Aos quase vinte meses Arthur tem quase catorze dentes. Digo quase porque os caninos superiores apenas apontaram, rasgando a gengiva, mas ainda não nasceram por completo. Então, ele tem, digamos, doze dentes e meio (1/4 de cada canino).
Os primeiros dentes que vieram, conforme os manuais indicam, foram os incisivos centrais inferiores. Dois de uma vez. Como meu pequeno já vinha usando colar de âmbar, não notei grandes mudanças, sobretudo porque Arthur nunca babou. Pelo menos não daquele jeito que babam muitos bebês, de molhar babador, camiseta e calça.
Esperei os primeiros dentes apontarem para, oficialmente, iniciar a introdução de outros alimentos que não o leite materno. A minha escolha foi pessoal e nada científica, apenas baseada na crença de que a natureza daria os primeiros sinais de que Arthur estaria pronto para ingerir novas texturas e sabores. Esperei, portanto, que ele se sentasse com firmeza e que tivesse dentinhos.
Durante o período, para ajudar a aliviar e também porque era muito divertido, ofereci ao meu molecote cenoura geladinha (devidamente descascada e limpa, sob supervisão para que, caso um pedacinho se soltasse, ele não engasgasse) e picolé de leite materno. A cenoura foi uma curtição, principalmente porque os dentinhos vieram bem no carnaval e fantasiei Arthur de coelhinho, com a cenoura-mordedor fazendo parte dos adereços de mão! E o picolé de leite materno era moleza de fazer: congelava meu leite em uma forminha de picolé (vende em supermercados e lojas de utilidades para o lar, bem baratinho), o menino pronto para se melecar e deixava que ele mesmo guiasse o geladinho para onde quisesse.
(Sobre o picolé, existe uma ressalva importante: como Arthur nunca apresentou qualquer problema crônico nas vias superiores, como eu morava no Hell de Janeiro e seus 70 graus na sombra, oferecia o picolezinho com parcimônia e ciente de que não era a coisa mais recomendada do mundo, embora aliviasse calor e dentinhos e, de lambuja, ainda proporcionasse uma visível diversão ao meu filho. Escolhas que fazemos nessa vida.)
Depois dos incisivos inferiores, vieram os superiores, e então aquelas gengivinhas rosadas e nuas começaram a ficar povoadas de dentinhos branquinhos e graciosos... que me mordiam os mamilos!
Fiquei desesperada, confesso, com o fato de que depois de sofrer quase todas as urucubacas da amamentação então precisasse encarar um bebê mordedor. Mas fazer o quê? Amamentar era preciso, ficar sem dor não era preciso, segui, portanto, em frente. Quando ele mordia, eu enfiava meu dedinho mindinho na gengiva dele, por trás dos novos dentinhos, e impedia, explicando que machucava a mamãe, um estrago maior. Claro que não funcionava muito. E claro que ele continuou testando no lugar mais seguro do mundo (para ele) a função dos novos apetrechos de seu corpinho. Se seu bebê está fazendo isso contigo, infelizmente, só tenho a dizer: paciência, paciência, amor e muito cuidado para que ele não fira seu mamilo e abra, assim, a porta para infecções.
Pois a vida continuou e veio a nossa loucura da mudança.
Arthur continuava com seu colar de âmbar, e os dentes foram chegando de maneira relativamente suave. Nunca febre, diarreia ou irritação extrema. Um ou outro dia de mordeção (mordedores, dedos e, claro, meus peitos!). Até que um dia eu dei um morango para o pequeno. Não comentei aqui, mas desde que Arthur saiu da creche que eu adotei como método de alimentação o baby led weaning (um pouco sobre aqui e aqui), mais prático. Pois que ele estava atracado ao morango, comigo supervisionando, e de repente o morango acabou: foi devorado com uma rapidez nunca antes vista! Achei curioso, mas nem pensei muito mais sobre o assunto (provavelmente porque, na sequência do morango, Arthur deve ter ido aprontar altas confusões e aventuras). Alguns dias mais tarde, em meio a uma gargalhada, gelei. Ali dentro daquela boquinha lindinha havia manchas brancas. Como tive uma monília carente até mais ou menos uns três meses atrás, fiquei apavorada achando que o fungo tinha passado para meu bebê, e que as manchinhas brancas (características da patologia) eram colônias de cândida na boquinha do meu cândido! Surtei. Um pouco. E por pouco. Fazendo Arthur gargalhar mais uma vez, descobri, completamente perplexa, que os quatro molares haviam nascido ao mesmo tempo (a julgar pelo tamanho uniforme) e eu nem sequer notara! E, não, eu não notara porque estava atarantada demais com as coisas da mudança, mas sim porque ele superou o nascimento quádruplo sem qualquer tipo de reclamação!
Agora, com os caninos apontando, ele tem ficado mais irritadiço e angustiado, levando brinquedinhos e os dedinhos à boca com mais frequência, mas ainda assim tem levado numa boa.
Embora não haja qualquer comprovaçã científica de que o colar de âmbar seja realmente eficaz, por aqui a fase crítica do nascimentos dos dentinhos foi superada com relativa tranquilidade e sem maiores traumas. O risco de estrangulamento e de aspiração das contas de âmbar existe, e todos que optarem por usar tal acessório em seu(s) filho(s) devem estar cientes disso (uma pesquisa rápida no Google oferecerá diversos resultados e advertências). Por aqui, no entanto, essa foi a opção que mais se adequou às minhas crenças e ao meu estilo de vida, e pretendo manter meu pequeno usando-o sob supervisão por mais um bom tempo, já que suas propriedades antiinflamatórias não servem somente para a dentição.
E só para fins de curiosidade, já que nunca experimentei, existe ainda uma outra alternativa natural para aliviar os sintomas do nascimentos dos dentinhos: trata-se da raiz de íris.
Alguém conhece mais algum método não-farmacológico (ou seja, nada de remédios!) de alívio para o período de nascimento de dentinhos?
domingo, 2 de fevereiro de 2014
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Ode ao café
Arábico das mil e uma noites insones
Foste renegado por mim por anos
Mas agora trinca meus dentes
Num sorriso preciso porque vivo
Vivo com sono
Caindo pelos cantos
Cantos de ninar, cantos de embalar
Cantos de acocorar e brincar
Vivo, o grão amargo mais doce que existe
Ressoa dentro de mim
Num bailado artificialmente natural
Cheio de energia e um pouco de polca
Não polco, pois brasileira sou
Mas cafeíno-me,
Pois mãe e trabalhadora,
Estou sempre cansada.
Foste renegado por mim por anos
Mas agora trinca meus dentes
Num sorriso preciso porque vivo
Vivo com sono
Caindo pelos cantos
Cantos de ninar, cantos de embalar
Cantos de acocorar e brincar
Vivo, o grão amargo mais doce que existe
Ressoa dentro de mim
Num bailado artificialmente natural
Cheio de energia e um pouco de polca
Não polco, pois brasileira sou
Mas cafeíno-me,
Pois mãe e trabalhadora,
Estou sempre cansada.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Pequeno guia visual de lavagem de roupa
Se ir ao mercado é corrida com obstáculos, lavar roupa é pentatlo: levantamento de pesos, tiros de dez metros para buscar o guri, agachamentos e, porque estamos no inverno, também tem patinação no gelo do corredor dos fundos e, claro, patinação artística, com equilibrio de bebê, trouxas de roupas, chave, sabão e moedinhas.
Ficou curioso(a) para saber como é a aventura?
Apresentamos o primeiro guia visual do blog!
A roupa suja acumulou e você está sem coragem de enfrentar a missão? Este pequeno guia visual vai ajudá-lo(a) a ver com novos olhos essa tarefa inglória das atividades domésticas.
Comece separando o que você precisa para lavar roupa.
Por aqui, precisamos de:
Ficou curioso(a) para saber como é a aventura?
Apresentamos o primeiro guia visual do blog!
A roupa suja acumulou e você está sem coragem de enfrentar a missão? Este pequeno guia visual vai ajudá-lo(a) a ver com novos olhos essa tarefa inglória das atividades domésticas.
Comece separando o que você precisa para lavar roupa.
Por aqui, precisamos de:
- Mãe disposta;
- Bebê disposto, alimentado, trocado e descansado;
- Roupas sujas;
- Recipiente para transporte de roupas sujas e limpas;
- Roupas limpas (ou quase) para vestir - a saber: duas calças adulto, camiseta adulto, suéter adulto, casaco corta-vento adulto, meias e sapatos, luvas e protetores de orelhas + body de manga comprida, macacão flanelado ou de fleece, casaco de inverno com corta-vento, meias, botas, luvas, gorro;
- Canguru;
- Chave das áreas comuns do prédio;
- Sabão para lavar as roupas - aqui usamos um para nossas roupas, outro para as do Arthur;
- Quinze moedinhas.
Pouparei meus leitores da chatura das camadas e mais camadas de roupas, então vamos logo para a ação.
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| Chaves, moedinhas e paciência. Muita paciência e disposição. |
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| Prestes a encarar sensação térmica de -27C. |
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| Depois dos levantamentos de pesos iniciais e dos primeiros agachamentos, eis a modalidade patinação no gelo do corredor. |
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| Neve, neve, neve. E mais neve. |
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| Canguru, bebê, trouxa de roupa suja e outra trouxa carregando isso tudo. |
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| Rinque de patinação artística. |
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| Ufa! Chegamos. Agora é hora de mais agachamentos e dos tiros livres atrás do rapaz encasacado. |
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| Moedinhas, moedinhas, moedinhas. Um desafio completo, desde a sua coleção até evitar que filhote as engula. |
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| Quase uma hora mais tarde, voltamos para colocar a roupa para secar. |
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| E roupa que seca na máquina num clima seco vocês já sabem o que proporciona, né? Choques de eletricidade estática. Eu gosto de pensar que é TENS, para ajudar nas dores das costas. |
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| Tudo lavado, seco, empacotado, pronto para ser carregado em meio ao gelo e à neve. Muques de aço! |
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| Achei fanfarrão da parte do condomínio colocar esta placa. Singela homenagem à mãe que lava roupa. |
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| Já é noite quando o processo termina. Aí, começam os malabarismos na cozinha. |
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| E aí, pessoal, joinha? |
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Duende
Tem um duende aqui em casa. Ele mora em algum buraco que ainda não descobri onde fica, e no meio da noite sai para passear.
Quando eu morava com os meus pais, também tínhamos um duende, e eu, quando cheguei aqui, preferia o duende tupiniquim, que enquanto eu saía para trabalhar, arrumava a sala, lavava e estendia a roupa, fazia comida, varria a casa, lavava a louça. E eu preferia o duende brasileiro porque o daqui faz justamente o contrário!
E, por culpa desse maroto, embora eu seja agora uma dona de casa, as coisas não andam arrumadíssimas por aqui.
É que como agora eu passo muito mais tempo em casa, o tal duende, quando sai, não tem tempo de bagunçar e depois arrumar, como é da natureza desses seres.
Mas querem saber? Bagunceiro ou não, o duende já faz parte da família, e embora me deixe bem cansada, pois há momentos em que não é possível simplesmente deixar para lá a confusão de louça na pia ou a pilha de roupas por lavar, ele trouxe consigo um presente incrível: permitir que eu assista, todos os dias, o dia inteiro, meu filho descobrir o mundo e a si mesmo.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Porque não oferecer água a um bebê amamentado exclusivamente ao seio
Rio de Janeiro, setenta graus na sombra.
Tá, tá, tá. Exagerei. Mas a gente sabe que nessa época do ano, no Brasil, a coisa ferve mesmo em alguns lugares, e tem dias que é difícil viver sem derrapar no próprio suor.
Aí, amiga, você, recém-parida (ou quase), se pergunta, como todas as mães que pariram no trópicos antes de você: dou ou não dou água para o meu filhotinho que só mama no peitinho?
E eu respondo: NÃO!*
Não dê água para o bebê menor de seis meses e que é amamentado exclusivamente ao seio.
Está calor, eu sei. Mas sabe quem também sabe? Suas tetas! É. Suas glândulas mamárias já perceberam que a coisa está quente e que a ingestão de água aumentou, com isso, o seu leite já está mais hidratante, inclusive perfeitamente equilibrado em termos de sais minerais, que entre outras coisas, facilitam a absorção de líquidos. Além disso, outra pessoa também já notou que está calor: o seu bebê, que provavelmente está mamando mais vezes porque, afinal, suar dá sede.
E não importa que venha a tia agourenta do vizinho do avô do marido falar que deu água para o bebê de dois meses. Também não se deixe convencer pela própria mãe, ou sogra, se elas insistirem que "mal não faz". Porém, se a tentação é grande e você derrapou não somente no suor lá em cima, mas também na segurança que tinha sobre a informação, deixo com vocês a resposta da Socorro Moreira, ex-participante da lista Parto Nosso, que frequentei por anos, sobre por que não devemos dar água ao bebê menor de seis meses amamentado somente ao seio:
Tá, tá, tá. Exagerei. Mas a gente sabe que nessa época do ano, no Brasil, a coisa ferve mesmo em alguns lugares, e tem dias que é difícil viver sem derrapar no próprio suor.
Aí, amiga, você, recém-parida (ou quase), se pergunta, como todas as mães que pariram no trópicos antes de você: dou ou não dou água para o meu filhotinho que só mama no peitinho?
E eu respondo: NÃO!*
Não dê água para o bebê menor de seis meses e que é amamentado exclusivamente ao seio.
Está calor, eu sei. Mas sabe quem também sabe? Suas tetas! É. Suas glândulas mamárias já perceberam que a coisa está quente e que a ingestão de água aumentou, com isso, o seu leite já está mais hidratante, inclusive perfeitamente equilibrado em termos de sais minerais, que entre outras coisas, facilitam a absorção de líquidos. Além disso, outra pessoa também já notou que está calor: o seu bebê, que provavelmente está mamando mais vezes porque, afinal, suar dá sede.
E não importa que venha a tia agourenta do vizinho do avô do marido falar que deu água para o bebê de dois meses. Também não se deixe convencer pela própria mãe, ou sogra, se elas insistirem que "mal não faz". Porém, se a tentação é grande e você derrapou não somente no suor lá em cima, mas também na segurança que tinha sobre a informação, deixo com vocês a resposta da Socorro Moreira, ex-participante da lista Parto Nosso, que frequentei por anos, sobre por que não devemos dar água ao bebê menor de seis meses amamentado somente ao seio:
"Em primeiro lugar, porque para garantir que o bebê vai receber uma água perfeitamente estéril é preciso filtrar, ferver e aerar a água, já que a água depois de fervida fica 'pesada'. Ah, e tem que ser água tratada. E precisa ferver todos os acessórios, como bicos, mamadeiras e copinhos. E precisa convencer a criança a beber aquela água, que não tem gosto de nada. Como se não bastasse toda essa trabalheira, ainda tem o fato de que água é só água. Não tem vitamina, anticorpos, não vem na temperatura do corpo que facilita e muito a absorção.
Se for água mineral, dependendo da quantidade de sais minerais da água, ainda pode-se correr o risco de se sobrecarregar os rins do bebê.
Ok, não convence a pessoa. Porque tem gente que diz: Ah, mas você começou a tomar água com dois meses.
Bom, se a pessoa se propuser a filtrar a água, ferver, aerar, esterilizar a mamadeira ou o copinho que vai dar e ainda por cima oferecer a água para a criança, cara, essa criatura precisa vir aqui em casa. Tô precisando de alguém assim disposto para lavar louça, guardar roupa, olhar os meninos enquanto eu trabalho.
No final das contas, às vezes tudo que a gente precisa é daquele sorriso muuuito carinhoso e a frase: 'Ele não bebe água porque a mãe dele sou eu e eu não permito. Quando chegar o tempo de dar água, eu mesma dou!'"
OBS: Não quero ver ninguém surtando porque não deu água tratada, filtrada E fervida para o filho, ou porque deu água mineral. Este é um texto informativo e que visa a ressaltar a superioridade da praticidade e da qualidade do aleitamento materno frente à hidratação feita somente com água, sem destinação específica. Ou seja: na dúvida, pesquise, se informe e vá debater o seu caso com o profissional da área de saúde que atende o seu caso. A orientação, por exemplo, para o Arthur, que começou a beber água com a introdução alimentar, foi somente água filtrada ou mineral, sem necessidade de ferver.
[Quem tiver dúvidas, pode consultar a muito acessível e bem-feita cartilha da Fiocruz ou o documento da OMS sobre o assunto. Se as dúvidas persistirem, convém procurar um banco de leite humano (no fim da cartilha da Fiocruz existem telefones e endereços em todo o Brasil), um grupo de apoio à amamentação (como a La Leche League, por exemplo) ou uma consultora em amamentação.]
*Mas se o médico que acompanha o seu caso mandou dar água, dê! Não sou médica e estou falando de um modo geral. Se você tem dúvidas sobre o seu caso específico, consulte o pediatra do seu filho ou o profissional de saúde que geralmente o atende.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Receita de frango ao molho de laranja com gengibre
Olá, queridos leitores. Na postagem de hoje vamos fazer um delicioso peito de frango grelhado com molho de laranja e gengibre!
Todos prontos?
Lápis e papel na mão que eu vou começar.
Primeiro, antes de mais nada, você deve ir ao supermercado.
Se conseguir voltar com: todos os ingredientes, o bebê sem escoriações ou choros descontrolados, tempo hábil para fazer o almoço e, sobretudo, uma paciência de Jó, já podemos dar início ao prato.
Esta é um refeição leve, muito gostosa e prática.
Quero dizer, é uma refeição muito leve e gostosa.
Ingredientes:
Peito de frango cortado em finas fatias (para nenhuma parte ficar crua, porque é perigoso consumir frango cru)
Laranja
Açúcar mascavo
Manteiga ou margarina
Shoyo
Amido de milho
Gengibre
Um ralador
Uma panela
Uma frigideira
Modo de fazer:
Chegue do mercado esbaforida e pouse no chão da sala todas as sacolas e o seu bebê. Enquanto ele se entretém espalhando todos os itens pelo chão, vá despindo as muitas camadas de roupas, casacos e acessórios invernais. Reserve.
Cate todos os produtos, não se esquecendo de ir buscar no chão do banheiro a caixa de morangos, e dentro da gaveta de calcinhas a bandeja de frango. Guarde o que for de geladeira, deixe o bebê brincando com o que não necessitar de regrigeração e nem representar perigo imediato, tipo o frasco de água sanitária.
Lave as mãos.
Abra a embalagem de frango e repita pelo menos três vezes "não, amorzinho, não mexe no franguinho. Toma aqui este pacote de fraldas, que isso pode". Reserve.
Corra na sala para ver se o silêncio que impera no seu lar significa que o seu bebê McGyver está fazendo fogo somente com um pacote de fraldas e um chocalho babado. Volte correndo para a cozinha e tempere os peitos de frango somente com sal (pouco) e, se quiser, algumas ervas. Afague o cabelo do bebê que está agarrado nas suas pernas, resmungando. Cuidado para não temperar a criança. A não ser que seja dia do marido dar banho.
Lave as mãos, ligue o fogo e coloque a frigideira para aquecer.
Corra no quarto e descubra o que o bebê está arrastando. Volte se for um brinquedinho, corrija se for o iPad do pai.
Volte. Lave as mãos, corte a laranja ao meio e esprema na mão o suco de uma das metades. Pare, vá verificar se o som de batida foi a cabeça da criança no chão ou a estante da sala sendo derrubada. Grite. Arrependa-se. Volte, lave as mãos, continue a espremer a metade da laranja na panela.
Lave as mãos, pegue o seu filho no colo. Com muito cuidado, para não queimar ninguém, coloque os frangos para grelhar. Lave as mãos, não molhe o bebê, esprema a outra metade da laranja. Coloque um pouco de açúcar mascavo no suco de laranja. Desvie das mãozinhas curiosas e derrame uma porção involuntária e generosa de mais açúcar mascavo. Pense "dane-se!" e continue. Segure o bebê, não deixando que ele caia ao se jogar do seu colo rumo ao pedaço de gengibre. Tudo bem se ele mascar a raiz. Dizem que faz bem para a garganta.
Pegue um biscoito. Entregue o biscoito na mão do bebê, tentando, ao mesmo tempo, recuperar o gengibre. Negocie. Regateie. Chantageie. Arrependa-se.
Pegue o gengibre (de preferência distraindo o bebê com outras coisas), passe no ralador. Não muito. Para uma laranja grande eu usei cerca de uma colher de café.
Vire o frango na frigideira. Cuidado com a perna da criança.
Ligue o fogo sob a panela com o suco de laranja "temperado". Você deve fazer uma redução. Ou esquentar um pouquinho, o que seu bebê permitir que você faça.
Pouse a criança no chão, explicando que agora você vai precisar das duas mãos um pouquinho.
Vete a tentativa de mexer nos botões do fogão. Vete a tentativa de puxar o fio da cafeteira. Repita "não, amorzinho, não mexe no franguinho. Toma aqui este pacote de fraldas, que isso pode". Mais uma vez. Mexa a panela com a redução.
Ignore a receita e passe a misturar os ingredientes conforme você "sente" que funciona.
Corra na sala, não deixe que o bebê pegue o copo de água que você esqueceu em cima da escrivaninha. Console seu choro. Volte para a cozinha, mexa a panela, desligue o frango, chame o bebê e apresente a ele uma maravilhosa escumadeira. Repita "não, amorzinho, não mexe no franguinho. Toma aqui a escumadeira, que isso pode". Guarde (finalmente!) o frango. Pegue o bebê no colo. Coloque a manteiga (uma colher de sopa) e dissolva. Retire a mão do bebê de dentro do pote de manteiga e lave-a copiosamente, para minimizar a gordura. Pouse a criança no chão. Acrescente um pouco de shoyo. No molho, não no bebê. Cuidado, pois o ideal é o equivalente a uma colher e meia de sopa, mas se você for olhar para o lado porque o menino está prestes a prender o dedo na gaveta, você pode derramar mais do que o necessário. Se isso acontecer, console-se pensando que o açúcar mascavo em excesso vai cortar o sal do shoyo em excesso.
Lave as mãos, abra o armário, retire a faca da mão do bebê (era sem serra e sem ponta, ok, mas nunca se sabe). Coloque uma colher de sopa de amido de milho na panela. Assista ao empelotamento do molho enquanto você dá colo ao bebê. Mexa até engrossar. Acalme o bebê, coloque-o na cadeira de refeições. Sirva-o.
Sirva-se de arroz, um peito de frango e regue com o molho, tomando o cuidado para não pescar as bolotas de amido e nem o biscoito ou o pedaço de cenoura (!!) que seu filho conseguiu jogar dentro da panela.
Bom apetite!
Todos prontos?
Lápis e papel na mão que eu vou começar.
Primeiro, antes de mais nada, você deve ir ao supermercado.
Se conseguir voltar com: todos os ingredientes, o bebê sem escoriações ou choros descontrolados, tempo hábil para fazer o almoço e, sobretudo, uma paciência de Jó, já podemos dar início ao prato.
Esta é um refeição leve, muito gostosa e prática.
Quero dizer, é uma refeição muito leve e gostosa.
Ingredientes:
Peito de frango cortado em finas fatias (para nenhuma parte ficar crua, porque é perigoso consumir frango cru)
Laranja
Açúcar mascavo
Manteiga ou margarina
Shoyo
Amido de milho
Gengibre
Um ralador
Uma panela
Uma frigideira
Modo de fazer:
Chegue do mercado esbaforida e pouse no chão da sala todas as sacolas e o seu bebê. Enquanto ele se entretém espalhando todos os itens pelo chão, vá despindo as muitas camadas de roupas, casacos e acessórios invernais. Reserve.
Cate todos os produtos, não se esquecendo de ir buscar no chão do banheiro a caixa de morangos, e dentro da gaveta de calcinhas a bandeja de frango. Guarde o que for de geladeira, deixe o bebê brincando com o que não necessitar de regrigeração e nem representar perigo imediato, tipo o frasco de água sanitária.
Lave as mãos.
Abra a embalagem de frango e repita pelo menos três vezes "não, amorzinho, não mexe no franguinho. Toma aqui este pacote de fraldas, que isso pode". Reserve.
Corra na sala para ver se o silêncio que impera no seu lar significa que o seu bebê McGyver está fazendo fogo somente com um pacote de fraldas e um chocalho babado. Volte correndo para a cozinha e tempere os peitos de frango somente com sal (pouco) e, se quiser, algumas ervas. Afague o cabelo do bebê que está agarrado nas suas pernas, resmungando. Cuidado para não temperar a criança. A não ser que seja dia do marido dar banho.
Lave as mãos, ligue o fogo e coloque a frigideira para aquecer.
Corra no quarto e descubra o que o bebê está arrastando. Volte se for um brinquedinho, corrija se for o iPad do pai.
Volte. Lave as mãos, corte a laranja ao meio e esprema na mão o suco de uma das metades. Pare, vá verificar se o som de batida foi a cabeça da criança no chão ou a estante da sala sendo derrubada. Grite. Arrependa-se. Volte, lave as mãos, continue a espremer a metade da laranja na panela.
Lave as mãos, pegue o seu filho no colo. Com muito cuidado, para não queimar ninguém, coloque os frangos para grelhar. Lave as mãos, não molhe o bebê, esprema a outra metade da laranja. Coloque um pouco de açúcar mascavo no suco de laranja. Desvie das mãozinhas curiosas e derrame uma porção involuntária e generosa de mais açúcar mascavo. Pense "dane-se!" e continue. Segure o bebê, não deixando que ele caia ao se jogar do seu colo rumo ao pedaço de gengibre. Tudo bem se ele mascar a raiz. Dizem que faz bem para a garganta.
Pegue um biscoito. Entregue o biscoito na mão do bebê, tentando, ao mesmo tempo, recuperar o gengibre. Negocie. Regateie. Chantageie. Arrependa-se.
Pegue o gengibre (de preferência distraindo o bebê com outras coisas), passe no ralador. Não muito. Para uma laranja grande eu usei cerca de uma colher de café.
Vire o frango na frigideira. Cuidado com a perna da criança.
Ligue o fogo sob a panela com o suco de laranja "temperado". Você deve fazer uma redução. Ou esquentar um pouquinho, o que seu bebê permitir que você faça.
Pouse a criança no chão, explicando que agora você vai precisar das duas mãos um pouquinho.
Vete a tentativa de mexer nos botões do fogão. Vete a tentativa de puxar o fio da cafeteira. Repita "não, amorzinho, não mexe no franguinho. Toma aqui este pacote de fraldas, que isso pode". Mais uma vez. Mexa a panela com a redução.
Ignore a receita e passe a misturar os ingredientes conforme você "sente" que funciona.
Corra na sala, não deixe que o bebê pegue o copo de água que você esqueceu em cima da escrivaninha. Console seu choro. Volte para a cozinha, mexa a panela, desligue o frango, chame o bebê e apresente a ele uma maravilhosa escumadeira. Repita "não, amorzinho, não mexe no franguinho. Toma aqui a escumadeira, que isso pode". Guarde (finalmente!) o frango. Pegue o bebê no colo. Coloque a manteiga (uma colher de sopa) e dissolva. Retire a mão do bebê de dentro do pote de manteiga e lave-a copiosamente, para minimizar a gordura. Pouse a criança no chão. Acrescente um pouco de shoyo. No molho, não no bebê. Cuidado, pois o ideal é o equivalente a uma colher e meia de sopa, mas se você for olhar para o lado porque o menino está prestes a prender o dedo na gaveta, você pode derramar mais do que o necessário. Se isso acontecer, console-se pensando que o açúcar mascavo em excesso vai cortar o sal do shoyo em excesso.
Lave as mãos, abra o armário, retire a faca da mão do bebê (era sem serra e sem ponta, ok, mas nunca se sabe). Coloque uma colher de sopa de amido de milho na panela. Assista ao empelotamento do molho enquanto você dá colo ao bebê. Mexa até engrossar. Acalme o bebê, coloque-o na cadeira de refeições. Sirva-o.
Sirva-se de arroz, um peito de frango e regue com o molho, tomando o cuidado para não pescar as bolotas de amido e nem o biscoito ou o pedaço de cenoura (!!) que seu filho conseguiu jogar dentro da panela.
Bom apetite!
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