boca. Quase morro! Também não consigo olhar para determinadas comidas, ou coisas, porque a simples visão me causa asco profundo. É o caso da minha geladeira e toda e qualquer carne. Só de escrever já sinto o estômago revirar. Por fim, o que me confere o prêmio esquisitice total para enjoos gravídicos é ficar enjoada com sons. Para isso acontecer eu já preciso estar enjoada antes de o som começar. E aí, o som amplifica o mal estar de tal maneira que eu preciso fugir correndo de onde estou, protegendo orelhas e nariz, numa vã tentativa de melhorar dessa náusea constante e insuportável.
Passei três dias seguidos sem conseguir sair da cama, porque ficar sentada ou de pé me enjoava. Estou há duas semanas sem interagir com minha cozinha (quando fico sozinha em casa e preciso abrir a geladeira, primeiro me concentro, respiro fundo, tampo o nariz e aperto bem os olhos, para ver o mínimo, porque só assim consigo resgatar alguma coisa ali dentro). Não cozinho. Não lavo louça. Não tomo banho todos os dias (só me julguem depois de experimentarem enjoos nesse nível). Aliás, entrar no banheiro é desafiador, porque são tantos cheiros ali dentro!
Ontem fui à padaria e quis morrer. Pior ideia do mundo! Tudo ali dentro cheirava ao mesmo tempo, com muitas fragrâncias diferentes e nem sempre combinando, equilibradas.
Ontem também aconteceu algo engraçado. Arthur chegou na porta do quarto com a boca cheia e me perguntou "mamãe, adivinha o que eu estou comendo?". Não só acertei, deitada na cama (cerca de 1,50m de distância da porta), como ainda emendei um "vai comer isso na sala porque o cheiro está me enjoaaaando!".
Aliás, Arthur acha que eu estou com uma virose, tadinho. Já perguntou se essa coisa pega e se vou vomitar (quando vomitei ele não estava em casa, tinha ido ver um filme na casa de uma amiguinha). Mas na verdade eu acho que ele tá é sacando tudo, porque a brincadeira da vez aqui em casa é com bebês e irmãos. É um tal de "meu irmão" pra cá, "os bebês" para lá. Tá pescando, esse menino. Mas só contaremos depois do exame que substitui a TN.
terça-feira, 10 de julho de 2018
Primeira consulta
Minha primeira consulta pré-natal foi na clínica onde levo Arthur para fazer os check-ups de rotina.
Não é uma clínica maravilhosa, mas a médica dele é fofa, sempre se lembra das nossas histórias além da ficha médica (embora não saiba onde fica o Brasil no mapa!) e, felizmente, não precisamos de nada além do normal: pesar, medir, uma queixa aqui, outra ali, uma virose aqui, outra ali. O lugar, então, atende muito bem a nossas necessidades.
Quando descobri que estava grávida de novo, já comecei a pirar no pré-natal. Aliás, há dois anos eu já vinha pirando, perguntando a todo mundo com quem tinha intimidade sobre como era o parto e a assistência à gestante aqui onde moro. Isso é assunto para outro post, prometo, mas acho que por essa antecedência na pesquisa - e sabendo que com Arthur eu comecei a pesquisar sobre parto NOVE anos antes de sequer engravidar - vocês já conseguem imaginar como esse é um assunto importante para mim.
Pois bem, quando descobri essa gravidez, pirei com força no pré-natal, principalmente porque precisaria de um plano de saúde, coisa que até então eu não tinha. Acontece que o plano que vou usar precisa de um comprovamente de gravidez, e lá fui eu na clínica de família onde levo Arthur para buscar esse tal comprovante.
Não é uma clínica maravilhosa, mas a médica dele é fofa, sempre se lembra das nossas histórias além da ficha médica (embora não saiba onde fica o Brasil no mapa!) e, felizmente, não precisamos de nada além do normal: pesar, medir, uma queixa aqui, outra ali, uma virose aqui, outra ali. O lugar, então, atende muito bem a nossas necessidades.
Quando descobri que estava grávida de novo, já comecei a pirar no pré-natal. Aliás, há dois anos eu já vinha pirando, perguntando a todo mundo com quem tinha intimidade sobre como era o parto e a assistência à gestante aqui onde moro. Isso é assunto para outro post, prometo, mas acho que por essa antecedência na pesquisa - e sabendo que com Arthur eu comecei a pesquisar sobre parto NOVE anos antes de sequer engravidar - vocês já conseguem imaginar como esse é um assunto importante para mim.
Pois bem, quando descobri essa gravidez, pirei com força no pré-natal, principalmente porque precisaria de um plano de saúde, coisa que até então eu não tinha. Acontece que o plano que vou usar precisa de um comprovamente de gravidez, e lá fui eu na clínica de família onde levo Arthur para buscar esse tal comprovante.
Fiz meu xixizinho no potinho (aqui não tem essa de tirar sangue para comprovar a gravidez de todo mundo, não! O mais comum é xixi no palito mesmo) e em poucos minutos já tinha minha declaração de gravidez pronta.
A conselheira que me atendeu perguntou se eu já queria fazer minha primeira consulta logo naquele dia e eu pensei "já tô aqui, né? então, bora!" e fiz uma horinha até ser chamada para a primeira consulta como gestante! (meu sorriso não aparece no texto, mas vocês podem imaginar minha alegria, né?)
O centro conta com 3 obstetras (mulheres) e 2 midwives (enfermeiras obstétricas) e minha primeira consulta foi com uma das midwives.
Aqui, antes do atendimento médico ou de enfermagem, uma assistente de enfermagem vem para pesar, medir, tirar temperatura, pressão e anotar as principais informações do caso. Depois da triagem, a midwife veio conversar, falou que o meu teste voltou "bastante" positivo e começou a anotar algumas coisas sobre meu histórico familiar de doenças preocupantes (câncer, problemas cardíacos, diabetes, hipertensão, má-formações e síndromes, essas coisas) e anotou a data da última menstruação para fazer a previsão das 40 semanas. Eu contestei a data que ela me deu, porque eu SEI que não ovulei 14 dias depois do primeiro dia de menstruação porque eu tenho ciclos longos e irregulares. Mas ela insistiu na data. Achei chato e desumano isso, pois ela me colocou dentro de um protocolo logo de cara. A consulta seguiu com ela me perguntando sobre viagens, sobre zica (se eu fiquei doente quando estive no Brasil, se alguém que eu conhecia tinha ficado doente, se meu marido ou filho tinham ficado doentes lá) e disse que ainda era muito cedo para fazer uma ultrassonografia. Eu não sou grande fã de ultras, então não liguei muito. Ela explicou umas dúvidas que eu tinha sobre o pré-natal daqui e sobre o que faríamos ainda. Onde estou nos EUA (cada estado aqui é independente, então algumas coisas podem variar de um lugar para outro) não se faz mais translucência nucal às 12 semanas em mulheres acima dos 35 anos. Agora, é feito um exame de sangue na mãe (NIPT) por volta das 10 semanas para avaliar a possibilidade de o bebê ter alguma síndrome cromossômica, e a partir do resultado o casal pode escolher se quer ir se consultar com um especialista em genética, se quer abortar ou se quer seguir em frente com o pré-natal na clínica. Também através de exames de sangue da mãe já são investigadas outras condições congênitas no embrião ou feto, como espinha bífida ou fibrose cística. Quando colhi sangue para exames de HIV, gonorreia, sífilis, toxoplasmose e mais alguma coisa que estou esquecendo já coletaram material também para esses testes que mencionei. Às dez semanas vou colher mais sangue para "substituir"a famosa TN. A vantagem desse exame é que ele é mais preciso. Enquanto a TN indica com precisão de até 80% se pode haver alguma alteração cromossômica, o exame de sangue tem precisão de 98%. E, como eu disse, se o casal quiser, pode depois do resultado fazer uma consulta com geneticista e fazer exames mais invasivos, para confirmar suspeitas ou se certificar de que não caiu nos 2% de falha do exame de sangue. O exame está disponível no Brasil, mas parece que é bem caro e não são todos os planos que cobrem.
Também na consulta fiz um exame preventivo, tive um exame de mamas e um exame pélvico (esse último também me desagradou, mas permiti só porque realmente queria ter certeza de que não havia volumes ou dores que tivessem passados despercebidos por mim). Fui auscultada (coração e pulmões) e recebi uma lista de medicamentos que posso usar na gravidez, separados por categorias. Colhi urina para cultura de bactérias e recebi meu cartão-gestante.
Saí de lá com os telefones de emergência. Ao contrário do Brasil, aqui você liga para a clínica, não para uma médica ou enfermeira específica. Aí, o funcionário de plantão naquele dia retorna a ligação alguns minutos depois com a orientação necessária. No dia do parto, também será plantão. A equipe atende em dois hospitais. Se eu escolher um, mais longe de casa, a equipe de plantão será da clínica (uma das obstetras ou midwives), mas se eu escolher o outro, aqui pertinho, o plantão é do próprio hospital, e eu certamente não vou conhecer a pessoa que vai me auxiliar no parto.
Achei o atendimento ok. Não gostei do exame pélvico "obrigatório" e da insistência da midwife em dizer que eu estava com 5s1d, quando eu sabia que estava com 4s3d. Tive quase uma semana "roubada". Se considerar que Arthur nasceu de 41 semanas, isso faz MUITA diferença! Vamos ver se a data muda quando eu fizer a primeira ultra. De todo modo, estou quase certa (só esperando resolver burocracias do plano de saúde) de que vou mudar para uma casa de parto em Chicago.
Até a ultra, muita água ainda vai rolar e estou concentrada em mentalizar a seguinte frase: "eu não vou enjoar, eu não vou enjoar, eu não vou enjoar..."
Semana que vem conto se superei o marco inicial (na gravidez do Arthur comecei a enjoar com 5 semanas e fui até 14 ou 15 sofreeeeeeendo).
Até a ultra, muita água ainda vai rolar e estou concentrada em mentalizar a seguinte frase: "eu não vou enjoar, eu não vou enjoar, eu não vou enjoar..."
Semana que vem conto se superei o marco inicial (na gravidez do Arthur comecei a enjoar com 5 semanas e fui até 14 ou 15 sofreeeeeeendo).
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
2014
Hoje é a véspera de um novo ano.
E só no que consigo pensar é: engravidar, gestar e parir de novo.
Que em 2014 as nossas vidas se renovem e o amor só aumente. Sempre com muita saúde.
E só no que consigo pensar é: engravidar, gestar e parir de novo.
Que em 2014 as nossas vidas se renovem e o amor só aumente. Sempre com muita saúde.
domingo, 15 de setembro de 2013
Segundinho: ter ou não ter, eis a questão!
Sou filha única. Marido não. Odeio ser filha única. Marido não tem problemas em ter só um filhote.
E aí Arthur é praticamente homem feito, fala português, inglês e bebezês. Poliglota, o rapaz. Hoje, no parquinho, ganhou o primeiro beijo na boca da vida. Dirige um carro, na verdade, um tratorzinho de madeira. Cheio das vontades, come rabanete. Gente, alguém que come rabanete, raiz que arde na boca, já está grande e crescido, né?
Então que eu tenho pensado: segundaremos ou não?
Meu sonho de menina (e adolescente e burra velha) era ter uma mesa cheia de gente no Natal: filhos, filhas, noras, genros, netos, netas, cachorro, papagaio e marido. Também queria ter um filho em cada braço, outro na barriga e um mais velho em pezinho enquanto eu abria a porta para o Correio, sorrindo, e recebia um telegrama de amor do marido.
[pausa para vocês gargalharem]
Bom, daí eu engravidei do Arthur.
A gravidez foi exemplar, em termos médicos, mas me sentia muito cansada, com falta de ar e sem energia. Na verdade, eu me sentia EXAUSTA como nunca me senti. Nem antes, nem depois. E eu tive estrias. Então acabei dando uma desanimada da minha surtação inicial de querer cinco filhos.
Na sequência, Arthur foi um bebezico. E eu pirei no puerpério, com hormônios doidos dando festa na minha corrente sanguínea, com peito rachado, monília, fome, dieta APLV, sovaco cabeludo e sei lá quantos dias sem tomar banho.
Daí, ele aprendeu a se sentar, acabou licença-maternidade, voltei a trabalhar feito mula de carga manca, e ele aprendeu a engatinhar, e depois a andar, e agora corre, fala duas línguas e um dialeto, beija na boca no parquinho e dirige! E eu surtei, pirei, me descabelei em cada uma das fases com ele.
Meu pequenininho já não é mais tão pequenininho assim.
E, então, os hormônios doidos entraram numa discussão aparentemente infindável com minha conta bancária, meu lado racional, com meus sonhos de menina, meu relógio biológico,com meu relógio social, e eu tô surtadinha, perguntando a mim mesma: é justo passar por esta vida tendo essa alegria imensamente exaustiva e enlouquecedora que é ter filhos apenas uma única vez?
Sinceramente, ainda não tenho resposta para esses questionamentos, e nem ovulação para tentativas, mas sigo aqui, matutando, curtindo filhote, dando minhas surtadinhas diárias, tanto de amor e fofura (sério, Arthur ainda vai infartar as pessoas na rua de tanta fofura que espalha nesse mundo!), quanto de desespero e estresse!
E vocês? Segundaram? Não segundaram? Por que sim ou não? Ajudem a amiga aqui a pensar na vida!
E aí Arthur é praticamente homem feito, fala português, inglês e bebezês. Poliglota, o rapaz. Hoje, no parquinho, ganhou o primeiro beijo na boca da vida. Dirige um carro, na verdade, um tratorzinho de madeira. Cheio das vontades, come rabanete. Gente, alguém que come rabanete, raiz que arde na boca, já está grande e crescido, né?
Então que eu tenho pensado: segundaremos ou não?
Meu sonho de menina (e adolescente e burra velha) era ter uma mesa cheia de gente no Natal: filhos, filhas, noras, genros, netos, netas, cachorro, papagaio e marido. Também queria ter um filho em cada braço, outro na barriga e um mais velho em pezinho enquanto eu abria a porta para o Correio, sorrindo, e recebia um telegrama de amor do marido.
[pausa para vocês gargalharem]
Bom, daí eu engravidei do Arthur.
A gravidez foi exemplar, em termos médicos, mas me sentia muito cansada, com falta de ar e sem energia. Na verdade, eu me sentia EXAUSTA como nunca me senti. Nem antes, nem depois. E eu tive estrias. Então acabei dando uma desanimada da minha surtação inicial de querer cinco filhos.
Na sequência, Arthur foi um bebezico. E eu pirei no puerpério, com hormônios doidos dando festa na minha corrente sanguínea, com peito rachado, monília, fome, dieta APLV, sovaco cabeludo e sei lá quantos dias sem tomar banho.
Daí, ele aprendeu a se sentar, acabou licença-maternidade, voltei a trabalhar feito mula de carga manca, e ele aprendeu a engatinhar, e depois a andar, e agora corre, fala duas línguas e um dialeto, beija na boca no parquinho e dirige! E eu surtei, pirei, me descabelei em cada uma das fases com ele.
Meu pequenininho já não é mais tão pequenininho assim.
E, então, os hormônios doidos entraram numa discussão aparentemente infindável com minha conta bancária, meu lado racional, com meus sonhos de menina, meu relógio biológico,com meu relógio social, e eu tô surtadinha, perguntando a mim mesma: é justo passar por esta vida tendo essa alegria imensamente exaustiva e enlouquecedora que é ter filhos apenas uma única vez?
Sinceramente, ainda não tenho resposta para esses questionamentos, e nem ovulação para tentativas, mas sigo aqui, matutando, curtindo filhote, dando minhas surtadinhas diárias, tanto de amor e fofura (sério, Arthur ainda vai infartar as pessoas na rua de tanta fofura que espalha nesse mundo!), quanto de desespero e estresse!
E vocês? Segundaram? Não segundaram? Por que sim ou não? Ajudem a amiga aqui a pensar na vida!
sexta-feira, 29 de março de 2013
Rumo a Pollock
Pronto. É isso. Sem delongas: quero parir de novo.
Não é a hora, claro. Arthur é petitico, eu estou falida e sonâmbula, a vida anda meio no improviso ultimamente. Mas eu quero tanto parir de novo!
Daí, fiquei matutando umas coisas aqui na cachola. Claro que nada presta, mas vou partilhar mesmo assim, porque, se não, do que adianta devanear assim, né?
Um parto tem quatro fases: a latente, a ativa, a transição e o expulsivo.
Mas um parto não é só um evento fisiológico. É também um acontecimento psicológico e social. E por isso, não se esgota em si mesmo, e faz com que a vida se reorganize radicalmente depois que é concluído. Assim, tão importante quanto o momento em si, a equipe, o desenrolar do processo, contrações, puxos e eteceteras é a imagem, a memória, a vivência que você guarda do parto. Isso é muito importante. Diria até determinante para diversos aspectos da relação que você vai construir com o serzinho que acabou de nascer.
E assim como o evento fisiológico tem etapas, também o lado psicossocial se apresenta múltiplo.
Logo depois que pari (logo depois mesmo: ainda no hospital, ou seja, menos de 22 horas depois que pari meu filho), pensei: mas que é nunca que eu vou emprenhar de novo! Jamais passarei por essas dores terríveis novamente! Foi bacana, claro. Foi como eu queria, também. Foi saudável, perfeito, poderoso e natural, mas doeu mais que tudo na minha vida: dor de dente, cólica, apendicite, tudo fichinha perto das contrações que arrancaram Arthur daqui no bucho.
Foi forte. Doído. E tão intenso que eu não conseguia sequer processar a informação, o que me fazia negar veementemente a possibilidade de ter vontade de repetir a dose.
Daí fiz aquele relato-verdade, sem fricotes, sem nhenhenhém. Que mané "ai, meu filhinho lindo, que emoção, vou chorar!" o quê?! Era profundo, animalesco: saaaaai que o corpo é meu e você é meu, minha vida fora de mim. Não foi delicado. Nem suave. Caravaggio.
Mas o tempo passou. Escrevi outros relatos, quis retocar aquele. Lembrei de acontecimentos e falas, organizei memórias, perguntei coisas a quem esteve comigo, revivi sob diferentes ângulos. E de tanto reproduzir a história, as palavras se gastaram, ficaram mais redondas, mais lisas, mais esmaecidas. Agora, o parto é doce. Vem fácil, traz consigo um meninho que eu já conheço e amo, mostra meu melhor lado e oferece um tépido e envolvente abraço, dentro do qual cabem emoções já processadas, mas ainda pulsantes e vivas. Um lugar que visito e, admirada, vejo cada potencialidade minha: um antropocêntrico visitando os trópicos. Sai o drama e entra le rêve. Gauguin.
Cada vez mais distante, a experiência do parto deixa morrer o reles, deixa diminuir o contraste entre o vivido e pensado. Os tons são outros, quase tristes, delicados, que se refazem e são revisitados em muitos momentos, vistos sob novos ângulos e luzes: ele sorriu, lembra de quando ele nasceu?, quem falou aquilo mesmo?, a cor da camisola era branca ou verde? O que fica é sólido, robusto, leviatã (que já inveja recém-paridas). Mas tudo é mais impressão, sensação e intuição. Monet.
Até que, enfim, vem Polock: amorfo, urgente, agressivo, uma energia que não se pode conter ou abrandar, e que comunica apenas a necessidade de se repetir o processo, de reabrir feridas e paixões. Radicalizar. Usar tudo o que estiver disponível para reviver emoções indizíveis e inalcançáveis. Chega a hora de um novo parto se construir. Rebelde. Sobrepondo imagens. Brutal.
Eu acho que estou entre Gauguin e Monet. E vocês, onde estão?
Não é a hora, claro. Arthur é petitico, eu estou falida e sonâmbula, a vida anda meio no improviso ultimamente. Mas eu quero tanto parir de novo!
Daí, fiquei matutando umas coisas aqui na cachola. Claro que nada presta, mas vou partilhar mesmo assim, porque, se não, do que adianta devanear assim, né?
Um parto tem quatro fases: a latente, a ativa, a transição e o expulsivo.
Mas um parto não é só um evento fisiológico. É também um acontecimento psicológico e social. E por isso, não se esgota em si mesmo, e faz com que a vida se reorganize radicalmente depois que é concluído. Assim, tão importante quanto o momento em si, a equipe, o desenrolar do processo, contrações, puxos e eteceteras é a imagem, a memória, a vivência que você guarda do parto. Isso é muito importante. Diria até determinante para diversos aspectos da relação que você vai construir com o serzinho que acabou de nascer.
E assim como o evento fisiológico tem etapas, também o lado psicossocial se apresenta múltiplo.
Logo depois que pari (logo depois mesmo: ainda no hospital, ou seja, menos de 22 horas depois que pari meu filho), pensei: mas que é nunca que eu vou emprenhar de novo! Jamais passarei por essas dores terríveis novamente! Foi bacana, claro. Foi como eu queria, também. Foi saudável, perfeito, poderoso e natural, mas doeu mais que tudo na minha vida: dor de dente, cólica, apendicite, tudo fichinha perto das contrações que arrancaram Arthur daqui no bucho.
Foi forte. Doído. E tão intenso que eu não conseguia sequer processar a informação, o que me fazia negar veementemente a possibilidade de ter vontade de repetir a dose.
Daí fiz aquele relato-verdade, sem fricotes, sem nhenhenhém. Que mané "ai, meu filhinho lindo, que emoção, vou chorar!" o quê?! Era profundo, animalesco: saaaaai que o corpo é meu e você é meu, minha vida fora de mim. Não foi delicado. Nem suave. Caravaggio.
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| "Amor vincit omnia", Caravaggio, 1602 c. (Em tradução livre: "O amor vence tudo". Bem apropriado, não? Imagem daqui. |
Mas o tempo passou. Escrevi outros relatos, quis retocar aquele. Lembrei de acontecimentos e falas, organizei memórias, perguntei coisas a quem esteve comigo, revivi sob diferentes ângulos. E de tanto reproduzir a história, as palavras se gastaram, ficaram mais redondas, mais lisas, mais esmaecidas. Agora, o parto é doce. Vem fácil, traz consigo um meninho que eu já conheço e amo, mostra meu melhor lado e oferece um tépido e envolvente abraço, dentro do qual cabem emoções já processadas, mas ainda pulsantes e vivas. Um lugar que visito e, admirada, vejo cada potencialidade minha: um antropocêntrico visitando os trópicos. Sai o drama e entra le rêve. Gauguin.
![]() |
| "Montagnes tahitiennes", Gauguin, 1893. Daqui. |
Cada vez mais distante, a experiência do parto deixa morrer o reles, deixa diminuir o contraste entre o vivido e pensado. Os tons são outros, quase tristes, delicados, que se refazem e são revisitados em muitos momentos, vistos sob novos ângulos e luzes: ele sorriu, lembra de quando ele nasceu?, quem falou aquilo mesmo?, a cor da camisola era branca ou verde? O que fica é sólido, robusto, leviatã (que já inveja recém-paridas). Mas tudo é mais impressão, sensação e intuição. Monet.
![]() |
| "Rouen Cathedral, Full Sunlight", Monet, 1894. Daqui. |
Até que, enfim, vem Polock: amorfo, urgente, agressivo, uma energia que não se pode conter ou abrandar, e que comunica apenas a necessidade de se repetir o processo, de reabrir feridas e paixões. Radicalizar. Usar tudo o que estiver disponível para reviver emoções indizíveis e inalcançáveis. Chega a hora de um novo parto se construir. Rebelde. Sobrepondo imagens. Brutal.
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| "Number 5", Pollock, 1948. Daqui. |
sábado, 23 de março de 2013
Dos cansaços
No meu chá de bebê, ainda 26 dias antes do nascimento do Arthur, eu estava mal: cansada, pesada, com muita falta de ar e de saco cheio de estar grávida (e trabalhando fora). Daí, as pessoas comentavam como eu estava linda, magra, parecendo estar muito bem, saudável, feliz, e virava e mexia alguém me perguntava com real interesse como eu me sentia.
E eu me sentia assim, como acabei de contar.
Então, conversando com o marido da minha tia (que tem com ela uma filha de 5 anos), ele falou: aproveite enquanto ele está na barriga, porque depois é que você vai ver o que é cansaço.
Arthur nasceu, mamou de hora em hora, depois queria colinho 24h por dia, aprendeu a rolar, a se sentar sozinho, a se levantar sozinho na cama, a engatinhar, a subir nas coisas e, agora, a caminhar com apoio.
Eu, do meu lado, acordo cedíssimo, trabalho pesado, chego em casa tenho casa, marido, filho e frila para me entreter até altas da madrugada.
Estou bem cansada.
Exausta até, diria.
(Em breve venho contar, espero, o motivo a mais de tamanha exaustão.)
E aí eu me lembro das palavras do marido da minha tia. E aí eu olho para o lado, vejo o sorriso do meu filho no meio do sono. E aí eu penso que não é possível comparar, em nenhum nível, as experiências de se ter um bebê na barriga e se ter um bebê nos braços. E também penso que ser dona novamente de todas as minhas hemácias, senhora de minha ferritina, egoisticamente única usuária do meu sistema circulatório, sem placenta, feto ou outras adjacências gravídicas para me roubar o ar, a disposição, a agilidade de movimentos, o equilíbrio e a (má) postura bípede é realmente muito melhor. E que por mais que a gravidez seja um momento lindo, que a minha experiência tenha sido num esbanjamento de saúde e que seja um importante rito de passagem (social e pessoal), não há comparação: ter um bebê do lado de fora é infinitamente melhor.
Sentir seu cheiro, o toque suave de sua pele, saber seus sons, seus risos, conhecer sua personalidade e caras engraçadas é incrível, indescritível.
E aí eu me lembro daquele domingo de maio, entre amigos queridos e familiares. Penso na conversa com o marido da minha tia e concluo: ter Arthur do lado de fora é infinitamente melhor que ter estado grávida dele. Sobretudo por causa da maldita falta de ar que eu sentia desde as vinte e pouquinhas semanas. Mas aí eu percebo que, em termos de falta de ar, não ando lá muito melhor com ele aqui fora: basta vê-lo sorrir ou chorar, crescer e se desenvolver para que, mesmo senhora das minhas fisiologias todas, eu saiba que para sempre minha circulação foi alterada: vai ali naquele menino antes de voltar para mim tudo o que existe dentro de mim.
(E ainda me perguntam por que quero ter outro filho.)
E eu me sentia assim, como acabei de contar.
Então, conversando com o marido da minha tia (que tem com ela uma filha de 5 anos), ele falou: aproveite enquanto ele está na barriga, porque depois é que você vai ver o que é cansaço.
Arthur nasceu, mamou de hora em hora, depois queria colinho 24h por dia, aprendeu a rolar, a se sentar sozinho, a se levantar sozinho na cama, a engatinhar, a subir nas coisas e, agora, a caminhar com apoio.
Eu, do meu lado, acordo cedíssimo, trabalho pesado, chego em casa tenho casa, marido, filho e frila para me entreter até altas da madrugada.
Estou bem cansada.
Exausta até, diria.
(Em breve venho contar, espero, o motivo a mais de tamanha exaustão.)
E aí eu me lembro das palavras do marido da minha tia. E aí eu olho para o lado, vejo o sorriso do meu filho no meio do sono. E aí eu penso que não é possível comparar, em nenhum nível, as experiências de se ter um bebê na barriga e se ter um bebê nos braços. E também penso que ser dona novamente de todas as minhas hemácias, senhora de minha ferritina, egoisticamente única usuária do meu sistema circulatório, sem placenta, feto ou outras adjacências gravídicas para me roubar o ar, a disposição, a agilidade de movimentos, o equilíbrio e a (má) postura bípede é realmente muito melhor. E que por mais que a gravidez seja um momento lindo, que a minha experiência tenha sido num esbanjamento de saúde e que seja um importante rito de passagem (social e pessoal), não há comparação: ter um bebê do lado de fora é infinitamente melhor.
Sentir seu cheiro, o toque suave de sua pele, saber seus sons, seus risos, conhecer sua personalidade e caras engraçadas é incrível, indescritível.
E aí eu me lembro daquele domingo de maio, entre amigos queridos e familiares. Penso na conversa com o marido da minha tia e concluo: ter Arthur do lado de fora é infinitamente melhor que ter estado grávida dele. Sobretudo por causa da maldita falta de ar que eu sentia desde as vinte e pouquinhas semanas. Mas aí eu percebo que, em termos de falta de ar, não ando lá muito melhor com ele aqui fora: basta vê-lo sorrir ou chorar, crescer e se desenvolver para que, mesmo senhora das minhas fisiologias todas, eu saiba que para sempre minha circulação foi alterada: vai ali naquele menino antes de voltar para mim tudo o que existe dentro de mim.
(E ainda me perguntam por que quero ter outro filho.)
domingo, 9 de dezembro de 2012
ahahahah (mas só por dentro)
Estávamos passeando aqui por perto: eu, marido e pequeno. Como chuviscava, filhote ia dentro do carrinho, com a capota protetora toda arriada, deixando só o pezinho gordo do lado de fora. (Puro amor!)
Numa esquina, aponta um rapaz que, pelo sorriso, logo vi que conhecia marido. Não deu outra: oi, oi, quanto tempo, pois é, ih, que novidade é essa? virou papai? pois é... há seis meses, blá-blá-blá.
Abrimos capota (chuviscava mais brandamente) e Arthur se derreteu para o amigo do papai. Riu, fez charminho, chutou o brinquedinho. Achei até que o amigo ia tentar levar meu molequinho embora de tanto que se entreteu com e amou as gracinhas.
E aí, ele se vira e anuncia, em regozijo indisfarçável:
- Também vou ser papai. Fulana já está de três meses.
- Ah, que lindo. Oh, parabéns. Vixi, que beleza, que maravilha! Oba, oba, oba!
- Pois é... estamos animados.
- Poxa, vamos marcar uma cervejinha dia desses? Te passo umas dicas.
- Claro, claro! Vou precisar.
- Ah, é. Sempre bom ouvir histórias e experiências porque o primeiro mês é MUITO difícil.
- Já ouvi falar. Mas acho que nem vou sentir tanto o impacto.
[Não precisei olhar para marido. Eu sabia a cara que ele estava fazendo e praticamente escutei seus pensamentos. E seus pensamentos eram mais ou menos assim: "hã...? ele disse que não vai sentir o impac...AHUAHAUHAUAHUAHUAHAAU {risada histérica} AHUHAUHUAHUAHUAHUAHUA"]
Placidamente, com um sorriso apenas amistoso nos lábios, marido perguntou:
- Ah, é? Mas por quê?
- Ah, eu tenho trabalhado muito, sabe? Tenho dormido tarde, acordado cedo.
- Bom, nesse caso... ["AHUAHUAHUHAUAHUAHUAHU"]
- É... - olhando agora para mim, que também oferecia um amistoso sorriso - Fulana vai até ter um descanso, vai se dar bem: vou ficar trabalhando até tarde e vou aproveitar para olhar o bebê para ela dormir.
["AHUAHAUHAUAHUAHAUAHUAHAUAHAUHAUAHAUHAUAHAUAHUAHAUHAUAHU"]
- Ah, que maravilha! Sua mulher é uma sortuda! ["AHUAHUAHAUHAUAHUAHAU"]
- Pois é. Estou animado. Vai ser moleza.
- Vai, vai, sim, rapaz. Parabéns! ["AHUAHUAHUAHAUHAUAHU"]
- A gente se vê.
- Valeu! Bora marcar o chope, heim...
E estamos rindo até agora.
Numa esquina, aponta um rapaz que, pelo sorriso, logo vi que conhecia marido. Não deu outra: oi, oi, quanto tempo, pois é, ih, que novidade é essa? virou papai? pois é... há seis meses, blá-blá-blá.
Abrimos capota (chuviscava mais brandamente) e Arthur se derreteu para o amigo do papai. Riu, fez charminho, chutou o brinquedinho. Achei até que o amigo ia tentar levar meu molequinho embora de tanto que se entreteu com e amou as gracinhas.
E aí, ele se vira e anuncia, em regozijo indisfarçável:
- Também vou ser papai. Fulana já está de três meses.
- Ah, que lindo. Oh, parabéns. Vixi, que beleza, que maravilha! Oba, oba, oba!
- Pois é... estamos animados.
- Poxa, vamos marcar uma cervejinha dia desses? Te passo umas dicas.
- Claro, claro! Vou precisar.
- Ah, é. Sempre bom ouvir histórias e experiências porque o primeiro mês é MUITO difícil.
- Já ouvi falar. Mas acho que nem vou sentir tanto o impacto.
[Não precisei olhar para marido. Eu sabia a cara que ele estava fazendo e praticamente escutei seus pensamentos. E seus pensamentos eram mais ou menos assim: "hã...? ele disse que não vai sentir o impac...AHUAHAUHAUAHUAHUAHAAU {risada histérica} AHUHAUHUAHUAHUAHUAHUA"]
Placidamente, com um sorriso apenas amistoso nos lábios, marido perguntou:
- Ah, é? Mas por quê?
- Ah, eu tenho trabalhado muito, sabe? Tenho dormido tarde, acordado cedo.
- Bom, nesse caso... ["AHUAHUAHUHAUAHUAHUAHU"]
- É... - olhando agora para mim, que também oferecia um amistoso sorriso - Fulana vai até ter um descanso, vai se dar bem: vou ficar trabalhando até tarde e vou aproveitar para olhar o bebê para ela dormir.
["AHUAHAUHAUAHUAHAUAHUAHAUAHAUHAUAHAUHAUAHAUAHUAHAUHAUAHU"]
- Ah, que maravilha! Sua mulher é uma sortuda! ["AHUAHUAHAUHAUAHUAHAU"]
- Pois é. Estou animado. Vai ser moleza.
- Vai, vai, sim, rapaz. Parabéns! ["AHUAHUAHUAHAUHAUAHU"]
- A gente se vê.
- Valeu! Bora marcar o chope, heim...
E estamos rindo até agora.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Há um ano
Há um ano, a essa hora, eu engravidei. Tá, mentira que eu sei exatamente quadno eu engravidei, mas as contas deram assim e eu vou fingir que foi assim porque é aniversário da minha gravidez e eu faço o quiser no aniversário da minha gravidez, né?
Achei bom engravidar em setembro porque combinou com essa coisa de querer um parto natural, afinal as fêmeas engravidam, geralmente, na primavera. E com tudo ao redor florescendo, acabei me sentindo ainda mais em sintonia com a natureza. Que beleza!
Mas fora esse motivo meio Discovery Channel, engravidar em setembro faz com que:
- seu primeiro trimestre termine às vésperas do Natal, e aí você pode anunciar a altos brados que está grávida, dando de presente de Natal a boa nova e recebendo em troca 2.784 presentinhos para o bebê (dos quais, 2.416 serão sapatinhos de crochê) e um óleo de amêndoas para você, ou melhor, para a parte de fora daquilo que carrega o bebê;
- seu verão seja passado com uma barriga modesta, mas já definida, e aí você pode colocar um biquininho fio-dental e... ops! Você pode colocar um biquini de mãe de família (conhecido como sunquini) e até ir para o carnaval fantasiada de havaiana safadinha (coisa que você não fazia desde os 15 aninhos);
- você tenha temperaturas agradáveis nos dois extremos da gravidez, pois enjoará em meio a pólen, flores e temperaturas amenas primaveris, e parirá em meio à neve, se não morar no Rio de Janeiro (porque se morar, parirá mesmo debaixo de um solzaço, num dia quente e que deu praia);
- você possa se cobrir bastante no fim da gravidez, o que é genial, se você, como eu, teve estrias até na testa;
- ao final de todo o processo, você tenha um marido, namorado ou companheiro mais compreensivo, pois, sentirá calor aos 16 graus e ligará o ar-condicionado ou ventilador, enquanto ele se encolhe debaixo de três cobertores. Assim, ele saberá como você se sente sem o combo progesterona-prolactina aloprando sua sensação térmica e será mais parceiro na próxima vez que você pedir "amor, diminui o ar?";
- seu parto caia no inverno. E parir no inverno é ótimo para se enroscar bem enroscadinho com o filhote recém-nascido e curtir o calorzinho gostoso que todo bebê exala!
Diz se não é ótimo engravidar em setembro?!
Achei bom engravidar em setembro porque combinou com essa coisa de querer um parto natural, afinal as fêmeas engravidam, geralmente, na primavera. E com tudo ao redor florescendo, acabei me sentindo ainda mais em sintonia com a natureza. Que beleza!
Mas fora esse motivo meio Discovery Channel, engravidar em setembro faz com que:
- seu primeiro trimestre termine às vésperas do Natal, e aí você pode anunciar a altos brados que está grávida, dando de presente de Natal a boa nova e recebendo em troca 2.784 presentinhos para o bebê (dos quais, 2.416 serão sapatinhos de crochê) e um óleo de amêndoas para você, ou melhor, para a parte de fora daquilo que carrega o bebê;
- seu verão seja passado com uma barriga modesta, mas já definida, e aí você pode colocar um biquininho fio-dental e... ops! Você pode colocar um biquini de mãe de família (conhecido como sunquini) e até ir para o carnaval fantasiada de havaiana safadinha (coisa que você não fazia desde os 15 aninhos);
- você tenha temperaturas agradáveis nos dois extremos da gravidez, pois enjoará em meio a pólen, flores e temperaturas amenas primaveris, e parirá em meio à neve, se não morar no Rio de Janeiro (porque se morar, parirá mesmo debaixo de um solzaço, num dia quente e que deu praia);
- você possa se cobrir bastante no fim da gravidez, o que é genial, se você, como eu, teve estrias até na testa;
- ao final de todo o processo, você tenha um marido, namorado ou companheiro mais compreensivo, pois, sentirá calor aos 16 graus e ligará o ar-condicionado ou ventilador, enquanto ele se encolhe debaixo de três cobertores. Assim, ele saberá como você se sente sem o combo progesterona-prolactina aloprando sua sensação térmica e será mais parceiro na próxima vez que você pedir "amor, diminui o ar?";
- seu parto caia no inverno. E parir no inverno é ótimo para se enroscar bem enroscadinho com o filhote recém-nascido e curtir o calorzinho gostoso que todo bebê exala!
Diz se não é ótimo engravidar em setembro?!
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terça-feira, 14 de agosto de 2012
Parem as máquinas e suspendam a água!
PAREM AS MÁQUINAS!
É preciso publicar em todos os jornais a notícia mais importante do semestre! Nada de Mensalão, cavaleiros que sugerem cavalos em lugar de cachorros, disputas acirradas pelas eleições que se aproximam. Não, nada disso. O fato mais importante do segundo semestre é: pela primeira vez em minha vida e na vida do Arthur, amamentei um dia inteiro sem sentir uma dorzinha sequer! Mesmo no mamilo mutilado e com Arthur terminando a mamada com um pedacinho do meu seio na boca (achei que fosse uma afta e meti o mãozão: era um pedaço da minha pele). Notem bem: SEM DOR!
Foi ontem. Sem dor, sem traumas, até queria que Arthur pedisse peito. E ele não se fez de rogado: mamou loucamente, dormia de 2 a 3 horas na sequência (e passou a madrugada acordadão, damn it!) e, então, queria mais peitinho. Ô beleza! Até acho que tem mais bochechinha naquele rostinho lindo (mas só saberemos da verdade verdadeira na outra semana, depois da pesagem no pediatra, e não vou criar expectativas novamente).
Além disso, dessa novidade incrível, tenho outra. Aliás, outras. E preciso que suspendam a distribuição de água aqui no Rio, porque ao meu redor tenho QUATRO grávidas. Isso mesmo: quatro grávidas pertinho de mim. A primeira já está na reta final e também será mãe de um menininho. A segunda está com 12 semanas e acabou de descobrir que também será mãe de um rapaz. A terceira está com 9 semanas e ainda não sabe o sexo, e a última acabou de tomar aquele susto do beta. Sabem qual? Aquele em que você abre o exame e lê no resultado uma vírgula no lugar do ponto e acha que 3 mil é 3 vírgula qualquer coisa, e que "deu negativo, droga, bora seguir com a vida... mas peraí, isso é um ponto e estou MUITO grávida". O mais legal é que todas as 4 grávidas querem um parto normal (e duas delas querem um parto normal natural).
Se por um lado eu fico feliz, por outro fico preocupada, pois por mais que esteja amamentando exclusivamente e tenha, então, meus níveis de prolactina na estratosfera, não pretendo engravidar novamente antes de o Arthur completar um aninho. Por isso que passei a beber só água mineral e a evitar banhos prolongados. Vocês já sabem do poder que a água tem quando o assunto é gravidez, né? Eu, então, por via das dúvidas, tô suspendendo toda água que considero suspeita.
É preciso publicar em todos os jornais a notícia mais importante do semestre! Nada de Mensalão, cavaleiros que sugerem cavalos em lugar de cachorros, disputas acirradas pelas eleições que se aproximam. Não, nada disso. O fato mais importante do segundo semestre é: pela primeira vez em minha vida e na vida do Arthur, amamentei um dia inteiro sem sentir uma dorzinha sequer! Mesmo no mamilo mutilado e com Arthur terminando a mamada com um pedacinho do meu seio na boca (achei que fosse uma afta e meti o mãozão: era um pedaço da minha pele). Notem bem: SEM DOR!
Foi ontem. Sem dor, sem traumas, até queria que Arthur pedisse peito. E ele não se fez de rogado: mamou loucamente, dormia de 2 a 3 horas na sequência (e passou a madrugada acordadão, damn it!) e, então, queria mais peitinho. Ô beleza! Até acho que tem mais bochechinha naquele rostinho lindo (mas só saberemos da verdade verdadeira na outra semana, depois da pesagem no pediatra, e não vou criar expectativas novamente).
Além disso, dessa novidade incrível, tenho outra. Aliás, outras. E preciso que suspendam a distribuição de água aqui no Rio, porque ao meu redor tenho QUATRO grávidas. Isso mesmo: quatro grávidas pertinho de mim. A primeira já está na reta final e também será mãe de um menininho. A segunda está com 12 semanas e acabou de descobrir que também será mãe de um rapaz. A terceira está com 9 semanas e ainda não sabe o sexo, e a última acabou de tomar aquele susto do beta. Sabem qual? Aquele em que você abre o exame e lê no resultado uma vírgula no lugar do ponto e acha que 3 mil é 3 vírgula qualquer coisa, e que "deu negativo, droga, bora seguir com a vida... mas peraí, isso é um ponto e estou MUITO grávida". O mais legal é que todas as 4 grávidas querem um parto normal (e duas delas querem um parto normal natural).
Se por um lado eu fico feliz, por outro fico preocupada, pois por mais que esteja amamentando exclusivamente e tenha, então, meus níveis de prolactina na estratosfera, não pretendo engravidar novamente antes de o Arthur completar um aninho. Por isso que passei a beber só água mineral e a evitar banhos prolongados. Vocês já sabem do poder que a água tem quando o assunto é gravidez, né? Eu, então, por via das dúvidas, tô suspendendo toda água que considero suspeita.
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up all night long
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
O parto (ou O dia em que sambei na cara da sociedade) - considerações finais
Parir é um ato íntimo e solitário, mas quando um nascimento derruba
pré-conceitos e lança a fagulha para que outras mulheres conquistem
partos dignos, respeitosos e seguros, trata-se de um ato social. E se
estou aqui, relatando o momento mais lindo e íntimo da minha vida, é
porque acredito no feminino e tenho a imensa pretensão de plantar a sementinha da
dúvida ou da vontade de parir em pelo menos uma mulher que leia meu
blog.
Depois de contar a melhor história da minha vida, preciso deixar BEM claro que este é um post político e que eu acredito no parto normal. Acho que é a melhor maneira de nascer e estou mais do que convencida de que o parto normal é para a grande maioria das mulheres, embora estejamos sendo convencidas do contrário. No que eu não acredito é que o tipo de parto determine que uma mulher é melhor ou pior mãe que outra. Obviamente eu sou uma mulher muito realizada por ter planejado e conquistado o parto que considero o melhor para mim e meu bebê, e acho que minha conquista de um parto natural respeitoso, digno e seguro é uma vitória feminina, pois prova que o corpo humano é perfeito para gerar e parir, a despeito das inúmeras (e cada vez mais estaparfúdias) desculpas que médicos e pacientes encontram para cesárias desnecessárias. (Mais sobre as desculpas neste maravilhoso artigo!)
Não me crucifiquem antes de ler este parágrafo até o fim, ok? Considero dever da mulher se informar sobre o que vai acontecer durante gravidez, parto e puerpério, e acho que faz parte da boa e saudável preparação feminina para a maternidade buscar esse tipo de informação. Então, conseguir um parto normal seguro e bacana é responsabilidade, sim, da mulher. No entanto, reconheço que nem todo mundo tem interesse ou facilidade em acessar informações sobre o que acontece durante a gravidez e o parto. Também sei que não é fácil bancar determinadas decisões e escolhas porque há pressão familiar, social e, claro, maternal, porque nasce uma mãe, nasce uma culpada, e por mais que a escolha acalente seu coração, muitas vezes gera uma culpa danada por peitar pessoas em que se confia (familiares, médicos, amigos etc.). Acho, por isso, um absurdo inenarrável que profissionais de saúde se valham de seu lugar privilegiado de "especialistas" para convencer, induzir ou até mesmo enganar uma gestante saudável a respeito da necessidade de uma cirurgia de médio porte em lugar de uma via de nascimento natural e mais segura. Acho inadmissível que médicos e enfermeiros enganem ou induzam seus pacientes a acreditar na necessidade de uma cesária. Se é responsabilidade da mulher se informar sobre gravidez e parto, é obrigação dos profissionais de saúde que a atendem e assistem informar a essa gestante sobre suas condições, opções, riscos e alternativas. A escolha é SEMPRE da mulher. O corpo é dela, o filho é dela e a decisão não pode ser pautada jamais em conveniências do profissional que a atende.
Deveria ser realidade, no Brasil e no mundo, que as mulheres tivessem acesso a informação, para que suas escolhas fossem seguras e pautadas em evidências. Ainda não é assim que funciona, e minha briga política é por que cada vez mais mulheres possam se apossar de seus corpos e decisões, contando com os profissionais de saúde relacionados ao nascimento para auxiliá-la em suas escolhas e decisões, o que torna o parto mais seguro, tanto do ponto de vista emocional quanto do ponto de vista prático. Bons profissionais nunca sonegam ou manipulam informações, eles a partilham e estimulam o conhecimento e o crescimento pessoal. Isso em qualquer área, inclusive na médica.
Esta é minha opinião e espero que ninguém se sinta julgada ou menosprezada por ter sido submetida a uma cesária, desnecessária ou não. Os motivos, as vivências e as escolhas são pessoais e intransferíveis. Minha briga é para que mais mulheres escolham um parto normal e de fato conquistem um parto normal, e que não vivam com a frustração de terem sido induzidas a fazer algo que não queriam (ou que temiam) por mera conveniência alheia (seja em relação a uma agenda pré-organizada e que não pode ser mudada, seja por não querer repensar conceitos e crenças já estabelecidos e comodamente reproduzidos).
Dito isto, fico muito feliz em contar que sou uma mulher realizada porque tive o parto perfeito para mim. Sonhado, planejado e executado com muito amor e entrega, como acontece com todas as coisas boas da vida.
Depois de contar a melhor história da minha vida, preciso deixar BEM claro que este é um post político e que eu acredito no parto normal. Acho que é a melhor maneira de nascer e estou mais do que convencida de que o parto normal é para a grande maioria das mulheres, embora estejamos sendo convencidas do contrário. No que eu não acredito é que o tipo de parto determine que uma mulher é melhor ou pior mãe que outra. Obviamente eu sou uma mulher muito realizada por ter planejado e conquistado o parto que considero o melhor para mim e meu bebê, e acho que minha conquista de um parto natural respeitoso, digno e seguro é uma vitória feminina, pois prova que o corpo humano é perfeito para gerar e parir, a despeito das inúmeras (e cada vez mais estaparfúdias) desculpas que médicos e pacientes encontram para cesárias desnecessárias. (Mais sobre as desculpas neste maravilhoso artigo!)
Não me crucifiquem antes de ler este parágrafo até o fim, ok? Considero dever da mulher se informar sobre o que vai acontecer durante gravidez, parto e puerpério, e acho que faz parte da boa e saudável preparação feminina para a maternidade buscar esse tipo de informação. Então, conseguir um parto normal seguro e bacana é responsabilidade, sim, da mulher. No entanto, reconheço que nem todo mundo tem interesse ou facilidade em acessar informações sobre o que acontece durante a gravidez e o parto. Também sei que não é fácil bancar determinadas decisões e escolhas porque há pressão familiar, social e, claro, maternal, porque nasce uma mãe, nasce uma culpada, e por mais que a escolha acalente seu coração, muitas vezes gera uma culpa danada por peitar pessoas em que se confia (familiares, médicos, amigos etc.). Acho, por isso, um absurdo inenarrável que profissionais de saúde se valham de seu lugar privilegiado de "especialistas" para convencer, induzir ou até mesmo enganar uma gestante saudável a respeito da necessidade de uma cirurgia de médio porte em lugar de uma via de nascimento natural e mais segura. Acho inadmissível que médicos e enfermeiros enganem ou induzam seus pacientes a acreditar na necessidade de uma cesária. Se é responsabilidade da mulher se informar sobre gravidez e parto, é obrigação dos profissionais de saúde que a atendem e assistem informar a essa gestante sobre suas condições, opções, riscos e alternativas. A escolha é SEMPRE da mulher. O corpo é dela, o filho é dela e a decisão não pode ser pautada jamais em conveniências do profissional que a atende.
Deveria ser realidade, no Brasil e no mundo, que as mulheres tivessem acesso a informação, para que suas escolhas fossem seguras e pautadas em evidências. Ainda não é assim que funciona, e minha briga política é por que cada vez mais mulheres possam se apossar de seus corpos e decisões, contando com os profissionais de saúde relacionados ao nascimento para auxiliá-la em suas escolhas e decisões, o que torna o parto mais seguro, tanto do ponto de vista emocional quanto do ponto de vista prático. Bons profissionais nunca sonegam ou manipulam informações, eles a partilham e estimulam o conhecimento e o crescimento pessoal. Isso em qualquer área, inclusive na médica.
Esta é minha opinião e espero que ninguém se sinta julgada ou menosprezada por ter sido submetida a uma cesária, desnecessária ou não. Os motivos, as vivências e as escolhas são pessoais e intransferíveis. Minha briga é para que mais mulheres escolham um parto normal e de fato conquistem um parto normal, e que não vivam com a frustração de terem sido induzidas a fazer algo que não queriam (ou que temiam) por mera conveniência alheia (seja em relação a uma agenda pré-organizada e que não pode ser mudada, seja por não querer repensar conceitos e crenças já estabelecidos e comodamente reproduzidos).
Dito isto, fico muito feliz em contar que sou uma mulher realizada porque tive o parto perfeito para mim. Sonhado, planejado e executado com muito amor e entrega, como acontece com todas as coisas boas da vida.
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sábado, 16 de junho de 2012
Se a vida te dá um limão...
...você faz uma limonada (ou uma caipirinha, dependendo do amargor da fruta).
Mas e se a vida te dá uma gestação de 41 semanas, o que você faz?
Bom, eu fiz duas coisas: insônia e madrugadas crafters.
Agora, meu filho, você tem cueiro, enfeite de porta e saquinhos identificados. Pode vir.
Mas e se a vida te dá uma gestação de 41 semanas, o que você faz?
Bom, eu fiz duas coisas: insônia e madrugadas crafters.
| Cuerinho feito com carinho e, ao fundo, enfeite para a porta da maternidade |
| Tem que ser selado, registrado, carimbado, avaliado, rotulado... |
Agora, meu filho, você tem cueiro, enfeite de porta e saquinhos identificados. Pode vir.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Reflexões muito loucas sobre a gestação do elefante
*Para ler ao som de "Chacal Blues".
Antes de embarcar no carrinho que vai te levar para o meio da selva hormonal da minha cachola, aviso: este post não terá o menor compromisso com a lógica ou com a coerência. Além do que, informo que um amigo, "grávido", com bebê previsto para JULHO, se tornou papai hoje e furou a fila. E que também hoje, ao telefonar para o consultório da minha médica, ouvi a secretária perguntar "nasceu?", e eu fui obrigada a dizer que não, e a secretária informou: "é que a dra. teve um parto no meio da madrugada e eu achei que tivesse sido o seu". Na última consulta a médica me garantiu que eu era a próxima, e que ninguém furaria essa fila. #todaschoraesedescabela Dito isso, embarque por sua conta e risco. Obrigada.
Nasci de uma desnecesária. Quer dizer, a cirurgia era, como sempre é nesses casos, desnecessária para mim e para minha mãe, mas absolutamente fundaental para o médico, que queria viajar e curtir os jogos da Copa do Mundo numa boa. Então, aos 8 meses de gravidez minha mãe se vestiu, tirou fotos no jardim interno do hospital, deitou-se numa maca e ganhou, além de horríveis feridas porque a enfermeira não leu que ela era alérgica a iodo e a besuntou com a substância, um bebê minúsculo, porém saudável. Nasci com 45cm e 2,750kg. Incrivelmente não tive grandes problemas por conta da evidente prematuridade (mas convém ressaltar que tive sapinho e minha mãe não teve leite - ou pelo menos orientação adequada para conseguir me amamentar). O médico, claro, viajou tranquilo, e minha mãe descobriu quando foi tirar os pontos porque eu "estava morrendo, meu deus, que perigo horrível esse cordão enrolado no pescocinho dela!".
Não sei se por conta disso, tenho meu próprio tempo. Nunca fui maria-vai-com-as-outras em nada nessa vida, e enquanto as meninas da escola falavam de beijos e meninos, eu brincava de boneca e fazia as minhas coisas no meu tempo. Precisei amadurecer muito cedo por conta das porradas que a vida nos dá, e o resultado disso foi que, aos 12 anos eu já cozinhava minha comida, aos 15 tive meu primeiro emprego e nunca mais pedi aquilo que eu poderia conquistar. Então, as coisas em minha vida tinham um ritmo muito peculiar, afinal, se eu era "atrasadinha" por um lado, por outro era precoce e até responsável demais.
Por conta desse meu traço característico, foi aos 20 anos, muito tempo antes de engravidar, portanto, que eu decidi o que eu queria para o meu parto: dignidade, cuidado real e respeito ao meu espaço, ao meu tempo, a mim.
E aí eu engravidei. No meu tempo. Foi rápido.
E aí enjoei, e não parei por um longo tempo (fiquei mal até cerca de 20 semanas!). Foi demorado (e chato).
E aí trabalhei bagarái e entrei no segundo trimestre. E foi demoraaaaado.
E aí comecei com as contrações de Braxton Hicks. Foi rápido.
E aí os dias começaram a voar, um atrás do outro, de enfiada, tão ligeiros que fiz 38 semanas e só então fui arrumar mala de maternidade, quartinho, cueiro, cadeirinha e todas as fanfarronices que vocês já estão carecas de saber que inventei. Foi superrápido.
E aí completei 40 semanas.
E 40 semanas e 1 dia.
E 40 semanas e 2 dias.
E 3 dias, 4 dias, 5 dias.
E nada de trabalho de parto. Nada de contração efetiva (as de Braxton Hicks continuam firmes, fortes e indolores por aqui), nada de tampão, nada de cólicas leves ou fortes, nada de nada.
Sei que as coisas na vida sempre têm um motivo, e eu acredito de verdade que aquilo por que passamos e que nos incomoda merece uma atenção especial por se tratar, na maioria das vezes, de uma oportunidade espetacular para nos conhecermos melhor ou aprendermos uma importante lição. Aquela bordoada que a vida te dá pode ser uma oportunidade. Aquela chatura na vida cor-de-rosa que todos levamos pode ser ótima para descobrirmos novas facetas e maneiras de lidar com a vida.
Mas às vezes é difícil. Tipo agora, para mim.
Já fui muito aniosa nessa vida, de tomar bolinha e tudo porque sozinha não estava dando, mas aí aprendi a relaxar, a entrar em contato com o meu eu profundo, aprendi a viver um momento de cada vez, a ser menos controladora e mais easy going, aprendi até mesmo a respirar (técnica zazen) quando mais nada é possível, permitido ou controlável. Sente-se e respire, Ártemis.
E assim faço e assim vivo. Sem remédios há mais de 12 anos.
E então hoje, depois de ler que meu amigo, cujo filhote estava previsto para julho, se tornou papai antes que eu me tornasse mamãe, me permiti dar aquela surtadinha básica de "oh, céus, por que comigo? Por que eu?", mesmo sabendo que era puro drama (e hormônios e ansiedade), e nada sério de verdade estava acontecendo. Mas eu me permiti, sabem? Fiquei chateada, só faltei fazer beicinho e bater o pé no chão, de birra. E vou dizer que deu vontade de fazer os hots, de faxinar a casa, de subir escada, comer abacaxi, beber chá de canela, marcar acupuntura e homeopata. E fazer promessa, e colocar roupa de cama e camisola novinhas, só para ver se Murphy está ligado. Até mesmo ligar para as pessoas que fazem meu pré-natal deu vontade, só para dizer: tô miserável nessa ansiedade, e nessa ansiedade que é quase toda minha porque já não estou trabalhando mais, porque menti a DPP para todos ao meu redor, porque não atendo mais telefonemas e respondo às cobranças com evasivas, porque minha equipe de apoio ao parto está suuuuuuuuperzen. Logo, a ansiedade é minha, me pertence. Não posso culpar outra pessoa pelas madrugadas em claro, pelas manhãs de sono entrecortado, pelas inúmeras listas de horários com as (três ou quatro) contrações irregulares que venho sentindo já há bastante tempo.
Escrevi e reescrevi e desisti de inúmeros e-mails, mensagens e posts.
Então pensei que talvez essa demora tenha a ver com o tempo que preciso para processar tudo, e me organizar emocionalmente para receber meu filhote. É minha sombra se avultando no horizonte, indicando para mim um parto assustadoramente cru, nu, visceral. Não sei o que esperar do processo por que passarei em breve: se entrarei em TP naturalmente, se precisarei ser induzida, se acabarei numa cirurgi. Não sei se vai doer da maneira como penso que vai, se vai minar minhas forças, se vai me levar às raias da sanidade, se vai me transformar. Mas tenho certeza de que essa longa espera ansiosa faz parte dos MEUS pródomos, da minha maneira de lidar com situação no meu tempo, do meu jeito. E, em certo sentido, até fico feliz de ter um filho maravilhoso vindo por aí, um filho que está respeitando esse momento em que preciso encarar e enfrentar o fantasma da ansiedade novamente. E também fiquei contente de perceber o momento antes que ele passasse, e acho que realmente preciso me desligar do "trabalho de parto" e encarar o "processo do parto", buscar meus caminhos para relaxar, ou pelo menos aceitar o incômodo, e respirar. Poucas coisas fizeram tanto sentido em minha vida quanto a frase "tudo o que você pode fazer em alguns momentos é respirar".
Desculpem o post longuíssimo, absolutamente descompromissado com começo-meio-e-fim ou com historinhas interessantes e engraçadinhas. Faz parte do meu processo de introspecção e, por incrível que pareça, vir aqui no meu cantinho, onde eu sou quem sou, livre de amarras sociais, ajuda. Aqui eu me sento e observo os pensamentos e sentimentos passando, um a um, enquanto eu faço tudo o que posso fazer: respirar.
E que mais ninguém passe a minha frente.
=P
Antes de embarcar no carrinho que vai te levar para o meio da selva hormonal da minha cachola, aviso: este post não terá o menor compromisso com a lógica ou com a coerência. Além do que, informo que um amigo, "grávido", com bebê previsto para JULHO, se tornou papai hoje e furou a fila. E que também hoje, ao telefonar para o consultório da minha médica, ouvi a secretária perguntar "nasceu?", e eu fui obrigada a dizer que não, e a secretária informou: "é que a dra. teve um parto no meio da madrugada e eu achei que tivesse sido o seu". Na última consulta a médica me garantiu que eu era a próxima, e que ninguém furaria essa fila. #todaschoraesedescabela Dito isso, embarque por sua conta e risco. Obrigada.
Nasci de uma desnecesária. Quer dizer, a cirurgia era, como sempre é nesses casos, desnecessária para mim e para minha mãe, mas absolutamente fundaental para o médico, que queria viajar e curtir os jogos da Copa do Mundo numa boa. Então, aos 8 meses de gravidez minha mãe se vestiu, tirou fotos no jardim interno do hospital, deitou-se numa maca e ganhou, além de horríveis feridas porque a enfermeira não leu que ela era alérgica a iodo e a besuntou com a substância, um bebê minúsculo, porém saudável. Nasci com 45cm e 2,750kg. Incrivelmente não tive grandes problemas por conta da evidente prematuridade (mas convém ressaltar que tive sapinho e minha mãe não teve leite - ou pelo menos orientação adequada para conseguir me amamentar). O médico, claro, viajou tranquilo, e minha mãe descobriu quando foi tirar os pontos porque eu "estava morrendo, meu deus, que perigo horrível esse cordão enrolado no pescocinho dela!".
Não sei se por conta disso, tenho meu próprio tempo. Nunca fui maria-vai-com-as-outras em nada nessa vida, e enquanto as meninas da escola falavam de beijos e meninos, eu brincava de boneca e fazia as minhas coisas no meu tempo. Precisei amadurecer muito cedo por conta das porradas que a vida nos dá, e o resultado disso foi que, aos 12 anos eu já cozinhava minha comida, aos 15 tive meu primeiro emprego e nunca mais pedi aquilo que eu poderia conquistar. Então, as coisas em minha vida tinham um ritmo muito peculiar, afinal, se eu era "atrasadinha" por um lado, por outro era precoce e até responsável demais.
Por conta desse meu traço característico, foi aos 20 anos, muito tempo antes de engravidar, portanto, que eu decidi o que eu queria para o meu parto: dignidade, cuidado real e respeito ao meu espaço, ao meu tempo, a mim.
E aí eu engravidei. No meu tempo. Foi rápido.
E aí enjoei, e não parei por um longo tempo (fiquei mal até cerca de 20 semanas!). Foi demorado (e chato).
E aí trabalhei bagarái e entrei no segundo trimestre. E foi demoraaaaado.
E aí comecei com as contrações de Braxton Hicks. Foi rápido.
E aí os dias começaram a voar, um atrás do outro, de enfiada, tão ligeiros que fiz 38 semanas e só então fui arrumar mala de maternidade, quartinho, cueiro, cadeirinha e todas as fanfarronices que vocês já estão carecas de saber que inventei. Foi superrápido.
E aí completei 40 semanas.
E 40 semanas e 1 dia.
E 40 semanas e 2 dias.
E 3 dias, 4 dias, 5 dias.
E nada de trabalho de parto. Nada de contração efetiva (as de Braxton Hicks continuam firmes, fortes e indolores por aqui), nada de tampão, nada de cólicas leves ou fortes, nada de nada.
Sei que as coisas na vida sempre têm um motivo, e eu acredito de verdade que aquilo por que passamos e que nos incomoda merece uma atenção especial por se tratar, na maioria das vezes, de uma oportunidade espetacular para nos conhecermos melhor ou aprendermos uma importante lição. Aquela bordoada que a vida te dá pode ser uma oportunidade. Aquela chatura na vida cor-de-rosa que todos levamos pode ser ótima para descobrirmos novas facetas e maneiras de lidar com a vida.
Mas às vezes é difícil. Tipo agora, para mim.
Já fui muito aniosa nessa vida, de tomar bolinha e tudo porque sozinha não estava dando, mas aí aprendi a relaxar, a entrar em contato com o meu eu profundo, aprendi a viver um momento de cada vez, a ser menos controladora e mais easy going, aprendi até mesmo a respirar (técnica zazen) quando mais nada é possível, permitido ou controlável. Sente-se e respire, Ártemis.
E assim faço e assim vivo. Sem remédios há mais de 12 anos.
E então hoje, depois de ler que meu amigo, cujo filhote estava previsto para julho, se tornou papai antes que eu me tornasse mamãe, me permiti dar aquela surtadinha básica de "oh, céus, por que comigo? Por que eu?", mesmo sabendo que era puro drama (e hormônios e ansiedade), e nada sério de verdade estava acontecendo. Mas eu me permiti, sabem? Fiquei chateada, só faltei fazer beicinho e bater o pé no chão, de birra. E vou dizer que deu vontade de fazer os hots, de faxinar a casa, de subir escada, comer abacaxi, beber chá de canela, marcar acupuntura e homeopata. E fazer promessa, e colocar roupa de cama e camisola novinhas, só para ver se Murphy está ligado. Até mesmo ligar para as pessoas que fazem meu pré-natal deu vontade, só para dizer: tô miserável nessa ansiedade, e nessa ansiedade que é quase toda minha porque já não estou trabalhando mais, porque menti a DPP para todos ao meu redor, porque não atendo mais telefonemas e respondo às cobranças com evasivas, porque minha equipe de apoio ao parto está suuuuuuuuperzen. Logo, a ansiedade é minha, me pertence. Não posso culpar outra pessoa pelas madrugadas em claro, pelas manhãs de sono entrecortado, pelas inúmeras listas de horários com as (três ou quatro) contrações irregulares que venho sentindo já há bastante tempo.
Escrevi e reescrevi e desisti de inúmeros e-mails, mensagens e posts.
Então pensei que talvez essa demora tenha a ver com o tempo que preciso para processar tudo, e me organizar emocionalmente para receber meu filhote. É minha sombra se avultando no horizonte, indicando para mim um parto assustadoramente cru, nu, visceral. Não sei o que esperar do processo por que passarei em breve: se entrarei em TP naturalmente, se precisarei ser induzida, se acabarei numa cirurgi. Não sei se vai doer da maneira como penso que vai, se vai minar minhas forças, se vai me levar às raias da sanidade, se vai me transformar. Mas tenho certeza de que essa longa espera ansiosa faz parte dos MEUS pródomos, da minha maneira de lidar com situação no meu tempo, do meu jeito. E, em certo sentido, até fico feliz de ter um filho maravilhoso vindo por aí, um filho que está respeitando esse momento em que preciso encarar e enfrentar o fantasma da ansiedade novamente. E também fiquei contente de perceber o momento antes que ele passasse, e acho que realmente preciso me desligar do "trabalho de parto" e encarar o "processo do parto", buscar meus caminhos para relaxar, ou pelo menos aceitar o incômodo, e respirar. Poucas coisas fizeram tanto sentido em minha vida quanto a frase "tudo o que você pode fazer em alguns momentos é respirar".
Desculpem o post longuíssimo, absolutamente descompromissado com começo-meio-e-fim ou com historinhas interessantes e engraçadinhas. Faz parte do meu processo de introspecção e, por incrível que pareça, vir aqui no meu cantinho, onde eu sou quem sou, livre de amarras sociais, ajuda. Aqui eu me sento e observo os pensamentos e sentimentos passando, um a um, enquanto eu faço tudo o que posso fazer: respirar.
E que mais ninguém passe a minha frente.
=P
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terça-feira, 12 de junho de 2012
Tensa
Você começa a se preocupar com seu grau de fanfarronice quando sua médica, na consulta, se despede dizendo: "Nossa, estou muito animada com seu parto. Vai ser muito divertido!"
Ártemis, entretendo a galera, mesmo nos momentos de dor, desde 1982.
Ártemis, entretendo a galera, mesmo nos momentos de dor, desde 1982.
domingo, 10 de junho de 2012
A saga da cadeirinha
Sei que hoje não é ontem, mas se estou aqui escrevendo este texto é porque ainda tenho um filhote embutido.
Tem seu lado bom, porque não terminei as gincanas. Aliás, a busca pelo R perdido teve novo capítulo! Lembram que eu encomendei pela internet um alfabeto igual ao que eu tenho aqui em casa? Pois recebi um e-mail da loja virtual lamentando que "o artigo, infelizmente, esgotou".
Quém-quém-quém-quém.
Resultado: catei umas letrinhas outras aqui (que são muito menos visualmente impactantes que as primeiras) e só me falta colá-las para anunciar que eu tenho um Arthur (e não um Arthu ou um Arthub, já que eu poderia cortar o B e transformá-lo num R meio estranho). Agora é tomar vergonha na cara, sentar diante da máquina de costura e mandar ver no restante do enfeite (depois mostro como ficou. Prometo).
Mas, sem mais delongas, vamos ao que interessa: então que a cadeirinha chegou, enfim!
#todasficafeliz
E aqui, caros leitores, venho eu contar minha saga, quase epopeia (bem que merecia uns versinhos essa história, mas vou poupá-los porque assim me manda o que me resta de bom-senso - e vocês verão que bom-senso anda escasso por essas bandas).
Tudo começou no longíquo primeiro trimestre, quando minha melhor e mais querida amiga do mundo inteiro me deu de presente o travel system que eu tanto queria. Cadeirinha/bebê conforto e carrinho não seriam um problema para mim. A felicidade bateu no meu peito e ainda hoje, quando vejo o carrinho estacionado na sala, aguardando seu tripulante, me sinto grata e felicíssima (menos gastos, menos problemas, menos um item).
Acontece que minha melhor e mais querida amiga mora nos States (chique, né?) e não pôde trazer o conjunto completinho de uma vez porque era mala demais, então a cadeirinha/bebê conforto ficou com ela, e me chegaria às mãos em maio. Primeira semana.
Marquei na agenda a data da chegada da minha amiga tão querida (progesterona, um beijo para você que me faz esquecer até se almocei) e pensei: maio é um pouco arriscado, mas tudo vai dar certo, filhote vai ficar na pança até junho, e todos seremos felizes. E maio chegou. E minha amiga chegou. E a cadeirinha chegou. Em São Paulo. O quê? Não contei que minha melhor e mais querida amiga é paulista? Pois é. Ela é. E vinha ao Rio, se não fosse um compromisso profissional inesperado arrastá-la para Manaus. Note bem, você não leu errado: MANAUS. Claro que deixamos a cadeirinha na casa da mãe da minha amiga, em SP, afinal eu conheço umas trinta pessoas que viajam de vez em quando para São Paulo, e só três que viajam de vez em nunca para Manaus.
Na minha cabeça de grávida sonhadora de início de maio, tudo estava resolvido: tenho um tio que mora em São Paulo e me traria a cadeirinha sem qualquer problema. Traria, se ele não tivesse sido alocado em Curitiba por três meses, por conta de um trabalho.
Meio de maio chegou. E com ele, a solução: uma pessoa que conheço iria fazer Rio-São Paulo, de carro, por volta do dia 20. Perfeito! Ela pegaria a cadeira e traria para mim. Delivery express.
Óbvio que deu chabu.
Essa pessoa é enrolada e furona, mas como havia me garantido, jurado pela felicidade de toda a família e pelos santos todos que iria buscar o raio da cadeirinha, acreditei. Tola que sou! Não só essa pessoa não buscou a cadeirinha, como ficou "me prendendo", pois prometia que a viagem a SP aconteceria naquela semana e que eu não falasse com mais ninguém porque ela resolveria.
Nisso, junho chegou. E com ele, a real data da viagem da tal pessoa: meados de junho. Como ninguém com quem eu convivo pessoalmente sabe da minha DPP, não podia simplesmente chegar para a dita cuja e falar: olha, provavelmente já terei parido nessa época. Tudo o que pude fazer foi agradecer pela disponibilidade e arrumar outra pessoa que me ajudasse (e não me atrapalhasse) a ter um final feliz.
E essa pessoa surgiu! Um amigo vinha passar o feriado de 7 de junho no Rio. Olha que fortuito! Até porque dia 7 era beeeeem melhor que o longíquo dia 15 ou 20 da enrolona. Fiquei feliz, me emocionei, pensei: agora vai! E foi. Foi para as cucuias o plano.
O rapaz ficou doente e precisou abortar a viagem de entretenimento. Tive ímpetos de sentar no chão e chorar. E pensava: não basta passar duzentas e noventa e sete pecinhas minúsculas de roupa para passar, não basta essa falta de ar constante, esse estresse de ter deixado tudo para em cima da hora por conta dos compromissos profissionais, eu ainda preciso sofrer (e muito) com o raio da cadeirinha!
[Meninas não grávidas, pensem na pior TPM da sua vida e multiplique por dez. Ok. Você entendeu a enxurrada hormonal gravídica.
Meninos, pensem no Maguila doidão de tequila chorando porque não conseguiu amarrar o cadarço. Você quase entedeu como reagi.]
Então eu vim aqui, contei para vocês, a Anna me salvou a vida e, na mesma manhã em que já estava tranquila e feliz porque havia uma solução, surge uma alma caridosa, ex-carioca, morando em Sampa, que vem ao Rio feriadar feliz. E ela não tem malas. E ela pode, sim, por que não?, me trazer a cadeirinha. E meu amigo, que ficou doente e não pôde vir ao Rio, pode, é claro!, levar a cadeirinha até essa minha amiga (agora, forte candidata a entrar no hall da fama da amizade e deixar até a marca das mãozinhas no gesso do meu coração).
Precisei me controlar para não dizer que ela caiu do céu porque, afinal, ela estava vindo de avião e não queria que nada pudesse arriscar a operação. E hoje, quando vi a cadeirinha, meu coração se enterneceu, me enchi de gratidão e pensei: Arthur pode, enfim, nascer.
Mas então meu chão ruiu. Em pleno aeroporto caótico, transferindo da mala para uma sacola as roupinhas e coisinhas que vinham com a cadeirinha, minha amiga revela: não deu para trazer "uns panos que estavam junto por conta do peso da mala". Os "panos", minha gente, eram as duas mantinhas e os 7 cueirinhos que eu havia comprado para embrulhar meu pacotinho. Sorri, engoli o pânico, agradeci efusivamente o imenso e impagável favor que ela me fez, e deixei o aeroporto com uma barriga, uma cadeirinha, meia dúzia de roupinhas e a promessa de que dia 22 de junho terei meus "panos" no Rio. E, para completar a murphylização da saga, São Pedro voltou das férias e tascou o termostato lá para baixo. Resultado: corri para comprar manta e cueiro que Arthur usará atéééé sair de casa, já que terá umas 5 mantas e uns 12 cueiros. Já estou vendo: aniversário de 18 anos, Arthur todo feliz, vai dormir com a namorada em seu quarto, e ela pergunta: "Amoreco, o que é isso?" Ao que ele responde, meio constrangido: "Isso, meu bem, é um cueiro, que ganhei de presente hoje... Bacana, né? É de flanela, minha mãe comprou quando estava grávida de mim, mas nunca usou. Aliás, todo ano ela me dá um cueiro novo de presente..."
Tem seu lado bom, porque não terminei as gincanas. Aliás, a busca pelo R perdido teve novo capítulo! Lembram que eu encomendei pela internet um alfabeto igual ao que eu tenho aqui em casa? Pois recebi um e-mail da loja virtual lamentando que "o artigo, infelizmente, esgotou".
Quém-quém-quém-quém.
Resultado: catei umas letrinhas outras aqui (que são muito menos visualmente impactantes que as primeiras) e só me falta colá-las para anunciar que eu tenho um Arthur (e não um Arthu ou um Arthub, já que eu poderia cortar o B e transformá-lo num R meio estranho). Agora é tomar vergonha na cara, sentar diante da máquina de costura e mandar ver no restante do enfeite (depois mostro como ficou. Prometo).
Mas, sem mais delongas, vamos ao que interessa: então que a cadeirinha chegou, enfim!
#todasficafeliz
E aqui, caros leitores, venho eu contar minha saga, quase epopeia (bem que merecia uns versinhos essa história, mas vou poupá-los porque assim me manda o que me resta de bom-senso - e vocês verão que bom-senso anda escasso por essas bandas).
Tudo começou no longíquo primeiro trimestre, quando minha melhor e mais querida amiga do mundo inteiro me deu de presente o travel system que eu tanto queria. Cadeirinha/bebê conforto e carrinho não seriam um problema para mim. A felicidade bateu no meu peito e ainda hoje, quando vejo o carrinho estacionado na sala, aguardando seu tripulante, me sinto grata e felicíssima (menos gastos, menos problemas, menos um item).
Acontece que minha melhor e mais querida amiga mora nos States (chique, né?) e não pôde trazer o conjunto completinho de uma vez porque era mala demais, então a cadeirinha/bebê conforto ficou com ela, e me chegaria às mãos em maio. Primeira semana.
Marquei na agenda a data da chegada da minha amiga tão querida (progesterona, um beijo para você que me faz esquecer até se almocei) e pensei: maio é um pouco arriscado, mas tudo vai dar certo, filhote vai ficar na pança até junho, e todos seremos felizes. E maio chegou. E minha amiga chegou. E a cadeirinha chegou. Em São Paulo. O quê? Não contei que minha melhor e mais querida amiga é paulista? Pois é. Ela é. E vinha ao Rio, se não fosse um compromisso profissional inesperado arrastá-la para Manaus. Note bem, você não leu errado: MANAUS. Claro que deixamos a cadeirinha na casa da mãe da minha amiga, em SP, afinal eu conheço umas trinta pessoas que viajam de vez em quando para São Paulo, e só três que viajam de vez em nunca para Manaus.
Na minha cabeça de grávida sonhadora de início de maio, tudo estava resolvido: tenho um tio que mora em São Paulo e me traria a cadeirinha sem qualquer problema. Traria, se ele não tivesse sido alocado em Curitiba por três meses, por conta de um trabalho.
Meio de maio chegou. E com ele, a solução: uma pessoa que conheço iria fazer Rio-São Paulo, de carro, por volta do dia 20. Perfeito! Ela pegaria a cadeira e traria para mim. Delivery express.
Óbvio que deu chabu.
Essa pessoa é enrolada e furona, mas como havia me garantido, jurado pela felicidade de toda a família e pelos santos todos que iria buscar o raio da cadeirinha, acreditei. Tola que sou! Não só essa pessoa não buscou a cadeirinha, como ficou "me prendendo", pois prometia que a viagem a SP aconteceria naquela semana e que eu não falasse com mais ninguém porque ela resolveria.
Nisso, junho chegou. E com ele, a real data da viagem da tal pessoa: meados de junho. Como ninguém com quem eu convivo pessoalmente sabe da minha DPP, não podia simplesmente chegar para a dita cuja e falar: olha, provavelmente já terei parido nessa época. Tudo o que pude fazer foi agradecer pela disponibilidade e arrumar outra pessoa que me ajudasse (e não me atrapalhasse) a ter um final feliz.
E essa pessoa surgiu! Um amigo vinha passar o feriado de 7 de junho no Rio. Olha que fortuito! Até porque dia 7 era beeeeem melhor que o longíquo dia 15 ou 20 da enrolona. Fiquei feliz, me emocionei, pensei: agora vai! E foi. Foi para as cucuias o plano.
O rapaz ficou doente e precisou abortar a viagem de entretenimento. Tive ímpetos de sentar no chão e chorar. E pensava: não basta passar duzentas e noventa e sete pecinhas minúsculas de roupa para passar, não basta essa falta de ar constante, esse estresse de ter deixado tudo para em cima da hora por conta dos compromissos profissionais, eu ainda preciso sofrer (e muito) com o raio da cadeirinha!
[Meninas não grávidas, pensem na pior TPM da sua vida e multiplique por dez. Ok. Você entendeu a enxurrada hormonal gravídica.
Meninos, pensem no Maguila doidão de tequila chorando porque não conseguiu amarrar o cadarço. Você quase entedeu como reagi.]
Então eu vim aqui, contei para vocês, a Anna me salvou a vida e, na mesma manhã em que já estava tranquila e feliz porque havia uma solução, surge uma alma caridosa, ex-carioca, morando em Sampa, que vem ao Rio feriadar feliz. E ela não tem malas. E ela pode, sim, por que não?, me trazer a cadeirinha. E meu amigo, que ficou doente e não pôde vir ao Rio, pode, é claro!, levar a cadeirinha até essa minha amiga (agora, forte candidata a entrar no hall da fama da amizade e deixar até a marca das mãozinhas no gesso do meu coração).
Precisei me controlar para não dizer que ela caiu do céu porque, afinal, ela estava vindo de avião e não queria que nada pudesse arriscar a operação. E hoje, quando vi a cadeirinha, meu coração se enterneceu, me enchi de gratidão e pensei: Arthur pode, enfim, nascer.
Mas então meu chão ruiu. Em pleno aeroporto caótico, transferindo da mala para uma sacola as roupinhas e coisinhas que vinham com a cadeirinha, minha amiga revela: não deu para trazer "uns panos que estavam junto por conta do peso da mala". Os "panos", minha gente, eram as duas mantinhas e os 7 cueirinhos que eu havia comprado para embrulhar meu pacotinho. Sorri, engoli o pânico, agradeci efusivamente o imenso e impagável favor que ela me fez, e deixei o aeroporto com uma barriga, uma cadeirinha, meia dúzia de roupinhas e a promessa de que dia 22 de junho terei meus "panos" no Rio. E, para completar a murphylização da saga, São Pedro voltou das férias e tascou o termostato lá para baixo. Resultado: corri para comprar manta e cueiro que Arthur usará atéééé sair de casa, já que terá umas 5 mantas e uns 12 cueiros. Já estou vendo: aniversário de 18 anos, Arthur todo feliz, vai dormir com a namorada em seu quarto, e ela pergunta: "Amoreco, o que é isso?" Ao que ele responde, meio constrangido: "Isso, meu bem, é um cueiro, que ganhei de presente hoje... Bacana, né? É de flanela, minha mãe comprou quando estava grávida de mim, mas nunca usou. Aliás, todo ano ela me dá um cueiro novo de presente..."
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Plugada e pilhada (ou "Ainda não pari")
Com a contagem regressiva pressionando a todos, convém que eu apareça diariamente para dar satisfações e não deixar ninguém achando que eu já pari, né?
Apesar do cheirinho delicioso de fraldas e sabonete de neném que paira no meu apartamento, apesar da pança enorme e dos hormônios enlouquecidos, e apesar, sobretudo, de já ter cadeirinha (todo mundo jogando as mãos para o alto e comemorando comigo! Principalmente a Anna!), Arthur ainda mora dentro de mim.
Ele ainda mora dentro de mim e eu continuo plugada (nada de tampão, minha gente) e começo a ficar pilhada. Acho que as gincanas estão chegando ao fim (chegou a cadeirinha, já até comprei e lavei a capinha para forrá-la), o enfeite da porta da maternidade também está caminhando (a passos de cágado velho, mas caminha) e o porta-fraldas está sendo tentadoramente adiado (já pensou que relato de parto fabulosamente crafter se eu disser que entre as contrações eu aproveitava para terminar a pintura da peça?!).
Lavei todas as roupinhas até 6 meses, faltam cerca de 30 peças para passar (num horizonte de 7952 peças iniciais, o que são 30 bodies do tamanho da palma da minha mão, não é mesmo?), bercinho já tem protetor e lençol (e edredom, que é para não pegar poeira) e amanhã devo comprar uma mantinha porque está ficando frio. Também amanhã devo mandar emoldurar uns quadrinhos e trocar umas roupinhas.
Daí, o que me sobra? A tensão da US, que não consigo marcar em lugar nenhum do universo, e o frisson do R perdido. Lembram? Arthur tem 2 Rs e o alfabeto que comprei só tem um R. Mas achei na internet um alfabeto igualzinho ao que tenho por aqui e comprei, com entrega em prazo que varia entre 3 e 8 dias úteis. Será que na porta da maternidade teremos um Arthu ou um Arthur? Prometo voltar para contar.
Também preciso comentar o post anterior, tá? Então vocês, por favor, sejam novamente bacanas com uma gestante hormonalmente alterada e ainda plugada, com quase 40 semanas.
Quando eu disse que estava ficando loucona de hormônios (mas loucona de verdade, de ter medo de sair na rua, dar meus ataques de pelanca e, em vez de voltar para casa - e para meus dias sem fim -, ir direto para o manicômio), acho que ninguém levou muito a sério. Até o último post, né?
Adorei que várias pessoas comentaram e vi que muitas outras me visitaram, mas não falaram nada (eu estou loucona de hormônios, mas não mordo - ao menos não enquanto houver uma tela entre nós -, então podem comentar) e realmente achei incrível porque escrevi o texto pensando uma coisa, num tom, e vi como as palavras nem sempre têm o tal "estado de dicionário" do Drummond e acabam enveredando por caminhos inesperados. E que coisa bacana.
É que eu meio que desabafei, sabem, por causa das gincanas. E aí li o texto da Thais, e vi aquele tanto de roupinha por passar, e quase não deu certo a operação resgate da cadeirinha, e minha licença médica está acabando e eu não queria gastar a licença-maternidade, e minha médica me passou uma US que não consigo marcar, e meus dias parecem que andam eternos. Daí desabafei das dores acumuladas ao longo da gravidez, porque eu concordo com vocês, que leram o post e vieram com muito carinho me lembrar (e consolar) de que essas perguntas, muitas vezes, são formas de dizer "oi, que bacana você estar grávida e eu quero muito que você e seu bebê sejam felizes". Eu sei, eu sei, gente. Mas tenho meus pontos sensíveis e, como eu disse no comecinho deste texto, o tal "estado de dicionário" de que fala Drummond nem sempre é alcançável no cotidiano nada poético, né? Daí, tome interpretar palavras e tons e dar aquela sofridinha básica. Sofri, mas quem não sofreu?
E aí passou. E ontem mesmo umas pessoas me perguntaram (e saíram ilesos da minha casa, vejam só!) se eu tinha planejado a gravidez, quando nascia esse menino e se eu tinha preferência pelo sexo. Ai, Murphy, você é tão legal (e tão previsível)!
Enfim, obrigada, muito obrigada a todas que comentaram com tanto carinho e solidariedade e votos de bom parto! Buchudas interrogadas deste Brasil: uni-vos e compadecei-vos das agruras e angústias alheias!
=)
Para finalizar, prometo que, se não entrar em trabalho de parto amanhã, venho contar a saga da cadeirinha. Sei que não sou muito boa em cumprir promessas por aqui, mas o texto já está pensado e quem não parir, verá.
Apesar do cheirinho delicioso de fraldas e sabonete de neném que paira no meu apartamento, apesar da pança enorme e dos hormônios enlouquecidos, e apesar, sobretudo, de já ter cadeirinha (todo mundo jogando as mãos para o alto e comemorando comigo! Principalmente a Anna!), Arthur ainda mora dentro de mim.
Ele ainda mora dentro de mim e eu continuo plugada (nada de tampão, minha gente) e começo a ficar pilhada. Acho que as gincanas estão chegando ao fim (chegou a cadeirinha, já até comprei e lavei a capinha para forrá-la), o enfeite da porta da maternidade também está caminhando (a passos de cágado velho, mas caminha) e o porta-fraldas está sendo tentadoramente adiado (já pensou que relato de parto fabulosamente crafter se eu disser que entre as contrações eu aproveitava para terminar a pintura da peça?!).
Lavei todas as roupinhas até 6 meses, faltam cerca de 30 peças para passar (num horizonte de 7952 peças iniciais, o que são 30 bodies do tamanho da palma da minha mão, não é mesmo?), bercinho já tem protetor e lençol (e edredom, que é para não pegar poeira) e amanhã devo comprar uma mantinha porque está ficando frio. Também amanhã devo mandar emoldurar uns quadrinhos e trocar umas roupinhas.
Daí, o que me sobra? A tensão da US, que não consigo marcar em lugar nenhum do universo, e o frisson do R perdido. Lembram? Arthur tem 2 Rs e o alfabeto que comprei só tem um R. Mas achei na internet um alfabeto igualzinho ao que tenho por aqui e comprei, com entrega em prazo que varia entre 3 e 8 dias úteis. Será que na porta da maternidade teremos um Arthu ou um Arthur? Prometo voltar para contar.
***
Também preciso comentar o post anterior, tá? Então vocês, por favor, sejam novamente bacanas com uma gestante hormonalmente alterada e ainda plugada, com quase 40 semanas.
Quando eu disse que estava ficando loucona de hormônios (mas loucona de verdade, de ter medo de sair na rua, dar meus ataques de pelanca e, em vez de voltar para casa - e para meus dias sem fim -, ir direto para o manicômio), acho que ninguém levou muito a sério. Até o último post, né?
Adorei que várias pessoas comentaram e vi que muitas outras me visitaram, mas não falaram nada (eu estou loucona de hormônios, mas não mordo - ao menos não enquanto houver uma tela entre nós -, então podem comentar) e realmente achei incrível porque escrevi o texto pensando uma coisa, num tom, e vi como as palavras nem sempre têm o tal "estado de dicionário" do Drummond e acabam enveredando por caminhos inesperados. E que coisa bacana.
É que eu meio que desabafei, sabem, por causa das gincanas. E aí li o texto da Thais, e vi aquele tanto de roupinha por passar, e quase não deu certo a operação resgate da cadeirinha, e minha licença médica está acabando e eu não queria gastar a licença-maternidade, e minha médica me passou uma US que não consigo marcar, e meus dias parecem que andam eternos. Daí desabafei das dores acumuladas ao longo da gravidez, porque eu concordo com vocês, que leram o post e vieram com muito carinho me lembrar (e consolar) de que essas perguntas, muitas vezes, são formas de dizer "oi, que bacana você estar grávida e eu quero muito que você e seu bebê sejam felizes". Eu sei, eu sei, gente. Mas tenho meus pontos sensíveis e, como eu disse no comecinho deste texto, o tal "estado de dicionário" de que fala Drummond nem sempre é alcançável no cotidiano nada poético, né? Daí, tome interpretar palavras e tons e dar aquela sofridinha básica. Sofri, mas quem não sofreu?
E aí passou. E ontem mesmo umas pessoas me perguntaram (e saíram ilesos da minha casa, vejam só!) se eu tinha planejado a gravidez, quando nascia esse menino e se eu tinha preferência pelo sexo. Ai, Murphy, você é tão legal (e tão previsível)!
Enfim, obrigada, muito obrigada a todas que comentaram com tanto carinho e solidariedade e votos de bom parto! Buchudas interrogadas deste Brasil: uni-vos e compadecei-vos das agruras e angústias alheias!
=)
***
Para finalizar, prometo que, se não entrar em trabalho de parto amanhã, venho contar a saga da cadeirinha. Sei que não sou muito boa em cumprir promessas por aqui, mas o texto já está pensado e quem não parir, verá.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Perguntinhas irritantes
Outro dia estava lendo no blog da Thais o texto que ela fala sobre como as pessoas, ao verem uma grávida, muitas vezes são sem noção e saem distribuindo insensibilidades e incongruências. E aí comecei a pensar nas perguntinhas cretinas que ouço desde que anunciei que ia ser mamãe. Francamente...
1. Foi planejado?
Sério, essa é a pergunta que mais me deixa LOUCA. O que a pessoa tem em mente quando pergunta isso? O que ela tem a ver com minha vida sexual? Se foi planejado, ela vai querer dicas e detalhes? Se não, vai me sugerir um aborto ou chorar comigo abraçadinha? Pergunta mais sem cabimento e cuja resposta, francamente, não interessa a ninguém.
2. Tem preferência pelo sexo?
Tinha ímpetos de responder a essa pergunta com algo do tipo "sim, sadomasô com velas derretidas e chicotadas". Novamente, o que a pessoa tem com isso? Acho esse o tipo de informação que, caso seja importante e fundamental, a própria mãe comentará. Espontaneamente. Fora isso, é indelicado perguntar. Indelicado e insensível.
3. É menino? Porque com essa barriga pequenininha e bonitinha só podia ser.
Essa é campeã! Além de ser uma bobagem sem tamanho (já que minha barriga é "pequenininha e bonitinha" - é bonitinha porque pequena? Nunca entendi esse critério e acho todas as barrigas de grávidas LINDAS e mágicas! - o bebê precisa ser menino? Por quê?), é uma pergunta/constatação extremamente machista! Porque está implícito nesta declaração que as mulheres são seres FEIOS, seres que só trazem feiúra para o mundo e suas mães, seres que são péssimos de serem carregados porque trazem o estigma daquilo que não é o padrão. Ah, faça-me o favor! Minha barriga é linda e não está pontuda, redonda, verde, roxa, com umbigo assim ou assado por conta do sexo do bebê que carrego dentro de mim. Ela está assim porque minha constituição física permite que ela fique assim. E porque meu bebê tem determinado tamanho. E, por fim, porque engordei X ou Y, e, novamente, minha genética determina para onde vão esses quilinhos: se para os braços, bunda, perna ou barriga. Simples assim.
4. Engordou quanto?
É sério isso? Por que a pessoa quer saber? Para se sentir mais confortável com o próprio peso (sabendo que alguém engordou "muito" em pouco tempo) ou para se auto-afirmar quanto ao próprio corpo? Se eu responder 30 quilos alguém vai se dispor a receber uns quilinhos para me ajudar no pós-parto? Acho essa uma curiosidade meio mórbida, parecida com aquela que as pessoas sentem quando tem um acidente na estrada: bora lá ver o sofrimento alheio para saber que o nosso sofrimento não é único. Eu, heim. Sai para lá, urubu!
5. Ah, mexendo assim, se prepara, porque vai ser um bebê agitado, que vai ficar acordado a madrugada toda, viver com cólicas, ser manhoso, chato, doente, pé torto e genioso.
Valeu, heim! Minha resposta para isso é uma figa, porque o que responder a tamanha uruca?
6. Já sabe em que hospital vai ter?
Por quê? Quer saber se você vai conseguir chegar para me ajudar no parto? O quê? Ah, é. Você não é médico e nem é o MEU médico. Para que você precisa saber, então, onde eu vou ter meu bebê?
Não entendo. Juro. Que diferença faz? Se você não puder ir à maternidade que escolhi, eu NÃO vou mudar a minha programação por você.
7. É para quando?
Se eu soubesse responder a isso, estaria milionária, né? Bebês nascem prematuros, contas de DUM são errôneas, bebês se desenvolvem em ritmos diferentes. Meio complicado responder a isso. Mais digno perguntar "quantas semanas de gravidez?".
8. Esse bebê nasce ou não nasce? Já nasceu? E todas as suas variações.
Essa é a uma das perguntas mais surreais!
As pessoas devem realmente acreditar que eu engravidei, divulguei minha gestação, partilhei o que eu achava que deveria partilhar (depois de ser bombardeada por perguntas cretinas e invasivas), e quando o moleque nascer eu vou ESCONDÊ-LO do mundo?! É sério? As pessoas acham que eu não vou falar: Arthur nasceu?! As pessoas acham que eu vou fingir que ainda estou grávida?
Simplesmente não entendo. É uma carência louca!
Acho que você chegar para a grávida e pedir: "olha, não temos contato diário, mas gostaria muito de ser avisada de que seu filho nasceu porque torci muito por vocês e estou muito contente com a chegada do bebê" soa tão carinhoso e delicado. Por que pressionar, então, a grávida, que já está ansiosa pelo nascimento? Por que deixá-la com mais uma tarefa ("olha, assim que a bolsa estourar, você me avisa, tá?" Aham. Pode deixar! Vou estar cheia de hormônios, contrações, pensando se esqueci de pôr algo na malinha da maternidade, coordenando marido, tentando manter alguma dignidade e sanidade no momento mais importante da minha vida e vou parar TUDO para ligar para você, prima da vizinha da avó do meu marido.)?
9. Em pleno século XXI, no Rio de Janeiro, você vai querer um parto normal? Por quê? (com cara de indignação)
Valeska Popozuda, minha querida, te amo. Mentalmente, minha resposta a essa pergunta traz uma frase dessa grande pensadora contemporânea: "a %$#* da %&&¨$ é minha!!!" (não entendeu? Joga no google e delicie-se!)
E essa frase se expande a todos os limites: tudo no processo é MEU! O parto, a dor, o marido, o filho, a recuperação pós-parto, as ideologias, as crenças. Quando chegar a SUA vez de parir, faça a SUA escolha.
10. Quando você for para o hospital vai me telefonar para eu ir também, né?
Só respondo séria e sinceramente para três pessoas: meu marido, minha médica e minha doula.
Se você recebeu de mim um "claaaaaro que vou ligar!", saiba que eu MENTI.
=)
Agora me respondam vocês: com tanta pergunta irritante, indelicada e surreal, não dá para colocar toda a culpa da minha intolerância nos meus hormônios, dá?
1. Foi planejado?
Sério, essa é a pergunta que mais me deixa LOUCA. O que a pessoa tem em mente quando pergunta isso? O que ela tem a ver com minha vida sexual? Se foi planejado, ela vai querer dicas e detalhes? Se não, vai me sugerir um aborto ou chorar comigo abraçadinha? Pergunta mais sem cabimento e cuja resposta, francamente, não interessa a ninguém.
2. Tem preferência pelo sexo?
Tinha ímpetos de responder a essa pergunta com algo do tipo "sim, sadomasô com velas derretidas e chicotadas". Novamente, o que a pessoa tem com isso? Acho esse o tipo de informação que, caso seja importante e fundamental, a própria mãe comentará. Espontaneamente. Fora isso, é indelicado perguntar. Indelicado e insensível.
3. É menino? Porque com essa barriga pequenininha e bonitinha só podia ser.
Essa é campeã! Além de ser uma bobagem sem tamanho (já que minha barriga é "pequenininha e bonitinha" - é bonitinha porque pequena? Nunca entendi esse critério e acho todas as barrigas de grávidas LINDAS e mágicas! - o bebê precisa ser menino? Por quê?), é uma pergunta/constatação extremamente machista! Porque está implícito nesta declaração que as mulheres são seres FEIOS, seres que só trazem feiúra para o mundo e suas mães, seres que são péssimos de serem carregados porque trazem o estigma daquilo que não é o padrão. Ah, faça-me o favor! Minha barriga é linda e não está pontuda, redonda, verde, roxa, com umbigo assim ou assado por conta do sexo do bebê que carrego dentro de mim. Ela está assim porque minha constituição física permite que ela fique assim. E porque meu bebê tem determinado tamanho. E, por fim, porque engordei X ou Y, e, novamente, minha genética determina para onde vão esses quilinhos: se para os braços, bunda, perna ou barriga. Simples assim.
4. Engordou quanto?
É sério isso? Por que a pessoa quer saber? Para se sentir mais confortável com o próprio peso (sabendo que alguém engordou "muito" em pouco tempo) ou para se auto-afirmar quanto ao próprio corpo? Se eu responder 30 quilos alguém vai se dispor a receber uns quilinhos para me ajudar no pós-parto? Acho essa uma curiosidade meio mórbida, parecida com aquela que as pessoas sentem quando tem um acidente na estrada: bora lá ver o sofrimento alheio para saber que o nosso sofrimento não é único. Eu, heim. Sai para lá, urubu!
5. Ah, mexendo assim, se prepara, porque vai ser um bebê agitado, que vai ficar acordado a madrugada toda, viver com cólicas, ser manhoso, chato, doente, pé torto e genioso.
Valeu, heim! Minha resposta para isso é uma figa, porque o que responder a tamanha uruca?
6. Já sabe em que hospital vai ter?
Por quê? Quer saber se você vai conseguir chegar para me ajudar no parto? O quê? Ah, é. Você não é médico e nem é o MEU médico. Para que você precisa saber, então, onde eu vou ter meu bebê?
Não entendo. Juro. Que diferença faz? Se você não puder ir à maternidade que escolhi, eu NÃO vou mudar a minha programação por você.
7. É para quando?
Se eu soubesse responder a isso, estaria milionária, né? Bebês nascem prematuros, contas de DUM são errôneas, bebês se desenvolvem em ritmos diferentes. Meio complicado responder a isso. Mais digno perguntar "quantas semanas de gravidez?".
8. Esse bebê nasce ou não nasce? Já nasceu? E todas as suas variações.
Essa é a uma das perguntas mais surreais!
As pessoas devem realmente acreditar que eu engravidei, divulguei minha gestação, partilhei o que eu achava que deveria partilhar (depois de ser bombardeada por perguntas cretinas e invasivas), e quando o moleque nascer eu vou ESCONDÊ-LO do mundo?! É sério? As pessoas acham que eu não vou falar: Arthur nasceu?! As pessoas acham que eu vou fingir que ainda estou grávida?
Simplesmente não entendo. É uma carência louca!
Acho que você chegar para a grávida e pedir: "olha, não temos contato diário, mas gostaria muito de ser avisada de que seu filho nasceu porque torci muito por vocês e estou muito contente com a chegada do bebê" soa tão carinhoso e delicado. Por que pressionar, então, a grávida, que já está ansiosa pelo nascimento? Por que deixá-la com mais uma tarefa ("olha, assim que a bolsa estourar, você me avisa, tá?" Aham. Pode deixar! Vou estar cheia de hormônios, contrações, pensando se esqueci de pôr algo na malinha da maternidade, coordenando marido, tentando manter alguma dignidade e sanidade no momento mais importante da minha vida e vou parar TUDO para ligar para você, prima da vizinha da avó do meu marido.)?
9. Em pleno século XXI, no Rio de Janeiro, você vai querer um parto normal? Por quê? (com cara de indignação)
Valeska Popozuda, minha querida, te amo. Mentalmente, minha resposta a essa pergunta traz uma frase dessa grande pensadora contemporânea: "a %$#* da %&&¨$ é minha!!!" (não entendeu? Joga no google e delicie-se!)
E essa frase se expande a todos os limites: tudo no processo é MEU! O parto, a dor, o marido, o filho, a recuperação pós-parto, as ideologias, as crenças. Quando chegar a SUA vez de parir, faça a SUA escolha.
10. Quando você for para o hospital vai me telefonar para eu ir também, né?
Só respondo séria e sinceramente para três pessoas: meu marido, minha médica e minha doula.
Se você recebeu de mim um "claaaaaro que vou ligar!", saiba que eu MENTI.
=)
Agora me respondam vocês: com tanta pergunta irritante, indelicada e surreal, não dá para colocar toda a culpa da minha intolerância nos meus hormônios, dá?
terça-feira, 5 de junho de 2012
♥
E daí que a barriga anda pesadona, que faço xixi amiúde, que passo as roupinhas do filhote a prestação porque não consigo ficar muito tempo em pé? E daí que a cadeirinha ainda não chegou, que me faltam umas coisinhas antes do baby poder nascer, que não aguento mais a ansiedade alheia? E daí que apareceram umas estrias safadas, que sinto dores e pontadas em lugares nunca dantes navegados e que sinto um calor como se estivesse morando no meio do Saara?
Quando eu olho para essa barriguinha, se mexendo no meio da madrugada ou soluçando várias vezes ao dia (sim, ele soluça muito!), a única coisa em que consigo pensar é que o grande amor da minha vida está chegando.
Quando eu olho para essa barriguinha, se mexendo no meio da madrugada ou soluçando várias vezes ao dia (sim, ele soluça muito!), a única coisa em que consigo pensar é que o grande amor da minha vida está chegando.
| ♥ |
terça-feira, 15 de maio de 2012
Ah, a progesterona!
Se existe um hormônio delícia nessa vida é a progesterona. Ainda não provei a ocitocina matadora, é verdade, mas a progesterona está causando nesta gravidez.
Logo no comecinho, nas primeiras semanas, me fez cair de sono pelos cantos e sentir um enjoo contínuo e insuperável. No segundo trimestre deu uma folguinha, porque seriam muitas emoções, afinal. E agora, no terceiro e último trimestre, além de ter trazido os enjoos de volta às paradas de sucesso, ainda me faz esquecer tudo. No trabalho, preciso anotar tudo, e outro dia enviei um documento para a pessoa que havia acabado de me mandar o envelope. Se eu trabalhasse nos Correios, isso equivaleria a enviar a carta ao remetente, e não ao destinatário. Também tenho ficado lenta, no melhor estilo 486, e tarefas simples demandam um esforço mental e um tempo de planejamento enormes. E para completar a alegria, a progesterona tem me feito dormir pesado, e então eu chego atrasada todos os dias, e esqueço carteira em casa, esqueço que comprei um produto pela internet e fico muito surpresa quando ele chega na minha portaria, esqueço que marquei compromissos sociais e esqueço tudo o que não tem a ver com meu filho.
É um hormônio muito doido e com frequência bem incômodo, mas ao qual tenho sido muito grata. É que nessa vida louca e estressante de múltipla jornada que levamos, é graças à progesterona que me lembro de que preciso prestar atenção ao meu umbigo (e ao que vai por debaixo dele, principalmente) e também é preciso ir com mais vagar e cuidado, não porque haja algum problema, mas porque tudo o que é delicado e sensível merece um carinho a mais.
Agora, minha gente, falta pouco! O contador ali embaixo marca 36 semanas, e a partir de sábado meu filhote não é mais prematuro!
Torçam comigo!
=)
Logo no comecinho, nas primeiras semanas, me fez cair de sono pelos cantos e sentir um enjoo contínuo e insuperável. No segundo trimestre deu uma folguinha, porque seriam muitas emoções, afinal. E agora, no terceiro e último trimestre, além de ter trazido os enjoos de volta às paradas de sucesso, ainda me faz esquecer tudo. No trabalho, preciso anotar tudo, e outro dia enviei um documento para a pessoa que havia acabado de me mandar o envelope. Se eu trabalhasse nos Correios, isso equivaleria a enviar a carta ao remetente, e não ao destinatário. Também tenho ficado lenta, no melhor estilo 486, e tarefas simples demandam um esforço mental e um tempo de planejamento enormes. E para completar a alegria, a progesterona tem me feito dormir pesado, e então eu chego atrasada todos os dias, e esqueço carteira em casa, esqueço que comprei um produto pela internet e fico muito surpresa quando ele chega na minha portaria, esqueço que marquei compromissos sociais e esqueço tudo o que não tem a ver com meu filho.
É um hormônio muito doido e com frequência bem incômodo, mas ao qual tenho sido muito grata. É que nessa vida louca e estressante de múltipla jornada que levamos, é graças à progesterona que me lembro de que preciso prestar atenção ao meu umbigo (e ao que vai por debaixo dele, principalmente) e também é preciso ir com mais vagar e cuidado, não porque haja algum problema, mas porque tudo o que é delicado e sensível merece um carinho a mais.
Agora, minha gente, falta pouco! O contador ali embaixo marca 36 semanas, e a partir de sábado meu filhote não é mais prematuro!
Torçam comigo!
=)
terça-feira, 1 de maio de 2012
Ser grávida é...
... usar uma calça vermelha, ir fazer xixi e ficar apavorada com o vermelho que sai no papel higiênico. Ao perceber que se trata de tinta da calça nova, fica feliz, em vez de xingar muito no twitter a confecção, porque não se trata de trabalho de parto prematuro.
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