Fechamos um ciclo. Mais um. Os primeiros foram três: os trimestres da gestação. Depois veio o ciclo do trabalho de parto, que começou antes do dia do parto, com o aninhar e preparar a casa para seu novo habitante. Então veio o parto, com força, doloroso, intenso, arrebatador, inesquecível. E nasceu. Ou melhor, nascemos. Três: pai, mãe e filho. Ok, quatro: pai, mãe, filho e cachorro, que também precisou se adaptar àquele serzinho que chorava e roubava a atenção dos humanos da casa.
O primeiro mês foi uma loucura! Me entreguei por completo à tarefa de conhecer meu filhote. Sofri todas as dores da amamentação, do baby blues e a palavra de ordem, certamente, foi superação. Superar o medo que dá de não conseguir dar conta, de não conseguir viver novamente. Superar limites e estabelecer outros que precisam ser bem claros: do meu filho, cuido EU! Minha cria, meu filhote, meu.
O segundo mês foi um sufoco! Rotina do bebê estabelecida, era preciso entender meu novo lugar no mundo, criar uma nova rotina para mim, para o pai, para o cachorro. E sufoco foi ainda amamentar com dor, com sangue, com lágrimas, com intensidade. A palavra de ordem foi adaptação. Porque as coisas começaram a se estabelecer e não havia mais tanta necessidade de se matar um leão por dia, de se provar que seria possível.
O terceiro mês, então, fecha mais um ciclo. Dizem que é o fim da gestação propriamente dita, e que a partir de agora tenho um bebê, não mais um recém-nascido. Com isso, digo que foi tão bom viver essa loucura dos primeiros meses e ir conhecendo aos pouquinhos esse serzinho tão perfeitinho, lindo e cativante que é meu filho, que, com certeza absoluta, o mês se expressa bem na palavra fascinação. Arthur se desenvolve e me surpreende cada vez mais, com o tanto de amor que desperta em mim (e com o tanto de tralha que já acumula: cadeirinha de carro/bebê conforto, carrinho, balancinho, brinquedinhos, banheira, berço, roupinhas... e ele tem apenas 60 cm!!!). Ainda bem que ele veio, do jeitinho que é, do jeitinho que chegou e como tudo, cada segundo se desenrolou, porque assim eu pude me descobrir a mãe que hoje sou. Longe de ser perfeita, mas certamente querendo ser melhor, cada vez mais, para poder saber mostrar a meu filho como trilhar seu caminho com segurança, respeito ao próximo e a si mesmo, leveza de espírito, fé, saúde e determinação.
Espero que nos próximos ciclos que eu, marido e filhote fecharemos tudo corra bem e que consigamos crescer no amor, na alegria, na paz e também, porque faz parte da vida, nas adversidades que aparecerem.
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segunda-feira, 17 de setembro de 2012
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Coisas que ♥ no meu filhote
Arthur faz umas coisas muito fofas, que eu amo muito, muito, muito e que, junto com outras, me ajudam a conhecer cada vez mais sua personalidade. Tipo?
♥ O espirro falso - uma das coisas mais deliciosas, cuti-cutis, fanfarronas e engraçadas que meu filho faz é dar um espirro falso. Ele abre a boquinha, deixa os olhinhos semi-cerrados, se concentra para espirrar, mas o espirro falha e ele faz "atchim", rindo escandalosamente (sem som, of course) depois.
♥ Ri para quase todo mundo - eu amo gente simpática e bem-humorada, e Arthur é bebê dado. Ri para as pessoas na rua, no elevador, ri no meio de um choro ou reclamação, ri SEMPRE para mim. Ri, ri, ri, ri. Desde os vinte dias de vida!
♥ Suspiros e respiros - amo os barulhinhos, suspiros e ronronadas que ele dá enquanto mama. Tipo: "ai, era exatamente isso que eu queria, mamãe!"
♥ Mamar ainda que não haja peitinho - Arthur é bom mamador. Gosta da coisa e se empenha cada vez mais em mamar bem (está ficando cheeeeio de dobrinhas!). Então, quando ele dorme no meio da mamada e acaba soltando o seio, ele continua a fazer o movimento de sugar, com a boquinha aberta, mamando um peitinho inexistente. Tão fofo!
♥ Preciso me espreguiçaaaaaaaaaaaaaar - filhote adora se espreguiçar. Às vezes, no meio da mamada, do chamego ou da brincadeira ele para, levanta os bracinhos e se estiiiica, com uma carinha deliciosa de "aaaaaaaaaahhhh!".
♥ "Esse peitinho é meu!" - me derrete quando ele, ao terminar de mamar, faz questão de continuar deitado em cima do meu seio e pousa a mãozinha ao lado do rosto, como quem diz: "esse peitinho aqui, ó, é meu!"
♥ Beicinho - sério, até na hora de chorar Arthur é uma coisa! Olha no fundo dos nossos olhos, vai espichando o beicinho, faz cara de magoado e... nhéééé.
♥ Pezinhos em mim - no meio da madrugada, nós dois deitados, eu ofereço o seio e ele só sossega quando, deitado de lado, virado de frente para mim, consegue colocar seus pezinhos em contato com meu corpo.
♥ "Eu espero, mamãe" - sou meio enrolada por natureza, e com essa coisa de amamentar com dor e dificuldade nem sempre sou rápida no gatilho na hora de sacar as peitolas. Arthur, mesmo esfomeado, irritado ou ansioso, para de chorar e me espera.
Ai, filho, como eu te amo!
♥ O espirro falso - uma das coisas mais deliciosas, cuti-cutis, fanfarronas e engraçadas que meu filho faz é dar um espirro falso. Ele abre a boquinha, deixa os olhinhos semi-cerrados, se concentra para espirrar, mas o espirro falha e ele faz "atchim", rindo escandalosamente (sem som, of course) depois.
♥ Ri para quase todo mundo - eu amo gente simpática e bem-humorada, e Arthur é bebê dado. Ri para as pessoas na rua, no elevador, ri no meio de um choro ou reclamação, ri SEMPRE para mim. Ri, ri, ri, ri. Desde os vinte dias de vida!
♥ Suspiros e respiros - amo os barulhinhos, suspiros e ronronadas que ele dá enquanto mama. Tipo: "ai, era exatamente isso que eu queria, mamãe!"
♥ Mamar ainda que não haja peitinho - Arthur é bom mamador. Gosta da coisa e se empenha cada vez mais em mamar bem (está ficando cheeeeio de dobrinhas!). Então, quando ele dorme no meio da mamada e acaba soltando o seio, ele continua a fazer o movimento de sugar, com a boquinha aberta, mamando um peitinho inexistente. Tão fofo!
♥ Preciso me espreguiçaaaaaaaaaaaaaar - filhote adora se espreguiçar. Às vezes, no meio da mamada, do chamego ou da brincadeira ele para, levanta os bracinhos e se estiiiica, com uma carinha deliciosa de "aaaaaaaaaahhhh!".
♥ "Esse peitinho é meu!" - me derrete quando ele, ao terminar de mamar, faz questão de continuar deitado em cima do meu seio e pousa a mãozinha ao lado do rosto, como quem diz: "esse peitinho aqui, ó, é meu!"
♥ Beicinho - sério, até na hora de chorar Arthur é uma coisa! Olha no fundo dos nossos olhos, vai espichando o beicinho, faz cara de magoado e... nhéééé.
♥ Pezinhos em mim - no meio da madrugada, nós dois deitados, eu ofereço o seio e ele só sossega quando, deitado de lado, virado de frente para mim, consegue colocar seus pezinhos em contato com meu corpo.
♥ "Eu espero, mamãe" - sou meio enrolada por natureza, e com essa coisa de amamentar com dor e dificuldade nem sempre sou rápida no gatilho na hora de sacar as peitolas. Arthur, mesmo esfomeado, irritado ou ansioso, para de chorar e me espera.
Ai, filho, como eu te amo!
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Ninguém me contou
Sabem, antes de engravidar e já grávida eu li uma penca de coisas sobre parto e puerpério, no entanto algumas coisinhas me pegaram desprevinida porque nunca são mencionadas ou lembradas (ou eu que passei batido por essas informações). Daí que eu fiquei bobinha com isso aqui, ó:
Seu umbigo não volta ao lugar tão cedo - Arthur vai perto da madura idade de 3 meses e meu umbigo ainda parece um celeiro, onde eu poderia estocar comida caso houvesse uma guerra ou uma grande estiagem no Rio de Janeiro.
Sua barriga faz bronzeamento artificial - a única explicação que posso dar para esse tom romã em minha pança é que ela ganha vida própria enquanto eu durmo, levanta e vai fazer um brozeamento artificial. Eu, pálida, estou com uma barriga (flácida) morena. Ah, e a linha negra continua aqui, firme e forte.
Você vai sentir muita sede, ok. Mas também vai ter uma fome infindável - só penso em comida. Até cozinho, minha gente! Tudo o que faço é pensando no que posso ou quero comer. Comida, comida, comida.
Seus peitos vão doer no supermercado - você está felizona porque conseguiu sair de casa sem o piercing de mamilo (também conhecido como seu filho) e se encontra no mercadinho ou no supermercado perto de casa, meio descabelada e mal-ajambrada, mas toda prosa porque as pessoas olham para VOCÊ (mesmo que seja em reprovação ao seu look ou ar de cansada). Daí você pensa: "acabou a manteiga." Amiga, se você amamenta, não compre laticínios, congelados, sorvetes ou produtos resfriados porque seus mamilos irão reagir ao frio e doerão pacas! Tenho dito.
Você pode até voltar ao seu manequim de antes de engravidar, mas não voltará tão cedo às suas roupas - lembram da calça que eu comprei já grávida, na promoção? Eu entro nela desde 20 dias depois do parto. Mas como o Brasil não é país que aceita muito bem o topless, ela está aposentada no guarda-roupa, pois preciso de roupas brestfeeding friendly. Ou seja, transpassados, botões na frente, alcinhas facilmente removíveis: tudo que eu, outrora portadora de seios pequenos e adepta de poucos decotes e de nada de camisa social, não tenho. Então você, amiga gestante, que ainda não tem barriga, saia agora da frente do computador e vá escolher uns modelitos que lhe permitam amamentar. Ou sofra, como eu, da síndrome do armário da Mônica (se bem que com a fome que sinto, tô mais para Magali, né?) e sua roupa sempre igual, não importa a situação social.
Depile-se, se grávida; chore, se peluda e parida - se você está na reta final da gravidez, mesmo que com 43 semanas, tampão saindo e contrações de 5 em 5 minutos, DEPILE-SE! Sabe quando você vai conseguir ir ao salão novamente? Bom, se souber quando, me avise, por favor.
Não posso, mas quero taaaanto - sabe aquela máxima de que tudo que é proibido é mais gostoso? Pois é... Não bebo, mas olho com água na boca para os vinhos, licores e cervejas que mantemos em casa. Hoje, tomei sorvete de café da manhã (com calda de caramelo e farofa de amendoim!!!).
Você vai sofrer de crise de labirintite se não se policiar - porque você VAI balançar um bebê imaginário (mesmo a muitos metros de distância de seu rebento) sempre que estiver parada e VAI embalar o carrinho de supermercado e segurar com muito cuidado (apoiando "cabecinha e coluninha") o saco de arroz Tio João. Seu marido também sofrerá deste mal.
Estoque desodorante - nunca se sabe quando você conseguirá tomar banho e um bom desodorante ajuda a manter uma semi-dignidade.
Sua pele ficará estranha - bom, a minha, pelo menos, ficou. Uma textura diferente, uma cor diferente, sei lá. Vou até no dermatologista em breve.
Você vai desenvolver bipolaridade - ou seja, vai acordar de madrugada, naquele mau-humor dos infernos, cuspindo marimbondos, xingando a quinta geração do fabricante da fralda que vazou, mas sorrirá e se derreterá, num claro ataque de bipolaridade, assim que seu filho sorrir para você (mas é bem provável que você retome sua ira mortal contra a humanidade quando o vizinho bater a porta do elevador no meio da madrugada, quando o bebê acabou de pegar no sono).
E vocês, o que viveram no pós-parto que ninguém contou?
Seu umbigo não volta ao lugar tão cedo - Arthur vai perto da madura idade de 3 meses e meu umbigo ainda parece um celeiro, onde eu poderia estocar comida caso houvesse uma guerra ou uma grande estiagem no Rio de Janeiro.
Sua barriga faz bronzeamento artificial - a única explicação que posso dar para esse tom romã em minha pança é que ela ganha vida própria enquanto eu durmo, levanta e vai fazer um brozeamento artificial. Eu, pálida, estou com uma barriga (flácida) morena. Ah, e a linha negra continua aqui, firme e forte.
Você vai sentir muita sede, ok. Mas também vai ter uma fome infindável - só penso em comida. Até cozinho, minha gente! Tudo o que faço é pensando no que posso ou quero comer. Comida, comida, comida.
Seus peitos vão doer no supermercado - você está felizona porque conseguiu sair de casa sem o piercing de mamilo (também conhecido como seu filho) e se encontra no mercadinho ou no supermercado perto de casa, meio descabelada e mal-ajambrada, mas toda prosa porque as pessoas olham para VOCÊ (mesmo que seja em reprovação ao seu look ou ar de cansada). Daí você pensa: "acabou a manteiga." Amiga, se você amamenta, não compre laticínios, congelados, sorvetes ou produtos resfriados porque seus mamilos irão reagir ao frio e doerão pacas! Tenho dito.
Você pode até voltar ao seu manequim de antes de engravidar, mas não voltará tão cedo às suas roupas - lembram da calça que eu comprei já grávida, na promoção? Eu entro nela desde 20 dias depois do parto. Mas como o Brasil não é país que aceita muito bem o topless, ela está aposentada no guarda-roupa, pois preciso de roupas brestfeeding friendly. Ou seja, transpassados, botões na frente, alcinhas facilmente removíveis: tudo que eu, outrora portadora de seios pequenos e adepta de poucos decotes e de nada de camisa social, não tenho. Então você, amiga gestante, que ainda não tem barriga, saia agora da frente do computador e vá escolher uns modelitos que lhe permitam amamentar. Ou sofra, como eu, da síndrome do armário da Mônica (se bem que com a fome que sinto, tô mais para Magali, né?) e sua roupa sempre igual, não importa a situação social.
Depile-se, se grávida; chore, se peluda e parida - se você está na reta final da gravidez, mesmo que com 43 semanas, tampão saindo e contrações de 5 em 5 minutos, DEPILE-SE! Sabe quando você vai conseguir ir ao salão novamente? Bom, se souber quando, me avise, por favor.
Não posso, mas quero taaaanto - sabe aquela máxima de que tudo que é proibido é mais gostoso? Pois é... Não bebo, mas olho com água na boca para os vinhos, licores e cervejas que mantemos em casa. Hoje, tomei sorvete de café da manhã (com calda de caramelo e farofa de amendoim!!!).
Você vai sofrer de crise de labirintite se não se policiar - porque você VAI balançar um bebê imaginário (mesmo a muitos metros de distância de seu rebento) sempre que estiver parada e VAI embalar o carrinho de supermercado e segurar com muito cuidado (apoiando "cabecinha e coluninha") o saco de arroz Tio João. Seu marido também sofrerá deste mal.
Estoque desodorante - nunca se sabe quando você conseguirá tomar banho e um bom desodorante ajuda a manter uma semi-dignidade.
Sua pele ficará estranha - bom, a minha, pelo menos, ficou. Uma textura diferente, uma cor diferente, sei lá. Vou até no dermatologista em breve.
Você vai desenvolver bipolaridade - ou seja, vai acordar de madrugada, naquele mau-humor dos infernos, cuspindo marimbondos, xingando a quinta geração do fabricante da fralda que vazou, mas sorrirá e se derreterá, num claro ataque de bipolaridade, assim que seu filho sorrir para você (mas é bem provável que você retome sua ira mortal contra a humanidade quando o vizinho bater a porta do elevador no meio da madrugada, quando o bebê acabou de pegar no sono).
E vocês, o que viveram no pós-parto que ninguém contou?
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
A insone que vos escreve
Sempre fui chegada numa insônia, mas achei que com um recém-nascido em casa isso não me pertencesse mais (assim como uma barriga plana, uns peitos sem dor e uma pele sem estrias). Aham, Cláudia, senta lá.
O fato é que eu tenho sofrido de insônia. E das das boas, minha gente: deita na cama, soninho gostoso, se enrosca nas cobertas e toca a rolar de um lado para o outro, como bife sendo empanado. Enquanto isso, marido dorme a sono solto e o recém-nascido chega a ressonar. E você lá, se esbaldando na farinha de rosca da ansiedade. A conta que não pagou, o bebê que dorme há quatro horas e já, já vai acordar, a obrigação de relaxar e parar de pensar para conseguir dormir.
Anteontem, fiquei acordada, matutando sobre a vida, de 2 às 6h30 da manhã. E Arthur dormiiiiiiiia. E marido sonhava. E até o cachorro se refestelava nos braços de Morfeu. Resultado? Míseras 4 horinhas de sono no dia.
Tá, beleza, pensam vocês, mas o que tem isso de especial para ser digno de nota aqui? Ahhhh, é que desconfio que minha insônia tem vida própria e o cruel objetivo de me lascar. Tudo porque escolhe a dedo quando aparecer.
Durante a gravidez tive muita insônia, o que, com a ajuda da progesterona, me fazia rastejar até o trabalho e esquecer o que estava fazendo (ou como fazer) mesmo que, por exemplo, um garfo cheio pairasse em suspensão diante dos meus olhos (estou almoçando? o que faz este garfo diante de mim? como faz para mastigar mesmo?). Mas a insônia matadora mesmo foi a que tive na madrugada que teve início meu trabalho de parto. Uma beleza, não? Com isso, passei por todo o processo sem dormir (e sem comer!). Quando Arthur finalmente estava em meus braços, estava exausta por ter passado a madrugada em claro muito mais que pelo esforço do parto em si.
E aí, a sacanada minha insônia, que desde então tinha me deixado em paz, voltou anteontem. E aí que ontem vacinamos o moleque: uma furada em cada perna e um líquido na boca. Quem acha que filhote teve reação e chorou muitão e teve febrão levanta a mão. Quem acha que meu instinto materno é meio sabotador e fanfarrão levanta a mão. Quem acha que eu só dormirei na próxima encarnação levanta a mão. (Já entederam porque não consigo retomar o educado hábito de responder aos comentários, né? Se fiquei te devendo uma resposta, uma visita, um alô, deixe seu recado após o bipe, aqui nos comentários, tá?)
O fato é que eu tenho sofrido de insônia. E das das boas, minha gente: deita na cama, soninho gostoso, se enrosca nas cobertas e toca a rolar de um lado para o outro, como bife sendo empanado. Enquanto isso, marido dorme a sono solto e o recém-nascido chega a ressonar. E você lá, se esbaldando na farinha de rosca da ansiedade. A conta que não pagou, o bebê que dorme há quatro horas e já, já vai acordar, a obrigação de relaxar e parar de pensar para conseguir dormir.
Anteontem, fiquei acordada, matutando sobre a vida, de 2 às 6h30 da manhã. E Arthur dormiiiiiiiia. E marido sonhava. E até o cachorro se refestelava nos braços de Morfeu. Resultado? Míseras 4 horinhas de sono no dia.
Tá, beleza, pensam vocês, mas o que tem isso de especial para ser digno de nota aqui? Ahhhh, é que desconfio que minha insônia tem vida própria e o cruel objetivo de me lascar. Tudo porque escolhe a dedo quando aparecer.
Durante a gravidez tive muita insônia, o que, com a ajuda da progesterona, me fazia rastejar até o trabalho e esquecer o que estava fazendo (ou como fazer) mesmo que, por exemplo, um garfo cheio pairasse em suspensão diante dos meus olhos (estou almoçando? o que faz este garfo diante de mim? como faz para mastigar mesmo?). Mas a insônia matadora mesmo foi a que tive na madrugada que teve início meu trabalho de parto. Uma beleza, não? Com isso, passei por todo o processo sem dormir (e sem comer!). Quando Arthur finalmente estava em meus braços, estava exausta por ter passado a madrugada em claro muito mais que pelo esforço do parto em si.
E aí, a sacanada minha insônia, que desde então tinha me deixado em paz, voltou anteontem. E aí que ontem vacinamos o moleque: uma furada em cada perna e um líquido na boca. Quem acha que filhote teve reação e chorou muitão e teve febrão levanta a mão. Quem acha que meu instinto materno é meio sabotador e fanfarrão levanta a mão. Quem acha que eu só dormirei na próxima encarnação levanta a mão. (Já entederam porque não consigo retomar o educado hábito de responder aos comentários, né? Se fiquei te devendo uma resposta, uma visita, um alô, deixe seu recado após o bipe, aqui nos comentários, tá?)
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
As alegrias do puerpério
Arthur completou dois meses e não sou mais uma puérpera, dizem. E sei que muitas vezes fui sarcástica ou irônica quanto aos acontecimentos deste período, mas isso não significa que eu não tenha tido boas vivências ao longo do processo de conhecimento do meu filho.
Acho importante frisar que, para mim, o mais importante e bacana desses dois meses de Arthur na minha vida foi conhecer essa pessoinha fofa, doce e risonha que saiu da minha barriga.
Durante a gravidez, não tive muito essa coisa que leio por aí de sacar a personalidade do bebê a partir da sua movimentação e dos seus hábitos intra-uterinos. Na verdade, por mais que sentisse meu filho se mexer dentro de mim, muitas e muitas vezes me pegava pensando, pasma: "nossa, tem um bebê dentro de mim! Que coisa mais louca!" E achando muito doido (e lindo) esse troço de gestar, supunha que seria mais prudente não criar muitas expectativas quanto ao ser que nasceria de mim, pois quanto mais a gente pensa e sonha e projeta, mais corre o risco de se frustrar com a realidade. Não porque ela não seja boa, não. Mas porque ela é diferente. E a diferença, na maioria das vezes, assusta no primeiro olhar.
Então que eu ia gestando do meu jeito: cuidando, amando, questionando, observando, mas procurando não rotular ou projetar algo em meu filho.
Dentro da barriga Arthur era um gentleman: nada de movimentos bruscos, chutes fortes ou empurrões vigorosos. Brincava que ele fazia ioga dentro de mim, pois ele parecia estar buscando espaços dentro de mim e dentro dele. Hoje, fora da barriga, sou muito grata a meu filho por ele continuar, de certo modo, a ser o bebê iogue da gestação e abrir, a cada dia, todos os dias, espaços para mim em sua vida.
Perceber que meu filho me permitia conhecê-lo, porém, não foi algo que se deu de imediato. Levou tempo, exigiu paciência de ambas as partes (ou melhor dizendo, de "tribas" as partes, já que marido também participa, né?) e foi preciso muita dedicação.
Claro que não vou ser ingênua de achar que em dois meses esgotei o meu filho, no que diz respeito ao conhecimento de sua personalidade. No entanto, posso afirmar com total segurança que, hoje, dois meses depois de tê-lo parido, entendo melhor algumas de suas demandas e sei que ele também compreende algumas de minhas necessidades.
E que delícia foi e é esse processo de reconhecimento! Fora as noites insones e os momentos de desespero, sobretudo os do período de baby blues, a coisa foi divertida e repleta de afetividade e boas surpresas!
Sou uma mulher privilegiadíssima porque tive um bebê saudável e eu estou saudável. Quantas e quantas mães não têm essa minha felicidade, de levar o bebê para casa logo após o parto e poder curti-lo, grudadinho consigo, o tempo todo (até mesmo nas horas em que se quer fazer xixi ou dormir, é verdade). Também sei que minha licença-maternidade é algo por que devo ser muito grata, pois me dá tempo para que eu possa me dedicar exclusivamente a meu filho. Tenho consciência de que cada dia que passo com ele pendurado em meu peito, em livre demanda, é importantíssimo e será relembrado com saudade quando eu voltar a trabalhar. Eu sou feliz com meu bebê nos braços e sei disso. Não posso deixar de festejar ainda a alegria com que meu filho foi recebido em todos os lugares, e como tem sido mágico ser mãe, ser responsável por nutrir e fazer crescer (em todos os sentidos) uma pessoinha. E que pessoinha! Não é por ser meu filho, não, mas Arthur é uma coisa! Lindo, risonho (riu com 20 dias pela primeira vez e não parou mais! Agora, ri para quase todo mundo, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê), ficando cheio de dobrinhas gostosas e difíceis de serem secadas depois do banho, doce. Um sonho de menino. Ainda um gentleman, ainda um iogue, ainda meu bebê, com tanto ainda por descobrirmos juntos.
Por isso, apesar do tom de ironia e sarcasmo, preciso deixar registrado, e de maneira bem clara, que foi uma delícia viver intensamente a maternidade do primeiro (louco e exaustivo) e do segundo (mais calmo) meses. Ter Arthur nos braços e poder me dedicar 100% a ele foi e é uma das melhores experiências da minha vida!
Acho importante frisar que, para mim, o mais importante e bacana desses dois meses de Arthur na minha vida foi conhecer essa pessoinha fofa, doce e risonha que saiu da minha barriga.
Durante a gravidez, não tive muito essa coisa que leio por aí de sacar a personalidade do bebê a partir da sua movimentação e dos seus hábitos intra-uterinos. Na verdade, por mais que sentisse meu filho se mexer dentro de mim, muitas e muitas vezes me pegava pensando, pasma: "nossa, tem um bebê dentro de mim! Que coisa mais louca!" E achando muito doido (e lindo) esse troço de gestar, supunha que seria mais prudente não criar muitas expectativas quanto ao ser que nasceria de mim, pois quanto mais a gente pensa e sonha e projeta, mais corre o risco de se frustrar com a realidade. Não porque ela não seja boa, não. Mas porque ela é diferente. E a diferença, na maioria das vezes, assusta no primeiro olhar.
Então que eu ia gestando do meu jeito: cuidando, amando, questionando, observando, mas procurando não rotular ou projetar algo em meu filho.
Dentro da barriga Arthur era um gentleman: nada de movimentos bruscos, chutes fortes ou empurrões vigorosos. Brincava que ele fazia ioga dentro de mim, pois ele parecia estar buscando espaços dentro de mim e dentro dele. Hoje, fora da barriga, sou muito grata a meu filho por ele continuar, de certo modo, a ser o bebê iogue da gestação e abrir, a cada dia, todos os dias, espaços para mim em sua vida.
Perceber que meu filho me permitia conhecê-lo, porém, não foi algo que se deu de imediato. Levou tempo, exigiu paciência de ambas as partes (ou melhor dizendo, de "tribas" as partes, já que marido também participa, né?) e foi preciso muita dedicação.
Claro que não vou ser ingênua de achar que em dois meses esgotei o meu filho, no que diz respeito ao conhecimento de sua personalidade. No entanto, posso afirmar com total segurança que, hoje, dois meses depois de tê-lo parido, entendo melhor algumas de suas demandas e sei que ele também compreende algumas de minhas necessidades.
E que delícia foi e é esse processo de reconhecimento! Fora as noites insones e os momentos de desespero, sobretudo os do período de baby blues, a coisa foi divertida e repleta de afetividade e boas surpresas!
Sou uma mulher privilegiadíssima porque tive um bebê saudável e eu estou saudável. Quantas e quantas mães não têm essa minha felicidade, de levar o bebê para casa logo após o parto e poder curti-lo, grudadinho consigo, o tempo todo (até mesmo nas horas em que se quer fazer xixi ou dormir, é verdade). Também sei que minha licença-maternidade é algo por que devo ser muito grata, pois me dá tempo para que eu possa me dedicar exclusivamente a meu filho. Tenho consciência de que cada dia que passo com ele pendurado em meu peito, em livre demanda, é importantíssimo e será relembrado com saudade quando eu voltar a trabalhar. Eu sou feliz com meu bebê nos braços e sei disso. Não posso deixar de festejar ainda a alegria com que meu filho foi recebido em todos os lugares, e como tem sido mágico ser mãe, ser responsável por nutrir e fazer crescer (em todos os sentidos) uma pessoinha. E que pessoinha! Não é por ser meu filho, não, mas Arthur é uma coisa! Lindo, risonho (riu com 20 dias pela primeira vez e não parou mais! Agora, ri para quase todo mundo, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê), ficando cheio de dobrinhas gostosas e difíceis de serem secadas depois do banho, doce. Um sonho de menino. Ainda um gentleman, ainda um iogue, ainda meu bebê, com tanto ainda por descobrirmos juntos.
Por isso, apesar do tom de ironia e sarcasmo, preciso deixar registrado, e de maneira bem clara, que foi uma delícia viver intensamente a maternidade do primeiro (louco e exaustivo) e do segundo (mais calmo) meses. Ter Arthur nos braços e poder me dedicar 100% a ele foi e é uma das melhores experiências da minha vida!
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