quinta-feira, 26 de julho de 2012

Sem banho, sem sono, sem fundo

Por aqui, baby blues se foi e deixou em seu lugar um amor louco, desesperado e intenso por esses 4,5kg de pura gostosura risonha que atende pelo lindo nome de Arthur, meu filho.
Porém, contudo, todavia, sigo sem banho (confesso que passo uns 3 dias sem tomar banho. Eca!), sem sono (céus! Onde matriculo meu pequeno para que ele aprenda que recém-nascidos dormem até 18h por dia? Porque meu filho dorme, quando muito, umas 9 ou 10 horinhas) e sem fundo. Haja comida para me sustentar e haja peitinho para sustentar meu pequeno mamão.
E assim, vencemos o primeiro mês.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O primeiro casamento

Arthur debutou no mundo casamentício. No sábado, apesar do superfrio, fomos à cerimônia de casamento de uma amiga minha. Encasaquei filhote, deixei sua cadeirinha perto do aquecedor de ambiente e ficamos cerca de 35 minutos (a duração da cerimônia). Tudo correu bem e o baby nem notou que foi a um casamentão.
Depois da cerimônia, fui usar meu direito a prioridade e interrompi o protocolo de fotografias: chamei a mocinha do cerimonial, expliquei que estava com meu recém-nascido e que queria apenas dar um beijinho na noiva. Toda glamorosa em minha saia + tomara-que-caia + blazer (única roupa que cabia em mim e que permitia amamentar em caso de emergência), fui dar meus beijinhos e mostrar o rebento. Fui, causei frisson e saí. Tudo lindo, tudo maravilhoso, nem meu batom rosa intenso tinha saído do lugar. Entrei no carro, olhei para o marido, sorri, ele sorriu, bebê dormia e então eu vi: as conchas de amamentação escaparam do tomara-que-caia, se exibindo pela metade a quem quisesse ver.
Respirei fundo, ajeitei a roupa e, enquanto pensava se o frisson fora pelo Arthur e sua fofura de RN ou pelas conchas pululantes, respirei aliviada por não ter precisado catar as conchas do chão e me desculpar com a noiva pelo banho de leite.
Casamento agora, só quando o pequeno tiver 3 meses.

sábado, 21 de julho de 2012

Para não dizer que não falei de flores

É manhã de sábado. Apesar das dores nas peitolas, você deu um supermamá para o seu filho e, enquanto espera que ele arrote, se senta no computador para saber o que acontece no mundo. Seu filho, em vez de arrotar, dorme, e começa a procurar posição, pois você é meio pequena e ossuda. Claro que você vai se recostando na cadeira, suspendendo o braço e chegando o pescoço para o lado afim de que o pimpolho dorminhoco fique confortável. Tudo dói e agora o filhote assumiu uma posição que praticamente te impede de digitar e até mesmo de visualizar a tela, por isso você resolve dar aquela ajeitadinha marota no guri. Ao tocar seu corpinho, na maliciosa intenção de ajeitá-lo mais para o lado, seu bebê, em pleno soninho, dá um gemidinho e SORRI.
Eu não sei o que vocês fariam, mas eu demorei quase 1h para digitar este post...

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Post de múltipla escolha

Se seu recém-nascido golfa sangue, você:
a) Desmaia
b) Corre com ele para o hospital
c) Chora
d) Grita e pede socorro para o pai da criança, que te lembra que na última mamada você urrou de dor e sua ferida no mamilo reabriu dolorosamente.

Nem precisa de gabarito, né?

terça-feira, 10 de julho de 2012

A mão de vaca não é amor de vaca

Joguem pedras. Ou melhor, joguem suas tetas empedradas sobre mim e o leite mau na cara dos caretas.
É que a dona das divinas tetas aqui está numa luta árdua, doloridíssima, regada a sangue e analgésico contra o inferno que é amamentar.
Meu mamilo esquerdo está literalmente pela metade, já que Arthur deve ter sugado em suas ávidas mamadas na madrugada micropedaços e amolecido com sua saliva biônica outros micropedaços, que grudaram em camisas, casacos, sutiãs e tops. As conchas de amamentação me fizeram derramar lágrimas demais para que eu as usasse mais que duas vezes. O lado bom da mama esquerda é que depois do minuto inicial de dor suprema, quando aquela boquinha tão delicada e pequenininha do meu filho reabre a enorme ferida no meu bico, tudo fica praticamente indolor (exceto por pontadas, mordiscadas fora do prumo ou perdas de pega ao longo da mamada).
Meu mamilo direito já sangrou, rachou e cicatrizou, e tem, desde a sala de parto, a pega mais fácil para mim. Some-se isso ao fato de que meu seio esquerdo está mutilado e teremos o seio da chupeitação, aquela prática de tortura milenar, praticada por todos os bebês humanos, desde priscas eras. Bebês das cavernas, que não faziam ideia do que era uma chupeta, já chupeitavam suas mães (aliás, quem será que teve a péssima ideia de colocar um delicado e sensível mamilo na boca surrealmente potente e massacrante de um recém-nascido?! Nem argumentar é possível com um ser tão pequeno! Porque quando maridos, namorados e afins passam dos limites com nossos mamilos, podemos gritar e argumentar, né? Mas vai explicar para um bebê de 23 dias que dói como a morte essas mordiscadas na beirinha do bico, a chupeitação toda...). E aqui em casa, essa chupeitação teve como consequência uma dor constante e intensa, durante toda a mamada.
Então, todos os dias, a cada chorada do meu pequeno, preciso escolher entre uma dor lancinante e enlouquecedora por cerca de um minuto, ou uma dor tolerável por toda a mamada.
Além disso, carrego nos peitos outras dores, mais subjetivas, é verdade. A primeira delas diz respeito ao ritmo do Arthur. De manhã ele passa o dia INTEIRO pendurado no peito. E não dorme fora do peito (nem no meu colo). E chora quando está fora do peito, e chora até quando está mamando. E puuuuuxa meus bicos com a boquinha dermo-abrasiva com vacuosucção e belisca e aperta meus seios e mamilos com suas unhas-alfinete, numa bastante evidente demonstração de que fisicamente ele é todinho o meu marido, mas em termos de gênio puxou mesmo à mamãe. Eu limpo nariz, visto, dispo, seguro, converso, choro e não sei mais o que fazer. Dói muito não conseguir entender o que o deixa tão irritado. Já até pensei que poderia ser falta de leite na peitola, mas não é, não.
Outra dor que sinto mora nos peitos (que doem cheios, vazios, se enchendo e se esvaziando), nos braços, ombros, costas, pernas e pés, e vem da imensa tensão que sinto ao dar de mamar. A qualquer momento posso perder a pega, levar uma mordida, um beliscão, uma puxada nos mamilos ou posso sentir gengivas potentes morderem com vontade um bico pela metade. Impossível relaxar.
E a última dor deste post atende pelo nome de chupeta. Comprei, usei e estou sofrendo a cada sugada que meu filho dá no objeto endemonizado por mães-modelo e por mim (porque usei chupeta quando era criança e foi um trauma terrível e até hoje lembrado por mim quando resolveram que era hora de eu parar com o hábito. Logo, não queria que meu filhote corresse o risco de passar por essa experiência horrorosa). Sofro porque me sinto péssima e morro de medo de que Arthur largue o peito, comece a pegar errado de novo, tenha problemas de fala, de superação da fase oral, problemas de dentição. Enfim. Medo, culpa e frustração, teu nome é chupeta!
Diante de tudo isto, às vezes me pergunto por que raios eu ainda insisto em amamentar, se tudo anda tão sacrificante e dolorido, e minha resposta é óbvia (para mim): se eu fiz o melhor que pude no parto do meu filho, também vou tentar oferecer a ele o melhor alimento. Mas sempre tem aquela pessoa absolutamente irritante, que desdenha das suas posições e opções e dá conselhos, pitacos e dicas não solicitadas. Para essas pessoas eu uso o melhor argumento-paisagem que pude arrumar: não quero abrir mão da amamentação porque sou mão de vaca e não quero gastar rios de dinheiro com leites artificiais, mamadeiras, bicos e esterelizadores.
E assim, sigo amamentando (e chorando e sofrendo horrores com essa coisa pavorosa que é ter o mamilo despedaçado), mentalizando que estou doando amor a meu filhote, um amor quase de vaca. E vocês, que nasceram na década de 1980 e viram o surgimento do Casseta e Planeta, sabem que mãe é mãe, paca é paca e mulher é tudo vaca. Ou, se preferirem algo menos machista e mais erudito, vamos de Caetano: dona das divinas tetas, derramarei o leite mau na cara dos caretas!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Alessandra Ambrósio, obrigada!

Em meio a tantas celebridades neuróticas e mais preocupadas com a estética que com a saúde ou os modelos muitas vezes inatingíveis que acabam por ajudar a construir, Alessandra Ambrósio tocou meu coração ao colocar as pelanquinhas pós-gestação de fora. Tá bom que ela em má forma é bem melhor que muita gente "em boa forma" que eu conheço, mas ainda assim merece um "obrigada". Um beijo, Lelê, de uma pelancuda para outra.

Meninas, voltarei para contar mais sobre o baby blues, mas quero agradecer muito, muito, muito a ajuda de vocês. Saber que não sou a única a ficar meio maluca (e com tanta coisa para comprar, eu poderia comprar uma peruca!) e a querer sair correndo quando o baby grita, chora e esperneia e eu não sei por quê.
Para as meninas que ainda vão viver o mês do dia da marmota, digo que Arthur está completando 20 dias e as coisas parecem estar se ajeitando. Não choro mais todos os dias e se tudo der certo, minhas peitolas receberão visita especial amanhã (uma especialista em amamentação para me ajudar com a pega. Rezem pelos meus mamilos, pois um deles está sem um pedaço. Ui!). Para as que vão passar de novo pelo baby blues, força. Recebam meu carinho e saibam que a experiência prévia deve ajudar a não ficar tão nas trevas, já que vocês sabem que passa, né?
Prometo que assim que as coisas ficarem mais no esquema por aqui, com uma rotininha bacana, volto a comentar nos blogues (que tenho visitado, viu?).

terça-feira, 3 de julho de 2012

Vamos cantar o Blues da Piedade

"Quero cantar os blues/com o pastor e o bumbo na praça/ Vamos pedir piedade/ pois há um incêndio sob a chuva rala/ Somos iguais em desgraça/ vamos cantar o blues da piedade"

Cazuza e puerpério pode ser uma boa combinação. E esse post vai com o Blues da Piedade como trilha sonora, porque você, mãe, blogueira, que já teve um recém-nascido pendurado 24h nos seus peitos esfolados enquanto assiste à toda grade televisiva (viva a tv a cabo!), da manhã, da tarde, da noite E da madrugada, você há de ter piedade dessa mãe em pleno puerpério, curtindo um blues: o baby blues.
Estamos ótimos, tudo lindo, certinho, saúde e leite por aqui. Mas também aquele desespero quando o baby chora e só os peitos (rachados e esfolados) salvam. Aquela tristeza de viver, há 16 dias, o dia da marmota que só mama e quase não dorme. E, é claro, aquela culpa de estar sentindo tudo isso, porque, oras não era o que você queria, Ártemis?, achou que um recém-nascido fizesse o quê, malabares com as chupetas?
É, eu sabia, e agora eu sei mais. Acontece que eu, ligada no 220, trabalhadora e moça muderna desse Brasil varonil, estou dependente do marido até para fazer xixi - aliás, sobretudo para fazer xixi. Hoje, pasmem, fui de sling aqui embaixo, comprar absorvente. E esse é o tipo de grande acontecimento: ir ao banco, na farmácia, no mercadinho. Em breve faremos um ousado passeio até o café do outro lado da rua, para que eu assista ao marido beber café (enquanto eu finjo, mesmo com esse calorão louco em pleno julho, que estou em Paris).

Só quem já teve um recém-nascido vai entender que, apesar do tom melodramático deste post, está tudo lindo e ótimo por aqui.
Prometo voltar assim que o pequeno dormir de novo e me deixar pelo menos um braço para que eu escreva um post meio tosco, como este.