quarta-feira, 24 de outubro de 2012
A angústia do anonimato
Como todos vocês sabem, Ártemis é meu pseudônimo para escrever este blog. Na minha família, temos alguma tradição no assunto, pois minha bisavó fazia versos em uma época que mulheres poetas não eram bem-vistas e/ou levadas a sério e minha avó foi atriz numa época em que ser atriz não era ocupação para "moças de família". Hoje, claro, as coisas melhoraram e meu anonimato não é necessário para escapar de opressões machistas e preconceituosas, mas sim para evitar constrangimentos (meus) em relação ao que falo por aqui.
Até onde eu saiba, existem seis pessoas que leem este blog e sabem meu nome: marido, minha melhor amiga, a Anna, duas amigas do mundo "real" que estão grávidas e uma que já é mamãe. Esta última vive me dando força para que eu divulgue o blog entre meus amigos do mundo não virtual e generosamente elogia meus textos.
Fato é que muito do que escrevo aqui acaba envolvendo pessoas do meu convívio e tenho medo de que minhas palavras ofendam ou exponham. E sigo escondida atrás de um nome escolhido (Ártemis tem tudo a ver com parto, nascimento e vida selvagem!).
Porém, desde que Arthur nasceu, tenho tido muita pena de ficar escondida atrás de um nome fantasia que, se por um lado me garante a liberdade de falar o que quiser, como quiser e como quiser, por outro me prende à uma identidade que, embora bastante sincera (já disse que escrevo por aqui com o coração, sendo muito honesta com meus sentimentos e ideias), não está completa. Essa espécie de vida dupla que levo acaba me deixando muito cansada, já que não posso sair falando do meu blog, um espaço tão importante na minha vida, na minha vida não virtual. Isso cansa, minha gente.
Por outro lado, o que fazer? Existem coisas que escrevo aqui que não gostaria de sair divulgando mundo afora, mas, por outro lado, são informações, muitas vezes, interessantes para quem quer engravidar ou está lutando por um parto humanizado. Já pensei, como tentativa de solução, apagar ou editar os textos. Mas além de um trabalho cão, acho que muitas coisas que escrevo têm valor sentimental para mim, um pedacinho da minha vida, e deixar os textos que representam esses momentos nos rascunhos seria doloroso para mim e, para completar, acho que o blog perderia uma "unidade" conseguida nessa coisa de autorreferenciação.
E aí, sigo aqui, angustiada com o anonimato, angustiada com a possibilidade de sair dele. Pensando muito no que a Anne Rammi disse uma vez.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Garota (seminua) de Ipanema
Então que eu moro no Rio de Janeiro (esta semana: Hell de Janeiro, porque ô calor dos infernos, minha gente!). Então que eu precisei ir à Ipanema hoje. Hoje, justo hoje, quando raios, relâmpagos, trovões (e sei lá qual a diferença entre eles - sou carioca e só sei a diferença entre o charme e o funk, nada de diferenças entre coisas que nublam e fazem chover) riscaram o horizonte. Eu, de sling, numa roupa semi-adequada para amamentar (ô dificuldade de encontrar roupas dignas para amamentar, né?), carregando bolsa de um lado e guarda-chuvão do outro em meio aos carros... Opa! Guarda-chuva? É, eu esqueci o guarda-chuva na loja de sucos em que "jantei". Daí, marido foi lá, solícito e pimpante, resgatar o apetrecho.
Só que Arthur bolou no sling, tentou dar um duplo twist carpado para frente e fui obrigada a segurá-lo na bocada. Sabem como é? Sacar a peitola para fora e espetar na boca da criança quando ela entoa o "AAAhhhh" da revolta. Então, pego pela bocada, Arthur se acalmou e ficamos, no meio da rua, em Ipanema, mamando. Tudo muito bom, tudo muito bem e marido conseguiu resgatar o guarda-chuvão. Fomos, então, caminhando rumo ao carro.
Já pertinho do veículo, Arthur achou muito lindo, oh, meu Deus, que coisa bela umas luzes de Natal (oi? Já é Natal na Leader Magazine!) e parou de mamar para admirá-las. Já estou acostumada à essa exposição do peitinho sem cachê milionário da Playboy e me resignei, tentando dar aquela viradinha marota quando dois homens com cara de taradões vieram em nossa direção. Taradões fora da área, continuamos a caminhada até a porta do carro - e aí Arthur já tinha desencanado das luzes, do peitinho, e queria mesmo era dar um belo arroto. Coloquei filhote na vertical, ele arrotou, abri a porta do carro, amarrei o menino na cadeira elétrica, digo, na cadeirinha do carro e dei a volta para me sentar no meu lugar.
Já dentro do carro noto uma sensibilidade mamilar pouco comum e... peitinho de fora. Exposto, escancarado, para taradões e carolas, no meio de Ipanema, desde que Arthur quis arrotar. Só digo uma coisa: ainda bem que não estávamos a pé, se não faria exposição do peitinho por todo o Rio de Janeiro!
Só que Arthur bolou no sling, tentou dar um duplo twist carpado para frente e fui obrigada a segurá-lo na bocada. Sabem como é? Sacar a peitola para fora e espetar na boca da criança quando ela entoa o "AAAhhhh" da revolta. Então, pego pela bocada, Arthur se acalmou e ficamos, no meio da rua, em Ipanema, mamando. Tudo muito bom, tudo muito bem e marido conseguiu resgatar o guarda-chuvão. Fomos, então, caminhando rumo ao carro.
Já pertinho do veículo, Arthur achou muito lindo, oh, meu Deus, que coisa bela umas luzes de Natal (oi? Já é Natal na Leader Magazine!) e parou de mamar para admirá-las. Já estou acostumada à essa exposição do peitinho sem cachê milionário da Playboy e me resignei, tentando dar aquela viradinha marota quando dois homens com cara de taradões vieram em nossa direção. Taradões fora da área, continuamos a caminhada até a porta do carro - e aí Arthur já tinha desencanado das luzes, do peitinho, e queria mesmo era dar um belo arroto. Coloquei filhote na vertical, ele arrotou, abri a porta do carro, amarrei o menino na cadeira elétrica, digo, na cadeirinha do carro e dei a volta para me sentar no meu lugar.
Já dentro do carro noto uma sensibilidade mamilar pouco comum e... peitinho de fora. Exposto, escancarado, para taradões e carolas, no meio de Ipanema, desde que Arthur quis arrotar. Só digo uma coisa: ainda bem que não estávamos a pé, se não faria exposição do peitinho por todo o Rio de Janeiro!
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Uma rapidinha com amor
Meninas lindas do meu coração! Obrigada, obrigada, obrigada!
Me senti acolhida, compreendida e amada. Ainda na lama da culpa e da angústia de ficar longe do pequeno. Mas muito mais querida porque vocês sabem o que estou passando.
Infelizmente não posso abrir mão do meu trabalho. Tanto em termos financeiros quanto devido às minhas ambições pessoais (vou ser mais feliz se for mais que mãe, embora quisesse poder fazer uma pausa maior que os meros 4 meses a que tive direito).
Essa postagem rapidinha (mas com amor) também é para dizer que essa vida selvagem daqui de casa tem novidade: Arthur e eu entramos no rol das mamães e bebês dietéticos. A intolerância à proteína do leite está aí para provar que somos mamíferos, porém deveríamos beber o NOSSO leite (papo para outro dia, prometo). Nada de leite de vaca em casa. Sofrendo só por causa do chocolate. Oh, céus! Tá, e também por causa do pão de queijo. Mas vamos que vamos e prometo vir aqui ainda essa semana comentar mais sobre a ida do Arthur para a creche.
Me senti acolhida, compreendida e amada. Ainda na lama da culpa e da angústia de ficar longe do pequeno. Mas muito mais querida porque vocês sabem o que estou passando.
Infelizmente não posso abrir mão do meu trabalho. Tanto em termos financeiros quanto devido às minhas ambições pessoais (vou ser mais feliz se for mais que mãe, embora quisesse poder fazer uma pausa maior que os meros 4 meses a que tive direito).
Essa postagem rapidinha (mas com amor) também é para dizer que essa vida selvagem daqui de casa tem novidade: Arthur e eu entramos no rol das mamães e bebês dietéticos. A intolerância à proteína do leite está aí para provar que somos mamíferos, porém deveríamos beber o NOSSO leite (papo para outro dia, prometo). Nada de leite de vaca em casa. Sofrendo só por causa do chocolate. Oh, céus! Tá, e também por causa do pão de queijo. Mas vamos que vamos e prometo vir aqui ainda essa semana comentar mais sobre a ida do Arthur para a creche.
sábado, 20 de outubro de 2012
Por onde andei, quanto me perdi
Minhas fiéis escudeiras, amigas e seguidoras Anna e Lilian, sumi, né? E nem respondi a vocês e a Jacqueline sobre as dicas da cadeirinha. Que feio!
Mas então: Arthur odeia a cadeirinha. Tem um cachorrinho e uma bola pendurados no raio da cadeirinha, mas se distrai por poucos minutos. Tentamos vasto repertório musical e radiofônico (programas de entrevistas, narrações de jogos, "No divã do Gikovate" etc.). Arthur não curte nada. Só o som insuportável do útero. Masssss... descobrimos que durante o dia ele costuma ficar muito bem no carro. Vai ver tem medo de escuro ou já está meio jururu por causa do cansaço do dia.Vai saber? Agora, priorizamos passeios de carro pela manhã.
Mas é óbvio que eu sumi e não foi por conta do meu filho em guerra com as formigas imaginárias (mais ou menos) e nem por causa do fim da OiOiOi.
Eu sumi porque minha vida entrou num turbilhão louco, insano, doidinho, e não dei conta (e continuo não conseguindo dar conta).
Em primeiro lugar, voltei a trabalhar como frila. Foi preciso porque vem a creche (e que facada!), vem o cartão de crédito com as roupinhas que comprei (que facada!) e vem o Arthur tomando mamadeira porque eu volto a trabalhar em novembro (que facada!). Com isso, morri financeiramente já no 5º dia do mês.
(Vendo textos, baratinho. Tratar aqui.)
Em segundo lugar, marido viajou, fiquei sozinha com Arthur e minha mãe. Eu tenho um relacionamento muito, muito, muito difícil com minha mãe. E a semana sem marido foi tensa de saudades e de desencontros familiares.
Marido voltou e, vejam só!, fez aniversário, passou num concurso e deu festa em casa para comemorar as alegrias. Tudo ao mesmo tempo. Pirei nos improvisos, nos frilas atrasados, na festa que não tem minha presença porque Arthur dorme 20h e eu vou junto (e continuo sem beber cerveja, neam?), nos dinheiros, nos desentendimentos avozísticos e no drama master da volta à labuta.
Posso chorar um 'cadinho?
[snif]
pronto (ou quase).
[vou chorar mais um pouquinho, tá?]
Fico sentada, vendo meu filho brincar no tapetinho de atividades que me custou os olhos da cara (mas promete o Eldorado do desenvolvimento cognitivo) e que vou pagar em 12X com juros no cartão, que vence dia 20, mesmo dia em que entrego o frila (mas só recebo 15 dias depois). E aí eu tenho vontade de chorar porque, se ele chora de lá, eu estou cá para afagá-lo e dar de mamar. Mas daqui a menos de um mês não vou estar, de segunda a sexta, nem lá nem cá. E ele terá uma "tia" no berçário, e uma mamadeira (com leite materno, se eu conseguir fazer um estoque. Vocês já viram o preço das bombinhas elétricas? De onde vou tirar dinheiro para alugar ou comprar uma?). Será que vão acudi-lo quando ele reclamar? Será que ele vai se sentir menos amado? Dói no meu coração pensar que ficarei tanto tempo longe dele e, quando for buscá-lo, meu filho, alma boa, pura, linda, vai RIR PARA MIM, quando eu merecia era um tapa na fuça por ter insistido em ter um filho, mesmo sabendo que teria de deixá-lo na creche aos 5 meses. E eu choro sem lágrimas. E penso: um milhão de vezes parir sem anestesia, um bilhão de vezes mastite, cisto no mamilo, monília, bicos rachados. Nada é páreo para esta dor: estar longe do Arthur.
[snif]
Arthur dorme grudado em mim. Eu amo. Eu o amo.
Amamentar está quase indolor. Já ordenhei 140ml de leite, mas preciso, segundo consta, de 400ml diários. Alfafa ajuda, me disseram. Também o "Chá da mamãe", da Weleda. Extrato de algodão, reza a lenda, é porreta.
Arthur passou por dias difíceis: dormiu mal, mamou mal, chorou sentido. Sente minhas dores? Acho que o maldito refluxo ajudou. E o salto de desenvolvimento. Ele aprendeu a gargalhar (e tão lindo que é, resolveu não causar ciúmes em casa e o fez para o nosso cachorro). Ele aprendeu a rolar. Levamos ao pediatra e na receita estava escrito: "Agora podemos usar o bebê-conforto e o sling." Porra! Não podia antes?! Devia ter sido avisada na primeira consulta: vamos liberando apetrechos aos poucos, viu? Mas não: fiz cara de paisagem, com Arthur no sling desde 7 dias de vida e no bebê-conforto desde o primeiro dia. Resultado? Rola, gargalha e senta com apoio. Aos quatro meses. O pediatra falou: " é, ele está mesmo bem durinho!"
Quase uma da manhã. Marido bebendo com poucos amigos na varanda de casa. Merda. Poucos têm filhos. Fazem muito barulho, e eu preciso ficar enfurnada no quarto, com Arthur, que só dorme grudado em mim (e eu amo!), com a porcaria do barulho infernal ligado, para abafar os ruídos externos. Sabiam que eu nem ouço mais essa barulheira? Durmo e tudo com o útero e o coração bombeando o sangue de alguém. Mas o que me angustia mesmo é que faltam poucos dias para eu voltar ao trabalho e ficar nove horas (até ele completar 6 meses serão "apenas" oito horas) longe do meu filho tão lindo, tão perfeito.
E aí, eu entro aqui no meu cantinho e vejo que as pessoas sentiram minha falta. Que apesar dos comentários modestos em quantidade, pessoas se interessam, se preocupam, querem saber, torcem, ajudam. Dá vontade de fazer um teste de gravidez, porque ando mais sensível que dente lascado, mas não é bebê no forno, não. É bebê nos braços. Choro, choro, choro. Mas sem lágrimas, porque desde que Arthur nasceu pareço uma fortaleza. Ninguém mexe com a minha cria. NInguém contesta minhas escolhas. Mas ele vai para a creche. Tão vendo o drama? A droga? O desgaste? CRECHE. Muito boa, bonita, limpa, bom programa pedagógico, referências. Mas não é meu colo, meu aconchego, meu peito, meu cheiro.
E aí penso: preciso do meu emprego para pagar as contas. Acontece que trabalhando, gero mais uma despesa, a creche, e preciso trabalhar mais. E, de certo modo, lá se vão mais horas longe do filhote, preocupada com outras coisas que não são tão importantes assim, afinal. (Já dizia Pessoa que "o sol doira sem literatura".)
Me lasco. Sofro. Não durmo e sumo.
Vocês perdoam esse post loucão, essa autora loucona e todo o sumiço e o mimimi? Aceito abraços e beijos e cafunés.
Mas então: Arthur odeia a cadeirinha. Tem um cachorrinho e uma bola pendurados no raio da cadeirinha, mas se distrai por poucos minutos. Tentamos vasto repertório musical e radiofônico (programas de entrevistas, narrações de jogos, "No divã do Gikovate" etc.). Arthur não curte nada. Só o som insuportável do útero. Masssss... descobrimos que durante o dia ele costuma ficar muito bem no carro. Vai ver tem medo de escuro ou já está meio jururu por causa do cansaço do dia.Vai saber? Agora, priorizamos passeios de carro pela manhã.
Mas é óbvio que eu sumi e não foi por conta do meu filho em guerra com as formigas imaginárias (mais ou menos) e nem por causa do fim da OiOiOi.
Eu sumi porque minha vida entrou num turbilhão louco, insano, doidinho, e não dei conta (e continuo não conseguindo dar conta).
Em primeiro lugar, voltei a trabalhar como frila. Foi preciso porque vem a creche (e que facada!), vem o cartão de crédito com as roupinhas que comprei (que facada!) e vem o Arthur tomando mamadeira porque eu volto a trabalhar em novembro (que facada!). Com isso, morri financeiramente já no 5º dia do mês.
(Vendo textos, baratinho. Tratar aqui.)
Em segundo lugar, marido viajou, fiquei sozinha com Arthur e minha mãe. Eu tenho um relacionamento muito, muito, muito difícil com minha mãe. E a semana sem marido foi tensa de saudades e de desencontros familiares.
Marido voltou e, vejam só!, fez aniversário, passou num concurso e deu festa em casa para comemorar as alegrias. Tudo ao mesmo tempo. Pirei nos improvisos, nos frilas atrasados, na festa que não tem minha presença porque Arthur dorme 20h e eu vou junto (e continuo sem beber cerveja, neam?), nos dinheiros, nos desentendimentos avozísticos e no drama master da volta à labuta.
Posso chorar um 'cadinho?
[snif]
pronto (ou quase).
[vou chorar mais um pouquinho, tá?]
Fico sentada, vendo meu filho brincar no tapetinho de atividades que me custou os olhos da cara (mas promete o Eldorado do desenvolvimento cognitivo) e que vou pagar em 12X com juros no cartão, que vence dia 20, mesmo dia em que entrego o frila (mas só recebo 15 dias depois). E aí eu tenho vontade de chorar porque, se ele chora de lá, eu estou cá para afagá-lo e dar de mamar. Mas daqui a menos de um mês não vou estar, de segunda a sexta, nem lá nem cá. E ele terá uma "tia" no berçário, e uma mamadeira (com leite materno, se eu conseguir fazer um estoque. Vocês já viram o preço das bombinhas elétricas? De onde vou tirar dinheiro para alugar ou comprar uma?). Será que vão acudi-lo quando ele reclamar? Será que ele vai se sentir menos amado? Dói no meu coração pensar que ficarei tanto tempo longe dele e, quando for buscá-lo, meu filho, alma boa, pura, linda, vai RIR PARA MIM, quando eu merecia era um tapa na fuça por ter insistido em ter um filho, mesmo sabendo que teria de deixá-lo na creche aos 5 meses. E eu choro sem lágrimas. E penso: um milhão de vezes parir sem anestesia, um bilhão de vezes mastite, cisto no mamilo, monília, bicos rachados. Nada é páreo para esta dor: estar longe do Arthur.
[snif]
Arthur dorme grudado em mim. Eu amo. Eu o amo.
Amamentar está quase indolor. Já ordenhei 140ml de leite, mas preciso, segundo consta, de 400ml diários. Alfafa ajuda, me disseram. Também o "Chá da mamãe", da Weleda. Extrato de algodão, reza a lenda, é porreta.
Arthur passou por dias difíceis: dormiu mal, mamou mal, chorou sentido. Sente minhas dores? Acho que o maldito refluxo ajudou. E o salto de desenvolvimento. Ele aprendeu a gargalhar (e tão lindo que é, resolveu não causar ciúmes em casa e o fez para o nosso cachorro). Ele aprendeu a rolar. Levamos ao pediatra e na receita estava escrito: "Agora podemos usar o bebê-conforto e o sling." Porra! Não podia antes?! Devia ter sido avisada na primeira consulta: vamos liberando apetrechos aos poucos, viu? Mas não: fiz cara de paisagem, com Arthur no sling desde 7 dias de vida e no bebê-conforto desde o primeiro dia. Resultado? Rola, gargalha e senta com apoio. Aos quatro meses. O pediatra falou: " é, ele está mesmo bem durinho!"
Quase uma da manhã. Marido bebendo com poucos amigos na varanda de casa. Merda. Poucos têm filhos. Fazem muito barulho, e eu preciso ficar enfurnada no quarto, com Arthur, que só dorme grudado em mim (e eu amo!), com a porcaria do barulho infernal ligado, para abafar os ruídos externos. Sabiam que eu nem ouço mais essa barulheira? Durmo e tudo com o útero e o coração bombeando o sangue de alguém. Mas o que me angustia mesmo é que faltam poucos dias para eu voltar ao trabalho e ficar nove horas (até ele completar 6 meses serão "apenas" oito horas) longe do meu filho tão lindo, tão perfeito.
E aí, eu entro aqui no meu cantinho e vejo que as pessoas sentiram minha falta. Que apesar dos comentários modestos em quantidade, pessoas se interessam, se preocupam, querem saber, torcem, ajudam. Dá vontade de fazer um teste de gravidez, porque ando mais sensível que dente lascado, mas não é bebê no forno, não. É bebê nos braços. Choro, choro, choro. Mas sem lágrimas, porque desde que Arthur nasceu pareço uma fortaleza. Ninguém mexe com a minha cria. NInguém contesta minhas escolhas. Mas ele vai para a creche. Tão vendo o drama? A droga? O desgaste? CRECHE. Muito boa, bonita, limpa, bom programa pedagógico, referências. Mas não é meu colo, meu aconchego, meu peito, meu cheiro.
E aí penso: preciso do meu emprego para pagar as contas. Acontece que trabalhando, gero mais uma despesa, a creche, e preciso trabalhar mais. E, de certo modo, lá se vão mais horas longe do filhote, preocupada com outras coisas que não são tão importantes assim, afinal. (Já dizia Pessoa que "o sol doira sem literatura".)
Me lasco. Sofro. Não durmo e sumo.
Vocês perdoam esse post loucão, essa autora loucona e todo o sumiço e o mimimi? Aceito abraços e beijos e cafunés.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Sentadinho no formigueiro
Sentadinho no formigueiro, Arthur berrava. Arqueava o corpinho, ficava com o rostinho vermelho, urrava. O formigueiro, é claro, é imaginário, e eu chamo de cadeirinha do carro. Não há calçamento de paralelepípedo, buraco no asfalto ou pista livre de sinais que o faça relaxar e dormir, como 99,9% dos bebês fazem.
Isso é frustrante para mim, que além de adorar dar uma voltinha, de amar viajar para a casa de campo e de curtir muito conhecer novos lugares, também estava aprendendo a dirigir (já tenho carteira, mas nunca tive coragem de usar o carro... shame on me!). Já tentou dirigir enquanto seu filho é atacado por formigas carnívoras sedentas por sangue humano? És fueda! Não há espelho retrovisor que garanta uma boa direção e nem rádio que minore o som ensurdecedor.
Minha solução Tabajara foi colocar o cd com o afamado barulhinho do útero também no som do carro. E seguimos, meio surdos, completamente incomunicáveis: eu e marido (no banco do carona), e filhote e suas formigas imaginárias.
Alguém aí tem uma luz? Uma palavra de apoio? Um relato parecido? Um Baygon?
Isso é frustrante para mim, que além de adorar dar uma voltinha, de amar viajar para a casa de campo e de curtir muito conhecer novos lugares, também estava aprendendo a dirigir (já tenho carteira, mas nunca tive coragem de usar o carro... shame on me!). Já tentou dirigir enquanto seu filho é atacado por formigas carnívoras sedentas por sangue humano? És fueda! Não há espelho retrovisor que garanta uma boa direção e nem rádio que minore o som ensurdecedor.
Minha solução Tabajara foi colocar o cd com o afamado barulhinho do útero também no som do carro. E seguimos, meio surdos, completamente incomunicáveis: eu e marido (no banco do carona), e filhote e suas formigas imaginárias.
Alguém aí tem uma luz? Uma palavra de apoio? Um relato parecido? Um Baygon?
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
E o bom conselho?
Vocês já me viram dando muito ataque de pelanca por conta dos pitacos que recebi e ainda recebo sobre como criar o meu filho e tocar a minha vida. Acontece que, conversando com uma das amigas grávidas (uma que agora é ex-grávida porque o filhote lindíssimo dela nasceu!), e dando meus pitacos (quem resiste? hipocrisia com sinceridade pode?), percebi que alguns conselhos que recebi foram surpreendentemente bons!
Daí, resolvi fazer uma listinha do que funcionou aqui em casa e que pode ajudar alguma grávida ou mãe recente nesse mundão wireless e 3G de meu deus.
E se você for adepta do ditado que diz que "se conselho fosse bom não se dava: vendia-se", aceito o depósito de uns caraminguás na minha conta... heheheh
Daí, resolvi fazer uma listinha do que funcionou aqui em casa e que pode ajudar alguma grávida ou mãe recente nesse mundão wireless e 3G de meu deus.
E se você for adepta do ditado que diz que "se conselho fosse bom não se dava: vendia-se", aceito o depósito de uns caraminguás na minha conta... heheheh
- Sobreviva - acho que esse foi um dos melhores conselhos que recebi para o puerpério. Nossa sociedade midiática e imagética cria estereótipos tão distantes da realidade que não raro nos frustramos com a doce vida que levamos. Eu, como representante da classe média achatada e (mal-)resolvida da zona sul carioca digo, minha realidade é doce, sim, pois tenho comida no prato (chã, patinho ou lagarto do Prezunic, mas é comida!), um teto (alugado) e pequenos luxos (creche para o filhote, tv a cabo e queijo brie na geladeira de vez em quando). Mas o que vemos na mídia são supermães, que perdem todos os quilos da gravidez no primeiro mês, têm peles maravilhosas e sem estrias, espinhas ou cravos, cabelos sedosos, nada de olheiras, corpos recuperados (em termos estéticos) em poucos dias. Males da nossa sociedade (desde os tempos de Pessoa, mas talvez ainda mais distante no tempo e mais profundamente em nossa cultura, não sei) que são potencializados pela mídia, até mesmo a mídia "informal", como os blogs. Afinal, minha gente, quem nunca viu por aí, nos blogs, supermães cujos filhos são lindos, espertos, maravilhosos e irretocáveis, cujos partos foram enlouquecedoramente perfeitos e cujos puerpérios são tirados de letra, sem estresses, sem tristezas, e elas nunca, jamais, em momento algum erram (e se erram é somente para fazer algo ainda mais brilhante na sequência)? Então, minhas amigas, sobreviver é um conselho maravilhoso! Porque uma mãe de primeira viagem não sabe um monte de coisas, precisa se adaptar e adaptar a família toda a uma série de coisas novas, porque uma mãe recém-nascida está louca de hormônios e está sendo sugada literal e emocionalmente por um serzinho absolutamente desconhecido e muitas vezes idealizado (o que leva a frustrações quando, por exemplo, o bebê não dorme a noite toda desde que voltou da maternidade, como o bebê da vizinha da prima da tia do marido). Logo, sobreviver, fazer o que dá, como dá, quando dá é ótimo. Não tente ser supermãe logo de cara. Não dá. Por maior que seja o instinto materno, você vai errar ou se desesperar ou as duas coisas juntas em meio a uma crise de choro do baby blues. Sobreviva. Aos poucos monte rotina, conheça seu filho, descubra o melhor caminho para vocês.
- Respire - quando nada parece estar sob seu controle ainda existe uma coisa que você pode controlar e que vai realmente te ajudar a ir adiante e ultrapassar a agrura da vez: respirar. Respire de maneira consciente, inspirando e expirando.
- Durma quando o bebê dormir - dane-se que tem visita na sala. Ela provavelmente dormiu a noite toda e vai dormir essa madrugada também. Quanto a você, já não há garantias. Então, durma!
- Faça uma cestinha - em uma cestinha com alça (ou qualquer outra coisa com alça), coloque comidinhas (frutas, barrinhas de cereais, nozes etc.), uma garrafa de água, os telefones (celular e sem-fio), um caderninho e uma caneta. Carregue com você pela casa. No começo você se sente uma idiota fazendo isso, mas depois você vai perceber quão independente se tornará.
- Dê banho enrolando o bebê numa fralda de pano - sério, isso mudou minha vida! Arthur odiava tomar banho, até que ouvimos o sábio conselho de enrolar o bacuri na fraldinha. É assim: você tira toda a roupa da criança,tira a fralda, limpa as partes pudentas e enrola o bebê numa fralda de pano. Daí, emerge o "pacotinho" na banheirinha e, para lavar, vai desembrulhando as partes: perninhas, bracinhos, peito... Tiro e queda! Arthur hoje em dia AMA tomar banho. Ah, e tem que notar o que seu bebê prefere: água mais quentinha ou mais morninha.
- Rotina, rotina, rotina - "lavar roupa todo diaaaaa, que agoniaaaaa...". Ninguém sabe o que é rotina de verdade, só o Bill Murray naquele filme do Dia da Marmota (aproveite a licença-maternidade para ver Sessão da Tarde!) e os pais de bebês e crianças pequenas. E realmentte é fundamental estabelecer uma rotininha para que seu bebê se sinta mais seguro e feliz, e para que você consiga se organizar para fazer outras coisas na vida além de amamentar e trocar fralda, tipo ir ao banheiro, escovar os dentes e, com sorte, até tomar banho. Aqui em casa, a rotina foi crescendo a partir da hora de dormir. Ou seja, primeiro ensinamos ao Arthur que existia dia e noite, e que de noite ele deveria dormir. Assim, às 19h começávamos a entrar no modo "hora de dormir" e falávamos mais baixo, reduzíamos a intensidade das brincadeiras, ficávamos na penumbra e vetamos visitas pós oito da noite. Às 20h preparávamos o banho, com tudo absolutamente igual e ritualizado: mesma hora, mesma música, mesmo sabonete líquido (cheiro), mesma ordem de limpeza na banheira, mesmas frases na hora do banho, tudo igualzinho. Daí, sentávamos no sofá, só com a tv ligada (no mudo), e eu amamentava até que filhote dormisse. Ele aprendeu bem rápido e em poucos dias já estava no esquema. A partir daí, conseguimos ir montando uma rotininha, que ainda não está 100% estabelecida, mas que já é uma boa estrutura com a qual operamos muito bem, obrigada. Vale a pena, portanto, investir nesse sistema depressivo de repetir tudo de maneira idêntica, pois depois tudo fica melhor e mais fácil de gerir. Como dizia Renato Russo, "disciplina é liberdade".
- Os 5 S - esse truque aprendemos na marra mesmo! Marido e eu íamos lá pelo quinto ou sexto dia do Arthur zumbizão, chorando horrores, dormindo nada. Daí marido foi catar na internet explicações para o inexplicável e deu de cara com um artigo científico de psicologa que citava o sistema dos 5 S do pediatra norte-americano Harvey Karp. Finalmente dei bom uso aos famosos cueiros do Arthur e resolvemos 98% das choradas desesperadas com o barulhinho infernal do útero materno (o que temos salvo em todos os computadores, no dropbox e em pelo menos 3 cds). Nos deixa meio surdos, é verdade, mas Arthur adora e fica visivelmente mais calmo. Funciona que é uma maravilha com o secador de cabelos e, se seu bebê não for muito criterioso, com tv ou rádio fora de sintonia (o chiadão mesmo). Arthur é seletivo e só se acalma com o som "original" ou com o secador. Mas voltando ao método, não curto todos os S propostos pelo cara e, por mais que treinasse, nunca consegui fazer aquele suave chacoalhar de lado com meu pequeno. E como não usamos chupeta, aqui em casa os 5 S viraram 2 S mesmo: swaddle e shhh.
- Você vive para isso - essa descoberta eu fiz sozinha, e acho que pode ajudar alguém, embora eu saiba que não funciona para todo mundo. No começo do puerpério eu ficava muito angustiada por "não ter tempo para mais nada", até que um dia me dei conta de que cuidar do Arthur era absolutamente tudo o que eu tinha para fazer na vida e parei de "brigar" com meu lado "quero fazer tudo". Passei a curtir bem mais meu filho e fiquei mais feliz por ter o privilégio de poder cuidar dele nesses primeiros meses. Então, mamãe recém-nascida e angustiada com a mesmice do púerpério, tente pensar que você, agora, vive para isso: para cuidar do seu filho.
- Ser mãe (e ser pai) é tarefa exaustiva não só porque os filhos, no começo, dependem absolutamente de nós para sobreviverem. Mas também porque existem mil caminhos, um verdadeiro jardim borgiano, em que se vai escolhendo uma das muitas possibilidades de resolução de um problema imediato (o que elimina automaticamente todas as demais possibilidades de resolução daquele problema, naquele momento) e, assim, vai-se construindo um labirinto (muito mais que caminho) por onde devemos transitar e para o qual não há qualquer garantia de resolução, pois mesmo que sigamos os passos e escolhas alheios, nossos filhos são únicos e podem ter necessidades ou podem interpretar o mundo de modo diferente de outro bebê. Ou seja, cada pai e cada mãe tem a mui árdua tarefa de buscar, por conta própria, sem garantias de sucesso e arcando com as consequências dessas escolhas, aquilo que é (ou parece ser) mais certo naquele momento para si, para seu bebê e sua família. Por isso, meu conselho final não poderia ser outro: ame e faça escolhas conscientes. A maternidade (e a paternidade) é sem garantias. E é assim para todo mundo.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
100 dias com ele
Cem dias e parece que nunca vivi sem ele. O que de certo modo é verdade porque esperei por ele anos e anos. Tá certo que achava que seria mãe de uma menininha. Mas só porque minha família só gera mulheres e, antes do Arthur, o último homem que havia nascido fora em 1959. Então, exceto por esse detalhe (não insignificante, é claro, mas ainda assim um detalhe), eu passei toda a minha vida adulta com Arthur, gestando a ideia de concebê-lo, pari-lo e criá-lo.
Quando me descobri grávida, estive grávida da ponta do cabelo à unha do pé: enjoei, dei piti hormonal, comi coisas loucas (não bebi coisas loucas), fiz xixi no palito, exame de sangue, ri sozinha, chorei acompanhada das malditas estrias, tive medo, esperança, confiei cegamente e me abandonei na aventura. (Outro dia até me peguei pensando, muito surpresa, que confiava tanto em que eu conseguiria parir que nunca passou pela minha cabeça que eu poderia precisar de uma cirurgia e que eu não tinha dinheiro para pagar equipe cirúrgica particular! Olha que doideira!) Vivi para e com Arthur por muito mais que os 9 meses de gravidez.
Quando ele nasceu, saí derrubando mitos meus e alheios. Sambei na cara da sociedade cesarista, como vocês já sabem, e também desmistifquei dentro de mim muita coisa da maternidade. Coisas boas, como o mito do amor instantâneo pelo recém-nascido, e coisas ruins, como dificuldades de relacionamento entre pais e filhos ou a minha incapacidade de criar e sustentar um filho (um dia, quem sabe, falo um pouco mais sobre isso por aqui). Renasci em mim mesma e no pequeno ser que acabava de trazer ao mundo.
Agora, cem dias depois, ainda estou trabalhando arduamente na reconstrução da minha identidade, agora partida no binômio mãe-bebê e na multifacetada mulher do século XXI. Também me empenho em usar o tempo de licença-maternidade para conhecer meu pequeno filhote, para criar e estreitar laços, para ir fundo no verbo maternar. E é difícil, viu, gente? Não pelo Arthur, docinho de menino, bebê delícia, mas por mim. Saber construir a mãe que quero e posso ser é tarefa exaustiva, e que jamais se esgota. É se questionar e rever conceitos, ideias e possibilidades todos os dias. É buscar se encaixar em uma realidade cambiante, e muito mais cambiante que a vida sem filhos porque há, além das variáveis da vida cotidiana normal, uma vida absolutamente dependente de mim. Agora, cem dias depois de parir Arthur, sei que estou cansada, mas profundamente feliz e realizada. Cem dias com ele são muito mais que cem dias com ele: é toda a nossa vida como mãe e filho. E como é bom viver essa nossa toda vida!
Quando me descobri grávida, estive grávida da ponta do cabelo à unha do pé: enjoei, dei piti hormonal, comi coisas loucas (não bebi coisas loucas), fiz xixi no palito, exame de sangue, ri sozinha, chorei acompanhada das malditas estrias, tive medo, esperança, confiei cegamente e me abandonei na aventura. (Outro dia até me peguei pensando, muito surpresa, que confiava tanto em que eu conseguiria parir que nunca passou pela minha cabeça que eu poderia precisar de uma cirurgia e que eu não tinha dinheiro para pagar equipe cirúrgica particular! Olha que doideira!) Vivi para e com Arthur por muito mais que os 9 meses de gravidez.
Quando ele nasceu, saí derrubando mitos meus e alheios. Sambei na cara da sociedade cesarista, como vocês já sabem, e também desmistifquei dentro de mim muita coisa da maternidade. Coisas boas, como o mito do amor instantâneo pelo recém-nascido, e coisas ruins, como dificuldades de relacionamento entre pais e filhos ou a minha incapacidade de criar e sustentar um filho (um dia, quem sabe, falo um pouco mais sobre isso por aqui). Renasci em mim mesma e no pequeno ser que acabava de trazer ao mundo.
Agora, cem dias depois, ainda estou trabalhando arduamente na reconstrução da minha identidade, agora partida no binômio mãe-bebê e na multifacetada mulher do século XXI. Também me empenho em usar o tempo de licença-maternidade para conhecer meu pequeno filhote, para criar e estreitar laços, para ir fundo no verbo maternar. E é difícil, viu, gente? Não pelo Arthur, docinho de menino, bebê delícia, mas por mim. Saber construir a mãe que quero e posso ser é tarefa exaustiva, e que jamais se esgota. É se questionar e rever conceitos, ideias e possibilidades todos os dias. É buscar se encaixar em uma realidade cambiante, e muito mais cambiante que a vida sem filhos porque há, além das variáveis da vida cotidiana normal, uma vida absolutamente dependente de mim. Agora, cem dias depois de parir Arthur, sei que estou cansada, mas profundamente feliz e realizada. Cem dias com ele são muito mais que cem dias com ele: é toda a nossa vida como mãe e filho. E como é bom viver essa nossa toda vida!
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