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domingo, 15 de setembro de 2013

Segundinho: ter ou não ter, eis a questão!

Sou filha única. Marido não. Odeio ser filha única. Marido não tem problemas em ter só um filhote.
E aí Arthur é praticamente homem feito, fala português, inglês e bebezês. Poliglota, o rapaz. Hoje, no parquinho, ganhou o primeiro beijo na boca da vida. Dirige um carro, na verdade, um tratorzinho de madeira. Cheio das vontades, come rabanete. Gente, alguém que come rabanete, raiz que arde na boca, já está grande e crescido, né?
Então que eu tenho pensado: segundaremos ou não?
Meu sonho de menina (e adolescente e burra velha) era ter uma mesa cheia de gente no Natal: filhos, filhas, noras, genros, netos, netas, cachorro, papagaio e marido. Também queria ter um filho em cada braço, outro na barriga e um mais velho em pezinho enquanto eu abria a porta para o Correio, sorrindo, e recebia um telegrama de amor do marido.

[pausa para vocês gargalharem]

Bom, daí eu engravidei do Arthur.
A gravidez foi exemplar, em termos médicos, mas me sentia muito cansada, com falta de ar e sem energia. Na verdade, eu me sentia EXAUSTA como nunca me senti. Nem antes, nem depois. E eu tive estrias. Então acabei dando uma desanimada da minha surtação inicial de querer cinco filhos.
Na sequência, Arthur foi um bebezico. E eu pirei no puerpério, com hormônios doidos dando festa na minha corrente sanguínea, com peito rachado, monília, fome, dieta APLV, sovaco cabeludo e sei lá quantos dias sem tomar banho.
Daí, ele aprendeu a se sentar, acabou licença-maternidade, voltei a trabalhar feito mula de carga manca, e ele aprendeu a engatinhar, e depois a andar, e agora corre, fala duas línguas e um dialeto, beija na boca no parquinho e dirige! E eu surtei, pirei, me descabelei em cada uma das fases com ele.
Meu pequenininho já não é mais tão pequenininho assim.
E, então, os hormônios doidos entraram numa discussão aparentemente infindável com minha conta bancária, meu lado racional, com meus sonhos de menina, meu relógio biológico,com meu relógio social, e eu tô surtadinha, perguntando a mim mesma: é justo passar por esta vida tendo essa alegria imensamente exaustiva e enlouquecedora que é ter filhos apenas uma única vez?

Sinceramente, ainda não tenho resposta para esses questionamentos, e nem ovulação para tentativas, mas sigo aqui, matutando, curtindo filhote, dando minhas surtadinhas diárias, tanto de amor e fofura (sério, Arthur ainda vai infartar as pessoas na rua de tanta fofura que espalha nesse mundo!), quanto de desespero e estresse!

E vocês? Segundaram? Não segundaram? Por que sim ou não? Ajudem a amiga aqui a pensar na vida!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Sentadinho no formigueiro

Sentadinho no formigueiro, Arthur berrava. Arqueava o corpinho, ficava com o rostinho vermelho, urrava. O formigueiro, é claro, é imaginário, e eu chamo de cadeirinha do carro. Não há calçamento de paralelepípedo, buraco no asfalto ou pista livre de sinais que o faça relaxar e dormir, como 99,9% dos bebês fazem.
Isso é frustrante para mim, que além de adorar dar uma voltinha, de amar viajar para a casa de campo e de curtir muito conhecer novos lugares, também estava aprendendo a dirigir (já tenho carteira, mas nunca tive coragem de usar o carro... shame on me!). Já tentou dirigir enquanto seu filho é atacado por formigas carnívoras sedentas por sangue humano? És fueda! Não há espelho retrovisor que garanta uma boa direção e nem rádio que minore o som ensurdecedor.
Minha solução Tabajara foi colocar o cd com o afamado barulhinho do útero também no som do carro. E seguimos, meio surdos, completamente incomunicáveis: eu e marido (no banco do carona), e filhote e suas formigas imaginárias.

Alguém aí tem uma luz? Uma palavra de apoio? Um relato parecido? Um Baygon?