sexta-feira, 24 de agosto de 2012

IFF, eu te amo mais que quiabo!

Mantendo os níveis de excentricidade do blog, afirmo que eu amo quiabo. Com frango, com carne moída, puro, em qualquer formato e até o babado, amo, amo, amo! Mas preciso dizer que, como na vida tudo é relativo, apareceu outro amor, que me faria abrir mão de todo o quiabo do mundo: o Instituto Fernandes Figueira.
Desde antes de engravidar já ouvia muitos elogios a respeito da qualidade dessa instituição pública, mas viver a experiência do ótimo atendimento superou as expectativas que eu nutria.
Como todo mundo aqui está careca de saber, tive (e ainda estou tendo) muitos problemas com a amamentação, e só não desisto porque, além de mão de vaca, tenho minhas convicções. Aliás, não desisto porque sou mão de vaca, tenho minhas convicções e o IFF para me ajudar a seguir adiante.
Logo na minha primeira visita, já depois do fim do horário de expediente, fui muito bem-recebida e, embora não tenha podido ser atendida, fui orientada com muita calma, educação e clareza. Com isso, minha pega no seio esquerdo se resolveu. Na segunda visita, dessa vez no horário certinho, fui novamente bem-atendida: ouviram meu relato e minhas queixas com paciência, sanaram minhas muitas dúvidas, deram dicas e esclarecimentos e diagnosticaram minha monília (lembram que amamentei sem dor? Que beleza!). Saí com as esperanças em uma amamentação bacana e prazerosa renovadas.
E de fato fiquei boa, me tratei da monília, da mastite e do medo de amamentar com dor. No entanto, essa semana, notei que meus sintomas de monília haviam voltado. Fiquei apreensiva e combinei com marido de visitar mais uma vez o IFF. Acontece que Arthur vacinou e reagiu, então meus peitos fcaram para depois, já que sair com um bebê com febre não é uma opção para mim. Hoje, porém, senti bastante dor e me dei conta de que estávamos na sexta-feira, que teria um fim de semana pela frente e precisava de uma orientação. Catei no site o telefone do Insitituto, liguei, pedi para falar no Banco de Leite Humano, expliquei minha situação e acabei com a seguinte resposta: todas as atendentes estavam ocupadas e meu nome e telefone seriam anotados para que, quando liberada uma profissional, ela entrasse em contato comigo. Meio incrédula, forneci os dados e, confesso, me esqueci completamente do telefonema e da promessa. Então, cerca de vinte minutos depois, toca meu telefone, chamam meu nome e, para minha total surpresa, era uma médica pediatra do Fernandes Figueira, que escutou com paciência e muita educação minha exposição e explicou tim-tim por tim-tim o que eu deveria fazer, sugerindo alternativas muito pertinentes para meu caso.
Gente, hospital público! Eles telefonaram para minha casa, me escutaram e resolveram meu problema com educação, boa-vontade e competência. Se não fosse por isso, teria sofrido por mais três dias desnecessariamente e, se eu não estivesse tão determinada a prosseguir na amamentação exclusiva, quem sabe, essa seria a diferença entre desistir ou não de amamentar. Exemplo de que é possível um atendimento público de qualidade, o Instituto Fernandes Figueira merece meu mais terno agradecimento por tornar viável e menos sofrido o sonho de oferecer o que há de melhor a meu filho: amor.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A insone que vos escreve

Sempre fui chegada numa insônia, mas achei que com um recém-nascido em casa isso não me pertencesse mais (assim como uma barriga plana, uns peitos sem dor e uma pele sem estrias). Aham, Cláudia, senta lá.
O fato é que eu tenho sofrido de insônia. E das das boas, minha gente: deita na cama, soninho gostoso, se enrosca nas cobertas e toca a rolar de um lado para o outro, como bife sendo empanado. Enquanto isso, marido dorme a sono solto e o recém-nascido chega a ressonar. E você lá, se esbaldando na farinha de rosca da ansiedade. A conta que não pagou, o bebê que dorme há quatro horas e já, já vai acordar, a obrigação de relaxar e parar de pensar para conseguir dormir.
Anteontem, fiquei acordada, matutando sobre a vida, de 2 às 6h30 da manhã. E Arthur dormiiiiiiiia. E marido sonhava. E até o cachorro se refestelava nos braços de Morfeu. Resultado? Míseras 4 horinhas de sono no dia.
Tá, beleza, pensam vocês, mas o que tem isso de especial para ser digno de nota aqui? Ahhhh, é que desconfio que minha insônia tem vida própria e o cruel objetivo de me lascar. Tudo porque escolhe a dedo quando aparecer.
Durante a gravidez tive muita insônia, o que, com a ajuda da progesterona, me fazia rastejar até o trabalho e esquecer o que estava fazendo (ou como fazer) mesmo que, por exemplo, um garfo cheio pairasse em suspensão diante dos meus olhos (estou almoçando? o que faz este garfo diante de mim? como faz para mastigar mesmo?). Mas a insônia matadora mesmo foi a que tive na madrugada que teve início meu trabalho de parto. Uma beleza, não? Com isso, passei por todo o processo sem dormir (e sem comer!). Quando Arthur finalmente estava em meus braços, estava exausta por ter passado a madrugada em claro muito mais que pelo esforço do parto em si.
E aí, a sacanada minha insônia, que desde então tinha me deixado em paz, voltou anteontem. E aí que ontem vacinamos o moleque: uma furada em cada perna e um líquido na boca. Quem acha que filhote teve reação e chorou muitão e teve febrão levanta a mão. Quem acha que meu instinto materno é meio sabotador e fanfarrão levanta a mão. Quem acha que eu só dormirei na próxima encarnação levanta a mão. (Já entederam porque não consigo retomar o educado hábito de responder aos comentários, né? Se fiquei te devendo uma resposta, uma visita, um alô, deixe seu recado após o bipe, aqui nos comentários, tá?)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

As alegrias do puerpério

Arthur completou dois meses e não sou mais uma puérpera, dizem. E sei que muitas vezes fui sarcástica ou irônica quanto aos acontecimentos deste período, mas isso não significa que eu não tenha tido boas vivências ao longo do processo de conhecimento do meu filho.
Acho importante frisar que, para mim, o mais importante e bacana desses dois meses de Arthur na minha vida foi conhecer essa pessoinha fofa, doce e risonha que saiu da minha barriga.
Durante a gravidez, não tive muito essa coisa que leio por aí de sacar a personalidade do bebê a partir da sua movimentação e dos seus hábitos intra-uterinos. Na verdade, por mais que sentisse meu filho se mexer dentro de mim, muitas e muitas vezes me pegava pensando, pasma: "nossa, tem um bebê dentro de mim! Que coisa mais louca!" E achando muito doido (e lindo) esse troço de gestar, supunha que seria mais prudente não criar muitas expectativas quanto ao ser que nasceria de mim, pois quanto mais a gente pensa e sonha e projeta, mais corre o risco de se frustrar com a realidade. Não porque ela não seja boa, não. Mas porque ela é diferente. E a diferença, na maioria das vezes, assusta no primeiro olhar.
Então que eu ia gestando do meu jeito: cuidando, amando, questionando, observando, mas procurando não rotular ou projetar algo em meu filho.
Dentro da barriga Arthur era um gentleman: nada de movimentos bruscos, chutes fortes ou empurrões vigorosos. Brincava que ele fazia ioga dentro de mim, pois ele parecia estar buscando espaços dentro de mim e dentro dele. Hoje, fora da barriga, sou muito grata a meu filho por ele continuar, de certo modo, a ser o bebê iogue da gestação e abrir, a cada dia, todos os dias, espaços para mim em sua vida.
Perceber que meu filho me permitia conhecê-lo, porém, não foi algo que se deu de imediato. Levou tempo, exigiu paciência de ambas as partes (ou melhor dizendo, de "tribas" as partes, já que marido também participa, né?) e foi preciso muita dedicação.
Claro que não vou ser ingênua de achar que em dois meses esgotei o meu filho, no que diz respeito ao conhecimento de sua personalidade. No entanto, posso afirmar com total segurança que, hoje, dois meses depois de tê-lo parido, entendo melhor algumas de suas demandas e sei que ele também compreende algumas de minhas necessidades.
E que delícia foi e é esse processo de reconhecimento! Fora as noites insones e os momentos de desespero, sobretudo os do período de baby blues, a coisa foi divertida e repleta de afetividade e boas surpresas!
Sou uma mulher privilegiadíssima porque tive um bebê saudável e eu estou saudável. Quantas e quantas mães não têm essa minha felicidade, de levar o bebê para casa logo após o parto e poder curti-lo, grudadinho consigo, o tempo todo (até mesmo nas horas em que se quer fazer xixi ou dormir, é verdade). Também sei que minha licença-maternidade é algo por que devo ser muito grata, pois me dá tempo para que eu possa me dedicar exclusivamente a meu filho. Tenho consciência de que cada dia que passo com ele pendurado em meu peito, em livre demanda, é importantíssimo e será relembrado com saudade quando eu voltar a trabalhar. Eu sou feliz com meu bebê nos braços e sei disso. Não posso deixar de festejar ainda a alegria com que meu filho foi recebido em todos os lugares, e como tem sido mágico ser mãe, ser responsável por nutrir e fazer crescer (em todos os sentidos) uma pessoinha. E que pessoinha! Não é por ser meu filho, não, mas Arthur é uma coisa! Lindo, risonho (riu com 20 dias pela primeira vez e não parou mais! Agora, ri para quase todo mundo, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê), ficando cheio de dobrinhas gostosas e difíceis de serem secadas depois do banho, doce. Um sonho de menino. Ainda um gentleman, ainda um iogue, ainda meu bebê, com tanto ainda por descobrirmos juntos.
Por isso, apesar do tom de ironia e sarcasmo, preciso deixar registrado, e de maneira bem clara, que foi uma delícia viver intensamente a maternidade do primeiro (louco e exaustivo) e do segundo (mais calmo) meses. Ter Arthur nos braços e poder me dedicar 100% a ele foi e é uma das melhores experiências da minha vida!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Passaporte para o hospício

[Este posté um oferecimento do combo antifúngico+antibiótico]

Então que esta semana temos um hóspede em casa. O amigo do marido também tem um filho. Mas do alto de seus 1 ano e 5 meses, o filho do amigo já fala, anda e faz zilhões de gracinhas. Como 99% das pessoas com filhos já "crescidos", quando viu Arthur e seus 2 meses incompletos, ficou naquela nostalgia louca, sabem? Ah, que gracinha, que saudade (oi??) dessa fase, que época maravilhosa (esse deve ter tido um filho que dormia de madrugada ou uma mulher que não o acordava para ajudar) etc. Acontece que sempre que o rapaz via Arthur ele estava, para variar, acoplado ao peito, e não dava para interagir. Até hoje.
Arthur teve uma noite difícil. Quero dizer, eu tive uma noite difícil e Arthur teve uma noite de muitas mamadas. Resultado: fiquei acordada das 3 às 6 da manhã. E, claro, fiquei num mau-humor fenomenal. Marido, coitado, e sugeriu: por que você não tenta amamentar deitada, para descansar?
Aceitei, deitei, acoplei rebento e amamentei!
Daí, marido veio me avisar que ia sair. Nesse exato momento Arthur espirrou e eu olhei para baixo, para onde deveria estar um bebê e nada vi! Marido riu e explicou: você dormiu e eu deixei o filhote com meu amigo, pois precisava tomar banho e ele estava doido para pegar Arthur no colo.
Meu povo, vou repetir porque vale a gagazice: eu dormi! E não foram 5 minutinhos, não. Dormi quase uma hora inteira! Sabem quando eu pensei que fosse conseguir isso? Nunquinha. Mas eu consegui: amamentei deitadona e dormi durante a mamada. Que beleza!
E o passaporte para o hospício é procurar bebê nas peitolas mesmo escutando um espirro vindo da sala.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Parem as máquinas e suspendam a água!

PAREM AS MÁQUINAS!

É preciso publicar em todos os jornais a notícia mais importante do semestre! Nada de Mensalão, cavaleiros que sugerem cavalos em lugar de cachorros, disputas acirradas pelas eleições que se aproximam. Não, nada disso. O fato mais importante do segundo semestre é: pela primeira vez em minha vida e na vida do Arthur, amamentei um dia inteiro sem sentir uma dorzinha sequer! Mesmo no mamilo mutilado e com Arthur terminando a mamada com um pedacinho do meu seio na boca (achei que fosse uma afta e meti o mãozão: era um pedaço da minha pele). Notem bem: SEM DOR!
Foi ontem. Sem dor, sem traumas, até queria que Arthur pedisse peito. E ele não se fez de rogado: mamou loucamente, dormia de 2 a 3 horas na sequência (e passou a madrugada acordadão, damn it!) e, então, queria mais peitinho. Ô beleza! Até acho que tem mais bochechinha naquele rostinho lindo (mas só saberemos da verdade verdadeira na outra semana, depois da pesagem no pediatra, e não vou criar expectativas novamente).

Além disso, dessa novidade incrível, tenho outra. Aliás, outras. E preciso que suspendam a distribuição de água aqui no Rio, porque ao meu redor tenho QUATRO grávidas. Isso mesmo: quatro grávidas pertinho de mim. A primeira já está na reta final e também será mãe de um menininho. A segunda está com 12 semanas e acabou de descobrir que também será mãe de um rapaz. A terceira está com 9 semanas e ainda não sabe o sexo, e a última acabou de tomar aquele susto do beta. Sabem qual? Aquele em que você abre o exame e lê no resultado uma vírgula no lugar do ponto e acha que 3 mil é 3 vírgula qualquer coisa, e que "deu negativo, droga, bora seguir com a vida... mas peraí, isso é um ponto e estou MUITO grávida". O mais legal é que todas as 4 grávidas querem um parto normal (e duas delas querem um parto normal natural).
Se por um lado eu fico feliz, por outro fico preocupada, pois por mais que esteja amamentando exclusivamente e tenha, então, meus níveis de prolactina na estratosfera, não pretendo engravidar novamente antes de o Arthur completar um aninho. Por isso que passei a beber só água mineral e a evitar banhos prolongados. Vocês já sabem do poder que a água tem quando o assunto é gravidez, né? Eu, então, por via das dúvidas, tô suspendendo toda água que considero suspeita.

domingo, 12 de agosto de 2012

Dia dos pais

Hoje comemoramos nosso primeiro dia dos pais. Comemoramos, no plural. Marido porque é o pai (dããã), eu porque tenho o companheiro mais amigo e parceiro desta vida, sem o qual minha vida seria infinitamente mais sem graça e sem paixão (são demais os perigos dessa vida, querido), e Arthur porque tirou a sorte grande com esse pai: carinhoso, amoroso, dedicado, íntegro, trabalhador, lindo, inteligente e mais, muito mais.
Parabéns, meu amor! Você merece meu muito obrigada por tudo e as sete horas ininterruptas que seu filho lhe deu de presente!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Até que o último homem tombe sobre o solo

Este texto contém palavrões.

Eu tenho um pequeno e bravo guerreiro em casa. Todas as manhãs e todas as tardes ele luta com ferocidade, geralmente sucumbindo somente diante do peitinho franco-atirador, que sua mãe saca quando mais nada parece conseguir fazê-lo parar, ou do som do útero materno, que seu pai aciona quando sua fúria parece sem fim.
As batalhas são muitas: Soneca Para Mãe Dormir Mais Cinco Minutinhos, Soninho Para os Pais Almoçarem, Cochilo Para Frear Mal-humor Vespertino (também conhecida como a Batalha do Boi da Cara-Preta) e, a mais ferrenha, Dorme Para Mamãe Tomar Banho.
Todo dia é a mesma coisa: acordamos, ele de bom-humor, eu caindo pelas tabelas depois de loooongas e doloridas mamadas no meio da madrugada, daí marido fica com ele para que eu possa dormir mais um pouquinho (geralmente entre 20 minutinhos e 1 santa horinha), e então começamos a luta, filhos da pátria! Arthur pede peitinho, eu dou. Ele dorme e solta o peitinho. E chora. Eu reacoplo o menino nas peitolas. Ele chupeita e dorme, relaxa a boquinha e solta o mamilo. Alívio para as doloridas mamas da mãe, mas terror para os ouvidos de todos na casa (e, eventualmente, vizinhança). Pai se apieda dos urros de dor da mãe, que tenta recolocá-lo no seio, e aciona o som secador de cabelo. Arthur chora. Berra. Urra. Se descabela, mesmo sendo meio careca. Mamãe saca o peito para fora da blusa, mas papai inicia o método radical de ninada: pulinhos, mão na testa, som do útero e Boi da Cara-preta cantado ad infinitum. É hora do almoço, mas mamãe nem fez o xixi da manhã ainda. Bebê dorme. Papai pergunta: no berço, na cama, no carrinho, no bebê-conforto ou no balancinho? Mamãe responde: em qualquer lugar, já que ele vai acordar assim que sair do colo ou parar de chacoalhar. O video do Youtube termina, sem que papai ou mamãe percebam. Mas bebê nota. Abre os olhinhos. Pisca. E urra. Berra. E se acopla novamente ao peito rachado e mastitizado. Papai vai comer, porque o exército não pode ter tal baixa. Esquenta a comida e engole qualquer coisa meio requentada. Aproveita e faz um arroz com ovo para a mãe. Toma o bebê dos braços da mãe, que dá uma garfada, duas e... quase! Bebê acorda e a internet caiu, não há som milagroso, somente o colinho (e peitinho) da mamãe. Todos choram, menos papai, que precisa trabalhar e se tranca no home office. Mamãe derruba arroz com ovo no bebê. Uma súbita vontade de arrotar agita o bebê, que puuuuuuxa o mamilo esquerdo, perde a pega e abocanha aquela mutilação. Cai a casquinha. Sangue. Leite. Lágrimas. Home office foi para a puta que o pariu e papai lança mão do Boi da Cara-preta, mas Tutu Marambaia mora no nosso telhado. E ali mantém seu home office. Como Tutu mora no telhado, Arthur não dorme. Mamãe consegue fazer xixi. Mas ainda tem arroz com ovo.  Bebê de novo no peito. Dorme. Papai no home office. Mamãe, no sofá, tenta alcançar o antibiótico, que mais parece uma cápsula espacial, sem fazer o bebê perder a pega ou acordá-lo. São cinco da tarde. Um mau-humor generalizado toma conta da casa. Reload de todas as técnicas e estratégias já aqui listadas. Bebê dorme, mas acorda 20 minutos depois graças ao Reflexo de Moro. TománocuMoro! Bora dar uma volta? De carro ou de sling? De sling. Arthur, meu filho, calma, com as pernas esticadas assim, fica difícil te colocar no sling. Segura a perninha, amor. A cabeça tá meio torta. O quê? A cabeça. Meio torta (e entorta a cabeça). O quê? Porra, vou colocar ele na cadeirinha. Você viu  chave do carro? O quê? Aaaaaarrrghhhhhh! Shhh, meu filhinho, a gente vai dar uma voltinha para você dormir um pouquinho. Cinto afivelado. Garagem se abre. Que dia é hoje? Terça. Sábado. Sei lá: é o Dia da Marmota. Caralho! Sexta-feira, seis da tarde. Dá dedinho para o Arthur. Já dei. Ele não quer. O quê? O quê? Dedinho, meu filho, não posso te amamentar no carro. O quê? [Este engarrafamento é um oferecimento de Eduardo Paes] Pega a próxima à esquerda, tá mais livre. Ok, ele dormiu? Não, mas tá quase. Que horas são? Sete e meia, falta pouco para o banho, graças a deus! Ele dormiu? Não, mas tá rindo para o móbile. Pelo menos não está chorando. É. Bora voltar. Oito horas. Tira roupa, tira fralda, limpa bumbum, enrola na fralda, liga música, apaga luzes da casa (sempre rola uma topada ou uma canelada em algum canto) e mergulha o menino na água morna. Bocejo. Pais também bocejam. Sai do banho, roupa e fralda limpas, enrola no dudu, dá mais peito mutilado e não mutilado, coloca para arrotar e, enfim, ele dorme.
Lutou até que o último homem tombasse sobre o solo. Neste caso, o último homem é uma mulher.