terça-feira, 14 de agosto de 2018

A sinestesia dos enjoos

Com essa gravidez, descobri que tenho enjoos sinestésicos.
O que é isso, Ártemis?
Ah, um nome que inventei para tentar explicar como tenho me sentido para as pessoas.

Eu sinto enjoo com gostos, cheiros, texturas, imagens e sons.

Oi?
É, isso mesmo!
Alguns gostos, como doces e hortelã (pasta de dentes, balas etc.) me deixam absurdamente enjoada. Até aí, normal. Cheiros também. Não consigo entrar na cozinha, enjoei de cheiro de café e refogados de novo, passo mal com perfumes, bafos, cecês, cheiro de fritura, de carne, de comidas, desodorante, xampu, sabonete, até o cheiro da parte de dentro do meu nariz me enjoa, o que é um problema bem grande, já que não posso simplesmente tirar o nariz, né? Mas apesar da bizarrice, também não é tão anormal assim grávidas enjoarem com cheiros. Mas aí começa a esquisitice nível master. Eu enjoo com texturas. Comer banana é sofrível, porque se tem uma parte mais madurinha, eeeeeca! Escovar os dentes é martírio, porque as cerdas dentro da minha boca causam ânsias terríveis. Fora cabelo que voa e entra na boca. Quase morro! Também não consigo olhar para determinadas comidas, ou coisas, porque a simples visão me causa asco profundo. É o caso da minha geladeira e toda e qualquer carne. Só de escrever já sinto o estômago revirar. Por fim, o que me confere o prêmio esquisitice total para enjoos gravídicos é ficar enjoada com sons. Para isso acontecer eu já preciso estar enjoada antes de o som começar. E aí, o som amplifica o mal estar de tal maneira que eu preciso fugir correndo de onde estou, protegendo orelhas e nariz, numa vã tentativa de melhorar dessa náusea constante e insuportável.

Passei três dias seguidos sem conseguir sair da cama, porque ficar sentada ou de pé me enjoava. Estou há duas semanas sem interagir com minha cozinha (quando fico sozinha em casa e preciso abrir a geladeira, primeiro me concentro, respiro fundo, tampo o nariz e aperto bem os olhos, para ver o mínimo, porque só assim consigo resgatar alguma coisa ali dentro). Não cozinho. Não lavo louça. Não tomo banho todos os dias (só me julguem depois de experimentarem enjoos nesse nível). Aliás, entrar no banheiro é desafiador, porque são tantos cheiros ali dentro!
Ontem fui à padaria e quis morrer. Pior ideia do mundo! Tudo ali dentro cheirava ao mesmo tempo, com muitas fragrâncias diferentes e nem sempre combinando, equilibradas.
Ontem também aconteceu algo engraçado. Arthur chegou na porta do quarto com a boca cheia e me perguntou "mamãe, adivinha o que eu estou comendo?". Não só acertei, deitada na cama (cerca de 1,50m de distância da porta), como ainda emendei um "vai comer isso na sala porque o cheiro está me enjoaaaando!".

Aliás, Arthur acha que eu estou com uma virose, tadinho. Já perguntou se essa coisa pega e se vou vomitar (quando vomitei ele não estava em casa, tinha ido ver um filme na casa de uma amiguinha). Mas na verdade eu acho que ele tá é sacando tudo, porque a brincadeira da vez aqui em casa é com bebês e irmãos. É um tal de "meu irmão" pra cá, "os bebês" para lá. Tá pescando, esse menino. Mas só contaremos depois do exame que substitui a TN.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

O dia em que vomitei

Os enjoos me pegaram de jeito nessa gravidez.
Com Arthur, eu fiquei enjoada, mas além de ter começado a me sentir mal com mais tempo de gestação (5 semanas), a intensidade dos enjoos era menor. Tanto que eu conseguia trabalhar, conseguia viver, consegui até mesmo esconder a gestação até os 3 meses.
Dessa vez eu fui atropelada pelos enjoos de tal maneira que durante dias não sobrou nada de mim!
Hoje acordei um pouco melhor (enjoo normal, tipo os que eu tinha na gravidez do Arthur) e resolvi vir aqui registrar.

Tudo começou exatamente no dia em que completei 5 semanas. Veio de mansinho, um mal estar que me fez primeiro ser seletiva com comidas. No dia seguinte já tive repulsa pela carne que estava no prato do Arthur. Depois disso foi ladeira abaixo e tudo culminou no dia 6 de abril, quando eu vomitei.
Tinha passado o dia praticamente em jejum e depois de comer umas batatinhas cozidas (única coisa que me apeteceu), tomei a vitamina pré-natal. No dia anterior eu também tinha me sentido miserável depois de tomar a tal vitamina, mas não liguei uma coisa na outra. Até porque eu estava vivendo momentos de enjoo extremo e momentos de enjoo moderado. Então, para mim, fazia parte do quadro geral. Mas a verdade é que não estava me dando bem com a tal vitamina e, no dia 6, depois de engolir o comprimido, deitei para assistir a um filme e relaxar. O enjoo foi crescendo, crescendo, crescendo, até que não aguentei e fui ao banheiro. Foi horrível! Fiquei bastante nervosa e estressada, e depois meu pescoço doía todo. Mas pelo menos o mal estar melhorou e eu consegui beber água e terminar o filme.

Os enjoos estão tão fortes dessa vez que já fui obrigada a contar da gravidez para muitas pessoas, porque simplesmente não consigo viver a vida normalmente. Passo o dia deitada, prostrada, seja enjoada, seja me sentindo fraca porque não comi nada. Não consigo ir a lugares com cheiros (padarias, minha cozinha, meu banheiro) e buscar Arthur na escola tem sido um desafio diário. Fui contar os dias do enjoo. A sensação é que estou sofrendo há semanas, mas a verdade é que acabei de completar uma semana nesse estado. Espero imensamente que eu melhore logo, porque tá puxado.

(texto escrito em 10/4/18)

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Enjoada

Eu acreditei que teria uma gravidez sem enjoos. Não sei por que cismei com isso. Mas parece que os enjoos gostam mesmo de mim.
Tudo começou na quinta semana. Na hora do almoço comi e fiquei enjoada logo a seguir. Com Arthur, os enjoos começaram por volta da mesma época, e também na hora do almoço. Lembro muito bem que uma das primeiras vezes que enjoei estava sentada sozinha no restaurante onde costumava almoçar, ao lado do trabalho. Comi uma garfada da salada e enjoei. Mal conseguia continuar a refeição. Depois disso, foi ladeira abaixo, com muito enjoo diário e constante até cerca de 15 semanas.
Então, nesta gravidez, comecei com os enjoos. Fui jantar em uma pizzaria e assim que entrei no lugar quase tive um treco com aquele cheiro de molho e queijo. Na Páscoa fomos para a casa de uns amigos, celebrar em grande estilo. Dentro do uber comecei a me sentir ultra-mega-super enjoada. Tinha comido antes de sair, para garantir que não me sentiria mal no caminho e nem chegaria desesperada de fome. Na verdade, quando vi a pizza do dia anterior na geladeira, e depois quando senti seu cheiro, fiquei de estômago embrulhado. Depois, não consegui olhar para o pedaço de porco, carne que aprendi a gostar aqui, que estava no prato do Arthur. Marido precisou cortar a carne e servir ao Arthur. Na hora do almoço, marido precisou esquentar o porco depois que eu já tinha feito o prato. E agora, enquanto escrevo isto, fico enjoada só de pensar em todas essas comidas. BLERGH!
Já notei que enjoo com mais força se como doce. Então, meu melhor amigo tem sido o pão de massa azeda da padaria aqui do lado. Delícia salgada e amarga que não me deixa enjoada e me supre com carboidratos.
Vamos ver como a coisa progride. Queria muitíssimo que só ficasse nesse enjoo suave, mas se for como na gravidez do Arthur, está apenas começando.

(como vocês devem ter notado, tô atrasada nas postagens. mas a gente chega lá, tá?)

terça-feira, 10 de julho de 2018

Primeira consulta

Minha primeira consulta pré-natal foi na clínica onde levo Arthur para fazer os check-ups de rotina.
Não é uma clínica maravilhosa, mas a médica dele é fofa, sempre se lembra das nossas histórias além da ficha médica (embora não saiba onde fica o Brasil no mapa!) e, felizmente, não precisamos de nada além do normal: pesar, medir, uma queixa aqui, outra ali, uma virose aqui, outra ali. O lugar, então, atende muito bem a nossas necessidades.
Quando descobri que estava grávida de novo, já comecei a pirar no pré-natal. Aliás, há dois anos eu já vinha pirando, perguntando a todo mundo com quem tinha intimidade sobre como era o parto e a assistência à gestante aqui onde moro. Isso é assunto para outro post, prometo, mas acho que por essa antecedência na pesquisa - e sabendo que com Arthur eu comecei a pesquisar sobre parto NOVE anos antes de sequer engravidar - vocês já conseguem imaginar como esse é um assunto importante para mim.
Pois bem, quando descobri essa gravidez, pirei com força no pré-natal, principalmente porque precisaria de um plano de saúde, coisa que até então eu não tinha. Acontece que o plano que vou usar precisa de um comprovamente de gravidez, e lá fui eu na clínica de família onde levo Arthur para buscar esse tal comprovante.
Fiz meu xixizinho no potinho (aqui não tem essa de tirar sangue para comprovar a gravidez de todo mundo, não! O mais comum é xixi no palito mesmo) e em poucos minutos já tinha minha declaração de gravidez pronta.
A conselheira que me atendeu perguntou se eu já queria fazer minha primeira consulta logo naquele dia e eu pensei "já tô aqui, né? então, bora!" e fiz uma horinha até ser chamada para a primeira consulta como gestante! (meu sorriso não aparece no texto, mas vocês podem imaginar minha alegria, né?)
O centro conta com 3 obstetras (mulheres) e 2 midwives (enfermeiras obstétricas) e minha primeira consulta foi com uma das midwives.
Aqui, antes do atendimento médico ou de enfermagem, uma assistente de enfermagem vem para pesar, medir, tirar temperatura, pressão e anotar as principais informações do caso. Depois da triagem, a midwife veio conversar, falou que o meu teste voltou "bastante" positivo e começou a anotar algumas coisas sobre meu histórico familiar de doenças preocupantes (câncer, problemas cardíacos, diabetes, hipertensão, má-formações e síndromes, essas coisas) e anotou a data da última menstruação para fazer a previsão das 40 semanas. Eu contestei a data que ela me deu, porque eu SEI que não ovulei 14 dias depois do primeiro dia de menstruação porque eu tenho ciclos longos e irregulares. Mas ela insistiu na data. Achei chato e desumano isso, pois ela me colocou dentro de um protocolo logo de cara. A consulta seguiu com ela me perguntando sobre viagens, sobre zica (se eu fiquei doente quando estive no Brasil, se alguém que eu conhecia tinha ficado doente, se meu marido ou filho tinham ficado doentes lá) e disse que ainda era muito cedo para fazer uma ultrassonografia. Eu não sou grande fã de ultras, então não liguei muito. Ela explicou umas dúvidas que eu tinha sobre o pré-natal daqui e sobre o que faríamos ainda. Onde estou nos EUA (cada estado aqui é independente, então algumas coisas podem variar de um lugar para outro) não se faz mais translucência nucal às 12 semanas em mulheres acima dos 35 anos. Agora, é feito um exame de sangue na mãe (NIPT) por volta das 10 semanas para avaliar a possibilidade de o bebê ter alguma síndrome cromossômica, e a partir do resultado o casal pode escolher se quer ir se consultar com um especialista em genética, se quer abortar ou se quer seguir em frente com o pré-natal na clínica. Também através de exames de sangue da mãe já são investigadas outras condições congênitas no embrião ou feto, como espinha bífida ou fibrose cística. Quando colhi sangue para exames de HIV, gonorreia, sífilis, toxoplasmose e mais alguma coisa que estou esquecendo já coletaram material também para esses testes que mencionei. Às dez semanas vou colher mais sangue para "substituir"a famosa TN. A vantagem desse exame é que ele é mais preciso. Enquanto a TN indica com precisão de até 80% se pode haver alguma alteração cromossômica, o exame de sangue tem precisão de 98%. E, como eu disse, se o casal quiser, pode depois do resultado fazer uma consulta com geneticista e fazer exames mais invasivos, para confirmar suspeitas ou se certificar de que não caiu nos 2% de falha do exame de sangue. O exame está disponível no Brasil, mas parece que é bem caro e não são todos os planos que cobrem.
Também na consulta fiz um exame preventivo, tive um exame de mamas e um exame pélvico (esse último também me desagradou, mas permiti só porque realmente queria ter certeza de que não havia volumes ou dores que tivessem passados despercebidos por mim). Fui auscultada (coração e pulmões) e recebi uma lista de medicamentos que posso usar na gravidez, separados por categorias. Colhi urina para cultura de bactérias e recebi meu cartão-gestante.
Saí de lá com os telefones de emergência. Ao contrário do Brasil, aqui você liga para a clínica, não para uma médica ou enfermeira específica. Aí, o funcionário de plantão naquele dia retorna a ligação alguns minutos depois com a orientação necessária. No dia do parto, também será plantão. A equipe atende em dois hospitais. Se eu escolher um, mais longe de casa, a equipe de plantão será da clínica (uma das obstetras ou midwives), mas se eu escolher o outro, aqui pertinho, o plantão é do próprio hospital, e eu certamente não vou conhecer a pessoa que vai me auxiliar no parto.

Achei o atendimento ok. Não gostei do exame pélvico "obrigatório" e da insistência da midwife em dizer que eu estava com 5s1d, quando eu sabia que estava com 4s3d. Tive quase uma semana "roubada". Se considerar que Arthur nasceu de 41 semanas, isso faz MUITA diferença! Vamos ver se a data muda quando eu fizer a primeira ultra. De todo modo, estou quase certa (só esperando resolver burocracias do plano de saúde) de que vou mudar para uma casa de parto em Chicago.
Até a ultra, muita água ainda vai rolar e estou concentrada em mentalizar a seguinte frase: "eu não vou enjoar, eu não vou enjoar, eu não vou enjoar..."

Semana que vem conto se superei o marco inicial (na gravidez do Arthur comecei a enjoar com 5 semanas e fui até 14 ou 15 sofreeeeeeendo).

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Relato do segundo positivo

Oficialmente, iríamos começar as tentativas em agosto de 2018, mas eu sabia que existia a possibilidade de estar grávida.
Então fiquei atenta ao combo tentante: micro sintomas da progesterona em meu corpo, olho na temperatura basal (que pela primeira vez na vida estava sendo tirada certinho, no mesmo horário todos os dias e tal - tudo como preparação para agosto) e contando os dias do ciclo.
Aproveitei para catar umas anotações que tinha feito durante a gravidez do Arthur, com as datas de exames, da provável ovulação, com os sintomas que senti no comecinho, depois nas primeiras semanas. Enfim, dei aquela refrescada na memória porque, né, quase seis anos se passaram.

(Eu tenho a teoria do HD, que é a seguinte: nossa cabeça vai acumulando memórias e informações até um certo teto, depois ela vai abrindo espaços deletando o que já não serve e substituindo por infomações ou lembranças mais úteis naquele momento. Isso explica porque eu soube a fórmula de Baskara por tantos anos, mas hoje em dia não consigo nem me lembrar para o que serve a dita fórmula.)

Pois bem, eu já tinha liberado espaço para coisas maravilhosas da vida como: qual marca de café é a mais gostosa aqui, como preencher o IR, qual caminho é mais curto para chegar à biblioteca, qual é o telefone do marido, essas coisas. Então, reler as tudo aquilo à luz dos conhecimentos que acumulei ao longo desses anos sobre o método sintotermal de controle da fertilidade me trouxe uma série de informações curiosas e valiosas sobre meu corpo.
Com isso, fiquei atenta e sabia exatamente quando começar a testar para detectar uma possível gravidez.

Então, o aplicativo que uso para controle da fertilidade me sugeriu um dia da ovulação, e eu concordava com a data apontada. Dali, contei uma semana e decidi que começaria a testar. Seria meu 7DPO (sétimo dia pós-ovulação), o que é bastante cedo, eu sabia, mas estava ansiosa, óbvio. Admiro as pessoas que falam "vou esperar até o 12DPO para testar" e esperam! Eu não sou dessas. Então comprei 20 "internet cheapies" (baratinhos da internet, na tradução livre) e decidi que tinha 20 dias de xixi no palito pela frente.

Desde o 1DPO eu vinha sentindo coliquinhas, o que era bem esquisito, porque eu NUNCA tenho cólicas, e quando tenho é só no dia da menstruação mesmo. Fiquei atenta e comecei a marcar no aplicativo as cólicas. Meus seios também ficaram doloridos, mas embora esse sintoma seja mais comum alguns dias antes da minha menstruação, eu não achei tão fora da curva quanto as cólicas. Isso porque eu sabia que seios doloridos são uma das consequências da progesterona no corpo, e que progesterona faz parte do ciclo natural feminino, mesmo quando não ocorre gravidez ela está lá. Passei 6 dias anotando detalhadamente tudo que sentia durante o dia no aplicativo (um diário mesmo). Tintim por tintim. Tudo!
No 6DPO senti uma dor lancinante na altura do umbigo à noite. Eu estava sentada quando aconteceu e foi difícil até me mexer. Ela veio forte e depois fiquei com a sombra dela por alguns minutos mais. Decidi fazer o teste, primeiro porque para uma pessoa ansiosa tudo é pretexto, segundo porque eu estava começando a ficar preocupada, achando que eu poderia estar desenvolvendo uma infecção urinária (eu nunca tive IU, então não faço ideia dos sintomas). O teste voltou negativo, sem dúvida, e eu falei com umas amigas, que me acalmaram quanto à IU, porque eu não tinha febre e os sintomas clássicos. Fui dormir encucada, preocupada comigo.
Então, no 7DPO eu fiz xixi no palito de novo. Os sintomas que eu vinha sentindo desapareceram por completo e eu estava desesperançada. Esperei os cinco minutos determinados pelo fabricante e o teste ficou branco, só com a linha de controle.
No 8DPO, acordei e decidi testar com a primeira urina da manhã. Os outros testes eu fiz quando deu, sem muita esperança, sem muita disciplina, porque sabia que era cedo demais. Esse do 8DPO, de manhã, voltou branquinho, branquinho. Mas, porque sou teimosa, fiz outro teste à noite. Olhei para a tira e achei que estivesse vendo coisas. Olhei na luz do abajur, na luz do banheiro, com a lanterna do celular e continuei sem saber se era mesmo uma segunda linha ou não. Decidi fazer outro teste, convencida de que aquele estava defeituoso, me mostrando uma sombra, uma linha evaporação, sei lá. O segundo teste voltou com outra sombra. Chamei marido (Arthur já dormia) e falei: tô vendo uma segunda linha. Ele não viu e tentou sugerir que eu estava querendo tanto um bebê que via coisas que não existiam. Cortei logo e falei: amanhã eu provo para você que a linha existe. Porque eu via a linha, ela estava lá, duas vezes, duas sombras, dois borrões quase invisíveis. Mas eu não sabia se ela iria de fato escurecer.
No 9DPO, com a primeira urina da manhã, apareceram as duas linhas. Uma delas claríssima, mas já não dava para dizer que era impressão, defeito ou delírio. Fiz outro teste com a segunda urina da manhã (que descobri ser melhor para mim, em termos de teste) e lá estavam as duas linhas de novo. Marido continuou em negação. hahahaha
Entrei em um fórum gringo, criei uma conta e postei a foto, perguntando se as pessoas também viam a segunda linha. E elas viram! Aí, eu já não tinha mais dúvidas, mas marido continuava desconfiado, achando tão surreal engravidarmos de primeira, que eu precisei esperar até o dia seguinte para provar que eu estava, sim, grávida, muito embora eu tenha feito mais dois testes ao longo do dia, todos positivos.
Então, no 10DPO eu acordei e fiz outro teste com a primeira urina da manhã. Positivo ainda clarinho, mas inegável e mais escuro que o do dia anterior. Ou seja, havia progressão do hcg. Aproveitei que estava saindo e anunciei: vou comprar um teste de outra marca, para tirarmos a dúvida de vez. E voltei com um teste digital do supermercado daqui de perto. Testes digitais são mais direitos e objetivos, porque mostram SIM ou NÃO, sem linhas clarinhas para confundir. As instruções falavam em três minutos para o resultado, mas entre o primeiro e o segundo minuto a ampulheta parou de piscar e apareceu bem bonito na tela "PREGNANT", grávida. Era oficial!
Ao contrário da gravidez do Arthur, decidi contar para algumas pessoas próximas logo de cara. Algumas amigas queridas ficaram sabendo quase que na mesma hora que tiramos a prova dos nove. Marido contou também para os dois melhores amigos. E seguimos no plano de contar para todo mundo oficialmente só depois dos três meses iniciais.
Também contei para duas amigas daqui dos EUA, porque precisava de ajuda para entender o sistema de saúde, saber como iniciar o pré-natal, com quem, essas coisas.
E decidimos só contar para Arthur quando tivéssemos a certeza de ser uma gravidez viável e saudável. Isso porque desde que aprendeu a falar que Arthur me pede um irmão ou uma irmã, e seria absolutamente frustrante para ele viver essa montanha-russa emocional. Decidimos poupá-lo.

Para concluir, vou colocar aqui os sintomas que tive e que me fizeram ligar o alerta:

Cólicas desde o dia seguinte à ovulação; micro tonturas por dois dias não consecutivos; seios doloridos também desde o dia seguinte à ovulação; meu colo do útero de repente fechou, alguns dias após a ovulação, o que colocou uma pulga imensa atrás da minha orelha, porque desde que Arthur passou por ali que meu colo ficava fechado, pero no mucho. As cólicas se alternaram entre "sensação de atividade no baixo ventre" (como se estivesse acontecendo alguma coisa por ali); "sensação de peso", que às vezes se expandia para as pernas, como se eu estivesse perto da menstruação; pontatinhas e incômodos no lado esquerdo, primeiro perto do ovário, depois mais embaixo; pontadas agudas e bastante doloridas na altura do umbigo e como se estivessem descendo pelo colo do útero (por isso que pensei que fosse IU). Outra coisa que também estava bem fora do padrão era o muco cervical, que desapareceu, quando, geralmente fica constante até a chegada da menstruação.

domingo, 1 de abril de 2018

É só um momento miserável

Arthur estava dormindo. Eu estava na cama, já quase tomando o mesmo destino quando me sobressaltei com um berro: MÃÃÃEEEEE!
Dei um pulo e em dois segundos estava ao lado dele, que estava visivelmente chateado, mau humorado mesmo.
- O que foi, filho? Quer água?
- Não! (Ainda muito chateado.)
- Quer fazer xixi?
- Não!
- Teve um pesadelo?
- Não, I'm just having a miserable time*.

E durma-se com um vocabulário desses!!

*Tradução: "eu só tô passando por um momento miserável".