Confesso: sou uma jovem senhora neandertal da maternidade.
Quando comecei a frequentar este mundinho fascinante, ainda se usava bate-papo UOL e Yahoo Groups. Lembro até hoje do dia em que uma das moças modernosas e ligadas em tecnologia do grupo de discussão do qual eu fazia parte perguntou quem queria convite para o Orkut. Gente: con-vi-te para o Orkut!
Depois disso veio o próprio Orkut, com umas discussões bem chinfrins nas comunidades, os blogs e, por fim, descobri o Baby Center e o Family alguma coisa (esqueci o nome). Passava hooooooras na internet lendo e conversando com pessoas dentro de um esquema misto de sala de bate-papo UOL com Yahoo Groups e me sentia super na crista da onda (expressão, inclusive, que denuncia o quanto estou por dentro das modas, neam?).
Os blogs de outrora já não existem mais: "João, o astronauta", "Piscar de olhos", "Pequeno guia prático para mães sem prática", "Pequena que pariu" (né, dona Lilian?), entre outros. Poucos daquela época continuam até hoje, destaco o "Carol e suas baby bobeiras" e o "Potencial gestante". Daí que quando eu pensei no segundinho, no século passado, voltei para essas plataformas tipo Baby Center e Family-sei-lá-o-quê e vi que tudo estava meio esvaziado, as pessoas já não postavam com tanta avidez, passei a me perguntar onde estariam as tentantes malucas e ansiosas? Será que nossa raça evoluiu e elas não mais se descabelam? Recorri ao Facebook, mas aí é terreno complicado, porque os grupos secretos são, dããã, secretos e eu não os encontro; os grupos não secretos são meio terra de ninguém, com comentários ácidos e bate-bocas homéricos, fora que basta apertar aquele botão "participar" e realmente participar a todos de sua timeline que você está ingressando em um grupo chamado "Malucas por um segundinho" ou "Desesperadas da ovulação" e coisas do naipe. A blogosfera já não me parece mais aquela de outrora, onde a cada dia eu descobria um novo blog suuuuuper interessante, cheio de histórias e postagens divertidas.
Eu, então, uma neandertal e tal da maternidade em rede, pergunto-vos: ó, novas blogueiras que tive a sorte de achar e que se comunicam com a minha pessoa, onde está a mina das conversas neuróticas das mães e tentantes?
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segunda-feira, 30 de maio de 2016
quarta-feira, 12 de março de 2014
Hiato
Eu mirava a minha imagem refletida quando notei que o que eu estava usando não caía muito bem. Faltava um pouco ali, sobrava um tanto acolá. E então, vendo além do meu próprio rosto, fitando o cursor piscando ritmadamente na tela, entendi que era hora de parar.
Não caibo mais aqui. Sobra e falta ao mesmo tempo uma porção de coisas que deveriam estar na medida.
Volto? Muito provavelmente. Mas por ora a decisão é pela pausa. Necessária e fundamental para ajustar medidas.
Continuarei lendo (muito) e comentando (pouco). Respirando sempre.
Obrigada pelas trocas feitas aqui.
Não caibo mais aqui. Sobra e falta ao mesmo tempo uma porção de coisas que deveriam estar na medida.
Volto? Muito provavelmente. Mas por ora a decisão é pela pausa. Necessária e fundamental para ajustar medidas.
Continuarei lendo (muito) e comentando (pouco). Respirando sempre.
Obrigada pelas trocas feitas aqui.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Mãe não é tudo igual
Nenhum discurso é neutro. Não se iluda: cada palavra proferida carrega uma ordem, uma visão de mundo, um recorte e valores. Podemos até escolher nossas frases e falas de maneira inconsciente, mas isso não quer dizer que elas sejam neutras ou descompromissadas com um viés político. Mesmo que você odeie política, seu discurso é quase uma entidade autônoma, anunciando com doze mil megafones o seu posicionamento político frente ao mundo.
Dito isto, preciso comentar os cartazes que andaram bombando na internet por esses dias.
Se você não sabe do que estou falando, não vou colocar um link, porque isso faria com que os tais cartazes tivessem ainda mais visualizações, do que, sinceramente, nosso mundo não precisa.
Pois bem, a primeira vez que vi foi quando uma amiga de Facebook postou o link, rindo-se horrores das falas sempre repetidas das mães. Depois veio outra. E mais outra. Todas com ensino superior completo, duas com mestrado até.
Depois a coisa se espalhou num crescente tedioso (todo viral é meio tedioso, já que você vê a mesma postagem umas doze vezes no dia). E todo mundo rindo, achando graça, compartilhando com as mãaes: olha aí, progenitora, o que você me falava!
Pois eu digo que eu achei terrível!
Além de feios, os cartazes servem a um propósito absolutamente apavorante e, de quebra, testemunham como as diretrizes da educação na minha realidade (classe média carioca, zona sul maravilha) não poderiam, como de fato não o fizeram, construir seres humanos mais humanos, engajados, críticos e empáticos.
O hedonismo da coisa começa na estética. O projeto é a esteticização de frases que ouvimos (sim, eu ouvi) das nossas mães. Quando você torna a coisa estética, você insere ela em outros valores. Então, além das palavras, temos nos tais cartazes o discurso reforçado pelos elementos visuais, que, em consonância com os padrões vigentes, nos dizem: olhem, tudo o que nos é dito pelas mães é uma regra, um mandamento lindo e maravilhoso de se ter como referência. Sim, porque é nisso que as tais imagens se constróem, referências. Quando se quiser, a partir de agora, reproduzir os discursos maternos ali estampados, a preferência vai ser pelos cartazes, porque além de estéticos (e afinados, como disse, com a estética vigente), eles são práticos, e se espalham com o simples clique num botão.
Aliás, o botão compartilhar do Facebook merecia um post a parte, mas vou poupar os meus parcos leitores dessa ladainha crítica e continuar com a digressão sobre os tais cartazes (ciente de que não se trata, porém, de menos ladainha crítica. Mas aqui o espaço é democrático e fica quem quer ler).
As peças são, ao mesmo tempo, chocantes, tristes e curiosos. Curiosos porque desde a essência captam valores embrenhados na nossa cultura. Poderiam ser oito, ou quinze, mas são dez, como os mandamentos da religião mais seguida (ainda é?) no Brasil. Eis, então, que isso já sacraliza o discurso, o que se confirma, ainda, com o fato de serem falas maternas, e não parentais. Ou seja, reforça-se o estereótipo da mãe como figura sagrada, indelével e perfeita. E isso, minha gente, esmaga o feminino, achatando-o numa categoria plana (mães são todas iguais), estanque (ai daquela que ousar sair do padrão!) e machista. Mãe, dez mandamentos e falas sacralizadas. A coisa está ficando feia, e você aí ainda rindo no Facebook.
Mas como eu disse, os cartazes não são apenas curiosos, também são tristes e chocantes. Tristes porque a esteticização da disciplina autoritária serve para reforçar o modelo, e para fazer deles leves e aceitáveis, do tipo que se pendurados na parede da sala não fariam feio com as visitas. E como modelos, referenciam e, pior, não questionam a ordem vigente. São, portanto, retrógrados. E são ainda chocantes, pois denunciam que tanta gente foi criada nessa disciplina opressora, arrogante, sacralizante e agressiva (engole o choro???) e, de quebra, acabaram por me mostrar como tanta gente inteligente do meu Facebook postou sem questionar a mensagem por trás da brincadeira.
Dito isto, preciso comentar os cartazes que andaram bombando na internet por esses dias.
Se você não sabe do que estou falando, não vou colocar um link, porque isso faria com que os tais cartazes tivessem ainda mais visualizações, do que, sinceramente, nosso mundo não precisa.
Pois bem, a primeira vez que vi foi quando uma amiga de Facebook postou o link, rindo-se horrores das falas sempre repetidas das mães. Depois veio outra. E mais outra. Todas com ensino superior completo, duas com mestrado até.
Depois a coisa se espalhou num crescente tedioso (todo viral é meio tedioso, já que você vê a mesma postagem umas doze vezes no dia). E todo mundo rindo, achando graça, compartilhando com as mãaes: olha aí, progenitora, o que você me falava!
Pois eu digo que eu achei terrível!
Além de feios, os cartazes servem a um propósito absolutamente apavorante e, de quebra, testemunham como as diretrizes da educação na minha realidade (classe média carioca, zona sul maravilha) não poderiam, como de fato não o fizeram, construir seres humanos mais humanos, engajados, críticos e empáticos.
O hedonismo da coisa começa na estética. O projeto é a esteticização de frases que ouvimos (sim, eu ouvi) das nossas mães. Quando você torna a coisa estética, você insere ela em outros valores. Então, além das palavras, temos nos tais cartazes o discurso reforçado pelos elementos visuais, que, em consonância com os padrões vigentes, nos dizem: olhem, tudo o que nos é dito pelas mães é uma regra, um mandamento lindo e maravilhoso de se ter como referência. Sim, porque é nisso que as tais imagens se constróem, referências. Quando se quiser, a partir de agora, reproduzir os discursos maternos ali estampados, a preferência vai ser pelos cartazes, porque além de estéticos (e afinados, como disse, com a estética vigente), eles são práticos, e se espalham com o simples clique num botão.
Aliás, o botão compartilhar do Facebook merecia um post a parte, mas vou poupar os meus parcos leitores dessa ladainha crítica e continuar com a digressão sobre os tais cartazes (ciente de que não se trata, porém, de menos ladainha crítica. Mas aqui o espaço é democrático e fica quem quer ler).
As peças são, ao mesmo tempo, chocantes, tristes e curiosos. Curiosos porque desde a essência captam valores embrenhados na nossa cultura. Poderiam ser oito, ou quinze, mas são dez, como os mandamentos da religião mais seguida (ainda é?) no Brasil. Eis, então, que isso já sacraliza o discurso, o que se confirma, ainda, com o fato de serem falas maternas, e não parentais. Ou seja, reforça-se o estereótipo da mãe como figura sagrada, indelével e perfeita. E isso, minha gente, esmaga o feminino, achatando-o numa categoria plana (mães são todas iguais), estanque (ai daquela que ousar sair do padrão!) e machista. Mãe, dez mandamentos e falas sacralizadas. A coisa está ficando feia, e você aí ainda rindo no Facebook.
Mas como eu disse, os cartazes não são apenas curiosos, também são tristes e chocantes. Tristes porque a esteticização da disciplina autoritária serve para reforçar o modelo, e para fazer deles leves e aceitáveis, do tipo que se pendurados na parede da sala não fariam feio com as visitas. E como modelos, referenciam e, pior, não questionam a ordem vigente. São, portanto, retrógrados. E são ainda chocantes, pois denunciam que tanta gente foi criada nessa disciplina opressora, arrogante, sacralizante e agressiva (engole o choro???) e, de quebra, acabaram por me mostrar como tanta gente inteligente do meu Facebook postou sem questionar a mensagem por trás da brincadeira.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Esquilo adaptado
Existe um mundo fora da blogosfera materna. Quero dizer, existe gente de verdade por trás dos blogues que lemos, e algumas pessoas que vêm me visitar, embora eu seja "anônima", me conhecem pessoalmente.
Mas sabe o que eu acho legalzão? É conhecer gente bacana através do blog!
Foi assim com a Helen.
Eu e a Júlia somos amigas fora do mundo virtual. Uma amizade bacana, muito especial para mim, porque temos diversas conexões em diferentes campos da vida (e em diferentes momentos da vida). Como uma mensagem que diz: ei, vocês duas PRECISAM estar juntas. E assim foi. Temos um amigo em comum, estudamos no mesmo lugar, ela me indicou a juíza de paz que celebrou meu casamento, eu indiquei a ela a médica que esteve com ela no nascimento do Biel, e o ensaio da nova família foi feito pela minha amiga de infância, Aline.
<3
Bom, aí quando eu disse que vinha morar aqui, em Evanston, Júlia falou: "já escutei esse nome antes. Espera um segundo!" E catou na internet o blog de uma moça que morava por aqui. Colocou a gente em contato, avisou que ela era super legal e assim eu conheci a Helen. Uma pessoa muito especial, indicada por outra pessoa muito especial. Sortuda que sou!
Bom, hoje fomos passear: eu, Arthur, Helen e cub.
Foi ótimo. Estava precisando, sabem?
E aí, no meio do passeio, no meio do parquinho, Arthur aponta para um esquilinho. Ah, que fofo! Um esquilo. O blog dela é "Esquilo adaptado". E...
- Helen, aquilo na boca do esquilo... é uma pizza???!!
- Acho que não. Deve ser um pedacinho de madeir... Não. É mesmo uma pizza!
Bom, isso que eu chamo de esquilo adaptado: na falta de nozes, meia portuguesa-meia calabresa.
Diz se o destino não é um fanfarrão?
Mas sabe o que eu acho legalzão? É conhecer gente bacana através do blog!
Foi assim com a Helen.
Eu e a Júlia somos amigas fora do mundo virtual. Uma amizade bacana, muito especial para mim, porque temos diversas conexões em diferentes campos da vida (e em diferentes momentos da vida). Como uma mensagem que diz: ei, vocês duas PRECISAM estar juntas. E assim foi. Temos um amigo em comum, estudamos no mesmo lugar, ela me indicou a juíza de paz que celebrou meu casamento, eu indiquei a ela a médica que esteve com ela no nascimento do Biel, e o ensaio da nova família foi feito pela minha amiga de infância, Aline.
<3
Bom, aí quando eu disse que vinha morar aqui, em Evanston, Júlia falou: "já escutei esse nome antes. Espera um segundo!" E catou na internet o blog de uma moça que morava por aqui. Colocou a gente em contato, avisou que ela era super legal e assim eu conheci a Helen. Uma pessoa muito especial, indicada por outra pessoa muito especial. Sortuda que sou!
Bom, hoje fomos passear: eu, Arthur, Helen e cub.
Foi ótimo. Estava precisando, sabem?
E aí, no meio do passeio, no meio do parquinho, Arthur aponta para um esquilinho. Ah, que fofo! Um esquilo. O blog dela é "Esquilo adaptado". E...
- Helen, aquilo na boca do esquilo... é uma pizza???!!
- Acho que não. Deve ser um pedacinho de madeir... Não. É mesmo uma pizza!
Bom, isso que eu chamo de esquilo adaptado: na falta de nozes, meia portuguesa-meia calabresa.
Diz se o destino não é um fanfarrão?
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Sumidinha, mas amanhã tem mais!
Tenho uma penca de posts na cabeça: dos gaiatos aos mais verborrágicos de ódio, de assuntos sérios, como essa Lei do Nascituro (que absurdo! que vergonha! que revolta!), até bobagens supérfluas, como eu ter saído da dieta hoje, excepcionalmente, para provar os quitutes que estou encomendando para a festa do Arthur.
Ah, meu povo... quanta coisa!
E aí vem o quê? A bebedeira? O atraso? NÃOOOO! Vem essa cacetada de frila na minha vida.
Devo dar uma sumidinha até segunda, mas para vocês não morrerem de saudades, vão lá me prestigiar no Minha Mãe que Disse, amanhã. Texto inédito, viu?
Ah, meu povo... quanta coisa!
E aí vem o quê? A bebedeira? O atraso? NÃOOOO! Vem essa cacetada de frila na minha vida.
Devo dar uma sumidinha até segunda, mas para vocês não morrerem de saudades, vão lá me prestigiar no Minha Mãe que Disse, amanhã. Texto inédito, viu?
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Carta para minha GO (Feliz dia do obstetra!)
Sabe quando você lê uma coisa e pensa "que ideia genial, queria ter tido essa sacada!"? Então, Anne Rammi, essa moça com nome que rima, e que boxa, rema, pinta e milita (e mora no meu coração, embora nem saiba quem sou!), essa moça fez assim comigo hoje.
Eu aqui, quietinha, vivendo meu mundinho de aniversários de relacionamento, idas para Chicago, bebê-delícia me deliciando, e ela veio e PAF! Levou embora meu rebolado num post lindo, que só não me fez realmente querer ter sido a autora porque não se trata de um nascimento bonito, e isso exclusivamente porque ELA foi desrespeitada no momento mais sublime de sua vida. (Desperta uma fúria solidária em mim saber que outra mulher, com outra história, não teve a alegria que eu pude ter.)
Solapada e desnorteada (sim, eu tinha preparado um post bobinho mesmo, todo água com açúcar, tipo beste-seller de aeroporto, sabem? Foi para o lixo. Deu vergoinha.), achei que eu queria ter tido essa ideia genial de escrever uma carta para minha GO no dia do obstetra, e assim militar um bocadinho, coisa que, de uns tempos para cá, foi eclipsada pelo meu umbigo e suas mudanças (Chicago) e permanências (marido).
Solapada e desnorteada (sim, eu tinha preparado um post bobinho mesmo, todo água com açúcar, tipo beste-seller de aeroporto, sabem? Foi para o lixo. Deu vergoinha.), achei que eu queria ter tido essa ideia genial de escrever uma carta para minha GO no dia do obstetra, e assim militar um bocadinho, coisa que, de uns tempos para cá, foi eclipsada pelo meu umbigo e suas mudanças (Chicago) e permanências (marido).
Então, inspirada pela moça que eu tanto admiro, também fiz minha cartinha. Homenagem a minha querida obstetra.
Querida Dra. F.,
Não vou expor seu nome porque seria injusto ficar no mocó e sair bradando aos quatro ventos sua identidade. Na verdade, porém, eu deveria. Eu deveria para que todas as mulheres cariocas que realmente querem um parto digno, um parto seguro, um parto saudável, um parto fisiológico, sem intervenções e terrorismo, sem traumas, com respeito e muito, muito amor encontrassem a grande parceira que você foi para minha família.
Nossa relação foi de construção e parceria. Sempre. Eu cheguei colocando as cartas na mesa (timidamente): três exames de BHCG, um medo danado (e infundado) de abortar, 40kg, um histórico de "nãos" (não vai engravidar naturalmente, não vai ter passagem, não vai ter saúde para nutrir seu bebê, não vai conseguir parto normal sendo tão pequena etc.) e toda minha ansiedade. E você devolveu o que não deveria ser gestado ali, entre mim e você, bem em cima do meu bebê. Meu bebê, você já sabia, não merecia sobre ele o peso que às vezes lhe atribuía. Às vezes eu era os 40kg mais pesados que existiam. E você soube mostrar o caminho. E me receitou todos os anti-histamínicos permitidos para me ajudar a lidar com a fobia que tenho de vômito. Não vomitei nem uma vezinha. Parece bobagem, um detalhe, mas aí é que está toda a diferença: nos detalhes, nas "bobagens" - aliás, você nunca fez pouco das minhas perguntas, angústias ou reclamações; ao contrário, sempre me incentivava a falar e perguntar sobre qualquer coisa que me afligisse ou inquietasse. E era isso que eu queria: respeito, paciência, compreensão de que sou um ser vivo, pensante, pulsante e temente.
Aliás, bota ser temente, pensante e pulsante nisso!
Aliás, bota ser temente, pensante e pulsante nisso!
Cheguei até você com ideias prontas e com você aprendi a não tentar encaixá-la nas minhas pré-concepções. Antes de você, querida Dra. F., eu vivia às turras com os obstetras, porque eles radicalizavam e fincavam pé em bobagens e absurdos, e minha resposta óbvia era fincar pé do outro lado, radicalizar também, e assim começar um infrutífero cabo de guerra (que era muito mais bonito antes do novo acordo, quando ainda tinha os hífens como que desenhando o puxa-puxa). Quando você disse para mim, com todas as letras "pode parar de lutar porque você já conseguiu o que queria", isso foi como soltar a corda do cabo de guerra, me deixando estatelada do chão de minhas convicções, tendo que catar ao redor aquilo que era realmente importante e o que me pertencia de verdade. Ou seja, precisei entender que eu não encontrara uma boa adversária, mas sim a melhor parceira! Caí de bunda no chão, sim. Mas você foi lá, me deu a mão e perguntou por que eu tinha puxado a corda tão forte. Bastava conversarmos.
E conversamos.
Eu sei que você sabe disso, Dra. F., mas ainda assim eu quero muito explicitar: eu tinha muito medo do parto. Não só pela mítica imagem que a sociedade contemporânea criou em torno dos nascimentos, não só por desconhecer o que me esperava, não só por saber que doía, não só por conhecer, inclusive, muitos dos riscos que existiam (eu já discutia sobre partos, nascimentos e gravidez havia muitos e muitos anos, tipo um terço da minha vida tinha sido assim, catando e memorizando esse tipo de informação). Eu tinha muito, muito, muito mais medo do parto porque eu sabia que era minha única chance de parir.
Aliás, isso é assombrosa e paralisantemente aterrorizante: saber que o primeiro filho é sua única chance. Claro que existem VBACs, VBA2Cs, 3Cs, mas, a verdade é que o primeiro parto é a única vez que você pode viver o parto. Se você cair numa cesária logo de cara (seja ela necessária ou não), seu próximo parto será, na verdade, o espelho do seu primeiro não parto.
(Sabe, Dra. F., eu vou publicar este texto no meu blog, e espero imensamente que ninguém se ofenda com essa minha ideia, porque incomoda pensar que o que temos de mais precioso - e aqui eu tiro meu chapéu em uma respeitosíssima reverência, pois VBA(1,2,3)Cs são para aquelas fortes, guerreiras, determinadas e poderosas! - possa não ser bom por si só, mas porque tem um lado bem ruim para criar o contraponto. Mas eu realmente acho isso. Uma vez uma amiga, paciente sua também, vinda de um VBAC maravilhoso, me disse que o parto normal depois de uma cesária tinha um gostinho até melhor, porque a pessoa conseguia o que vinha querendo desde há muito. Concordo que o VBAC deve ter um gostinho especial, e que, assim como uma experiência ruim torna as conquistas boas ainda mais especiais, enfim parir depois de ter tido seu direito usurpado deve ser realmente redentor. No entanto, eu só conheço a pureza do arrebatamento do parto natural. E acho, de verdade, que meu parto existiu por ele mesmo, em termos absolutos, sem comparações dolorosas, sem traumas prévios, sem parâmetros. E isso, só as primíparas podem ter!)
Retomando o fio da meada: eu tinha muito medo de fracassar no meu parto. Quando aqui digo fracassar, quero deixar bem claro duas coisas: 1) vivam as cesarianas salvadoras de vidas, bem indicadas e feitas para garantir saúde para mãe e bebês!; 2) eu, apenas eu, posso dizer como eu me sentiria se eu passasse pela cesária depois de tanta luta por um parto natural. Isso porque eu (e você) sabia (sabíamos) que eu tinha absolutamente tudo para ter um parto natural. Ou seja, no fundo do meu coração eu sabia que meu corpo estava ali para mim, que ele seria a primeira morada e o primeiro desafio do meu filho, que ele responderia e corresponderia às necessidades. Eu acreditava no meu parto. E isso dava um medo danado! Medo porque eu sabia (e você também!) que meu parto aconteceria 1% na minha vagina, 3% no colo do meu útero, 6% no meu útero e 90% na minha cabeça. Era da cabeça que eu tinha medo. Aliás, medo duplo, e das duas cabeças: da minha falhar e travar meu processo, empacar minha dilatação, medrar minha fisiologia e interromper o curso natural; e da cabeça do meu filho passando pela minha vagina (e, confesso, mesmo tendo parido, até hoje tenho um nervosinho medroso de pensar que a CABEÇA de um BEBÊ passa pela nossa VAGINA!). Se eu contraísse, dilatasse e travasse, minasse, roubasse de mim a possibilidade de parir, me sentiria uma frustrada.
Quero destacar uma coisa bem importante (e por isso abro este parágrafo meio sem propósito): se EU roubasse de mim mesma a possibilidade de parir. Porque eu sabia, depois das consultas sempre incentivadoras e esclarecedoras, que você não roubaria de mim a possibilidade de parir. Eu sabia que se eu fosse para a faca, não seria por conveniência de agendas e horários (ou honorários), mas por segurança. E por isso o grande medo de fracassar: porque a responsabilidade era dividida (você monitorava e via se o processo fisiológico caminhava conforme deveria; e eu encaminhava e deixava acontecer o processo), mas ao mesmo dependia apenas de mim não me roubar o direito de parir. Em outras palavras: se eu não resistisse e medrasse e travasse, não por inexplicáveis desígnios que às vezes surgem nas nossas vidas - e vias -, mas se resistisse e medrasse e travasse por não me entregar ao processo, por desconfiar de mim, por ansiar e querer mudar o compasso do tempo, aí eu fracassaria: não pela cesária somente, veja bem, porque cesária não é sinônimo de fracasso. Mas eu fracassaria em lidar com a situação. E me frustraria se eu aceitasse desculpas para não enfrentar de peito aberto o que surgisse diante de mim.
Mas eu consegui. E você me respeitou. Aliás, eu consegui também porque você me respeitou.
Cada escolha, cada decisão, cada ideia, tudo que envolveu o nascimento do ser mais amado do (meu) mundo foi conversado, respeitado e pautado no amor. No meu amor, no fruto do amor entre mim e marido, no amor que você tem pela sua profissão e pelas suas pacientes. Porque eu realmente acredito que você me ame. De verdade. As consultas não eram vazias e sépticas: elas traziam histórias minhas e suas, partilhamos momentos, eu escolhi você para estar no momento mais íntimo e importante da minha vida, e todas as vezes eu que conversamos eu sinto que você, em algum nível, me ama e se identifica comigo. Se não fosse assim, não teria funcionado, porque ambas, eu e você, só funcionamos de verdade com a verdade: não fingimos. Nem fugimos. Enfrentamos, mas sempre em parceria, porque não nos enfrentamos, mas sim aos problemas, medos e dificuldades. E isso é uma forma de amar.
Hoje, no dia do obstetra, quero dar os parabéns não só pela mera convenção das efemérides, mas porque você honra a profissão que escolheu, porque orgulha aos seus pares por respeitar e tratar ética e medicamente suas pacientes. As Marias, as Joanas, as Silvias, Lauras, Renatas, Lúcias, Mauras, Cíntias e até as mais diferentes, como as Luzitânias e Petruskas. Todas com suas histórias, seus medos, suas limitações, seus amores e vivências.
Espero que seu modelo de atendimento se espalhe. Espero que outros profissionais se inspirem em sua competência e na excelência de seu ofício. Espero que outras mulheres tenham, como eu, a chance de parir, a chance de não desperdiçarem a chance de parir, a chance de terem, nesses tempos de violência obstétrica, a experiência do amor obstétrico. Um amor de obstetra.
Um beijo meu e outro do Arthur!
sábado, 22 de dezembro de 2012
Sororidade, protagonismo e outras estranhezas do amor
Minha maternagem tem um pouquinho de cada mãe que conheço ou conheci. Suas histórias, seus relatos, seus traumas, suas vontades, desejos, anseios, ansiedades, expectativas, teorias e intuições. Cada experiência que troco me faz ser mais mãe, mais inteira, mais completa.
Por isso, minha mensagem de fim de ano no ano mais importante da minha vida é de agradecimento.
Obrigada a todas as leitoras e blogueiras que, ao comentarem, partilharem, abraçarem, consolarem e relatarem, recriaram (e resgataram) a importantíssima rede de sororidade (o feminino de fraternidade) que ajuda a resgatar o protagonismo feminino nesta nossa sociedade tão machista.
Em outras palavras: conhecendo facetas de cada uma de vocês, vou criando um arcabouço de padrões e conhecimentos que me tornam, enfim, a mãe que quero ser. Uma mãe consciente, crítica, que busca as melhores soluções dentro das condições, e que quer muito, muito, muito amar e ser amada, porque Arthur fez crescer em mim um amor infindável!
Desejo que o novo ano traga muitas alegrias (e algumas poucas tristezas, que nos ajudam a crescer e a valorizar os bons momentos), muitas conquistas e realizações. Que 2013 seja um ano bom, um ano humano, um ano feminino.
Quanto a mim, meu desejo pessoal para 2013 é que eu continue tendo muitos motivos para agradecer.
Boas festas!
Bons bebês!
Por isso, minha mensagem de fim de ano no ano mais importante da minha vida é de agradecimento.
Obrigada a todas as leitoras e blogueiras que, ao comentarem, partilharem, abraçarem, consolarem e relatarem, recriaram (e resgataram) a importantíssima rede de sororidade (o feminino de fraternidade) que ajuda a resgatar o protagonismo feminino nesta nossa sociedade tão machista.
Em outras palavras: conhecendo facetas de cada uma de vocês, vou criando um arcabouço de padrões e conhecimentos que me tornam, enfim, a mãe que quero ser. Uma mãe consciente, crítica, que busca as melhores soluções dentro das condições, e que quer muito, muito, muito amar e ser amada, porque Arthur fez crescer em mim um amor infindável!
Desejo que o novo ano traga muitas alegrias (e algumas poucas tristezas, que nos ajudam a crescer e a valorizar os bons momentos), muitas conquistas e realizações. Que 2013 seja um ano bom, um ano humano, um ano feminino.
Quanto a mim, meu desejo pessoal para 2013 é que eu continue tendo muitos motivos para agradecer.
Boas festas!
Bons bebês!
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Quando Nietzsche se revirou no túmulo (ou distorcendo a filosofia)
Aqui em casa temos um rotina. Todo dia, mais ou menos nas mesmas horas, fazemos as mesmas coisas. E assim vamos vivendo um dia de cada vez, aprendendo, errando, acertando, vendo Arthur se desenvolver e também nos desenvolvendo. Porém, por mais que tenhamos uma rotininha, nenhum dia é igual ao outro (e, segundo Nietzsche, por isso mesmo todos os dias são iguais, porque são diferentes, e todos os dias tudo pode acontecer - mas vamos voltar ao planeta Terra).
Acho importante falar isso aqui porque, de vez em quando, vejo que as pessoas ficam muito impressionadas com meu relato de parto e de amamentação, e algumas chegam a dizer: espero que não seja tão dolorido/difícil assim comigo. Gente, eu também espero que toda a mulherada tenha um parto bacanudo, de preferência com dores suportáveis (e por pouco tempo), e uma amamentação espetacular, daquelas que a gente sonha: espeta o mamilo no menino e lê/assiste TV/dorme enquanto ele mama (porque, vocês sabem, no começo da amamentação, eu me retorcia tremendamente, sem conseguir me concentrar em nadica de nada, nem relaxar para dormir). Acho, então, que minha experiência não deve ser encarada como destino inexorável para quem engravida e vai um dia parir (se o médico e o sistema deixarem) e amamentar (novamente, se o médico e o sistema deixarem). Não, gente! Há um mundo cor-de-rosa na maternidade. Acreditem! Pode ser que com você, querida leitora, tudo seja absolutamente fantástico e indolor e fácil e instintivo e anatomicamente perfeito. Há mulheres que não sentem nenhuma dor no parto, há aquelas que amamentam seu filho (e o meu, o nosso e o do vizinho) como quem chupa um Chicabon (ai, Nelson Rodrigues!). Quando eu venho aqui contar que meu parto, apesar de lindo, incrível, totalmente perfeito e transformador, doeu bagarái, quero mostrar que, caso você não se sinta assim tão incrível porque sentiu contrações doloridas por 12h enquanto a vizinha da irmã do jornaleiro da esquina chegou no hospital "com uma sensação esquisita" e pariu rindo ou espirrando, tudo bem. Se você tem o mamilo invertido (ou simplesmente plano e com cistos, como o meu), você PODE e deve amamentar. Vai doer, vai ser complicado, mas tudo bem. A gente encontra na blogosfera materna todo o apoio de que precisa para ir em frente e ficar sabendo que a coisa toda é linda e blá-blá-blá, mas também tem o dark side. (Eu poderia citar Victor Hugo, mas vou mesmo é de Angélica: "a Lua também tem uma face escura".) E aí, eu venho aqui contar que comigo não foi tão simples, porque quando a gente percebe que tem alguém igualzinho a gente, que sofre, que luta, que não acha tudo tão supimpa o tempo todo, a gente se sente parte do mundo. Eu não sou filósofa (ao menos não fora de um botequim), mas acho que podemos voltar a Nietzsche e distorcer um bocadinho a coisa toda para dizer que, se encontramos pessoas que vivem experiências semelhantes às nossas, nos sentimos parte do mundo e da vida porque, assim como os dias são todos iguais porque têm sempre o potencial para qualquer acontecimento, todas as pessoas são iguais, porque sendo elas diferentes, guardam em si todas as possibilidades.
Pri, este post foi inspirado no seu comentário (e em muitos outros também), mas não é recado ou mensagem para ninguém, viu? Só que seu comentário me fez matutar sobre como trocamos experiências nessa vida ( = vida real + vida virtual).
=)
Depois volto para contar como sobrevivi até agora sem meu piercing de mamilo (ohhhh, céus!!!).
Acho importante falar isso aqui porque, de vez em quando, vejo que as pessoas ficam muito impressionadas com meu relato de parto e de amamentação, e algumas chegam a dizer: espero que não seja tão dolorido/difícil assim comigo. Gente, eu também espero que toda a mulherada tenha um parto bacanudo, de preferência com dores suportáveis (e por pouco tempo), e uma amamentação espetacular, daquelas que a gente sonha: espeta o mamilo no menino e lê/assiste TV/dorme enquanto ele mama (porque, vocês sabem, no começo da amamentação, eu me retorcia tremendamente, sem conseguir me concentrar em nadica de nada, nem relaxar para dormir). Acho, então, que minha experiência não deve ser encarada como destino inexorável para quem engravida e vai um dia parir (se o médico e o sistema deixarem) e amamentar (novamente, se o médico e o sistema deixarem). Não, gente! Há um mundo cor-de-rosa na maternidade. Acreditem! Pode ser que com você, querida leitora, tudo seja absolutamente fantástico e indolor e fácil e instintivo e anatomicamente perfeito. Há mulheres que não sentem nenhuma dor no parto, há aquelas que amamentam seu filho (e o meu, o nosso e o do vizinho) como quem chupa um Chicabon (ai, Nelson Rodrigues!). Quando eu venho aqui contar que meu parto, apesar de lindo, incrível, totalmente perfeito e transformador, doeu bagarái, quero mostrar que, caso você não se sinta assim tão incrível porque sentiu contrações doloridas por 12h enquanto a vizinha da irmã do jornaleiro da esquina chegou no hospital "com uma sensação esquisita" e pariu rindo ou espirrando, tudo bem. Se você tem o mamilo invertido (ou simplesmente plano e com cistos, como o meu), você PODE e deve amamentar. Vai doer, vai ser complicado, mas tudo bem. A gente encontra na blogosfera materna todo o apoio de que precisa para ir em frente e ficar sabendo que a coisa toda é linda e blá-blá-blá, mas também tem o dark side. (Eu poderia citar Victor Hugo, mas vou mesmo é de Angélica: "a Lua também tem uma face escura".) E aí, eu venho aqui contar que comigo não foi tão simples, porque quando a gente percebe que tem alguém igualzinho a gente, que sofre, que luta, que não acha tudo tão supimpa o tempo todo, a gente se sente parte do mundo. Eu não sou filósofa (ao menos não fora de um botequim), mas acho que podemos voltar a Nietzsche e distorcer um bocadinho a coisa toda para dizer que, se encontramos pessoas que vivem experiências semelhantes às nossas, nos sentimos parte do mundo e da vida porque, assim como os dias são todos iguais porque têm sempre o potencial para qualquer acontecimento, todas as pessoas são iguais, porque sendo elas diferentes, guardam em si todas as possibilidades.
Pri, este post foi inspirado no seu comentário (e em muitos outros também), mas não é recado ou mensagem para ninguém, viu? Só que seu comentário me fez matutar sobre como trocamos experiências nessa vida ( = vida real + vida virtual).
=)
Depois volto para contar como sobrevivi até agora sem meu piercing de mamilo (ohhhh, céus!!!).
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Entre memes e mimimis (senta que lá vêm as histórias!)
Passei o feriado todo meio borocoxô, mesmo tendo viajado com o pequeno. Acho que tem a ver com os momentos todos da vida: creche, volta ao trabalho, falta de grana, urucubacas da vida cotidiana, leite que preciso estocar etc. etc. etc. (e bote quantos mais etc. você quiser).
Aí, nessa coisa meio finados na cachola, cadê parar com o mimimi? Mimimizei quinta, sexta, sábado e domingo. Nem eu me aguentava mais! Mas como "ali onde eu chorei qualquer um chorava", resolvi ir em frente na música e levantei, sacodi a poeira e dei a volta por cima. Hoje, segundona chuvosa pós-feriado, voltei para casa e pensei: que beleza! Vai ser tudo lindo, bora para o primeiro dia de adaptação na creche, pessoal da blogosfera gostou do novo layout (uhuuu!!), bora viver essa vida linda que tem aí na minha frente e...
Cara, sério: senta aqui do meu lado, no fundo do poço rotinístico, e chora comigo!
[Sentou? Então aproveita a proximidade e tasca um abraço aí que a coisa tá feia - mas daqui a pouco acaba o mimimi, prometo!]
Resolvemos voltar da viagem do feriadão hoje de manhã, para não pegar muito trânsito. Só não contávamos com a astúcia do Arthur, que chorou a noite toda, talvez boladão com a tempestade que caiu na madrugada. A viagem começaria 10 da manhã. Onze e meia eu e Arthur ainda cochilávamos, esgotados pela noite de ontem. Pegamos a estrada (vazia, o que me parecia um sinal auspicioso. Tola eu!) um pouco atrasados no cronograma: 13h. Arthur, nessa hora, costuma dormir um soninho gostosinho. Exceto quando anda de carro, né? Então, ele sentadinho, na cadeira da tortura, berrou por exata uma hora e sete minutos cheios. Depois de esgotar minha garganta e meu repertório de musiquinhas infantis, capotou. Que ótimo, não? Seria, se não estivéssemos na porta de casa. Então, tendo dormido cerca de 15 minutos, Arthur foi despertado. Abrindo as malas e guardando as coisas, descobri que meu xampu vazou na bolsa (todinho!) e meus 9 potinhos de leite ordenhado e congelado DESCONGELARAM durante a viagem. [Por favor: chore comigo!] Pensei em fazer um bolo com meu próprio leite, já que tinha para mais de meio litrão ali prestes a ir para o lixo e Arthur não pode leite de vaca-bicho, só da vaca-profana aqui. Desisti da ideia ante à ansia de vômito que meu comentário causou no marido. Daí, lágrimas enxutas e tetas para fora (ordenha de novo, Ártemis! Quem faz meio, faz um litro!), constatei que, com a misericórdia do senhor dos leitinhos congelados, apenas dois potes haviam de fato descongelado. Emocinei-me, leitores. E me enchi de novas esperanças nesse dia tão fatigado.
Arthur começava na creche 14h e já eram 14h32 quando resolvemos almoçar. Vestimos o moleque, enfiamos seu corpinho cheiroso e arrumado no sling, arrumamos a malinha do primeiro dia e tocou o interfone. Fiquei felizona: estou esperando uma encomenda de mamadeira para o pequeno e achei, de verdade, que era o porteiro avisando que era o correio. Ahahahahahhahahah
Era a Light (companhia de energia elétrica aqui do Rio), avisando que estavam aqui para cortar a energia. Oi, moço? É, senhora, atraso da fatura de setembro, na última conta veio o aviso de corte, a senhora não pagou, vamos cortar. [Por favor: se desespere comigo! E me mande um dinheirinho, porque tá rodis aqui, viu?]
Bom, não teve argumento, pagamento ou choro que resolvesse a situação: cortaram a luz! Agora, você visualiza a cena: casa sem luz, bebê no sling, marido com a bolsa da creche, eu, com menos duzentão de leite materno no estoque do filhote (e o restante perigosamente num congelador sem energia), conta atrasada, atrasada no horário,menstruação atrasada (ops, isso não!), precisando ainda ir almoçar e adaptar o filho, que agora reclamava de sono, calor e pasmaceira (experimenta colocá-lo no sling e ficar parado para ver o que te acontece!).
Bom, pior que isso não podia ficar. Podia?
[Pausa para uma importante lição que recebi na faculdade: um professor meu, logo no primeiro período, ensinou-me que para a felicidade ou sorte sempre existe um limite; para o azar ou a tristeza, porém, sempre se pode cavar mais um pouquinho no poço e chafurdar mais e mais na lama das mazelas.]
Claro que podia!
Pagamos a conta atrasada numa fila quilométrica de banco popular (depois passo o número da agência e da CC para depósitos caridosos) em pleno dia 5. Todos os velhinhos do meu bairro, que tem muito velhinhos, estavam recebendo suas aposentadorias, ali, naquela hora. E todos os velhinhos do mundo AMAM bebês e sempre comentam do sling. Respirei fundo ante pitacos e comentário sem noção ("não machuca a perninha?", "coitadinho, todo encolhido/enrolado/apertado/espremido!", "vai dar problema no/na _______ [complete aqui, que estou sem paciência, mas pode ser qualquer parte do corpo ou aspecto da psiquê humana]"), e sorri e fui simpática com os comentários fofos (afinal, velhinho nenhum tem culpa da minha urucubaca, né?). Conta paga, bora almoçar voando e levar filhote para creche.
Tudo deu certo nessa parte do dia e achei que, enfim, minha maré de azar estava mudando.
Já dava uma banana mental para aquele meu professor quando entrei na salinha do berçário. Beleza: apenas dois bebês, menos estímulo e novidade para um Arthur sonado e meio mal-humorado com o dia so boring que eu estava lhe proporcionando. Meu sorriso se abriu, mas logo foi dispersado pelas tosses encatarradas dos dois bebês. Sim, amigos e amigas, os bebês estavam doentinhos e fizeram questão de partilhar TO-DOS os brinquedinhos que enfiavam em suas boquinhas virulentas com meu filhote saudável e tratado a leitinho da mamãe (Arthur ficando resfriadinho em 5, 4, 3...).
Respirei fundo, pensei que meu filho tinha imunidade por conta do meu leitinho, que era inevitável, vitamina S, bora pra frente que o dia tá tipo na metade. De repente, na janelinha do berçário surge marido: trouxe o cheque, porque a creche vence hoje. Passei meu cheque-voador e pensei: na saída da creche transfiro a rapa do tacho da poupança para cobrir o cheque, e vamos frilar o resto da vida para dar conta de tudo (alguém querendo me oferecer um emprego que pague mais?).
Arthur gostou dos amiguinhos, se acabou de rir para as professoras da creche, colocou todos os brinquedinhos melecados pelos amiguinhos ranhentos na boca e até dormiu, para mostrar que delícia ele é e como vai ficar ótimo sem a mamãe.
[E afinal me senti melhor, porque se vou sofrer de qualquer jeito, então que pelo menos eu sofra com meu filho ficando bem na creche, né?]
Decidimos, na saída da creche, antes de ir ao banco, que dormiríamos na casa da sogra, porque sem luz e com um bebê de 4 meses cheio das rotinas de sono não ia rolar (e toda mãe sabe que romantismo é só até antes dos filhos nascerem e depois que eles saírem de casa, logo, nada de "luz de velas, que coisa bacana"). No banco, errei minha senha por 3 vezes e, tal e qual Pedro negando Cristo, fui jubilada da alegria de fazer transações no caixa eletrônico (que é o equivalente moderno de ser estigmatizado como herege, dos tempos de Pedro). Banco fechado, senha bloqueada, cheque-voador planando como um Zepelin na praça, filho ainda com sono, sem luz e a caminho de uma noite na casa da sogra. O que mais poderia acontecer?
Acreditem: muita coisa! Mas o que aconteceu mesmo foi um amigo meu telefonar e dizer que a pessoa que estava com uma encomenda para o Arthur em SP (e que ele feria o imenso favor de trazer ao Rio) saiu de casa e o deixou do lado de fora da casa, tocando a campainha. Resultado: no donuts for me. Neither for Arthur. Ou, em outras palavras, adiós amigo!
Já na casa da sogra (com direito a novo transporte de potinhos de leite congelado e tensão absoluta no engarrafamento por conta disso), Arthur de banho tomado, ritual sonístico realizado, dormindo feliz (enfim!) na caminha... Claro que ia babar, né? Sogra chegou em casa brigando no celular, aos berros, causando frisson, agitando cachorro, que latiu muito, sobretudo depois que ela tocou a campainha freneticamente, como se não houvesse amanhã.
Resultado? Falta apenas uma hora e dez minutos para acabar este dia terrível, e as duas únicas coisas que o salvaram de entrar para o rol dos dias mais terríveis do universo foram o meme da Lilian (que postarei amanhã, querida, adorei a lembrança!) e a suuuuupergargalhada que meu filho deu para o papai.
PS: Minha sogra, apiedada da minha situação, pediu um japa especial, para aquecer meu coraçãozinho sofrido. Mas Arthur, claro, acordou, quis que eu ficasse grudadinho nele e não me deixou jantar. Para que eu não ficasse com fome, ela e marido deixaram umas peças para que eu comesse depois. Deliciosos rolls de hot filadélfia, cheinhos de cream cheese, que eu NÃO POSSO comer por conta da dieta de APLV. Diz aí: urucubaca feelings total, não?
Aí, nessa coisa meio finados na cachola, cadê parar com o mimimi? Mimimizei quinta, sexta, sábado e domingo. Nem eu me aguentava mais! Mas como "ali onde eu chorei qualquer um chorava", resolvi ir em frente na música e levantei, sacodi a poeira e dei a volta por cima. Hoje, segundona chuvosa pós-feriado, voltei para casa e pensei: que beleza! Vai ser tudo lindo, bora para o primeiro dia de adaptação na creche, pessoal da blogosfera gostou do novo layout (uhuuu!!), bora viver essa vida linda que tem aí na minha frente e...
Cara, sério: senta aqui do meu lado, no fundo do poço rotinístico, e chora comigo!
[Sentou? Então aproveita a proximidade e tasca um abraço aí que a coisa tá feia - mas daqui a pouco acaba o mimimi, prometo!]
Resolvemos voltar da viagem do feriadão hoje de manhã, para não pegar muito trânsito. Só não contávamos com a astúcia do Arthur, que chorou a noite toda, talvez boladão com a tempestade que caiu na madrugada. A viagem começaria 10 da manhã. Onze e meia eu e Arthur ainda cochilávamos, esgotados pela noite de ontem. Pegamos a estrada (vazia, o que me parecia um sinal auspicioso. Tola eu!) um pouco atrasados no cronograma: 13h. Arthur, nessa hora, costuma dormir um soninho gostosinho. Exceto quando anda de carro, né? Então, ele sentadinho, na cadeira da tortura, berrou por exata uma hora e sete minutos cheios. Depois de esgotar minha garganta e meu repertório de musiquinhas infantis, capotou. Que ótimo, não? Seria, se não estivéssemos na porta de casa. Então, tendo dormido cerca de 15 minutos, Arthur foi despertado. Abrindo as malas e guardando as coisas, descobri que meu xampu vazou na bolsa (todinho!) e meus 9 potinhos de leite ordenhado e congelado DESCONGELARAM durante a viagem. [Por favor: chore comigo!] Pensei em fazer um bolo com meu próprio leite, já que tinha para mais de meio litrão ali prestes a ir para o lixo e Arthur não pode leite de vaca-bicho, só da vaca-profana aqui. Desisti da ideia ante à ansia de vômito que meu comentário causou no marido. Daí, lágrimas enxutas e tetas para fora (ordenha de novo, Ártemis! Quem faz meio, faz um litro!), constatei que, com a misericórdia do senhor dos leitinhos congelados, apenas dois potes haviam de fato descongelado. Emocinei-me, leitores. E me enchi de novas esperanças nesse dia tão fatigado.
Arthur começava na creche 14h e já eram 14h32 quando resolvemos almoçar. Vestimos o moleque, enfiamos seu corpinho cheiroso e arrumado no sling, arrumamos a malinha do primeiro dia e tocou o interfone. Fiquei felizona: estou esperando uma encomenda de mamadeira para o pequeno e achei, de verdade, que era o porteiro avisando que era o correio. Ahahahahahhahahah
Era a Light (companhia de energia elétrica aqui do Rio), avisando que estavam aqui para cortar a energia. Oi, moço? É, senhora, atraso da fatura de setembro, na última conta veio o aviso de corte, a senhora não pagou, vamos cortar. [Por favor: se desespere comigo! E me mande um dinheirinho, porque tá rodis aqui, viu?]
Bom, não teve argumento, pagamento ou choro que resolvesse a situação: cortaram a luz! Agora, você visualiza a cena: casa sem luz, bebê no sling, marido com a bolsa da creche, eu, com menos duzentão de leite materno no estoque do filhote (e o restante perigosamente num congelador sem energia), conta atrasada, atrasada no horário,
Bom, pior que isso não podia ficar. Podia?
[Pausa para uma importante lição que recebi na faculdade: um professor meu, logo no primeiro período, ensinou-me que para a felicidade ou sorte sempre existe um limite; para o azar ou a tristeza, porém, sempre se pode cavar mais um pouquinho no poço e chafurdar mais e mais na lama das mazelas.]
Claro que podia!
Pagamos a conta atrasada numa fila quilométrica de banco popular (depois passo o número da agência e da CC para depósitos caridosos) em pleno dia 5. Todos os velhinhos do meu bairro, que tem muito velhinhos, estavam recebendo suas aposentadorias, ali, naquela hora. E todos os velhinhos do mundo AMAM bebês e sempre comentam do sling. Respirei fundo ante pitacos e comentário sem noção ("não machuca a perninha?", "coitadinho, todo encolhido/enrolado/apertado/espremido!", "vai dar problema no/na _______ [complete aqui, que estou sem paciência, mas pode ser qualquer parte do corpo ou aspecto da psiquê humana]"), e sorri e fui simpática com os comentários fofos (afinal, velhinho nenhum tem culpa da minha urucubaca, né?). Conta paga, bora almoçar voando e levar filhote para creche.
Tudo deu certo nessa parte do dia e achei que, enfim, minha maré de azar estava mudando.
Já dava uma banana mental para aquele meu professor quando entrei na salinha do berçário. Beleza: apenas dois bebês, menos estímulo e novidade para um Arthur sonado e meio mal-humorado com o dia so boring que eu estava lhe proporcionando. Meu sorriso se abriu, mas logo foi dispersado pelas tosses encatarradas dos dois bebês. Sim, amigos e amigas, os bebês estavam doentinhos e fizeram questão de partilhar TO-DOS os brinquedinhos que enfiavam em suas boquinhas virulentas com meu filhote saudável e tratado a leitinho da mamãe (Arthur ficando resfriadinho em 5, 4, 3...).
Respirei fundo, pensei que meu filho tinha imunidade por conta do meu leitinho, que era inevitável, vitamina S, bora pra frente que o dia tá tipo na metade. De repente, na janelinha do berçário surge marido: trouxe o cheque, porque a creche vence hoje. Passei meu cheque-voador e pensei: na saída da creche transfiro a rapa do tacho da poupança para cobrir o cheque, e vamos frilar o resto da vida para dar conta de tudo (alguém querendo me oferecer um emprego que pague mais?).
Arthur gostou dos amiguinhos, se acabou de rir para as professoras da creche, colocou todos os brinquedinhos melecados pelos amiguinhos ranhentos na boca e até dormiu, para mostrar que delícia ele é e como vai ficar ótimo sem a mamãe.
[E afinal me senti melhor, porque se vou sofrer de qualquer jeito, então que pelo menos eu sofra com meu filho ficando bem na creche, né?]
Decidimos, na saída da creche, antes de ir ao banco, que dormiríamos na casa da sogra, porque sem luz e com um bebê de 4 meses cheio das rotinas de sono não ia rolar (e toda mãe sabe que romantismo é só até antes dos filhos nascerem e depois que eles saírem de casa, logo, nada de "luz de velas, que coisa bacana"). No banco, errei minha senha por 3 vezes e, tal e qual Pedro negando Cristo, fui jubilada da alegria de fazer transações no caixa eletrônico (que é o equivalente moderno de ser estigmatizado como herege, dos tempos de Pedro). Banco fechado, senha bloqueada, cheque-voador planando como um Zepelin na praça, filho ainda com sono, sem luz e a caminho de uma noite na casa da sogra. O que mais poderia acontecer?
Acreditem: muita coisa! Mas o que aconteceu mesmo foi um amigo meu telefonar e dizer que a pessoa que estava com uma encomenda para o Arthur em SP (e que ele feria o imenso favor de trazer ao Rio) saiu de casa e o deixou do lado de fora da casa, tocando a campainha. Resultado: no donuts for me. Neither for Arthur. Ou, em outras palavras, adiós amigo!
Já na casa da sogra (com direito a novo transporte de potinhos de leite congelado e tensão absoluta no engarrafamento por conta disso), Arthur de banho tomado, ritual sonístico realizado, dormindo feliz (enfim!) na caminha... Claro que ia babar, né? Sogra chegou em casa brigando no celular, aos berros, causando frisson, agitando cachorro, que latiu muito, sobretudo depois que ela tocou a campainha freneticamente, como se não houvesse amanhã.
Resultado? Falta apenas uma hora e dez minutos para acabar este dia terrível, e as duas únicas coisas que o salvaram de entrar para o rol dos dias mais terríveis do universo foram o meme da Lilian (que postarei amanhã, querida, adorei a lembrança!) e a suuuuupergargalhada que meu filho deu para o papai.
PS: Minha sogra, apiedada da minha situação, pediu um japa especial, para aquecer meu coraçãozinho sofrido. Mas Arthur, claro, acordou, quis que eu ficasse grudadinho nele e não me deixou jantar. Para que eu não ficasse com fome, ela e marido deixaram umas peças para que eu comesse depois. Deliciosos rolls de hot filadélfia, cheinhos de cream cheese, que eu NÃO POSSO comer por conta da dieta de APLV. Diz aí: urucubaca feelings total, não?
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
A angústia do anonimato
Como todos vocês sabem, Ártemis é meu pseudônimo para escrever este blog. Na minha família, temos alguma tradição no assunto, pois minha bisavó fazia versos em uma época que mulheres poetas não eram bem-vistas e/ou levadas a sério e minha avó foi atriz numa época em que ser atriz não era ocupação para "moças de família". Hoje, claro, as coisas melhoraram e meu anonimato não é necessário para escapar de opressões machistas e preconceituosas, mas sim para evitar constrangimentos (meus) em relação ao que falo por aqui.
Até onde eu saiba, existem seis pessoas que leem este blog e sabem meu nome: marido, minha melhor amiga, a Anna, duas amigas do mundo "real" que estão grávidas e uma que já é mamãe. Esta última vive me dando força para que eu divulgue o blog entre meus amigos do mundo não virtual e generosamente elogia meus textos.
Fato é que muito do que escrevo aqui acaba envolvendo pessoas do meu convívio e tenho medo de que minhas palavras ofendam ou exponham. E sigo escondida atrás de um nome escolhido (Ártemis tem tudo a ver com parto, nascimento e vida selvagem!).
Porém, desde que Arthur nasceu, tenho tido muita pena de ficar escondida atrás de um nome fantasia que, se por um lado me garante a liberdade de falar o que quiser, como quiser e como quiser, por outro me prende à uma identidade que, embora bastante sincera (já disse que escrevo por aqui com o coração, sendo muito honesta com meus sentimentos e ideias), não está completa. Essa espécie de vida dupla que levo acaba me deixando muito cansada, já que não posso sair falando do meu blog, um espaço tão importante na minha vida, na minha vida não virtual. Isso cansa, minha gente.
Por outro lado, o que fazer? Existem coisas que escrevo aqui que não gostaria de sair divulgando mundo afora, mas, por outro lado, são informações, muitas vezes, interessantes para quem quer engravidar ou está lutando por um parto humanizado. Já pensei, como tentativa de solução, apagar ou editar os textos. Mas além de um trabalho cão, acho que muitas coisas que escrevo têm valor sentimental para mim, um pedacinho da minha vida, e deixar os textos que representam esses momentos nos rascunhos seria doloroso para mim e, para completar, acho que o blog perderia uma "unidade" conseguida nessa coisa de autorreferenciação.
E aí, sigo aqui, angustiada com o anonimato, angustiada com a possibilidade de sair dele. Pensando muito no que a Anne Rammi disse uma vez.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Uma rapidinha com amor
Meninas lindas do meu coração! Obrigada, obrigada, obrigada!
Me senti acolhida, compreendida e amada. Ainda na lama da culpa e da angústia de ficar longe do pequeno. Mas muito mais querida porque vocês sabem o que estou passando.
Infelizmente não posso abrir mão do meu trabalho. Tanto em termos financeiros quanto devido às minhas ambições pessoais (vou ser mais feliz se for mais que mãe, embora quisesse poder fazer uma pausa maior que os meros 4 meses a que tive direito).
Essa postagem rapidinha (mas com amor) também é para dizer que essa vida selvagem daqui de casa tem novidade: Arthur e eu entramos no rol das mamães e bebês dietéticos. A intolerância à proteína do leite está aí para provar que somos mamíferos, porém deveríamos beber o NOSSO leite (papo para outro dia, prometo). Nada de leite de vaca em casa. Sofrendo só por causa do chocolate. Oh, céus! Tá, e também por causa do pão de queijo. Mas vamos que vamos e prometo vir aqui ainda essa semana comentar mais sobre a ida do Arthur para a creche.
Me senti acolhida, compreendida e amada. Ainda na lama da culpa e da angústia de ficar longe do pequeno. Mas muito mais querida porque vocês sabem o que estou passando.
Infelizmente não posso abrir mão do meu trabalho. Tanto em termos financeiros quanto devido às minhas ambições pessoais (vou ser mais feliz se for mais que mãe, embora quisesse poder fazer uma pausa maior que os meros 4 meses a que tive direito).
Essa postagem rapidinha (mas com amor) também é para dizer que essa vida selvagem daqui de casa tem novidade: Arthur e eu entramos no rol das mamães e bebês dietéticos. A intolerância à proteína do leite está aí para provar que somos mamíferos, porém deveríamos beber o NOSSO leite (papo para outro dia, prometo). Nada de leite de vaca em casa. Sofrendo só por causa do chocolate. Oh, céus! Tá, e também por causa do pão de queijo. Mas vamos que vamos e prometo vir aqui ainda essa semana comentar mais sobre a ida do Arthur para a creche.
sábado, 20 de outubro de 2012
Por onde andei, quanto me perdi
Minhas fiéis escudeiras, amigas e seguidoras Anna e Lilian, sumi, né? E nem respondi a vocês e a Jacqueline sobre as dicas da cadeirinha. Que feio!
Mas então: Arthur odeia a cadeirinha. Tem um cachorrinho e uma bola pendurados no raio da cadeirinha, mas se distrai por poucos minutos. Tentamos vasto repertório musical e radiofônico (programas de entrevistas, narrações de jogos, "No divã do Gikovate" etc.). Arthur não curte nada. Só o som insuportável do útero. Masssss... descobrimos que durante o dia ele costuma ficar muito bem no carro. Vai ver tem medo de escuro ou já está meio jururu por causa do cansaço do dia.Vai saber? Agora, priorizamos passeios de carro pela manhã.
Mas é óbvio que eu sumi e não foi por conta do meu filho em guerra com as formigas imaginárias (mais ou menos) e nem por causa do fim da OiOiOi.
Eu sumi porque minha vida entrou num turbilhão louco, insano, doidinho, e não dei conta (e continuo não conseguindo dar conta).
Em primeiro lugar, voltei a trabalhar como frila. Foi preciso porque vem a creche (e que facada!), vem o cartão de crédito com as roupinhas que comprei (que facada!) e vem o Arthur tomando mamadeira porque eu volto a trabalhar em novembro (que facada!). Com isso, morri financeiramente já no 5º dia do mês.
(Vendo textos, baratinho. Tratar aqui.)
Em segundo lugar, marido viajou, fiquei sozinha com Arthur e minha mãe. Eu tenho um relacionamento muito, muito, muito difícil com minha mãe. E a semana sem marido foi tensa de saudades e de desencontros familiares.
Marido voltou e, vejam só!, fez aniversário, passou num concurso e deu festa em casa para comemorar as alegrias. Tudo ao mesmo tempo. Pirei nos improvisos, nos frilas atrasados, na festa que não tem minha presença porque Arthur dorme 20h e eu vou junto (e continuo sem beber cerveja, neam?), nos dinheiros, nos desentendimentos avozísticos e no drama master da volta à labuta.
Posso chorar um 'cadinho?
[snif]
pronto (ou quase).
[vou chorar mais um pouquinho, tá?]
Fico sentada, vendo meu filho brincar no tapetinho de atividades que me custou os olhos da cara (mas promete o Eldorado do desenvolvimento cognitivo) e que vou pagar em 12X com juros no cartão, que vence dia 20, mesmo dia em que entrego o frila (mas só recebo 15 dias depois). E aí eu tenho vontade de chorar porque, se ele chora de lá, eu estou cá para afagá-lo e dar de mamar. Mas daqui a menos de um mês não vou estar, de segunda a sexta, nem lá nem cá. E ele terá uma "tia" no berçário, e uma mamadeira (com leite materno, se eu conseguir fazer um estoque. Vocês já viram o preço das bombinhas elétricas? De onde vou tirar dinheiro para alugar ou comprar uma?). Será que vão acudi-lo quando ele reclamar? Será que ele vai se sentir menos amado? Dói no meu coração pensar que ficarei tanto tempo longe dele e, quando for buscá-lo, meu filho, alma boa, pura, linda, vai RIR PARA MIM, quando eu merecia era um tapa na fuça por ter insistido em ter um filho, mesmo sabendo que teria de deixá-lo na creche aos 5 meses. E eu choro sem lágrimas. E penso: um milhão de vezes parir sem anestesia, um bilhão de vezes mastite, cisto no mamilo, monília, bicos rachados. Nada é páreo para esta dor: estar longe do Arthur.
[snif]
Arthur dorme grudado em mim. Eu amo. Eu o amo.
Amamentar está quase indolor. Já ordenhei 140ml de leite, mas preciso, segundo consta, de 400ml diários. Alfafa ajuda, me disseram. Também o "Chá da mamãe", da Weleda. Extrato de algodão, reza a lenda, é porreta.
Arthur passou por dias difíceis: dormiu mal, mamou mal, chorou sentido. Sente minhas dores? Acho que o maldito refluxo ajudou. E o salto de desenvolvimento. Ele aprendeu a gargalhar (e tão lindo que é, resolveu não causar ciúmes em casa e o fez para o nosso cachorro). Ele aprendeu a rolar. Levamos ao pediatra e na receita estava escrito: "Agora podemos usar o bebê-conforto e o sling." Porra! Não podia antes?! Devia ter sido avisada na primeira consulta: vamos liberando apetrechos aos poucos, viu? Mas não: fiz cara de paisagem, com Arthur no sling desde 7 dias de vida e no bebê-conforto desde o primeiro dia. Resultado? Rola, gargalha e senta com apoio. Aos quatro meses. O pediatra falou: " é, ele está mesmo bem durinho!"
Quase uma da manhã. Marido bebendo com poucos amigos na varanda de casa. Merda. Poucos têm filhos. Fazem muito barulho, e eu preciso ficar enfurnada no quarto, com Arthur, que só dorme grudado em mim (e eu amo!), com a porcaria do barulho infernal ligado, para abafar os ruídos externos. Sabiam que eu nem ouço mais essa barulheira? Durmo e tudo com o útero e o coração bombeando o sangue de alguém. Mas o que me angustia mesmo é que faltam poucos dias para eu voltar ao trabalho e ficar nove horas (até ele completar 6 meses serão "apenas" oito horas) longe do meu filho tão lindo, tão perfeito.
E aí, eu entro aqui no meu cantinho e vejo que as pessoas sentiram minha falta. Que apesar dos comentários modestos em quantidade, pessoas se interessam, se preocupam, querem saber, torcem, ajudam. Dá vontade de fazer um teste de gravidez, porque ando mais sensível que dente lascado, mas não é bebê no forno, não. É bebê nos braços. Choro, choro, choro. Mas sem lágrimas, porque desde que Arthur nasceu pareço uma fortaleza. Ninguém mexe com a minha cria. NInguém contesta minhas escolhas. Mas ele vai para a creche. Tão vendo o drama? A droga? O desgaste? CRECHE. Muito boa, bonita, limpa, bom programa pedagógico, referências. Mas não é meu colo, meu aconchego, meu peito, meu cheiro.
E aí penso: preciso do meu emprego para pagar as contas. Acontece que trabalhando, gero mais uma despesa, a creche, e preciso trabalhar mais. E, de certo modo, lá se vão mais horas longe do filhote, preocupada com outras coisas que não são tão importantes assim, afinal. (Já dizia Pessoa que "o sol doira sem literatura".)
Me lasco. Sofro. Não durmo e sumo.
Vocês perdoam esse post loucão, essa autora loucona e todo o sumiço e o mimimi? Aceito abraços e beijos e cafunés.
Mas então: Arthur odeia a cadeirinha. Tem um cachorrinho e uma bola pendurados no raio da cadeirinha, mas se distrai por poucos minutos. Tentamos vasto repertório musical e radiofônico (programas de entrevistas, narrações de jogos, "No divã do Gikovate" etc.). Arthur não curte nada. Só o som insuportável do útero. Masssss... descobrimos que durante o dia ele costuma ficar muito bem no carro. Vai ver tem medo de escuro ou já está meio jururu por causa do cansaço do dia.Vai saber? Agora, priorizamos passeios de carro pela manhã.
Mas é óbvio que eu sumi e não foi por conta do meu filho em guerra com as formigas imaginárias (mais ou menos) e nem por causa do fim da OiOiOi.
Eu sumi porque minha vida entrou num turbilhão louco, insano, doidinho, e não dei conta (e continuo não conseguindo dar conta).
Em primeiro lugar, voltei a trabalhar como frila. Foi preciso porque vem a creche (e que facada!), vem o cartão de crédito com as roupinhas que comprei (que facada!) e vem o Arthur tomando mamadeira porque eu volto a trabalhar em novembro (que facada!). Com isso, morri financeiramente já no 5º dia do mês.
(Vendo textos, baratinho. Tratar aqui.)
Em segundo lugar, marido viajou, fiquei sozinha com Arthur e minha mãe. Eu tenho um relacionamento muito, muito, muito difícil com minha mãe. E a semana sem marido foi tensa de saudades e de desencontros familiares.
Marido voltou e, vejam só!, fez aniversário, passou num concurso e deu festa em casa para comemorar as alegrias. Tudo ao mesmo tempo. Pirei nos improvisos, nos frilas atrasados, na festa que não tem minha presença porque Arthur dorme 20h e eu vou junto (e continuo sem beber cerveja, neam?), nos dinheiros, nos desentendimentos avozísticos e no drama master da volta à labuta.
Posso chorar um 'cadinho?
[snif]
pronto (ou quase).
[vou chorar mais um pouquinho, tá?]
Fico sentada, vendo meu filho brincar no tapetinho de atividades que me custou os olhos da cara (mas promete o Eldorado do desenvolvimento cognitivo) e que vou pagar em 12X com juros no cartão, que vence dia 20, mesmo dia em que entrego o frila (mas só recebo 15 dias depois). E aí eu tenho vontade de chorar porque, se ele chora de lá, eu estou cá para afagá-lo e dar de mamar. Mas daqui a menos de um mês não vou estar, de segunda a sexta, nem lá nem cá. E ele terá uma "tia" no berçário, e uma mamadeira (com leite materno, se eu conseguir fazer um estoque. Vocês já viram o preço das bombinhas elétricas? De onde vou tirar dinheiro para alugar ou comprar uma?). Será que vão acudi-lo quando ele reclamar? Será que ele vai se sentir menos amado? Dói no meu coração pensar que ficarei tanto tempo longe dele e, quando for buscá-lo, meu filho, alma boa, pura, linda, vai RIR PARA MIM, quando eu merecia era um tapa na fuça por ter insistido em ter um filho, mesmo sabendo que teria de deixá-lo na creche aos 5 meses. E eu choro sem lágrimas. E penso: um milhão de vezes parir sem anestesia, um bilhão de vezes mastite, cisto no mamilo, monília, bicos rachados. Nada é páreo para esta dor: estar longe do Arthur.
[snif]
Arthur dorme grudado em mim. Eu amo. Eu o amo.
Amamentar está quase indolor. Já ordenhei 140ml de leite, mas preciso, segundo consta, de 400ml diários. Alfafa ajuda, me disseram. Também o "Chá da mamãe", da Weleda. Extrato de algodão, reza a lenda, é porreta.
Arthur passou por dias difíceis: dormiu mal, mamou mal, chorou sentido. Sente minhas dores? Acho que o maldito refluxo ajudou. E o salto de desenvolvimento. Ele aprendeu a gargalhar (e tão lindo que é, resolveu não causar ciúmes em casa e o fez para o nosso cachorro). Ele aprendeu a rolar. Levamos ao pediatra e na receita estava escrito: "Agora podemos usar o bebê-conforto e o sling." Porra! Não podia antes?! Devia ter sido avisada na primeira consulta: vamos liberando apetrechos aos poucos, viu? Mas não: fiz cara de paisagem, com Arthur no sling desde 7 dias de vida e no bebê-conforto desde o primeiro dia. Resultado? Rola, gargalha e senta com apoio. Aos quatro meses. O pediatra falou: " é, ele está mesmo bem durinho!"
Quase uma da manhã. Marido bebendo com poucos amigos na varanda de casa. Merda. Poucos têm filhos. Fazem muito barulho, e eu preciso ficar enfurnada no quarto, com Arthur, que só dorme grudado em mim (e eu amo!), com a porcaria do barulho infernal ligado, para abafar os ruídos externos. Sabiam que eu nem ouço mais essa barulheira? Durmo e tudo com o útero e o coração bombeando o sangue de alguém. Mas o que me angustia mesmo é que faltam poucos dias para eu voltar ao trabalho e ficar nove horas (até ele completar 6 meses serão "apenas" oito horas) longe do meu filho tão lindo, tão perfeito.
E aí, eu entro aqui no meu cantinho e vejo que as pessoas sentiram minha falta. Que apesar dos comentários modestos em quantidade, pessoas se interessam, se preocupam, querem saber, torcem, ajudam. Dá vontade de fazer um teste de gravidez, porque ando mais sensível que dente lascado, mas não é bebê no forno, não. É bebê nos braços. Choro, choro, choro. Mas sem lágrimas, porque desde que Arthur nasceu pareço uma fortaleza. Ninguém mexe com a minha cria. NInguém contesta minhas escolhas. Mas ele vai para a creche. Tão vendo o drama? A droga? O desgaste? CRECHE. Muito boa, bonita, limpa, bom programa pedagógico, referências. Mas não é meu colo, meu aconchego, meu peito, meu cheiro.
E aí penso: preciso do meu emprego para pagar as contas. Acontece que trabalhando, gero mais uma despesa, a creche, e preciso trabalhar mais. E, de certo modo, lá se vão mais horas longe do filhote, preocupada com outras coisas que não são tão importantes assim, afinal. (Já dizia Pessoa que "o sol doira sem literatura".)
Me lasco. Sofro. Não durmo e sumo.
Vocês perdoam esse post loucão, essa autora loucona e todo o sumiço e o mimimi? Aceito abraços e beijos e cafunés.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Pelo direito de parir onde eu quiser
Matutei muito, escrevi vários rascunhos gigantescos, senti o sangue ferver lendo as bobagens dos que repudiam o parto domiciliar e reproduzem preconceitos, mas daí achei que tem horas em que poesia é melhor que prosa.
Minha opinião sobre onde parir, então, vai até musicada.
Minha opinião sobre onde parir, então, vai até musicada.
domingo, 10 de junho de 2012
A saga da cadeirinha
Sei que hoje não é ontem, mas se estou aqui escrevendo este texto é porque ainda tenho um filhote embutido.
Tem seu lado bom, porque não terminei as gincanas. Aliás, a busca pelo R perdido teve novo capítulo! Lembram que eu encomendei pela internet um alfabeto igual ao que eu tenho aqui em casa? Pois recebi um e-mail da loja virtual lamentando que "o artigo, infelizmente, esgotou".
Quém-quém-quém-quém.
Resultado: catei umas letrinhas outras aqui (que são muito menos visualmente impactantes que as primeiras) e só me falta colá-las para anunciar que eu tenho um Arthur (e não um Arthu ou um Arthub, já que eu poderia cortar o B e transformá-lo num R meio estranho). Agora é tomar vergonha na cara, sentar diante da máquina de costura e mandar ver no restante do enfeite (depois mostro como ficou. Prometo).
Mas, sem mais delongas, vamos ao que interessa: então que a cadeirinha chegou, enfim!
#todasficafeliz
E aqui, caros leitores, venho eu contar minha saga, quase epopeia (bem que merecia uns versinhos essa história, mas vou poupá-los porque assim me manda o que me resta de bom-senso - e vocês verão que bom-senso anda escasso por essas bandas).
Tudo começou no longíquo primeiro trimestre, quando minha melhor e mais querida amiga do mundo inteiro me deu de presente o travel system que eu tanto queria. Cadeirinha/bebê conforto e carrinho não seriam um problema para mim. A felicidade bateu no meu peito e ainda hoje, quando vejo o carrinho estacionado na sala, aguardando seu tripulante, me sinto grata e felicíssima (menos gastos, menos problemas, menos um item).
Acontece que minha melhor e mais querida amiga mora nos States (chique, né?) e não pôde trazer o conjunto completinho de uma vez porque era mala demais, então a cadeirinha/bebê conforto ficou com ela, e me chegaria às mãos em maio. Primeira semana.
Marquei na agenda a data da chegada da minha amiga tão querida (progesterona, um beijo para você que me faz esquecer até se almocei) e pensei: maio é um pouco arriscado, mas tudo vai dar certo, filhote vai ficar na pança até junho, e todos seremos felizes. E maio chegou. E minha amiga chegou. E a cadeirinha chegou. Em São Paulo. O quê? Não contei que minha melhor e mais querida amiga é paulista? Pois é. Ela é. E vinha ao Rio, se não fosse um compromisso profissional inesperado arrastá-la para Manaus. Note bem, você não leu errado: MANAUS. Claro que deixamos a cadeirinha na casa da mãe da minha amiga, em SP, afinal eu conheço umas trinta pessoas que viajam de vez em quando para São Paulo, e só três que viajam de vez em nunca para Manaus.
Na minha cabeça de grávida sonhadora de início de maio, tudo estava resolvido: tenho um tio que mora em São Paulo e me traria a cadeirinha sem qualquer problema. Traria, se ele não tivesse sido alocado em Curitiba por três meses, por conta de um trabalho.
Meio de maio chegou. E com ele, a solução: uma pessoa que conheço iria fazer Rio-São Paulo, de carro, por volta do dia 20. Perfeito! Ela pegaria a cadeira e traria para mim. Delivery express.
Óbvio que deu chabu.
Essa pessoa é enrolada e furona, mas como havia me garantido, jurado pela felicidade de toda a família e pelos santos todos que iria buscar o raio da cadeirinha, acreditei. Tola que sou! Não só essa pessoa não buscou a cadeirinha, como ficou "me prendendo", pois prometia que a viagem a SP aconteceria naquela semana e que eu não falasse com mais ninguém porque ela resolveria.
Nisso, junho chegou. E com ele, a real data da viagem da tal pessoa: meados de junho. Como ninguém com quem eu convivo pessoalmente sabe da minha DPP, não podia simplesmente chegar para a dita cuja e falar: olha, provavelmente já terei parido nessa época. Tudo o que pude fazer foi agradecer pela disponibilidade e arrumar outra pessoa que me ajudasse (e não me atrapalhasse) a ter um final feliz.
E essa pessoa surgiu! Um amigo vinha passar o feriado de 7 de junho no Rio. Olha que fortuito! Até porque dia 7 era beeeeem melhor que o longíquo dia 15 ou 20 da enrolona. Fiquei feliz, me emocionei, pensei: agora vai! E foi. Foi para as cucuias o plano.
O rapaz ficou doente e precisou abortar a viagem de entretenimento. Tive ímpetos de sentar no chão e chorar. E pensava: não basta passar duzentas e noventa e sete pecinhas minúsculas de roupa para passar, não basta essa falta de ar constante, esse estresse de ter deixado tudo para em cima da hora por conta dos compromissos profissionais, eu ainda preciso sofrer (e muito) com o raio da cadeirinha!
[Meninas não grávidas, pensem na pior TPM da sua vida e multiplique por dez. Ok. Você entendeu a enxurrada hormonal gravídica.
Meninos, pensem no Maguila doidão de tequila chorando porque não conseguiu amarrar o cadarço. Você quase entedeu como reagi.]
Então eu vim aqui, contei para vocês, a Anna me salvou a vida e, na mesma manhã em que já estava tranquila e feliz porque havia uma solução, surge uma alma caridosa, ex-carioca, morando em Sampa, que vem ao Rio feriadar feliz. E ela não tem malas. E ela pode, sim, por que não?, me trazer a cadeirinha. E meu amigo, que ficou doente e não pôde vir ao Rio, pode, é claro!, levar a cadeirinha até essa minha amiga (agora, forte candidata a entrar no hall da fama da amizade e deixar até a marca das mãozinhas no gesso do meu coração).
Precisei me controlar para não dizer que ela caiu do céu porque, afinal, ela estava vindo de avião e não queria que nada pudesse arriscar a operação. E hoje, quando vi a cadeirinha, meu coração se enterneceu, me enchi de gratidão e pensei: Arthur pode, enfim, nascer.
Mas então meu chão ruiu. Em pleno aeroporto caótico, transferindo da mala para uma sacola as roupinhas e coisinhas que vinham com a cadeirinha, minha amiga revela: não deu para trazer "uns panos que estavam junto por conta do peso da mala". Os "panos", minha gente, eram as duas mantinhas e os 7 cueirinhos que eu havia comprado para embrulhar meu pacotinho. Sorri, engoli o pânico, agradeci efusivamente o imenso e impagável favor que ela me fez, e deixei o aeroporto com uma barriga, uma cadeirinha, meia dúzia de roupinhas e a promessa de que dia 22 de junho terei meus "panos" no Rio. E, para completar a murphylização da saga, São Pedro voltou das férias e tascou o termostato lá para baixo. Resultado: corri para comprar manta e cueiro que Arthur usará atéééé sair de casa, já que terá umas 5 mantas e uns 12 cueiros. Já estou vendo: aniversário de 18 anos, Arthur todo feliz, vai dormir com a namorada em seu quarto, e ela pergunta: "Amoreco, o que é isso?" Ao que ele responde, meio constrangido: "Isso, meu bem, é um cueiro, que ganhei de presente hoje... Bacana, né? É de flanela, minha mãe comprou quando estava grávida de mim, mas nunca usou. Aliás, todo ano ela me dá um cueiro novo de presente..."
Tem seu lado bom, porque não terminei as gincanas. Aliás, a busca pelo R perdido teve novo capítulo! Lembram que eu encomendei pela internet um alfabeto igual ao que eu tenho aqui em casa? Pois recebi um e-mail da loja virtual lamentando que "o artigo, infelizmente, esgotou".
Quém-quém-quém-quém.
Resultado: catei umas letrinhas outras aqui (que são muito menos visualmente impactantes que as primeiras) e só me falta colá-las para anunciar que eu tenho um Arthur (e não um Arthu ou um Arthub, já que eu poderia cortar o B e transformá-lo num R meio estranho). Agora é tomar vergonha na cara, sentar diante da máquina de costura e mandar ver no restante do enfeite (depois mostro como ficou. Prometo).
Mas, sem mais delongas, vamos ao que interessa: então que a cadeirinha chegou, enfim!
#todasficafeliz
E aqui, caros leitores, venho eu contar minha saga, quase epopeia (bem que merecia uns versinhos essa história, mas vou poupá-los porque assim me manda o que me resta de bom-senso - e vocês verão que bom-senso anda escasso por essas bandas).
Tudo começou no longíquo primeiro trimestre, quando minha melhor e mais querida amiga do mundo inteiro me deu de presente o travel system que eu tanto queria. Cadeirinha/bebê conforto e carrinho não seriam um problema para mim. A felicidade bateu no meu peito e ainda hoje, quando vejo o carrinho estacionado na sala, aguardando seu tripulante, me sinto grata e felicíssima (menos gastos, menos problemas, menos um item).
Acontece que minha melhor e mais querida amiga mora nos States (chique, né?) e não pôde trazer o conjunto completinho de uma vez porque era mala demais, então a cadeirinha/bebê conforto ficou com ela, e me chegaria às mãos em maio. Primeira semana.
Marquei na agenda a data da chegada da minha amiga tão querida (progesterona, um beijo para você que me faz esquecer até se almocei) e pensei: maio é um pouco arriscado, mas tudo vai dar certo, filhote vai ficar na pança até junho, e todos seremos felizes. E maio chegou. E minha amiga chegou. E a cadeirinha chegou. Em São Paulo. O quê? Não contei que minha melhor e mais querida amiga é paulista? Pois é. Ela é. E vinha ao Rio, se não fosse um compromisso profissional inesperado arrastá-la para Manaus. Note bem, você não leu errado: MANAUS. Claro que deixamos a cadeirinha na casa da mãe da minha amiga, em SP, afinal eu conheço umas trinta pessoas que viajam de vez em quando para São Paulo, e só três que viajam de vez em nunca para Manaus.
Na minha cabeça de grávida sonhadora de início de maio, tudo estava resolvido: tenho um tio que mora em São Paulo e me traria a cadeirinha sem qualquer problema. Traria, se ele não tivesse sido alocado em Curitiba por três meses, por conta de um trabalho.
Meio de maio chegou. E com ele, a solução: uma pessoa que conheço iria fazer Rio-São Paulo, de carro, por volta do dia 20. Perfeito! Ela pegaria a cadeira e traria para mim. Delivery express.
Óbvio que deu chabu.
Essa pessoa é enrolada e furona, mas como havia me garantido, jurado pela felicidade de toda a família e pelos santos todos que iria buscar o raio da cadeirinha, acreditei. Tola que sou! Não só essa pessoa não buscou a cadeirinha, como ficou "me prendendo", pois prometia que a viagem a SP aconteceria naquela semana e que eu não falasse com mais ninguém porque ela resolveria.
Nisso, junho chegou. E com ele, a real data da viagem da tal pessoa: meados de junho. Como ninguém com quem eu convivo pessoalmente sabe da minha DPP, não podia simplesmente chegar para a dita cuja e falar: olha, provavelmente já terei parido nessa época. Tudo o que pude fazer foi agradecer pela disponibilidade e arrumar outra pessoa que me ajudasse (e não me atrapalhasse) a ter um final feliz.
E essa pessoa surgiu! Um amigo vinha passar o feriado de 7 de junho no Rio. Olha que fortuito! Até porque dia 7 era beeeeem melhor que o longíquo dia 15 ou 20 da enrolona. Fiquei feliz, me emocionei, pensei: agora vai! E foi. Foi para as cucuias o plano.
O rapaz ficou doente e precisou abortar a viagem de entretenimento. Tive ímpetos de sentar no chão e chorar. E pensava: não basta passar duzentas e noventa e sete pecinhas minúsculas de roupa para passar, não basta essa falta de ar constante, esse estresse de ter deixado tudo para em cima da hora por conta dos compromissos profissionais, eu ainda preciso sofrer (e muito) com o raio da cadeirinha!
[Meninas não grávidas, pensem na pior TPM da sua vida e multiplique por dez. Ok. Você entendeu a enxurrada hormonal gravídica.
Meninos, pensem no Maguila doidão de tequila chorando porque não conseguiu amarrar o cadarço. Você quase entedeu como reagi.]
Então eu vim aqui, contei para vocês, a Anna me salvou a vida e, na mesma manhã em que já estava tranquila e feliz porque havia uma solução, surge uma alma caridosa, ex-carioca, morando em Sampa, que vem ao Rio feriadar feliz. E ela não tem malas. E ela pode, sim, por que não?, me trazer a cadeirinha. E meu amigo, que ficou doente e não pôde vir ao Rio, pode, é claro!, levar a cadeirinha até essa minha amiga (agora, forte candidata a entrar no hall da fama da amizade e deixar até a marca das mãozinhas no gesso do meu coração).
Precisei me controlar para não dizer que ela caiu do céu porque, afinal, ela estava vindo de avião e não queria que nada pudesse arriscar a operação. E hoje, quando vi a cadeirinha, meu coração se enterneceu, me enchi de gratidão e pensei: Arthur pode, enfim, nascer.
Mas então meu chão ruiu. Em pleno aeroporto caótico, transferindo da mala para uma sacola as roupinhas e coisinhas que vinham com a cadeirinha, minha amiga revela: não deu para trazer "uns panos que estavam junto por conta do peso da mala". Os "panos", minha gente, eram as duas mantinhas e os 7 cueirinhos que eu havia comprado para embrulhar meu pacotinho. Sorri, engoli o pânico, agradeci efusivamente o imenso e impagável favor que ela me fez, e deixei o aeroporto com uma barriga, uma cadeirinha, meia dúzia de roupinhas e a promessa de que dia 22 de junho terei meus "panos" no Rio. E, para completar a murphylização da saga, São Pedro voltou das férias e tascou o termostato lá para baixo. Resultado: corri para comprar manta e cueiro que Arthur usará atéééé sair de casa, já que terá umas 5 mantas e uns 12 cueiros. Já estou vendo: aniversário de 18 anos, Arthur todo feliz, vai dormir com a namorada em seu quarto, e ela pergunta: "Amoreco, o que é isso?" Ao que ele responde, meio constrangido: "Isso, meu bem, é um cueiro, que ganhei de presente hoje... Bacana, né? É de flanela, minha mãe comprou quando estava grávida de mim, mas nunca usou. Aliás, todo ano ela me dá um cueiro novo de presente..."
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Plugada e pilhada (ou "Ainda não pari")
Com a contagem regressiva pressionando a todos, convém que eu apareça diariamente para dar satisfações e não deixar ninguém achando que eu já pari, né?
Apesar do cheirinho delicioso de fraldas e sabonete de neném que paira no meu apartamento, apesar da pança enorme e dos hormônios enlouquecidos, e apesar, sobretudo, de já ter cadeirinha (todo mundo jogando as mãos para o alto e comemorando comigo! Principalmente a Anna!), Arthur ainda mora dentro de mim.
Ele ainda mora dentro de mim e eu continuo plugada (nada de tampão, minha gente) e começo a ficar pilhada. Acho que as gincanas estão chegando ao fim (chegou a cadeirinha, já até comprei e lavei a capinha para forrá-la), o enfeite da porta da maternidade também está caminhando (a passos de cágado velho, mas caminha) e o porta-fraldas está sendo tentadoramente adiado (já pensou que relato de parto fabulosamente crafter se eu disser que entre as contrações eu aproveitava para terminar a pintura da peça?!).
Lavei todas as roupinhas até 6 meses, faltam cerca de 30 peças para passar (num horizonte de 7952 peças iniciais, o que são 30 bodies do tamanho da palma da minha mão, não é mesmo?), bercinho já tem protetor e lençol (e edredom, que é para não pegar poeira) e amanhã devo comprar uma mantinha porque está ficando frio. Também amanhã devo mandar emoldurar uns quadrinhos e trocar umas roupinhas.
Daí, o que me sobra? A tensão da US, que não consigo marcar em lugar nenhum do universo, e o frisson do R perdido. Lembram? Arthur tem 2 Rs e o alfabeto que comprei só tem um R. Mas achei na internet um alfabeto igualzinho ao que tenho por aqui e comprei, com entrega em prazo que varia entre 3 e 8 dias úteis. Será que na porta da maternidade teremos um Arthu ou um Arthur? Prometo voltar para contar.
Também preciso comentar o post anterior, tá? Então vocês, por favor, sejam novamente bacanas com uma gestante hormonalmente alterada e ainda plugada, com quase 40 semanas.
Quando eu disse que estava ficando loucona de hormônios (mas loucona de verdade, de ter medo de sair na rua, dar meus ataques de pelanca e, em vez de voltar para casa - e para meus dias sem fim -, ir direto para o manicômio), acho que ninguém levou muito a sério. Até o último post, né?
Adorei que várias pessoas comentaram e vi que muitas outras me visitaram, mas não falaram nada (eu estou loucona de hormônios, mas não mordo - ao menos não enquanto houver uma tela entre nós -, então podem comentar) e realmente achei incrível porque escrevi o texto pensando uma coisa, num tom, e vi como as palavras nem sempre têm o tal "estado de dicionário" do Drummond e acabam enveredando por caminhos inesperados. E que coisa bacana.
É que eu meio que desabafei, sabem, por causa das gincanas. E aí li o texto da Thais, e vi aquele tanto de roupinha por passar, e quase não deu certo a operação resgate da cadeirinha, e minha licença médica está acabando e eu não queria gastar a licença-maternidade, e minha médica me passou uma US que não consigo marcar, e meus dias parecem que andam eternos. Daí desabafei das dores acumuladas ao longo da gravidez, porque eu concordo com vocês, que leram o post e vieram com muito carinho me lembrar (e consolar) de que essas perguntas, muitas vezes, são formas de dizer "oi, que bacana você estar grávida e eu quero muito que você e seu bebê sejam felizes". Eu sei, eu sei, gente. Mas tenho meus pontos sensíveis e, como eu disse no comecinho deste texto, o tal "estado de dicionário" de que fala Drummond nem sempre é alcançável no cotidiano nada poético, né? Daí, tome interpretar palavras e tons e dar aquela sofridinha básica. Sofri, mas quem não sofreu?
E aí passou. E ontem mesmo umas pessoas me perguntaram (e saíram ilesos da minha casa, vejam só!) se eu tinha planejado a gravidez, quando nascia esse menino e se eu tinha preferência pelo sexo. Ai, Murphy, você é tão legal (e tão previsível)!
Enfim, obrigada, muito obrigada a todas que comentaram com tanto carinho e solidariedade e votos de bom parto! Buchudas interrogadas deste Brasil: uni-vos e compadecei-vos das agruras e angústias alheias!
=)
Para finalizar, prometo que, se não entrar em trabalho de parto amanhã, venho contar a saga da cadeirinha. Sei que não sou muito boa em cumprir promessas por aqui, mas o texto já está pensado e quem não parir, verá.
Apesar do cheirinho delicioso de fraldas e sabonete de neném que paira no meu apartamento, apesar da pança enorme e dos hormônios enlouquecidos, e apesar, sobretudo, de já ter cadeirinha (todo mundo jogando as mãos para o alto e comemorando comigo! Principalmente a Anna!), Arthur ainda mora dentro de mim.
Ele ainda mora dentro de mim e eu continuo plugada (nada de tampão, minha gente) e começo a ficar pilhada. Acho que as gincanas estão chegando ao fim (chegou a cadeirinha, já até comprei e lavei a capinha para forrá-la), o enfeite da porta da maternidade também está caminhando (a passos de cágado velho, mas caminha) e o porta-fraldas está sendo tentadoramente adiado (já pensou que relato de parto fabulosamente crafter se eu disser que entre as contrações eu aproveitava para terminar a pintura da peça?!).
Lavei todas as roupinhas até 6 meses, faltam cerca de 30 peças para passar (num horizonte de 7952 peças iniciais, o que são 30 bodies do tamanho da palma da minha mão, não é mesmo?), bercinho já tem protetor e lençol (e edredom, que é para não pegar poeira) e amanhã devo comprar uma mantinha porque está ficando frio. Também amanhã devo mandar emoldurar uns quadrinhos e trocar umas roupinhas.
Daí, o que me sobra? A tensão da US, que não consigo marcar em lugar nenhum do universo, e o frisson do R perdido. Lembram? Arthur tem 2 Rs e o alfabeto que comprei só tem um R. Mas achei na internet um alfabeto igualzinho ao que tenho por aqui e comprei, com entrega em prazo que varia entre 3 e 8 dias úteis. Será que na porta da maternidade teremos um Arthu ou um Arthur? Prometo voltar para contar.
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Também preciso comentar o post anterior, tá? Então vocês, por favor, sejam novamente bacanas com uma gestante hormonalmente alterada e ainda plugada, com quase 40 semanas.
Quando eu disse que estava ficando loucona de hormônios (mas loucona de verdade, de ter medo de sair na rua, dar meus ataques de pelanca e, em vez de voltar para casa - e para meus dias sem fim -, ir direto para o manicômio), acho que ninguém levou muito a sério. Até o último post, né?
Adorei que várias pessoas comentaram e vi que muitas outras me visitaram, mas não falaram nada (eu estou loucona de hormônios, mas não mordo - ao menos não enquanto houver uma tela entre nós -, então podem comentar) e realmente achei incrível porque escrevi o texto pensando uma coisa, num tom, e vi como as palavras nem sempre têm o tal "estado de dicionário" do Drummond e acabam enveredando por caminhos inesperados. E que coisa bacana.
É que eu meio que desabafei, sabem, por causa das gincanas. E aí li o texto da Thais, e vi aquele tanto de roupinha por passar, e quase não deu certo a operação resgate da cadeirinha, e minha licença médica está acabando e eu não queria gastar a licença-maternidade, e minha médica me passou uma US que não consigo marcar, e meus dias parecem que andam eternos. Daí desabafei das dores acumuladas ao longo da gravidez, porque eu concordo com vocês, que leram o post e vieram com muito carinho me lembrar (e consolar) de que essas perguntas, muitas vezes, são formas de dizer "oi, que bacana você estar grávida e eu quero muito que você e seu bebê sejam felizes". Eu sei, eu sei, gente. Mas tenho meus pontos sensíveis e, como eu disse no comecinho deste texto, o tal "estado de dicionário" de que fala Drummond nem sempre é alcançável no cotidiano nada poético, né? Daí, tome interpretar palavras e tons e dar aquela sofridinha básica. Sofri, mas quem não sofreu?
E aí passou. E ontem mesmo umas pessoas me perguntaram (e saíram ilesos da minha casa, vejam só!) se eu tinha planejado a gravidez, quando nascia esse menino e se eu tinha preferência pelo sexo. Ai, Murphy, você é tão legal (e tão previsível)!
Enfim, obrigada, muito obrigada a todas que comentaram com tanto carinho e solidariedade e votos de bom parto! Buchudas interrogadas deste Brasil: uni-vos e compadecei-vos das agruras e angústias alheias!
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Para finalizar, prometo que, se não entrar em trabalho de parto amanhã, venho contar a saga da cadeirinha. Sei que não sou muito boa em cumprir promessas por aqui, mas o texto já está pensado e quem não parir, verá.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Blogagem coletiva Mamatraca - Nascimento do Intimidade: vida selvagem
Fiquei aqui matutando como começar o post da blogagem coletiva para o Mamatraca. Porque, né?, os começos das coisas não são os começos das coisas. Por exemplo, se a gnete vai contar a história da nossa gravidez, geralmente começamos com a expectativa para engravidar, ou o contexto em que descobrimos a gestação (se pegas de surpresa), e é muito raro que a gente comece as narrativas com “estou grávida e este é um blog sobre minha gestação”. Pá!
Não, não. Geralmente fazemos um preâmbulo, contextualizamos, usamos a velha conhecida fórmula do “era uma vez...”.
E aí, pensei em como é curioso que o assunto do dia da blogagem coletiva seja a morte do Wando. É o ciclo completo: nascimentos e mortes, e no meio disso tudo a perpetuação da espécie e dos clichês (amo clichês e breguices!). E concluí disso tudo duas coisas: 1) Wando, calcinha, gravidez, nascimento, morte... tudo isso têm relação. 2) Ando cada vez mais viajando na batatinha, e espero imensamente que meu bebê faça bom uso dos neurônios que deve estar roubando da mãe, porque só um sequestro neuronial pode explicar essas associações sem pé nem cabeça que tenho feito cada vez mais amiúde.
Mas voltando à blogagem coletiva e ao nascimento deste blog, comecei no mundo internético-blogueiro em priscas eras. Lá se ia 2001 quando fiz meu primeiro blog. Literário, com frases soltas sobre meus sentimentos de canceriana saindo da adolescência. Hoje, relendo os arquivos, nem acho tudo tão ruim, e cheguei a fazer relativo sucesso, com visitas e comentários fartos, os amiguinhos da faculdade liam, os amiguinhos virtuais também, e eu ficava bastante satisfeita de ter meu público fiel.
Entretanto, eu sempre fui a maluca da maternidade (não esse tipo de maluca, mas ainda assim maluca) e já sonhava com filhos quando mal saíra da adolescência. E ter internet (discada) em casa ajudou a estimular minha curiosidade sobre o tema nascimentos e bebês. Um dia, fazendo buscas aleatórias (ah, que beleza ter tempo livre, não é mesmo, minha gente?!), caí em um blog coletivo sobre maternidade. Ali, cada pessoa postava foto dos filhotes e contava um pouquinhos sobre seu nascimento – e postava, é claro, um link para seu diário pessoal. E lá fui eu, lendo relatos de parto e conhecendo um pouco mais sobre essa blogosfera materna.
Entrei em listas de discussão, conheci mais gente, mais ideias, mais blogs, mais formas de nascer e educar, fui lendo, lendo, lendo... até que casei. Confesso que tentei fazer um diário sobre os preparativos para o meu casamento, e escrevi três posts furrecas sobre tudo o que eu estava vivendo, mas casar nunca foi o meu grande sonho. Nunca liguei ou idealizei a festa, a cerimônia, o vestido. Na verdade, até conhecer meu marido, nem queria casar de verdade. Então o projeto foi esquecido, o casamento passou e aquela vontade de resgatar a satisfação de escrever para alguém ainda estava por ali, dentro de mim. Foi quando, em plena lua de mel, fruindo a alegria da adaptação ao fuso-horário (#not), decidi que criaria um novo blog. Dessa vez, ele seria sobre mim, mas com um recorte mais bebezístico, porque eu queria engravidar (e como queria! Desde 2001, lembram?).
Em plena lua de mel, portanto, bolei esse nome estapafúrdio – inspirada pelo safári que faria dali a alguns dias – e comecei os trabalhos. Confesso que sofro muito com o blog, porque leio tanta gente bacana, porque torço por tantas mamães e tentantes, porque não o alimento e não comento com a regularidade de que gostaria. Porém, por outro lado, fico muito contente de me sentir parte de algo que já há tantos anos faz parte da minha vida, e que me permite ser, na vida real, uma pessoa um pouco menos monotemática – afinal, além de conhecer novas ideias e maneiras de lidar com as coisas da vida, também tenho um cantinho onde posso falar sobre gravidez, nascimentos, bebês e tudo o mais ligado ao universo materno.
E o Wando nisso tudo?
Ah, gente, nessa vida selvagem que é nossa intimidade sempre temos espaço para breguices e arrebatamentos apaixonados. Vai negar?
Não, não. Geralmente fazemos um preâmbulo, contextualizamos, usamos a velha conhecida fórmula do “era uma vez...”.
E aí, pensei em como é curioso que o assunto do dia da blogagem coletiva seja a morte do Wando. É o ciclo completo: nascimentos e mortes, e no meio disso tudo a perpetuação da espécie e dos clichês (amo clichês e breguices!). E concluí disso tudo duas coisas: 1) Wando, calcinha, gravidez, nascimento, morte... tudo isso têm relação. 2) Ando cada vez mais viajando na batatinha, e espero imensamente que meu bebê faça bom uso dos neurônios que deve estar roubando da mãe, porque só um sequestro neuronial pode explicar essas associações sem pé nem cabeça que tenho feito cada vez mais amiúde.
Mas voltando à blogagem coletiva e ao nascimento deste blog, comecei no mundo internético-blogueiro em priscas eras. Lá se ia 2001 quando fiz meu primeiro blog. Literário, com frases soltas sobre meus sentimentos de canceriana saindo da adolescência. Hoje, relendo os arquivos, nem acho tudo tão ruim, e cheguei a fazer relativo sucesso, com visitas e comentários fartos, os amiguinhos da faculdade liam, os amiguinhos virtuais também, e eu ficava bastante satisfeita de ter meu público fiel.
Entretanto, eu sempre fui a maluca da maternidade (não esse tipo de maluca, mas ainda assim maluca) e já sonhava com filhos quando mal saíra da adolescência. E ter internet (discada) em casa ajudou a estimular minha curiosidade sobre o tema nascimentos e bebês. Um dia, fazendo buscas aleatórias (ah, que beleza ter tempo livre, não é mesmo, minha gente?!), caí em um blog coletivo sobre maternidade. Ali, cada pessoa postava foto dos filhotes e contava um pouquinhos sobre seu nascimento – e postava, é claro, um link para seu diário pessoal. E lá fui eu, lendo relatos de parto e conhecendo um pouco mais sobre essa blogosfera materna.
Entrei em listas de discussão, conheci mais gente, mais ideias, mais blogs, mais formas de nascer e educar, fui lendo, lendo, lendo... até que casei. Confesso que tentei fazer um diário sobre os preparativos para o meu casamento, e escrevi três posts furrecas sobre tudo o que eu estava vivendo, mas casar nunca foi o meu grande sonho. Nunca liguei ou idealizei a festa, a cerimônia, o vestido. Na verdade, até conhecer meu marido, nem queria casar de verdade. Então o projeto foi esquecido, o casamento passou e aquela vontade de resgatar a satisfação de escrever para alguém ainda estava por ali, dentro de mim. Foi quando, em plena lua de mel, fruindo a alegria da adaptação ao fuso-horário (#not), decidi que criaria um novo blog. Dessa vez, ele seria sobre mim, mas com um recorte mais bebezístico, porque eu queria engravidar (e como queria! Desde 2001, lembram?).
Em plena lua de mel, portanto, bolei esse nome estapafúrdio – inspirada pelo safári que faria dali a alguns dias – e comecei os trabalhos. Confesso que sofro muito com o blog, porque leio tanta gente bacana, porque torço por tantas mamães e tentantes, porque não o alimento e não comento com a regularidade de que gostaria. Porém, por outro lado, fico muito contente de me sentir parte de algo que já há tantos anos faz parte da minha vida, e que me permite ser, na vida real, uma pessoa um pouco menos monotemática – afinal, além de conhecer novas ideias e maneiras de lidar com as coisas da vida, também tenho um cantinho onde posso falar sobre gravidez, nascimentos, bebês e tudo o mais ligado ao universo materno.
E o Wando nisso tudo?
Ah, gente, nessa vida selvagem que é nossa intimidade sempre temos espaço para breguices e arrebatamentos apaixonados. Vai negar?
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Das coisas que passam
Então que tudo o que eu mais queria era ficar em casa, de pernas para o ar, bebendo toda a água do mundo (e tomando toda a cerveja de trigo do mundo, mas falo sobre isso amanhã), curtindo a mini barriga e curtindo absolutamente nada dos enjoos diários e constantes que venho sentindo.
Mas eu sou proletária, minha gente.
Sou proletária e a renda familiar depende de mim. Assim, tive mesmo foi que ir para a labuta e labutar bem bonitinho, todos os dias (ou quase), engolindo gracinhas (que pararam depois que eu dei um mini chilique de grávida descompensada e chorei e tudo) e cumprindo prazos, metas e burocracias. Tudo com um sorriso no rosto e minhas calças alargadas no glamour do elástico (depois tiro foto e mostro para vocês).
Daí pensava, em meio a enjoos fenomenais e tensões pré-translucência nucal (um capítulo a parte, diga-se de passagem, o qual não me furtarei de contar), que meu blogue ficou sozinho e abandonado, que minha vida blogosférica foi deixada de lado porque eu precisava entregar dois trabalhos importantíssimos, e mudou chefia, e chegou dezembro, e eu não comprei um presentinho sequer ainda, e marido viajou me deixando com a alegria de ser buchuda em um shopping lotado do Rio justo na semana em que São Pedro lembrou que já era quase verão e ligou o maçarico. Resultado? Tanta coisa para contar, que minha primeira meta de 2012 é conseguir colocar o assunto em dia e voltar a comentar (porque eu sempre visito, mesmo que não comente) a vizinhança, levando um panetone e desejos de muitos babies saudáveis no ano que vai começar.
Então, para tentar dar conta de tudo, começo com as coisas que passam.
E não estou falando daquele Black & Decker super velho que sua mãe insiste que é melhor que "essas porcarias de plástico e que soltam vapor", não.
Me refiro a esse barata-voa que reina em todos os lares na semana que antecede o Natal (querida leitora, se você encomendou seu baby há nove meses - ou derivados, tipo, 1 ano e 9 meses, 2 anos e 9 meses etc. -, receba meu afetuoso abraço solidário, porque você deve estar enlouquecida ao cubo!). Também faço menção honrosa ao fim de ano nas empresas, com almoços, confraternizações, brindes, metas e novas perspectivas para os 12 meses que virão. Eu me livrei do amigo-oculto corporativo, mas também mando aquele abraço maroto para você, amigo, amiga, que se lascou ao tirar o chefe ou aquele cara meio estranho do RH e agora vai lançar mão de todos os clichês natalinos, da gravata à agenda, do par de meias à camiseta polo. É difícil. Eu sei. Mas essas coisas passam.
O que fica, e o que realmente vale a pena ficar para 2012, é assunto para amanhã.
Mas eu sou proletária, minha gente.
Sou proletária e a renda familiar depende de mim. Assim, tive mesmo foi que ir para a labuta e labutar bem bonitinho, todos os dias (ou quase), engolindo gracinhas (que pararam depois que eu dei um mini chilique de grávida descompensada e chorei e tudo) e cumprindo prazos, metas e burocracias. Tudo com um sorriso no rosto e minhas calças alargadas no glamour do elástico (depois tiro foto e mostro para vocês).
Daí pensava, em meio a enjoos fenomenais e tensões pré-translucência nucal (um capítulo a parte, diga-se de passagem, o qual não me furtarei de contar), que meu blogue ficou sozinho e abandonado, que minha vida blogosférica foi deixada de lado porque eu precisava entregar dois trabalhos importantíssimos, e mudou chefia, e chegou dezembro, e eu não comprei um presentinho sequer ainda, e marido viajou me deixando com a alegria de ser buchuda em um shopping lotado do Rio justo na semana em que São Pedro lembrou que já era quase verão e ligou o maçarico. Resultado? Tanta coisa para contar, que minha primeira meta de 2012 é conseguir colocar o assunto em dia e voltar a comentar (porque eu sempre visito, mesmo que não comente) a vizinhança, levando um panetone e desejos de muitos babies saudáveis no ano que vai começar.
Então, para tentar dar conta de tudo, começo com as coisas que passam.
E não estou falando daquele Black & Decker super velho que sua mãe insiste que é melhor que "essas porcarias de plástico e que soltam vapor", não.
Me refiro a esse barata-voa que reina em todos os lares na semana que antecede o Natal (querida leitora, se você encomendou seu baby há nove meses - ou derivados, tipo, 1 ano e 9 meses, 2 anos e 9 meses etc. -, receba meu afetuoso abraço solidário, porque você deve estar enlouquecida ao cubo!). Também faço menção honrosa ao fim de ano nas empresas, com almoços, confraternizações, brindes, metas e novas perspectivas para os 12 meses que virão. Eu me livrei do amigo-oculto corporativo, mas também mando aquele abraço maroto para você, amigo, amiga, que se lascou ao tirar o chefe ou aquele cara meio estranho do RH e agora vai lançar mão de todos os clichês natalinos, da gravata à agenda, do par de meias à camiseta polo. É difícil. Eu sei. Mas essas coisas passam.
O que fica, e o que realmente vale a pena ficar para 2012, é assunto para amanhã.
sábado, 12 de novembro de 2011
Meus quinze minutos de fama
Que baita susto eu levei hoje!
É que a Carol me citou na página dela e minhas visitas, que normalmente são modestas, porém fieis (thanks!), se multiplicaram!
Veio gente de tudo quanto é canto do mundo e de repente me senti um fenômeno global, mundial, sensação da blogosfera... e aí eu acordei. Mas antes de acordar, sonhei que fazia uma ultra e encontrava nada mais, nada menos que DEZ fetos no meu útero! Cruzes!!!
Daí, claro que precisava vir aqui contar essa maluquice, e também (assustar todos os novos leitores) agradecer à Carol, aos meus leitores e dizer a quem chegou por agora que eu espero que gostem dessa selvageria (ui!) louca, porque, amiguinhos, do jeito que meus sonhos de grávida andam pirados, teremos ainda muitas emoções.
É que a Carol me citou na página dela e minhas visitas, que normalmente são modestas, porém fieis (thanks!), se multiplicaram!
Veio gente de tudo quanto é canto do mundo e de repente me senti um fenômeno global, mundial, sensação da blogosfera... e aí eu acordei. Mas antes de acordar, sonhei que fazia uma ultra e encontrava nada mais, nada menos que DEZ fetos no meu útero! Cruzes!!!
Daí, claro que precisava vir aqui contar essa maluquice, e também (assustar todos os novos leitores) agradecer à Carol, aos meus leitores e dizer a quem chegou por agora que eu espero que gostem dessa selvageria (ui!) louca, porque, amiguinhos, do jeito que meus sonhos de grávida andam pirados, teremos ainda muitas emoções.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Minha mãe que disse
Quem tem internet já sabe: hoje é dia do amigo. Foram tweets, músicas, declarações meladas de amor, tipo uma micareta do dia dos namorados. Daí que a comemoração mais bacana de hoje foi o lançamento do Minha mãe que disse, uma enoooorme base de dados da blogosfera materna. Ali, estão cadastrados mais de setecentos blogues e a participação das internéticas (e internéticos) não para por aí: é possível mandar textos, comprar, vender, botar a boca no trombone, fazer abaixo assinado, rifa e... opa, rifa, não. O fato é que nesse ambiente colaborativo, a amizade das idealizadoras, a Roberta e a Flávia, se desdobrou em uma rede de infinitas amizades possíveis, imaginadas e até mesmo estabelecidas. Ali, encontrei uma penca de blogues que leio (e os quais ainda não tive tempo de listar aqui do lado) e um outro tanto de novidades — eu também já estou por lá, minha gente.
E para completar toda essa belezura, elas ainda estão promovendo um sorteio de boas-vindas! Claro que eu estou participando do sorteio de lançamento do Minha Mãe que Disse! Mas para descobrir o que elas estão sorteando, tem de dar uma passadinha lá.
E para completar toda essa belezura, elas ainda estão promovendo um sorteio de boas-vindas! Claro que eu estou participando do sorteio de lançamento do Minha Mãe que Disse! Mas para descobrir o que elas estão sorteando, tem de dar uma passadinha lá.
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