sexta-feira, 3 de maio de 2013

Eu sou demais!

Rio, 2013.
Zona sul-maravilha.

[entra música incidental - plano geral da praia de Ipanema ao pôr do sol]

[plano geral se transforma em plano americano, enfocando uma mãe. No caso, eu, a mãe do Arthur.]

Digo para as câmeras: eu sou demais! E dou uma piscadela marota, oferecendo ao espectador um olhar sedutor e divertido.

Corta.

Rebobina, porque ninguém está entendendo lhufas dessa viagem.

Play.

Um dia acordei e atinei para um fato perplexizante: eu sou demais.
Acho que isso foi no dia em que marido voltou da creche meio furibundo (e com razão) porque a psicóloga do estabelecimento o chamou de lado "oi, você tem um minutinho?" (sempre sorrindo, ensaboada) e descascou o sling: Arthur não engatinha porque fica tempo demais no sling, no colo de vocês, vocês precisam deixar seu filho no chão, precisam andar de carrinho, precisam parar de usar sling porque está atrasando o desenvolvimento psicomotor do seu filho. Rá! Eu ri. Ri e comprei, na mesmíssima semana, um novo sling. E agora revezo: sling assim, sling assado. E ainda virá mais um carregador de pano por aí!
Agora, no entanto, pensando bem, pode ser que eu tenha chegado à conclusão de que eu sou demais quando, ao voltar a trabalhar, descobri que ordenhar na salinha gelada de depósito, três ou quatro vezes por dia, meia hora a cada vez, é um desafio a qualquer esquema de gerenciamento do tempo e de tarefas. E que é preciso muito jogo de cintura e muito respirar fundo para dar conta de um serviço em caráter urgente no fim do expediente enquanto seu marido, ao telefone, avisa que o filhote chora e se recusa a dormir. É saudade. Dos dois lados. E o trabalho que era "rapidinho, em cinco minutos você está liberada" entra uma hora extra inteirinha na noite que tenho com o filhote. E eu chego em casa e ele abre o maior e mais lindo sorriso do universo, pede peito e capota. POF! Mas ao menos é nos meus braços que ele embala o sono. E então eu penso: sou demais!
Acho, porém, que se eu pensar direitinho, talvez descubra que a certeza de que eu sou demais tenha vindo já no parto, ou até mesmo no pré-parto, na gravidez ou até na pré-gravidez, porque quanto mais eu penso sobre maternar e quanto mais eu vivo o maternar, mais vou vendo que está muito além da sociedade em que vivemos conseguir de fato conciliar maternidade e vida profissional, maternidade e vida social, maternidade e vida consumidora consciente, maternidade e vida política. Parece que sobra, sabem? E a culpa, é claro, é sempre da mãe.
Confuso? Deixa eu explicar melhor, então.
A sociedade ocidental contemporânea não sabe o que fazer com as mães. Ou melhor, tem dificuldades imensas com o nascimento e com a maternagem, e com isso, nós, mães e bebês, ficamos perdidos, rastejando de um clichê a um padrão, de um padrão até uma fórmula pronta, e então de volta aos clichês.
Somos todas demais, porque excedemos o papel que nos cabe. E se a mulher resolve largar o emprego para cuidar da cria, está deixando de lado sua carreira. Por outro lado, se insiste em se manter profissionalmente ativa, enfrenta não apenas o drama do "deixar o filho com outras pessoas", mas também muito preconceito, machismo e certa "domesticação", de modo que é preciso impedir nossos corpos de serem corpos maternos: nada de leite, ordenhas, nada de gordurinhas, nada de fome fora de hora, de ritmo biológico alterado, nada de sentir sono durante o dia mesmo que se acorde várias vezes ao longo da madrugada, nem pensar em se enxergar sexualizada (quem quer uma funcionária grávida poucos meses depois de voltar de licença-maternidade?).
Mas para quem pensa que fora do plano profissional a coisa vai melhor, evoco a claquete das risadas [AHAHAHAHA] e afirmo: vai mal demais!
Mães são consumidoras, que vão educar seus filhos a consumirem também. Conquistar um é conquistar os dois (ou mais), e conquistar por longo tempo ("vou comprar produto X porque minha mãe usava comigo quando eu era pequena"). Mas mães são consumidoras apenas daquilo que vem enlatado, porque o consumo fora da linha será reprimido: não pode sling; dá logo chupeta; ficar na creche desenvolve mais a criança; compre o brinquedo XYZ, que vai tornar seu filho um gênio.
Mães não são politizadas. Não podem ser: devem seguir um senso-comum tradicional, e nunca devem questionar. Médicos estão para a vida e o bem-estar assim como as embalagens de alimentos estão para o valor nutricional: enriquecido com cálcio camufla o sódio excessivo; cesária urgentemente necessária esconde a agenda que não se pode desorganizar.
Mães não podem lutar, não podem namorar, não podem, não podem, não podem. Mas aí vem uma avalanche de comentários e reportagens e de repente as mães devem lutar, devem namorar, devem, devem, devem.
E aí chegamos ao grande ponto da coisa: as mães DEVEM. Não importa o que façamos, quais sejam nossas ações, o que dizemos: estamos sempre devendo alguma coisa porque nossa sociedade não tem espaço para a maternidade. Nossa sociedade não sabe o que fazer e onde alocar seres que cuidam, nutrem, produzem e reproduzem. O mundo, na maioria das vezes, não sabe o que fazer conosco, mães, totalmente demais!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

O dia (meio) errado que deu certo

Era para acordarmos às 8, mas Arthur achou que seria bom uma alvorada praticamente ao raiar do dia. Eram 7h30 e eu pedi para marido, por favor, ficar com o rebento para que eu dormisse um pouco mais. Não rolou. Arthur anda chicletinho de mamãe e não servia papai.
Brincamos, rimos, nos divertimos, e às 9h30 Arthur pediu para dormir. Dormiu fácil, e eu pensei que seria ótimo tirar esse cochilo, que teria três horinhas de soneca e... Arthur acordou em meia hora. Eu, sonada, ainda tentei embalar o pequeno, mas nada. Marido entrou em cena, ninou o bebê e quando o deixou comigo... Arthur acordou.
Bom, o que não tem remédio, remediado está.
Resolvemos ir tirar fotos para a documentação da viagem. A primeira loja estava fechada, então seguimos para o shopping. Claro que não precisávamos de carrinho, pois tiraríamos a tal foto, voltaríamos para o carro e, em cerca de meia hora tudo estaria resolvido. Rá, rá! Para começar havia uma gravação de novela (com a Flávia Alessandra) atravancando os corredores do shopping. Ok, sem dramas. Driblamos as câmeras, equipamentos e pessoas da produção, eu com Arthur no peito. Quando enfim alcançamos a escada rolante, Arthur dormia. Como tirar foto para documento de um bebê dormindo? O que fazer, então? Óbvio: almoçar para fazer hora e bebê acordar.
Nós nos sentamos e Arthur dormia pesadamente, no meu colo. Como ele mamou fora do sling, não conseguiria colocá-lo ali sem que ele acordasse. Fiquei com ele no colo até sentir meu pé dormente. Então convenci marido a ir buscar um carrinho daqueles de empréstimo dos shoppings. No momento em que vislumbrei o combo conforto (marido + carrinho), Arthur acordou. Tasquei-lhe peitinho, ele dormiu de novo, mas não tão profundamente quanto antes. Resultado: assim que fiz o depósito no carrinho, o bacuri acordou.
Bom, que jeito? Pedido já tinha sido feito, eu estava varada de fome, marido também, bora comer. Pedimos bobó de camarão. E na segunda garfada que dei, Arthur, que NUNCA come em casa (fica praticamente só no peito), começou a fazer "aaaahhhh", de boca aberta, esperando a comida.
Separei arroz puro (porque, claro!, eu não tinha levado sopinha ou frutinha já que era uma ida rapidíssima ao shopping) e o menino danou a comer. Comia com tanto gosto que a gerente do restaurante veio com um potinho de caldinho de feijão fresquinho. E eu, a mãe neurótica da alimentação regrada (sem açúcar, sem sal, sem excesso de óleo, sem leite), me vi dando arroz branco parboilizado com caldinho de feijão com torresmo de um restaurante nada saudável ou natureba. Arthur se acabou!
Finda a saga alimentícia, fomos (com o carrinho emprestado) trocar fralda (também fui pega desprevenida, e usei o kit troca de fralda do shopping) e tirar foto. No elevador descobrimos que as lojas estavam fechadas (não frequentamos shoppings, então nos esquecemos que nos feriados as lojas só abrem 15h) e resolvemos voltar para casa.
Sem foto, sem carrinho, sem dinheiro, cheia de culpa.
De tarde, sairíamos, Arthur e eu, para encontrar duas amigas queridíssimas e seus filhotes lindíssimos. Bom, Arthur chegou em casa e... pediu para dormir (num horário bem atípico). Botei o menino para dormir e cadê que ele acordava? Nos atrasamos, mas chegamos, e Arthur ficou andando no restaurante só de meia, porque a mãe relapsa aqui esqueceu o sapatinho. Tudo bem, depois a gente incinera a meia, que encardida daquele jeito não tem mais salvação.
Mas, para mim, o grand finale do dia foi quando, conversa vai, conversa vem, eu viro para uma das meninas que acabara de conhecer (amiga das amigas) e explico, tintim por tintim, o que é monília. A moça, muito educada  e simpática, escuta com paciência. Era médica.
Sem mais. Um beijo e boa noite que meu dia, apesar de meio torto, foi ótimo!

domingo, 28 de abril de 2013

Como seu filho brinca? - elucubrações de uma criança solitária

Eu era bem pequena, lá pelos 3 ou 4 anos, e ganhei uma bolsinha de presente. Ela era feita de plástico rígido, numa cor vibrante, que eu não lembro se era azul-turquesa, vermelho-sangue ou amarelo-canário. Dentro dela iam os itens que, segundo minha experiência, seriam fundamentais e indispensáveis: cédulas de um  dinheiro já vencido pela inflação da louca década de 1980 (cruzado, cruzado novo, cruzeiro, cruzeiro real, por aí afora), caneta, papel, documento de identificação (feito por mim mesma, com "foto 3X4" desenhada dentro de um retângulo no canto) e um mini frasquinho de soro fisiológico (para o caso de, deus me livre!, cair um perigoso cisco no meu olho). Na minha representação de mundo, do alto da minha primeira infância, era importante: minha identidade e meu papel social, dinheiro e, claro, remédios.
Não sei se esses são valores bacanas para que uma criança de 3 ou 4 anos tenha. O que eu sei é que minha bolsinha representava meu mundo, e os objetos que iam lá dentro mostravam o que eu considerava importante.
Um dia, esqueci a bolsa em um restaurante (eu ia muito a restaurantes quando pequena).

***

Eu fui uma criança solitária. Muito solitária. Sem irmãos ou primos, morando num prédio sem play ou crianças, uma baixinha tímida e magrela, alvo de bullying na escola, pais separados, mãe trabalhando fora o dia inteiro, realmente não tinha muito com quem brincar. E eu me lembro das longas horas gastas em brincadeiras ou em frente à televisão (sem a qual eu não almoçava!). E me lembro de ter um quartinho só de brinquedos (pequeno, como um armário grande, devia medir 1X2m), abarrotado de bonecas, panelinhas, pôneis de plástico, moranguinhos, acessórios de Barbie, jogos individuais (resta 1, jogos de encaixar, carimbos etc.). 
Num Natal meu padrinho me deu uma bicicleta, e eu pedi para a minha mãe um jogo caro (o nome era "O tesouro do Faraó"), que me custou muito dever de casa feito e muita arrumação de quarto. 
A bicicleta era uma Caloi Ceci linda, eu customizei o selim e fiz mil planos de uso. Andei de bicicleta um dia, na Lagoa, e depois voltei com ela para casa, onde eu ia da sala ao quarto, num corredor de pouco mais de 3 metros de comprimento, só quando os adultos não estavam por perto para brigar comigo (porque "não pode andar de bicicleta dentro de casa!"). Em cima do banco da Caloi morava a casa da Moranguinho. O guidom guardava uma corda de pular e eu sempre montava na bicicleta, girando os pedais para trás, fingindo dar muitos passeios divertidos com ela. Já quanto ao jogo, bom, ele era para de dois a quatro participantes, e só havia uma pessoa disponível para jogar: eu. Assim, acho que só consegui brincar uma vez, com a minha mãe, e me lembro até hoje que eu chorei muito na hora de doar o jogo porque eu "não brincava mais com ele". Chorei de pena de mim mesma. E me senti muito sozinha.

***

Arthur tem acesso a muitos brinquedos: os que eu comprei para ele, os que ele ganhou, os que ele herdou, os que ele usa na creche. Toda criança deveria ter acesso ao espaço lúdico da brincadeira. Mas esse espaço, penso eu, não pode e nem deve ser limitado e (muito menos!) determinado pelos publicitários.
Confesso que aqui em casa temos muitas tranqueiras barulhentas de plástico: Fischer Price, Tiny Love e companhia. Brinquedos que, com tristeza, depois de alguns meses, notei que eram os equivalentes ao meu quartinho da infância: peças soltas, sem vida, com funções bem definidas e que tolhiam minha criatividade porque eram Moranguinhos (com roupa, voz e até cheiro pré-determinados), pôneis com nomes certos, bicicletas sem espaço para se pedalar e jogos múltiplos que frustam o jogador solitário. Além disso, os valores que eu estava incutindo no meu filhote não me parecem muito saudáveis: mamãe não está, mas veja que lindo relógio cantante que você tem!; você TEM muitos brinquedos; vamos substituir afeto e amor por algo material e que seja um simulacro do contato humano (vozes cantantes gravadas, figuras antropofórmicas). Eu estava reproduzindo o padrão sem perceber.
Na verdade, acho, não estava reproduzindo o padrão ainda. Mas assustei quando pensei nisso. E mais ainda quando pensei que, muito em breve, ficaria sozinha com Arthur, para ser responsável por uma infância feliz e divertida para ele. É extremamente assustador pensar na responsabilidade que tenho pela frente: aprender brincar com Arthur de modo a fazer do espaço lúdico uma possibilidade de experimentação e uma forma de representação de seu mundinho (e com isso, espero ter a chance de compreendê-lo mais e mais, de estar mais perto, mais integrada).
Enfim, mais uma vez penso que a maternagem consciente (além de trabalhosa porque nunca deixamos de pensar e repensar sobre as escolhas e decisões) é um caminho tortuoso, em que devemos ser responsáveis por aquilo que optamos, mas tendo o conforto de saber que sempre dá tempo de reformular as ideias e seguir novos rumos. Assim, em Chicago, nova vida, novas brincadeiras para o meu pequeno!
Com amor, sempre.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

À indiana

Por volta dos três meses de idade Arthur, num belo dia, mamou, mamou, mamou e, logo a seguir, vomitou. Não era uma golfadinha, não. Era quantidade. De bater no chão e fazer barulho, de escorrer pelo meu braço, fazer poça no chão (olá, vida escatológica!). Fiquei preocupada e aguardei mais um pouco para ver o que aconteceria. Mais alguns dias e ele continuava dando umas vomitadas e o pior: passara a acordar muitas vezes durante a noite, chorava, se retorcia e remexia. Assim, diante do quadro preocupante, ligamos para o pediatra que, por telefone mesmo, sugeriu que eu testasse uma dieta completamente livre de leite de vaca e derivados para ver como Arthur se comportava. Eu, que estava na fase da obsessão por doce de leite, falei que no dia seguinte, então, começaria a dieta e o médico foi taxativo: não! Comece hoje! Em duas horas de dieta você já terá consideravelmente menos proteína do leite de vaca no seu organismo.
Como aqui, meu amigo, missão dada é missão cumprida, larguei o pote de doce de leite deliciosamente cremoso pela metade na geladeira, dei um pulinho no supermercado para comprar algo que eu pudesse comer, e desde então sou a maluca do "tem leite?". Tipo uma indiana radical, que considera pecado supremo comer partes da vaca. Até mesmo as excretadas (olá, fisiologia escatológica!). Tipo uma vegana.
Arthur de fato melhorou e na consulta que se seguiu ao tal telefonema o pediatra confirmou: alergia à proteína do leite de vaca (ALPV, para os íntimos).
Com diagnóstico e instruções para cortar da minha vida todo e qualquer vestígio de proteína do leite de vaca, me senti meio Gloria Gaynor: at first I was afraid, I was petrified. Mas aí pensei nos veganos, e nas pessoas que têm alergia à lactose, e nas pessoas que não gostam de leite e seus derivados e comecei a acreditar que seria difícil, porém não impossível, sobreviver à dieta.
É incrível a quantidade de coisas gostosas que precisei cortar da minha vida. E sobretudo, é surrealmente incrível a quantidade de DOCES que precisei abolir. Praticamente todos os doces de restaurante (exceto o quindim e doces de fruta, tipo goiabada e bananada), bolos (raros são os que usam margarina 100% vegetal e mais raros ainda os que substituem o leite por óleo ou suco), biscoitos e sorvetes. Mas o que realmente me impressionou demais foi começar a ler os rótulos das embalagens dos industrializados e descobrir, por exemplo, que algumas marcas de biscoito waffer não levam leite (mesmo o sabor chocolate) e que quase todos os sabores do bolinho Ana Maria não têm leite ou derivados.
Eu brinco, depois de virar profunda conhecedora dos rótulos de produtos que antes eu consumia sem ler os ingredientes, que eu estou, apesar de parecer ser muito vantajosa e saudável, na dieta do "estrago". Querem ver?
Eu, como vocês bem sabem, trabalho pacas, nove horas num escritório, então sou obrigada a comer na rua praticamente em todas as refeições. Meu chefe não quer pessoas comendo nas dependências da empresa, então não temos microondas e somos proibidos de consumir alimentos que deixem cheiro no ambiente (ou seja, tudo aquilo que possa ser esquentado, praticamente). Claro que eu poderia viver de sanduíche, mas eu sou daquele tipo de pessoa, sobretudo nesse período de amamentação (fome de peão feelings), que PRECISA de comer comida de verdade: arroz, feijão, bife, batata, salada, legume, purê... Ou seja, não rola levar sanduichinho para o trabalho e passar o dia com aquela sensação de vazio, né? Então, não tenho saída e sou obrigada a comer na rua. E, quanto aos lanchinhos e beliscadas do dia, claro que eu tenho a opção de levar (aí, sim) o sanduíche ou uma fruta e tal, mas haja disciplina para todo santo dia, antes de me despencar para o trabalho, fazer mochila de filho, ferver apetrechos de tirar leite, arrumar minhas duas bolsas (de ordenha e de trabalho), carregar moleque para creche (de ônibus, já que agora moramos relativamente longe de onde Arthur "estuda") e, ainda de lambuja, comprar, montar e carregar (visualizem: carrego Arthur no sling, mochila nas costas, duas bolsas de banda, e realmente não tenho estrutura física para suportar o peso de muito mais coisa) lanchinhos para a manhã e para a tarde (fome de peão, lembram? Como MESMO! De hora em hora. Uma loucura!).
Assim, com o almoço eu me viro bem (já conto a saga diária), mas com os lanchinhos da tarde, me esfalfo. Fico tentando encontrar soluções gostosas, saudáveis e viáveis (financeira e logisticamente falando), mas acabo sempre na alfarroba com coco, na pipoca de canjica, no chocolate de soja e no biscoito vegano. De vez em quando, picolé de fruta ou fruta in natura. É duro.
Então, eu, que antes adorava uma vida saudável, um iogurte com granola no meio da tarde, agora me vejo na dieta do estrago. Porque eu posso tranqueiras e mais tranqueiras, mas não posso coisas bacanas.
De manhã, por exemplo, tenho comido três ovos mexidos, biscoito de arroz, duas bananas, um copo de suco de laranja e um copo de mate. Claro que isso não vai me sustentar até a hora do almoço, então, ali perto do meu trabalho, a única opção que encontrei foi hambúrguer no pão integral (pão de hambúrguer tem leite, meu povo!). Ou seja, vitamina de mamão, morango, laranja, banana e aveia pode? Não pode! Mas hambúrguer na chapa, com bacon e ovo? Pode. Pão com manteiga e média pode? Não pode! Mas linguicinha calabresa com batata frita? Pode. No lanche da tarde não muda muito: bolo de laranja com chá pode? Só o chá. Mas e quibe frito e refresco de caju? Pode! Sanduíche natural, com peito de peru, ricota e salada pode? Não pode. Mas bolinho Ana Maria e biscoito waffer pode.
E assim, vou eliminando da minha vida tudo que traz no rótulo "leite em pó, leite em pó integral, soro de leite em pó, creme de leite, leite condensado, leite desnatado", mas continuo consumindo "lecitina de soja, fermentos químicos pirofosfato ácido de sódio e bicarbonato de sódio, conservador propionato de cálcio". Pura saúde, não?

E como se não bastasse minha junky new life, ainda passo por louca, porque vira e mexe sou obrigada a chamar o garçon em restaurantes e solicitar que ele fale, por favor, com o cozinheiro, para saber se o arroz do lugar é refogado na manteiga, na margarina, no óleo ou no azeite. Há os que me olham com enfado, os que me lançam olhares de empáfia e existem os que até me veem com desconfiança, como se eu estivesse tentando roubar os segredos do mestre-cuca. Uma lástima.
Mas a gente se adapta, não é mesmo? Os restaurantes que eu mais frequento já têm um pessoal que sabe das minhas restrições e até me avisam se houve mudanças no modo de preparo (já aconteceu duas vezes, em restaurantes diferentes). Eu já consegui encontrar umas soluções para o lanchinho da tarde que são menos trash que bolinho Ana Maria e biscoito waffer. Mas o hambúrguer da manhã ainda espreita meu colesterol e, definitivamente, me chuta da categoria vegana ou indiana, o que me faz comer feito um peão, um peão alérgico à proteína do leite de vaca, que não gosta de junky food (das comidas trevas que listei, não como quase nada, porque não gosto) e que não sobrevive apenas com frutinhas no meio da tarde. Ah, e antes que me sugiram: cream cracker leva leite e biscoito maizena também.
É dura a vida da bailarina!

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Pensamentos avulsos

* Por que fumante parece que fica com o cérebro embotado e acha que o cheiro do cigarro realmente não incomoda? Será que os fumantes não sabem que seu cigarro produz FUMAÇA, cujas propriedades físico-químicas fazem com que seja levada pelo ar e, portanto, fumar na janela faz com que TODO o ambiente em que está localizado a janela fique empesteado?

* Uma conhecida certa vez me descreveu o momento que antecedeu o nascimento de seu primeiro bebê. Ela, como a maioria esmagadora das mulheres, disse que queria ter parto normal, mas aí blá-blá-blá (sinceramente, não me lembro qual foi a desculpa esfarrapada do médico). Ela, apesar de ter ficado triste, deu, no íntimo, aleluia porque o exame de toque fora tãããão dolorido que realmente seria impossível para ela parir.
Ao longo do meu processo de parto, recebi três toques. Todos consentidos. Todos absolutamente indolores. Será que tentaram alguma manobra para "ajudar na dilatação" nessa amiga?

* Estar prestes a me mudar da cidade em que nasci e vivi (e amei, casei, emprenhei e pari) está me deixando nostálgica sem sequer ter ido.

* Ando com uma saudade de recém-nascido! E marido outro dia confessou: ele também.

* O que teria acontecido se eu tivesse acabado na cesária? Eu nem tinha dinheiro no banco para pagar por uma cirurgia com a equipe que escolhi!

*Arthur é tão lindo, tão lindo, mas tão lindo, que eu custo a acreditar que saiu mesmo de dentro de mim. Vejam bem, não sou feia, mas é que ele beira a perfeição, esse garoto.

* Ando tão sem paciência para gente chata, crítica e agressiva que tenho estado antipática. Hoje mesmo fui recebida na minha avó com brincadeirinhas que tinham por finalidade única me irritar. E também fui recepcionada com uma saraivada de críticas (ele usa colar? ele está só com essa camisa? ele não come isso? ele come aquilo?). Resultado: faziam comentários, perguntas e cutucadas e eu apenas dava um sorrisinho amarelo e não falava palavra! Chato, né?

* Cuidar de um bebê dá trabalho. E isso porque se antes você precisava cuidar da SUA vida, agora você precisa cuidar de duas vidas. Tudo dobrado: quarenta unhas para cortar, quatro orelhas para limpar, dois estômagos para manter cheios, xixi, cocô, banho. Quase tudo que você faz também precisa ser feito com/para um bebê.
Às vezes acho que é por isso que tantas mulheres se metem na nossa vida e vêm dar pitacos não solicitados: porque elas tiveram seus filhos, cuidaram de duas vidas, e agora, que só têm de volta uma única vida para cuidar, sentem falta e decidem meter o bedelho na sua (e de seu filho).

* Tenho tido obsessões culinárias. Logo no primeiro mês do Arthur tive compulsão por doce de leite. Depois, fiquei vidrada nos cup cakes. Tive o momento hambúrguer. A atual compulsão são biscoitos tipo cookie.

* Arthur, meu filho, seu estômago não tem fundo, não? Arthur, meu filho, será que você foi projetado na Suíça? Está friozinho, você não precisa suar só porque eu vesti uma blusinha em você!

* Será que minha chefe lê meu blog?

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O renascimento do parto

A prima de uma amiga está grávida. Reta final. Daí veio avisar toda prosa: não passa do dia 25. Como ela sabe? Como o médico que a acompanha sabe? O bebê vai se transformar em um gremlin se continuar no útero dela, mesmo dando sinais de que está bem e saudável? 
Há longos anos, no Brasil, os valores do nascimento vêm sendo invertidos, e o que deveria ser um momento lindo, maravilhoso e fundamental passa a ser um perigo, um descaso, uma dor e algo regido pelo dinheiro.
Se você, como eu, sonha que mais e mais mulheres possam ter um parto ativo, saudável, respeitoso, fisiológico e repleto de amor, então lute comigo! 
Você pode, como eu, encher o saco de todos que conhece com dados, estatísticas, causos e indicações de pesquisas científicas, pode escolher uma equipe porreta e parir seu filho sem intervenções no dia da marcha pela humanização dos nascimentos, pode ficar conhecida como "a maluca do parto natural" aonde quer que vá (hoje no trabalho, quando eu estava no almoço, surgiu o tema "parto" e TODAS as pessoas da empresa vieram falar comigo depois: ih, Fulana estava falando de parto hoje!). Mas se você não pode ou não quer se envolver nesse nível, porém acha a causa justa e bacana, existem outras maneiras de ajudar, claro. Até o dia 18 de junho, por exemplo, basta clicar neste link e fazer sua doação e/ou ajudar a divulgar a causa! Conscientizar as pessoas de que existem outras formas de nascer abre horizontes e traz para a mulher mais liberdade. Mudar a maneira de nascer é, de certo modo, mudar uma sociedade. E, parafraseando Michel Odent, que humanidade será essa, que nasce na violência obstétrica, na cesária mal indicada, nas artificialidades desnecessárias? É preciso mudar a forma de nascer para se mudar a forma de viver.


PS: Eu já doei. Quero ver todo mundo nos cinemas tentando adivinhar meu nome real quando passarem os créditos, hein!

sábado, 20 de abril de 2013

Rumo a junho

Junho tá logo aí, tão vendo?
Eu vi. Então, já bem reservei o lugar da festinha que, vejam que mimo!, será no dia do meu aniversário!
Se alguém tiver boas ideias e receitas sem leite de vaca e seus derivados, por favor ajudem!