E no dia 5/12, às 12h02, pari meu segundo filho, Gael.
Ele nasceu com incríveis 3,820kg e 54,5cm em um parto hospitalar natural intenso e bastante dolorido.
Já estamos em casa, passamos muito bem e estamos vivendo as alegrias e angústias do puerpério. Pelo menos dessa vez estou tendo menos problemas com a amamentação. Lá se vão três dias e até agora ainda tenho o mamilo completo, com duas feridas enormes, é verdade, mas o bebê ainda não arrancou nenhum pedaço.
Que tudo siga assim.
Aos poucos venho contar do parto e da interação entre irmãos. Por enquanto, porém, vou chorar, colocar compressa gelada nas peitas e babar nas minhas crias.
domingo, 9 de dezembro de 2018
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
Susto na reta final
Reta final que se preze precisa ter um sustinho, né? Bom, o meu só poderia ter acontecido aqui, nesta terra gelada e longínqua do Norte.
Eu estava na minha milésima consulta pré Natal, porque, como vocês sabem, eu sou um elefante que sabe escrever, então minha segunda gestação, é óbvio, está durando mais que 40 semanas de novo. Bom, eu estava na consulta — que agora já acontece DUAS vezes na semana! — e comecei a me sentir mal. Eu tô com uma coisa super legal: hipoglicemia de rebote. É ótimo comer algo, o açúcar subir e logo depois despencar, deixando você miserável e hipoglicêmica. Delícia! Então, eu fiz um exame na clínica, e para o bebê colaborar precisei comer um chocolate. Glicose subiu, glicose desceu, e na hora de ir embora eu já estava zoada nível 5 da dança do créu. Pedi um carro pelo aplicativo e, quando entrei, o motorista que puxar papo, disse que tinha vindo de sei lá onde, que estava começando a pegar passageiros naquela hora. Eu vendo tudo rodar, pensando se precisaria ou não ligar para marido, não consegui interagir muito bem com o moço tão simpático. Nem com nada. Eu estava concentrada na minha mazela, usando a última energia do meu corpo para avaliar se eu desmaiaria, vomitaria ou apenas ficaria me sentindo à beira de um ataque até chegar em casa. Enchi a boca de bala (não façam isso em casa, crianças) porque pelo menos assim eu conseguiria subir meu açúcar até chegar em casa, e respirei fundo.
De repente, uma sensação morna começou a se espalhar pelo banco onde eu estava sentada. Meu deus! Minha bolsa estourou! Justo agora, comigo hipoglicêmica? No carro do homem?! Porra, Murphy, valeu, hein?!
Devagar, coloquei a mão no banco para avaliar o estrago e... Surpresa! Era só o aquecedor de bunda do carro! Como o rapaz tinha acabado de começar, quando eu entrei no carro o aquecedor ainda não estava ligado. Eu, zoada, não notei o frio. Aliás, não notei nada!
Respirei fundo outra vez e consegui chegar em casa. Bolsa intacta. E, pelo visto, eternamente grávida.
Eu estava na minha milésima consulta pré Natal, porque, como vocês sabem, eu sou um elefante que sabe escrever, então minha segunda gestação, é óbvio, está durando mais que 40 semanas de novo. Bom, eu estava na consulta — que agora já acontece DUAS vezes na semana! — e comecei a me sentir mal. Eu tô com uma coisa super legal: hipoglicemia de rebote. É ótimo comer algo, o açúcar subir e logo depois despencar, deixando você miserável e hipoglicêmica. Delícia! Então, eu fiz um exame na clínica, e para o bebê colaborar precisei comer um chocolate. Glicose subiu, glicose desceu, e na hora de ir embora eu já estava zoada nível 5 da dança do créu. Pedi um carro pelo aplicativo e, quando entrei, o motorista que puxar papo, disse que tinha vindo de sei lá onde, que estava começando a pegar passageiros naquela hora. Eu vendo tudo rodar, pensando se precisaria ou não ligar para marido, não consegui interagir muito bem com o moço tão simpático. Nem com nada. Eu estava concentrada na minha mazela, usando a última energia do meu corpo para avaliar se eu desmaiaria, vomitaria ou apenas ficaria me sentindo à beira de um ataque até chegar em casa. Enchi a boca de bala (não façam isso em casa, crianças) porque pelo menos assim eu conseguiria subir meu açúcar até chegar em casa, e respirei fundo.
De repente, uma sensação morna começou a se espalhar pelo banco onde eu estava sentada. Meu deus! Minha bolsa estourou! Justo agora, comigo hipoglicêmica? No carro do homem?! Porra, Murphy, valeu, hein?!
Devagar, coloquei a mão no banco para avaliar o estrago e... Surpresa! Era só o aquecedor de bunda do carro! Como o rapaz tinha acabado de começar, quando eu entrei no carro o aquecedor ainda não estava ligado. Eu, zoada, não notei o frio. Aliás, não notei nada!
Respirei fundo outra vez e consegui chegar em casa. Bolsa intacta. E, pelo visto, eternamente grávida.
sexta-feira, 16 de novembro de 2018
A sofrência da reta final
(Chutei o balde da cronologia dos posts.)
Esta gravidez não está sendo de fritar bolinho.
Se por um lado não tenho problemas graves, felizmente, por outro, os desconfortos gravídicos me abalaram bastante.
Acho tem muito a ver com o fato de estaremos em um país estrangeiro, sozinhos, e também com a situação calamitosa do mundo como um todo — muita gente pesada e medíocre ganhando destaque por aí, valores distorcidos, falta de empatia e amor ao próximo, essas coisas.
Estamos aqui em tempo real com 35+4 e anteontem foi um dos dias mais difíceis desta gravidez.
Passei a madrugada de terça para quarta com muita, muita, muita falta de ar! Nenhuma posição trazia conforto ou alívio. Tentei andar, tentei sentar, deitar, ficar reclinada, empilhar travesseiros e deitar só a cabeça... Nada! Não dormi. E tive uma crise de ansiedade por conta disso, porque achei que estivesse morrendo, que meu coração estivesse entrando em colapso, que meu corpo fosse sucumbir ao desgaste que é crescer, nutrir e gerar uma criança a partir de duas míseras células. Quase fui ao hospital. Passei muito mal mesmo! E, por isso, é óbvio, quarta-feira não foi um dia fácil para mim também. Passei o tempo todo ofegante, sentindo que o ar não chegava, com tonturas e, no fim do dia, tive uma crise de hipoglicemia porque não sinto fome, já que meu estômago praticamente inexiste (minha altura uterina mandou beijo para todos e já não existe mais na medida média da tabela, só na medida máxima da semana 42), e quando como tenho azia e muito incômodo com o esvaziamento gástrico tão devagar.
Aí, bateu um pânico horrível. Junto com o medo de morrer, de ter algo errado comigo, veio o medo de ficar nesse estado de miserabilidade até 41 semanas, como foi com Arthur! Imaginei passar mais seis semanas sem comer e sem dormir, ansiosa, com medo, me sentindo mal, sem sair da cama, e mesmo assim exausta e esgotada.
Aí, ontem (quinta), bebê 2 encaixou. Liberou espaço. Chegaram minhas vitaminas com ferro. E hoje tive um dia cheio de cólicas, dores perto do osso púbico, peso e desconforto ao sul do Equador, mas muito menos falta de ar. Espero que este menino continue assim, encaixado, me dando espaço, me ajudando a ter ânimo para chegar aonde quer que ele queira chegar.
Até lá, sigo respirando, tentando encontrar espaços numa vida que está pesada e cheia de demandas externas e angústias internas, sigo fazendo duas terapias por semana (uma individual e outra individual), sigo também com acompanhamento de cardiologista e consultas semanais com as midwives. Só espero que bebê 2 venha um pouco antes de 41 semanas, porque está cansativo demais, e eu estou pronta para nunca mais ser uma grávida.
Esta gravidez não está sendo de fritar bolinho.
Se por um lado não tenho problemas graves, felizmente, por outro, os desconfortos gravídicos me abalaram bastante.
Acho tem muito a ver com o fato de estaremos em um país estrangeiro, sozinhos, e também com a situação calamitosa do mundo como um todo — muita gente pesada e medíocre ganhando destaque por aí, valores distorcidos, falta de empatia e amor ao próximo, essas coisas.
Estamos aqui em tempo real com 35+4 e anteontem foi um dos dias mais difíceis desta gravidez.
Passei a madrugada de terça para quarta com muita, muita, muita falta de ar! Nenhuma posição trazia conforto ou alívio. Tentei andar, tentei sentar, deitar, ficar reclinada, empilhar travesseiros e deitar só a cabeça... Nada! Não dormi. E tive uma crise de ansiedade por conta disso, porque achei que estivesse morrendo, que meu coração estivesse entrando em colapso, que meu corpo fosse sucumbir ao desgaste que é crescer, nutrir e gerar uma criança a partir de duas míseras células. Quase fui ao hospital. Passei muito mal mesmo! E, por isso, é óbvio, quarta-feira não foi um dia fácil para mim também. Passei o tempo todo ofegante, sentindo que o ar não chegava, com tonturas e, no fim do dia, tive uma crise de hipoglicemia porque não sinto fome, já que meu estômago praticamente inexiste (minha altura uterina mandou beijo para todos e já não existe mais na medida média da tabela, só na medida máxima da semana 42), e quando como tenho azia e muito incômodo com o esvaziamento gástrico tão devagar.
Aí, bateu um pânico horrível. Junto com o medo de morrer, de ter algo errado comigo, veio o medo de ficar nesse estado de miserabilidade até 41 semanas, como foi com Arthur! Imaginei passar mais seis semanas sem comer e sem dormir, ansiosa, com medo, me sentindo mal, sem sair da cama, e mesmo assim exausta e esgotada.
Aí, ontem (quinta), bebê 2 encaixou. Liberou espaço. Chegaram minhas vitaminas com ferro. E hoje tive um dia cheio de cólicas, dores perto do osso púbico, peso e desconforto ao sul do Equador, mas muito menos falta de ar. Espero que este menino continue assim, encaixado, me dando espaço, me ajudando a ter ânimo para chegar aonde quer que ele queira chegar.
Até lá, sigo respirando, tentando encontrar espaços numa vida que está pesada e cheia de demandas externas e angústias internas, sigo fazendo duas terapias por semana (uma individual e outra individual), sigo também com acompanhamento de cardiologista e consultas semanais com as midwives. Só espero que bebê 2 venha um pouco antes de 41 semanas, porque está cansativo demais, e eu estou pronta para nunca mais ser uma grávida.
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
33 corpinho de 38
Peço licença para interromper a sequência cronológica que vinha seguindo até então para escrever este post no meio da madrugada deste frio outubro.
Estou rolando na cama há mais de duas horas, tentando encontrar uma posição confortável para: meu bebê, minha cabeça, minha azia, meu refluxo e minha barriga de 33 semanas, mas que está do tamanho padrão de uma barriga de 38. Sim, você não leu errado: minha altura uterina corresponde à altura uterina média (percentil 50) de alguém que está grávida de 38 semanas.
A midwife não me pareceu preocupada ou assustada com essa medida, mas acho que tem a ver com o fato de que este bebê não vai sair pela vagina dela.
Ela disse que o bebê não está gigante, então voltei para casa me perguntando o que seria um bebê gigante para ela. Cinco quilos? Cinco e meio?
Acabei fazendo uma terceira ultra na última consulta. O motivo foi absolutamente fútil. Na ultra morfológica, aquela que fiz lá longe, em Chicago, a técnica e o médico disseram que meu bebê era um menino, me deram quatro fotos e tchau, beijo.
Quando mudei de clínica, eles pediram meus exames prévios, inclusive a ultra, e fui rever as fotos que ganhei, por mera curiosidade.
Bem, nas fotos não vi a obviedade masculina que relatei aqui há algumas semanas. E como minha memória anda ótima, não me lembrava de ter visto durante o exame as partes íntimas de um menino.
Postei a foto que tinha aqui em um fórum de mães, achando que iria receber respostas como "miga, sua louca, tá na cara que é um menino! Olha aqui...", mas o tópico foi super polêmico e metade das mães juravam que era um menino, metade, que era uma menina. Fiquei na dúvida.
Aí, na última consulta pedi para a enfermeira dar uma olhada na morfológica, só por precaução, e então ela sugeriu que eu fizesse uma nova ultra. Acabei aceitando e foi ótimo: confirmei que é mesmo e sem dúvida alguma um menino e vi os cabelinhos flutuando (❤), o que explica essa azia louca que venho sentindo.
O bebê está mesmo grande, mas a médica que fez a ultra também não ficou preocupada com isso. Novamente, acho que tem a ver com a vagina em vias de parir não ser a dela.
Enfim, agora estou aqui, duas e meia da manhã, caindo de sono, escrevendo um texto meio desconexo, rolando de um lado para o outro em busca de uma posição que me permita dormir, respirar, não morrer de azia e acomodar a barriga ao mesmo tempo.
Enquanto não acho este lugar, vou pensando coisas desconexas, inclusive este post, que serve de desabafo e de registro ao mesmo tempo.
Queria conseguir dormir sentada. 😔
Estou rolando na cama há mais de duas horas, tentando encontrar uma posição confortável para: meu bebê, minha cabeça, minha azia, meu refluxo e minha barriga de 33 semanas, mas que está do tamanho padrão de uma barriga de 38. Sim, você não leu errado: minha altura uterina corresponde à altura uterina média (percentil 50) de alguém que está grávida de 38 semanas.
A midwife não me pareceu preocupada ou assustada com essa medida, mas acho que tem a ver com o fato de que este bebê não vai sair pela vagina dela.
Ela disse que o bebê não está gigante, então voltei para casa me perguntando o que seria um bebê gigante para ela. Cinco quilos? Cinco e meio?
Acabei fazendo uma terceira ultra na última consulta. O motivo foi absolutamente fútil. Na ultra morfológica, aquela que fiz lá longe, em Chicago, a técnica e o médico disseram que meu bebê era um menino, me deram quatro fotos e tchau, beijo.
Quando mudei de clínica, eles pediram meus exames prévios, inclusive a ultra, e fui rever as fotos que ganhei, por mera curiosidade.
Bem, nas fotos não vi a obviedade masculina que relatei aqui há algumas semanas. E como minha memória anda ótima, não me lembrava de ter visto durante o exame as partes íntimas de um menino.
Postei a foto que tinha aqui em um fórum de mães, achando que iria receber respostas como "miga, sua louca, tá na cara que é um menino! Olha aqui...", mas o tópico foi super polêmico e metade das mães juravam que era um menino, metade, que era uma menina. Fiquei na dúvida.
Aí, na última consulta pedi para a enfermeira dar uma olhada na morfológica, só por precaução, e então ela sugeriu que eu fizesse uma nova ultra. Acabei aceitando e foi ótimo: confirmei que é mesmo e sem dúvida alguma um menino e vi os cabelinhos flutuando (❤), o que explica essa azia louca que venho sentindo.
O bebê está mesmo grande, mas a médica que fez a ultra também não ficou preocupada com isso. Novamente, acho que tem a ver com a vagina em vias de parir não ser a dela.
Enfim, agora estou aqui, duas e meia da manhã, caindo de sono, escrevendo um texto meio desconexo, rolando de um lado para o outro em busca de uma posição que me permita dormir, respirar, não morrer de azia e acomodar a barriga ao mesmo tempo.
Enquanto não acho este lugar, vou pensando coisas desconexas, inclusive este post, que serve de desabafo e de registro ao mesmo tempo.
Queria conseguir dormir sentada. 😔
sexta-feira, 12 de outubro de 2018
26 semanas
E mais uma vez
falhei retumbantemente em registrar mais amiúde esta minha última gestação. Mas
eu me perdoo, pois a vida durante as férias escolares foram intensas e com
rotina pesada.
Em junho minha
mãe chegou por essas bandas e marido viajou por um mês. Se por um lado eu tinha
ajuda, por outro também queria que minha mãe aproveitasse a viagem e conhecesse
lugares bacanas. Fiz alguns passeios legais com ela e acabei tendo um tempo curto
para muitas outras coisas.
Quando marido
voltou de viagem, precisamos resolver diversas burocracias e nos preparar para
a vida MUITO louca que nos aguarda até o fim deste ano: muitas metas, muitas
obrigações, muitas coisas a serem resolvidas e que precisam de cuidado intenso
e imediato. Arrisco dizer que estamos numa daquelas encruzilhadas que definem
os anos vindouros, e se falharmos agora, muitos arrependimentos podem surgir em
nossas vidas.
Mas e a gravidez
de 26 semanas, Ártemis? Foco!
Ah, é. Tô assim
meio avoada de novo. Os hormônios me fazem esquecer detalhes e coisas pouco
importantes (só duas vezes esqueci coisas realmente importantes, mas faz parte,
né?).
Os enjoos
persistem. Agora mais suaves e concentrados à noite, sobretudo se como doces.
Já não tomo remédios tem um bom tempo (desde a semana 20, por aí) e sigo
engordando bem.
Pressão ok, glicose ok (86, medida ótima) – fiz pela primeira vez aquele teste com a bebida que parece um Sprite sem gás e foi tudo bem. Morria de medo porque a galera fala que vomita, que tem queda de pressão, que é uma experiência traumática. Bem, eu fui pronta para o apocalipse zumbi e saí de lá normal, até sem fome. Hehehe
Pressão ok, glicose ok (86, medida ótima) – fiz pela primeira vez aquele teste com a bebida que parece um Sprite sem gás e foi tudo bem. Morria de medo porque a galera fala que vomita, que tem queda de pressão, que é uma experiência traumática. Bem, eu fui pronta para o apocalipse zumbi e saí de lá normal, até sem fome. Hehehe
Por falar em
fome, parece que tem um buraco no meu estômago! Como muitas vezes, muitas
coisas. Às vezes preciso comer várias porções porque dá azia, refluxo e mal
estar, mas o apetite sempre existe. Algumas vezes eu cheguei a ir de madrugada
assaltar a geladeira porque não dava para aguentar esperar o dia chegar para
comer alguma coisa.
Minha barriga está
ENORME. Hoje o pai de um amiguinho do Arthur perguntou para quando era o bebê e
levou um susto quando disse a data prevista. Ela achou que ia nascer em poucas
semanas. Eu também estou muito espantada com essa pança gigante, e na última
consulta (a do teste de glicose) perguntei na cara de pau se a enfermeira tinha
certeza absoluta de que era só um bebê mesmo. Ela disse que sim, que depois de
ter feito a morfológica ela garantia que era só um mesmo. Mas sigo desconfiada.
Este bebê, que é outro menino, como eu já vinha desconfiando, se mexe
muitíssimo! O tempo todo e é comum sentir o movimento em dois, três lugares
diferentes. Não registrei isso com Arthur, mas não tenho a memória de isso ter
acontecido com ele. Minha lembrança é de muitos movimentos lentos, suaves, como
se Arthur passasse o dia todo se espreguiçando ou soluçando na minha barriga.
Este bebê também soluça bastante, mas ele se estica, enfia pezinho ou cotovelo
numa parte da minha barriga que me faz ver estrelinhas e que provoca contrações
de BH, o que acaba gerando mais dor e incômodo, porque a barriga contrai, o
bebê cutuca e eu sinto como se tivesse enfiado a barriga numa quina bem
pontuda. Por falar em cutucadas, outra diferença significativa desta para a
gravidez do Arthur deve-se ao fato de que este segundo filho
chuta/aperta/cutuca minha bexiga e meu intestino. Arthur não fazia isso com
certeza! As sensações de chutes lá na bexiga são inteiramente novas e
surpreendentes para mim. Aliás, a bexiga, nesta gravidez, tem sido bastante
comprimida, e eu levanto de madrugada para fazer xixi, uma coisa que não me
lembro de ter acontecido no segundo trimestre com Arthur.
Por falar em
Arthur, ele tem sido muito carinhoso com o bebê (aka minha barriga), mas tem se
mostrado bastante sensível a respeito da chegada do irmão. O comportamento
varia de agressivo a dependente e ele tem direcionado a raiva que sente por
perder o posto de filho único principalmente a mim. Melhoramos muito com a
retirada da TV (assunto para outro post, prometo), mas ainda estamos trilhando
um caminho de muita paciência e meditação da minha parte, e muito aprendizado da
parte dele. Comprei também uns livros bacanas para este momento, porque
acredito demais no poder da literatura para trabalhar emoções represadas
(assunto para outro post também. Vamos listando!).
Sobre o
atendimento à gestante aqui nos EUA, tenho umas observações.
Por conta de
burocracias e comodidade (a clínica fica a 5 minutos da minha casa, bem ou mal
eu já conheço a equipe), acabei me consultando até agora no mesmo lugar onde
comecei o pré-natal, mesmo sabendo que trocaria de equipe em breve.
A minha última
consulta, com 24+4, foi melhor em termos de conversa com a enfermeira. Eu levei
uma lista de queixas e perguntas e ela foi atenciosa, respondeu a tudo e até mesmo
pediu exames específicos para investigar melhor duas queixas (cansaço – que
poderia ser anemia, mas felizmente não é – e queda de cabelo – que poderia ser
devido a um problema na tireoide, o que, de novo, felizmente não é). Apesar de
ser considerada uma grávida idosa (palavras do meu prontuário médico!), tenho
me mostrado uma grávida bastante saudável, sem qualquer intercorrência séria.
Os enjoos estão chatos, é verdade, e no começo foram até desesperadores, mas
eles não afetaram minha saúde e, pelo que temos acompanhado nas duas US que fiz
e nas auscutas que fazemos a cada consulta, nem a do bebê.
Mas voltando ao
atendimento, vou fazer um post só sobre a ultra morfológica (e devo postar
antes deste texto aqui, só para fins narrativos), porque esse tipo de exame tem
sido completamente diferente das ultras que fiz no Brasil.
A consulta padrão
daqui funciona assim: sou chamada pela técnica de enfermagem, que faz a triagem
inicial – afere pressão, mede temperatura, anota peso e batimentos cardíacos no
meu cartão da gestante – e depois sai, para que a médica ou a enfermeira
obstetriz venham conversar comigo. A médica ou obstetriz chegam e perguntam
como tenho me sentido, se houve sangramento, perda de líquido e se tenho
sentido o bebê mexer. Nessa hora eu desfio meu rosário de dúvidas e queixas e
elas respondem o que conseguem/podem. Perguntas sobre parto são, nesta clínica,
geralmente respondidas de maneira bastante esquisita, com frases tipo “podemos
fazer um parto sem intervenções, se você quiser”, “mais para a frente
conversamos sobre isso”, “não se preocupe com isso agora”, por isso que decidi
trocar de equipe (além disso, conheci duas pessoas que tiveram cesáreas com
desculpas superestranhas com esta equipe: uma desculpa eu não me lembro, mas
acho que era falta de dilatação, a outra foi porque “ficou sem líquido” e o
“parto seco” estava doendo demais). Pois bem, depois das dúvidas e queixas, eu
me deito na cama de exames e escutamos o coraçãozinho do bebê (❤). Se eu precisar de encaminhamento para outro profissional
de saúde, de prescrição de medicamento ou de pedido de exame específico (ultra,
teste de glicose etc.), então a médica ou obstetriz sai da sala para preencher
a papelada e pede para que eu espere ali dentro um pouquinho. Caso contrário,
estou liberada.
A parte emocional
é irrelevante nessas consultas. Elas estão preocupadas em rastrear casos de
depressão em gestantes, mas as ansiedades, medos, angústias e aflições não têm
espaço ali. Acho isso lamentável. Um atendimento humano de verdade passa necessariamente
pelo aspecto emocional da gravidez, para além do bem-estar físico. Por exemplo,
quando reclamei das espinhas, que ainda estão por aqui, cada vez mais
frequentes, maiores e mais doloridas, recebi uma receita de sabonete líquido,
mas nem uma palavra ou pergunta sobre como isso poderia estar impactando minha
auto-estima ou meu conforto emocional. No caso, as espinhas têm sido, sim, algo
difícil para mim, porque elas doem bastante, sobretudo as das costas, e isso
afeta a maneira como encaro a gravidez, meu corpo, as mudanças que venho
observando... Mas para o corpo médico desta clínica, não é um problema porque
eu não estou deprimida por conta das espinhas e nem tendo contrações,
sangramentos ou perda de líquido.
Espero que a
próxima clínica seja melhor e me dê mais respaldo emocional. Vamos ver. Agendei
minha primeira consulta para daqui a uma semana, quarta-feira que vem. E não
poderia deixar de registrar que meu plano cobre transporte! Então, vou pegar
uma carona até a clínica (que fica na cidade vizinha), depois eles me trazem de
volta.
Até lá, sigo com
este bebê superativo pulando na minha barriga e que já conquistou o coração de
todos aqui em casa.
(escrito no fim de agosto)
sábado, 29 de setembro de 2018
Ultrassonografias nos EUA - minha experiência
Assim como na
gravidez do Arthur, decidi, com base nas pesquisas que fiz e nas evidências
científicas, que faria a menor quantidade possível de ultrassonografias.
Logo no começo da
gravidez, na primeira consulta, a enfermeira obstétrica que me atendeu ficou na
dúvida se faríamos uma ultra ou não. Disse que preferia fazer somente se ela
achasse que havia uma necessidade clínica/médica para tal. Então, ela desistiu.
Na consulta
seguinte (ou na terceira, não me lembro bem porque era a fase dos enjoos
bizarros) fiz a ultra para ver se o bebê estava bem posicionado e para
confirmar a data estimada para as 40 semanas. A ultra não pôde ser filmada ou
fotografada, foi feita na cama de exames mesmo, com um aparelho de ultrassom
portátil e tinha uma definição sofrível. Durou pouco mais de um minuto e recebi
uma foto impressa de um amendoim (❤).
Depois dessa
ultra, iria fazer somente a morfológica, mas acabei fazendo uma “ultra de
emergência” (vamos chamar assim) porque a médica quase me infartou ao não
localizar o batimento cardíaco do feto. Então, ela trouxe o mesmo aparelho
portátil usado na primeira vez e levou exatos 5 segundos para localizar o
batimento fetal e dizer “tudo perfeito”, desligando a máquina a seguir. Se eu
tivesse piscado, teria perdido a imagem do feto.
Por volta das 18
semanas fui fazer a morfológica de segundo trimestre. Achei cedo, mas quem
designou esta data foram as médicas da clínica e da clínica de ultrassom, então
fui dançando conforme a música porque descobri que aqui nos EUA às vezes eles antecipam
esta ultra mesmo.
A morfológica foi
feita numa clínica em Chicago. Peguei o trem e chacoalhei ali dentro, enjoada e
incômoda, por 1h25 até chegar na rua do hospital onde faria o exame. Era um
hospital, mas na ala de exames e laboratórios. Fui informada de que crianças
menores de 13 anos não eram aceitas nas salas de exame, por isso precisei
deixar Arthur na cafeteria com minha mãe enquanto fazia a ultra. Como marido
estava viajando, fiz tudo sozinha.
De novo não pude
filmar ou tirar foto (perguntei e recebi um lindo “não”).
O exame começou
com cinco minutos de atraso e quem realizou o procedimento foi uma técnica. Ela
perguntou se eu queria saber o sexo e, mais uma vez, antes mesmo de ela avisar,
eu já vi que era outro menino. Ela mediu o que precisava medir, visualizamos
dedinhos, pés, coluna, perfil, órgãos... Ela explicou algumas coisas (bem
superficialmente, tipo “olha aqui o pezinho” ou “olha o perfil do seu bebê”) e
quando eu falei que minha família tem casos de polidactilia (seis dedos na
mão), ela voltou na mãozinha para contarmos juntas os cinco dedinhos. Mas ela
não foi narrando o exame e nem explicou muito o que estava medindo ou
verificando. Perguntei se estava tudo perfeito e ela disse que parecia que sim,
que o exame tinha terminado e que era para eu esperar a liberação do médico,
que assina o laudo.
Fiquei lá na sala
babando nas míseras quatro fotinhas que ela me deu de souvenir e aproveitei
para mandar mensagem para o marido, falando que era outro menino. (❤)
Nisso chegou o
médico na sala de exame. Ele falou “então, preciso rever umas coisas”. Quase
morri ali mesmo! Como assim? Deu ruim? Apareceu alguma coisa que não deveria
ter aparecido? Ou deram falta de algo? O médico explicou que não, que estava
tudo bem, mas que ele queria ter certeza de que a técnica não tinha deixado
passar nada, afinal ele estava assinando o laudo e tal. Mas quem disse que eu
fiquei tranquila com essa resposta?! Que mãe não pensaria bobagens nessas
circunstâncias?
Bom, quando ele
terminou, repetiu que era um bebê aparentemente saudável e dentro dos padrões
esperados. E reforçou apenas o que já sabia: que ele não poderia dar certeza de
ser um bebê 100% saudável e dentro dos padrões porque o ultrassom tem margem de
erro e que certeza absoluta mesmo a gente só tem quando o bebê nasce.
Desci para contar
a novidade do irmãozinho para Arthur, que ficou radiante, porque preferia,
claro, um menino, mas sempre com a pulguinha atrás da orelha. Essa pulguinha só
pulou de lá quando me consultei na clínica do pré-natal e confirmei com a
médica de que estava tudo dentro do esperado, sim, e que o fato de o médico
passar lá para repetir as medições era comum. A médica até comentou que eles
fazem isso para poder cobrar mais do plano de saúde, afinal a hora do médico
custa mais que a hora da técnica.
Agora estou com
26 semanas e não tenho nenhum ultrassom marcado. Na clínica nova até me
sugeriram de fazer, mas educamente recusei, e fui respeitada. Vamos ver como
vai ser daqui em diante. Com Arthur fiz 4 ultras: a primeira para ver se estava
tudo bem e datar a gravidez, a segunda foi a translucência nucal (que aqui foi
substituída pelo NIPT, exame de sangue que cumpre a mesma função da TN), a
terceira foi a morfológica do segundo tri e a última foi pertinho de parir,
porque tinha passado das 40 semanas e precisava monitorar a vitalidade para ter
certeza de que tudo estava caminhando conforme deveria.
Se alguém ainda me lê, quantas ultras você fez?
(post do fim de agosto. Ainda faltam algumas semanas para o fim da gravidez. Vai dar tempo!)
sexta-feira, 21 de setembro de 2018
Metade do caminho
Tinha um enjoo no meio do caminho. Um enjoo diário e constante, persistente e um pouco menos incapacitante, mas ainda assim irritante e inconveniente.
As últimas semnas foram de muitas emoções: marido viajou por 42 dias e eu fiquei sozinha tomando conta da casa, do Arthur, do bebê e da minha mãe, que veio visitar, mas está doente.
A morfológica do segundo semestre foi feita comigo sozinha na sala, e eu fiquei triste de meu marido não ter estado por perto para partilhar esse momento. Também foi difícil saber que o bebê já chuta com força suficiente para outras pessoas sentirem os movimentos e não ter marido por perto para se emocionar.
No mais, tudo caminhando conforme deve ser: barriga crescendo (tenho a sensação de estar muito maior do que na gravidez do Arthur), bebê se mexendo (ele chuta muito mais a parte de trás do meu corpo do que Arthur fazia, acho que tem a ver com a posição da placenta, que está anterior desta vez), enjoos persistindo (ainda tomo remédios, embora não mais diariamente, e menos ainda de 6 em 6 horas), muito cansaço, alguma azia e, comparado com a gravidez anterior, pouco ganho de peso (até a última consulta tinha ganhado meros 5kg, sendo que na gravidez do Arthur engordei no total 13kg. Ou seja, se continuar nesse ritmo, vou chegar ao fim da gestação com cerca de 10kg de ganho de peso).
Ainda não temos nome. Está difícil de escolher. E Arthur está lidando muito bem com a ideia de ter um irmãozinho, mas muito mal com a ideia de perder a atenção integral de mamãe e papai. Vejamos como vamos caminhar.
As últimas semnas foram de muitas emoções: marido viajou por 42 dias e eu fiquei sozinha tomando conta da casa, do Arthur, do bebê e da minha mãe, que veio visitar, mas está doente.
A morfológica do segundo semestre foi feita comigo sozinha na sala, e eu fiquei triste de meu marido não ter estado por perto para partilhar esse momento. Também foi difícil saber que o bebê já chuta com força suficiente para outras pessoas sentirem os movimentos e não ter marido por perto para se emocionar.
No mais, tudo caminhando conforme deve ser: barriga crescendo (tenho a sensação de estar muito maior do que na gravidez do Arthur), bebê se mexendo (ele chuta muito mais a parte de trás do meu corpo do que Arthur fazia, acho que tem a ver com a posição da placenta, que está anterior desta vez), enjoos persistindo (ainda tomo remédios, embora não mais diariamente, e menos ainda de 6 em 6 horas), muito cansaço, alguma azia e, comparado com a gravidez anterior, pouco ganho de peso (até a última consulta tinha ganhado meros 5kg, sendo que na gravidez do Arthur engordei no total 13kg. Ou seja, se continuar nesse ritmo, vou chegar ao fim da gestação com cerca de 10kg de ganho de peso).
Ainda não temos nome. Está difícil de escolher. E Arthur está lidando muito bem com a ideia de ter um irmãozinho, mas muito mal com a ideia de perder a atenção integral de mamãe e papai. Vejamos como vamos caminhar.
(Como este post foi escrito no fim de julho, já podemos rir bem alto da história do peso! hahahaha Óbvio que já ganhei um moooonte de quilos de lá para cá, especialmente com minha tara por chocolate.)
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